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18 fevereiro, 2025

BARROS, João de -
TEIXEIRA DE QUEIROZ (Bento Moreno).
Por... Lisboa, Sera Nova, 1946. In-8.º (19,5x12 cm) de 37, [1] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de Teixeira Queiroz (1848-1919), escritor minhoto, natural de Arcos de Valdevez, associado à escola literária do Realismo, conhecido sobretudo pela sua obra de cunho analítico sobre os costumes rurais e citadinos, distribuídos por duas séries de romances/contos - Comédia do Campo e Comédia Burguesa. Trata-se de um ensaio sobre a vida e obra do ilustre romancista lido no Instituto Minhoto de Braga, em Fevereiro de 1945.
Ilustrado com o retrato do biografado - por António Carneiro - em página inteira.
"Aceitei com alegria o honroso convite do Instituto Minhoto para falar do romancista, do novelista e do contista que, segundo creio, melhor do que ninguém revelou e interpretou na sua obra literária a alma encantadora do Minho e de sua gente - porque nesta cidade, de Braga, de tão minhoto sabor, creio existir o ambiente mais adequado para essa, aliás breve e imperfeita, ressurreição literária.
Foi também Teixeira de Queiroz um intérprete de agudíssima sensibilidade, perante os fenómenos complexos da existência citadina pois as suas aspirações literárias não se acomodavam dentro de qualquer espécie de doutrina ou de intuito regionalista. Pelo contrário... E seja-me permitido afirmar que estava e ficava assim na atitude que mais fàcilmente e mais plenamente o levaria a evocar figuras, tipos e aspectos da província onde nascera e que tanto amara."
(Excerto do Ensaio)
João de Barros (1881-1960). “Foi um dos mais prestigiados pedagogos republicanos e, pode dizer-se, o principal ideólogo da escola republicana. Com uma vida inteira dedicada à causa pedagógica sempre pugnou por uma educação anti-dogmática e anti-autoritária e pela laicização da escola, combatendo a tradição jesuítica que influenciara, durante séculos, educação portuguesa. Ministro dos Negócios Estrangeiros, no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925. Autor de «A República e a Escola» (1913) e «Educação Republicana» (1916).
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação.
Invulgar.
10€

29 janeiro, 2025

CLARO, Rogério -
DR. FRANCISCO DE PAULA BORBA : 1.º cidadão honorário de Setúbal
. Setúbal, Edição: Do autor, 1986. In-8.º (21,5x15 cm) de 83, [1] p. ; mto il. ; B.
1.ª edição.
Obra biográfica de homenagem a Francisco de Paula Borba, ilustre angrense que elegeu Setúbal como terra de adopção.
Bonita edição, totalmente impressa sobre papel couché, ilustrada com inúmeras fotografias a p.b., sendo algumas delas em página inteira.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor a Jorge Botelho Moniz (1924-2014), político e administrador de empresas, antigo presidente da Câmara Municipal de Setúbal (1955-1957).
"- Ó Moniz, está lá fora um patrício teu que te quer falar.
Carlos Ramos Moniz, obtida a licença do mestre, descansou o instrumento no banco donde se levantara e assomou à porta da sala de ensaios da banda de Caçadores 1. Corria o ano de 1898.
Fora, um jovem alto, de porte distinto, apresentou-se. Era o Francisco, o irmão do padre Borba que andara com Moniz à escola, na ilha Terceira, nascidos todos na freguesia de Biscoitos da Praia da Vitória. Com 26 anos, médico recém-formado, o Dr. Francisco de Paula Borba acabara de chegar a Setúbal, para aqui estabelecer clínica, sem outra referência senão a do patrício, músico distinto no regimento local. Ficou 15 dias aboletado em cada da mãe dele, a senhora Carolina Serralha, na Rua Nova da Conceição. Depois, seguiu o rumo da sua vida."
(Excerto do Cap. I)
Francisco de Paula Borba (Angra do Heroísmo, 1873 - Setúbal, 1934). "Foi um médico, formado em cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em 1898, que exerceu medicina em Setúbal, sendo médico da Misericórdia e do Montepio daquela cidade. Distinguiu-se no campo da filantropia."
(Fonte: Wikipédia)
Rogério Noel Peres Claro (Setúbal, 1921 - 2015). "Foi um professor do ensino comercial e industrial, jornalista e divulgador da história da cidade de Setúbal. Tirou o curso dos liceus no Liceu Nacional de Setúbal (atual Escola Secundária de Bocage) e licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa. Iniciou a sua carreira docente como professor do ensino técnico profissional em 1943, tendo sido diretor da Escola Industrial e Comercial de Estremoz (atual Escola Secundária Rainha Santa Isabel) entre 1952 e 1961 e da Escola Industrial e Comercial de Setúbal (atual Escola Secundária Sebastião da Gama) entre 1961 e 1970."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
Indisponível

