Uma coisa de que realmente gosto na memória que fica do Bento é o lado um pouco rasteiroso que se pode ver no filme aqui em cima, em que ele faz um penalti, como diz o comentador várias vezes, "sem necessidade nenhuma" ao irlandês do Porto, o Walsh. Fez outros assim, deu frangos, queixou-se da falta de fruta e das iluminação do estádio quando levou grandes goleadas, etc. Mas, se existiu uma mística benfiquista de que hoje se pode ser nostálgico, o Bento foi, sem necessidade nenhuma, um dos seus maiores sacerdotes. Foi, além de um grande guarda redes, um dos líderes de um bando de malandros que arrumava porcaria mas era um grupo e transmitia a memória do clube dentro do campo, das vitórias e das derrotas.
O Bento foi o guarda-redes do Benfica e da selecção durante os anos em que eu ia ver futebol ao estádio. Era no tempo em que o futebol, apesar de já haver alguns jogos em directo na TV, ainda se jogava muito aos domingos à tarde. E, para se ter a emoção do directo, era preciso ir ao estádio ou ouvir na rádio. Ouvia-se assim na rádio "grande defesa de Bento" e já se podia imaginar o resto porque a "grande defesa de Bento" era uma imagem que estava lá bem gravada nas nossas sinapses, fossem elas ou não encarnadas.
Corram a comprar A Bola de hoje, que eu não posso! Tem lá depoimentos sinceros e comoventes, como o do Delgado, que foi suplente do Bento e um dos seus maiores admiradores.
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sexta-feira, 2 de março de 2007
Sem necessidade nenhuma
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andre
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quinta-feira, 1 de março de 2007
Na baliza eu era o maior
Quando era puto, naqueles tempos quase imemoriais em que as crianças passavam horas na rua a correr atrás de uma bola, a minha posição predilecta era a de quarda-redes. Contávamos três passos, de uma pedra a outra, e estava a baliza montada pronta para o desafio. Joguei muitas vezes contra o Sporting. Na baliza oposta jogava o Damas e eu, claro, só podia ser o Bento. Durante todo tempo que durava a partida (umas vezes eram apenas breves minutos, noutras jogávamos até anoitecer) encarnava a figura do guarda-redes do Benfica. Imitava-lhe os voos felinos e tentava moldar-me ao seu estilo elegante. Empenhava-me de tal modo neste exercício performativo que, em alguns casos, perdia o fio ao jogo e acabava por deixar entrar um golo.
Tive a sorte de assistir, não no peão mas na bancada de sócios (felizardo!), a alguns jogos da equipa maravilha dos anos 80: Humberto Coelho, Chalana, Nené, Pietra, Shéu, os irmãos Bastos, Carlos Manuel… Lembro-me particularmente de dois jogos, a final da Taça UEFA com o Anderlecht que infelizmente perdemos, e um jogo contra o Sporting num ano (para aí entre 1981 e 1983) em que o Benfica ganhou o campeonato (velhos tempos!). Neste jogo recordo-me de um penalty que foi marcado contra a nossa equipa. O marcador de serviço era o Jordão, um excelente ponta-de-lança que raramente falhava. Mas naquele jogo o Bento conseguiu defender, a ovação foi estrondosa. O grandioso Estádio da Luz dobrou-se aos seus pés (ou melhor, às suas mãos de ouro). Nesse dia decidi que iria ser guarda-redes do Benfica. Ainda não perdi a esperança. Até sempre BENTO!
Tive a sorte de assistir, não no peão mas na bancada de sócios (felizardo!), a alguns jogos da equipa maravilha dos anos 80: Humberto Coelho, Chalana, Nené, Pietra, Shéu, os irmãos Bastos, Carlos Manuel… Lembro-me particularmente de dois jogos, a final da Taça UEFA com o Anderlecht que infelizmente perdemos, e um jogo contra o Sporting num ano (para aí entre 1981 e 1983) em que o Benfica ganhou o campeonato (velhos tempos!). Neste jogo recordo-me de um penalty que foi marcado contra a nossa equipa. O marcador de serviço era o Jordão, um excelente ponta-de-lança que raramente falhava. Mas naquele jogo o Bento conseguiu defender, a ovação foi estrondosa. O grandioso Estádio da Luz dobrou-se aos seus pés (ou melhor, às suas mãos de ouro). Nesse dia decidi que iria ser guarda-redes do Benfica. Ainda não perdi a esperança. Até sempre BENTO!
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