24 janeiro, 2025

AYRES, Christovam -
A PRISÃO DO INFANTE D. DUARTE.
Por... Academia das Sciências de Lisboa. Separata do «Boletim de Segunda Classe», volume XI. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1918. In-4.º (23,5x15 cm) de 92 p. ; B.
1.ª edição independente.
Importante trabalho histórico sobre o infausto príncipe português, e os seus padecimentos às mãos dos espanhóis no contexto da Guerra da Restauração.
"Duarte de Bragança (1605-1649), filho de Teodósio II, Duque de Bragança, e irmão do futuro D. João IV de Portugal deixou o reino em 1634 para servir o Imperador Fernando III da Germânia na Guerra dos Trinta Anos. Em 1638 visitou Portugal quando lhe foi pedido tomar o comando da revolta que conduziria à Restauração da Independência. Quando a notícia chegou à Alemanha o infante escreveu ao irmão (em 12 de Janeiro de 1641) a dizer-lhe que voltaria ao reino assim que pudesse, mas Espanha obteve por via diplomática que o imperador prendesse o infante na fortaleza de Passau, de onde transitou para a fortaleza de Graz, no sul da Áustria. D. João IV ordenou aos embaixadores que usassem de todos os meios para libertarem o irmão e pediu ajuda ao papa Inocêncio XII sem êxito. D. Duarte foi vendido aos espanhóis e encerrado no castelo de Milão (Castello Sforzesco), cidade italiana então governada por Espanha, onde morreu após oito anos de cativeiro, em 3 de Setembro de 1649."
Estudo muito valorizado pela numerosa correspondência que sobre o assunto se reproduz no interior.
"Os infortúnios e tormentos padecidos pelo Infante D. Duarte de Portugal, irmão de D. João IV - vítima de governos que, nêsse tão infeliz quanto ilustre português, se vingaram em prepotências e tiranias que sôbre Portugal não podiam exercer, porque lhes contrapunhamos, altivos, o valor das nossas armas - representam uma das dores grandes porque tem passado a alma da Pátria."
(Excerto do Estudo)
Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda (1853-1930). "Nasceu em Goa, a 27 de março de 1853, e faleceu em Lisboa, a 10 de junho de 1930. Formado no curso de infantaria e cavalaria da Escola do Exército e no Curso Superior de Letras, foi promovido a alferes graduado em 1876 e a coronel em 1911, tendo sido também lente na Escola de Guerra. Eleito deputado pelo Partido Regenerador por três vezes, desempenhou os cargos de governador civil de Bragança e de promotor de justiça do 2° Conselho de Guerra da 1ª divisão. Integrou a redação do Jornal do Comércio e das Colónias, do qual veio a ser diretor. Foi cofundador, em 1911, da Sociedade Nacional de História, ao lado de Fidelino de Sousa Figueiredo, David de Melo Lopes e José Leite de Vasconcelos. Ao longo da sua vida, Cristóvão Aires pertenceria ainda ao Instituto de Coimbra, à Real Academia de História de Madrid e à Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido também vogal da Comissão Nacional para as comemorações da Guerra Peninsular em 1908. Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da Classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 8 de abril de 1886, tendo aí exercido os cargos de Inspetor da Biblioteca (1907-1913), Secretário da Classe de Letras (1910; 1915), Vice-Secretário (1914) e Secretário Geral (1921-1930). Integrou ainda a Comissão de Inventário do Museu Maynense."
(Fonte: https://arquivo.acad-ciencias.pt/details?id=45&detailsType=Authority)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Capas frágeis, com pequenos cortes marginais.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€

15 janeiro, 2025

GOMES, Paulo Varela -
VIEIRA PORTUENSE
. Lisboa, Círculo de Leitores, 2001. In-4.º (28,5x22,5 cm) de 140, [2] p. ; mto il. ; E.
Importante subsídio biográfico sobre Vieira Portuense, figura de proa da pintura portuguesa, um dos maiores pintores da sua geração, introdutor do neoclassicismo na pintura nacional.
Edição luxuosa, muitíssimo preferível à da Inapa, impressa em papel de superior qualidade, profusamente ilustrada com trabalhos emblemáticos do mestre pintor - esboços, desenhos e pinturas.
"Francisco Vieira Portuense (1765-1805) ocupou o lugar português por excelência: o das esperanças frustradas. Falecido aos 40 anos de idade, atravessou como um cometa a cena artística de Portugal entre dois séculos e duas idades do mundo, deixando atrás de si um rasto de brilho e amargura por ter partido tão cedo depois de ter feito tanto e deixado tanto por fazer. Biógrafos e admiradores choraram a sua morte percebendo muito bem que o pintor era muito melhor que a pintura portuguesa da época e que esta, sem ele, dificilmente seria tão boa como a dele fora. [...]
Vieira Portuense continua popular entre nós porque a sua carreira foi singular no meio artístico português. No entanto, a primeira coisa que é necessário perceber é que Vieira foi um de entre centenas de artistas do mesmo género em toda a Europa que, por estarem hoje votados ao esquecimento, não foram menos importantes e significativos. [...]
A segunda prevenção necessária à abordagem da obra de Vieira é que,  mais que português, ele foi um pintor plenamente europeu, o mais europeu de toda a pintura portuguesa entre o século XVII e o final do século XIX, mais que Vieira Lusitano, Sequeira, António Manuel da Fonseca e até Henrique Pousão. Europeu pelos sítios onde trabalhou, os patronos que teve, os temas que escolheu, a maneira como os tratou. Vieira vivem em Itália, sim, mas também em Inglaterra. Trabalhou, embora brevemente, na Áustria e na Prússia. Foi patrocinado por ingleses do Porto e por grand tour(istas) ingleses em Itália. Foi artista real em Parma. Deu-se com o meio cosmopolita da Royal Academy em Londres onde circulavam pintores e gravadores italianos, franceses e ingleses. [...]
Sem  tal génio, sem estar na vanguarda de coisa nenhuma, Vieira Portuense, pintor europeu à moda da sua época, foi um pintor correcto, um desenhador muito sensível e hábil. A sua pintura, os seus desenhos, as suas ilustrações, não suscitam perturbação, não aquecem os ânimos, não levantam grande dúvidas sobre o que é a pintura, o olhar, a história. Comentam tranquilamente o decorrer dos tempos e das modas. Os quadros são bonitos, os desenhos argutos e por vezes engraçados. Mesmo quando, quando por conveniência do momento ou dos patronos."
(Excerto da Introdução)
Índice:
Apresentação | Introdução | Um viajante na Europa do fim dos tempos | A Natureza e o mito | A pintura de história | A pintura sacra | Rostos e figuras | Vieira Portuense, pintor neoclássico | Notícia biográfica | Bibliografia.
Encadernação em tela do editor com sobrecapa policromada.
Exemplar em bom estado de conservação. Assinatura de posse na f. ante-rosto.
Invulgar.
20€

14 janeiro, 2025

ARNOSO, Conde d' -
ELOGIO DO CONDE DE FICALHO. Lido na Sessão Especial da Sociedade de Geographia de Lisboa em 19 de Maio 1903. Lisboa, Livraria Ferin, 1903. In-4.º (23,5x17 cm) de 24 p. ; E.
1.ª edição.
Homenagem do Conde de Arnoso um mês exacto após o falecimento do Conde de Ficalho. Apontamento biográfico lido pelo autor na Sociedade de Geografia de Lisboa.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "ao seu querido amigo A. da Cunha Lima".
"Convidado por esta douta Sociedade a fazer o elogio do nosso illustre consocio Conde de Ficalho, eu podia e devia talvez, declinar tão honroso encargo. O elogio far-se-hia, e seguramente com mais brilho para a sua memoria, e mais deleite e agrado para aquelles que me dão a immerecida honra de escutar-me. Eu, porém, faltaria a um gratissimo dever, e o meu coração d'amigo e até a minha consciencia soffreriam, desaproveitando a solemne occasião de dar publico testemunho de  consideração e respeito á memoria de quem tanto me honrou com a sua amisade."
(Excerto do Elogio)
Bernardo Pinheiro Correia de Melo, primeiro conde de Arnoso (1855-1911). "Nasceu em Guimarães, em maio de 1855. Estudou matemáticas e engenharia, foi oficial do exército e secretário pessoal do rei D. Carlos, que lhe atribuiu o título em 1895. Membro dos "Vencidos da Vida", como autor usou também o pseudónimo literário Bernardo Pindela (era filho do visconde de Pindela). Morreu em Famalicão, em 1911. Além de Jornadas pelo Mundo e de Azulejos – com prefácio de Eça de Queirós –, publicou De Braço Dado, em coautoria com o conde de Sabugosa, seu cunhado, e as peças de teatro A Primeira Nuvem e Suave Milagre (adaptação de um conto de Eça). Tem vasta colaboração dispersa na imprensa da época."
(Fonte: https://www.quetzaleditores.pt/autor/conde-de-arnoso/10538)
Encadernação em skivertex com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada. Conserva a capa de brochura frontal.
Exemplar em bom estado de conservação. Aparado.
Raro.
20€

21 dezembro, 2024

AMZALAK, Moses Bensabat -
CARLOS MORATO ROMA E OS SEUS ESTUDOS ECONÓMICOS E FINANCEIROS.
Por… Sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa. Separata das «Memórias» (Classe de Letras - Tômo IV). Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1941. In-4.º (24,5x19 cm) de 19, [1] p. ; B.
1.ª edição independente.
Ensaio bio-bibliográfico sobre Carlos Morato Roma (1798-1862), incompreendido economista português de oitocentos, que legou à posteridade importantes obras da especialidade.
"Referiu-se o próprio Morato Roma num dos seus trabalhos à sua atribulada existência, escrevendo o seguinte: «Várias circunstâncias geraram e alimentaram os preconceitos que existem contra mim. Não emigrei; e pôsto que sofresse prisões e perseguições, como tôda a minha família, o facto de ficar em Portugal, no meu modesto emprêgo, me colocava numa situação mesquinha, ao lado do que se denominava - a emigração. Chamado todavia a um emprêgo elevado, pelos homens que se haviam coberto de glória e carregado de serviços, a conseqüência necessária, na opinião de quantidade de gente, devia de ser que eu não poderia jamais ter opinião própria; que me cumpria fazer o inteiro sacrifício de tôdas as min has faculdades morais, e, ai e mim, se um dia ousasse quebrar os fios que me enlaçavam!
«Sem embargo, ainda nesta embaraçosa opinião o meu espírito era livre, e nada poderia prendê-lo. O cavalheiro que me chamou ao Tesouro, e depositou em mim plena confiança, teve muitas vezes ocasião de relevar e apreciar generosamente essa liberdade."
(Excerto e I - Biografia)
"Carlos Morato Roma foi um economista que se dedicou ao estudo dos problemas financeiros. Os seus trabalhos versaram principalmente sôbre finanças públicas, bancos e moeda. [...]
Todos os trabalhos de Carlos Morato Roma tratam de assuntos de palpitante interêsse nacional, versam pontos de actualidade. Ao debatê-los demonstra o seu autor sólidos conhecimentos da ciência económica e financeira."
(Excerto de III - Doutrinas e Crítica)
Índice:
I - Biografia. II - Bibliografia. III - Doutrinas e Crítica.
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

04 dezembro, 2024

COSTA-CABRAL, F. A. da -
DOM JOÃO II E A RENASCENÇA PORTUGUÊSA. Por... Grandes Vultos Portuguêses IV. Lisboa, Livraria Ferin, Editora : Torres & C.ta, 1914. In-8.º (19,5x13 cm) de 208 p. ; [2] f. il. ; errata ; E.
1.ª edição.
Biografia de D. João II, o "Príncipe Perfeito", o impulsionador da gesta dos Descobrimentos, - por muitos considerado o melhor rei português -, e a influência do seu reinado na Renascença portuguesa.
Livro ilustrado com duas estampas separadas do texto:
- Reproducção da primeira folha do Livro dos Copos, manuscripto do seculo XV, pertencente á Torre do Tombo, onde se supõe ver o retrato de D. João II, quando moço;
- Assignatura de D. João II.
"D. João II era um homem forte, espaduado, elegante e destro em «todalas boas manhas», que hum alto Principe convem; foy singular cavalgador, especialmente de gineta, deestro, braceiro, bõo dançador, e com gracioso despejo, bem desenvolto em todalas danças. Foy grande Monteiro, mas muito maior caçador d'altanaria, a que era mui incrinado, e pero que sempre teve muitas e mui singulares aves e bõos caçadores». As mãos era finas «alvas e formosas e as pernas grandes e muy bem feitas». De uma robustez fóra do vulgar, cortava de um só golpe quatro tochas juntas, «coisa que nunca achou que fizesse». No rosto branco e córado, um pouco sôbre o comprido, sobresaiam dois olhos negros, vivos e profundos, que a cólera fazia por vezes raiar de sangue «de manera que le davam horror i respeto à qui en le mirava». Até aos trinta e tal anos, edade em que começou a engordar, usava a barba toda, ondeada e castanha, como a côr dos cabelos, onde as brancas despontavam precócemente «de que mostrava receber grande contentamento pola muyta autoridade que a sua Dinidade Real suas cãas acrecentavam». A sua coragem e valentia eram proverbiais. Em Alcochete, onde fôra com a rainha, um toiro tresmalhado, investiu precisamente pelo caminho seguido pela côrte; espavoridos, todos fugiram menos o rei que, serenamente, tomando a rainha pela mão, esperou de estoque em punho que a fera arremetesse. Admirador de todos os actos que denotavam coragem e valor, não duvidou mesmo tomar para creado um condenado como assassino, e isto por tê-lo visto, arrojadamente, fazer frente a um touro bravo que fugira do curro."
(Excerto de Pela lei e pela grei - Suas «feições e manhas»)
Indice: Primeira Parte - O Meio: I - A Europa; II -
Portugal no século XV. III - Portugal no século XV (continuação). Segunda Parte - O Homem: I - Regência II - Pela lei e pela grei. III - As conspirações. IV - A Epopeia. V - O desabar de um sonho. VI - Luta diplomática. VII - O Fim. | Obras citadas | Cronologia | Índice alfabético.
Encadernação do editor em percalina, carmim, com ferros gravados a seco e a ouro na pasta anterior e na lombada.
Exemplar em bom estado de conservação.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e bibliográfico.
35€

23 novembro, 2024

AMZALAK, Moses Bensabat -
AS TEORIAS MONETÁRIAS DO PADRE JOÃO DE MARIANA.
[Por]... Professor da Universidade Técnica de Lisboa. Lisboa, [s.n. - Impresso na «Gráfica Lisbonense» - Lisboa], 1944. In-4.º (26x19,5 cm) de 57, [7] p. ; B.
1.ª edição.
Interessante estudo bio-bibliográfico sobre este religioso jesuíta quinhentista, e reprodução da sua obra maior - o Tratado y discurso sobre la moneda de vellon.
Tiragem limitada a 200 exemplares.
"O Tratado y discurso sobre la moneda de vellon quási que ia sendo fatal ao seu autor. Foi-lhe instaurado um processo pelo crime de lesa-magestade. [...]
«No relatório do Fiscal contra o Pe. Mariana êste ilustre autor é acusado do crime de lesa-magestade por ter ousado afirmar no seu tratado de monatae mutatione, sem o menor respeito devido a S. M. e aos seus Ministros, que a mudança operada no valor da moeda constituía um golpe pernicioso vibrado ao crédito do Estado e que os representantes da nação não tinham em vista senão o seu interêsse pessoal, não se importando com as calamidades públicas, desde que êles continuassem a têr a graça do Príncipe. Que mais adiante, no capítulo XIII do mesmo tratado, êle se ter referido injuriosamente contra o govêrno inculpando-o de venal.»
«Como consequência destas acusações, o Pe. Mariana foi prêso no convento dos religiosos franciscanos de Madrid, onde redigiu uma vigorosa e firme defesa na qual diz entre outras coisas que com a idade de 73 anos, quando esperava receber algum retribuïção pelas suas grandes fadigas padecidas no espaço de 56 anos empregados no serviço da religião e do Estado, êle só encontrara como recompensa o rigor duma prisão. [...]
«Por uma carta de Sua Magestade Católica dirigida a D. Francisco de Castro, cuja cópia se encontra no dito manuscrito, o rei havia ordenado que se comprassem e recolhessem com cuidado e sem barulho todos os exemplares dessa obra, com a ordem expressa de os queimar.»
O livro monetae mutatione publicado primeiramente em latim e depois em espanhol contém as teorias do Pe. João de Mariana sôbre a moeda. É dêle que nos ocuparemos no presente estudo. Como porém a edição latina é da maior raridade e a edição espanhola se acha esgotada, julgamos fazer um serviço aos estudiosos reproduzindo-o no capítulo seguinte, para depois o comentar à luz da história das doutrinas económicas."
(Excerto de I - Da vida e dos trabalhos científicos do Padre João de Mariana)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Indisponível

20 novembro, 2024

CLARO, Rogério -
O DRAMA DE BOCAGE.
Conferência proferida no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal, em 15 de Setembro de 1948. Setúbal, [s.n. - Execução gráfica da Escola Tipográfica do Orfanato Municipal de Setúbal - 1949], 1949. In-4.º (25x19 cm) de 28, [4] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Homenagem do autor a Bocage, o "poeta do Sado".
Bonita edição, impressa em papel de superior qualidade, ilustrada extra-texto com o retrato do vate setubalense.
"Na forma do ano passado, comemoramos hoje, com funda alegria, o nascimento, em Setúbal, de um dos seus filhos mais ilustres que foi também um das figuras mais destacadas das páginas literárias da Nação Portuguesa.
Este festa tem, simultâneamente, dois objectivos: o primeiro, prestar homenagem a quem foi, pelo seu génio, um grande e alto valor nacional; o segundo, unir espiritualmente em alto pensamento todos os que aqui nasceram ou aqui criaram fundas razão de amor."
(Excerto da alocução do Dr. Miguel Rodrigues Bastos, Presidente da CMS)
"Ao ler atentamente toda a obra poética de Bocage, uma pergunta imediata se formulou no meu espírito: Até que ponto foi a vida do poeta um aturdimento à angústia que o sufocava?
Poderá parecer estranho falar-se de angústia num homem que viveu tantas aventuras libertinas e que tantas vezes tem sido apresentado como um chalaceador optimista e brincalhão.
Mas o facto não pode ser negado, tal a evidência com que se nos apresenta: Bocage viveu um intenso drama e, se na literatura ocupa um lugar de acentuado relevo pela forma como soube exprimir os sentimentos vários que o agitavam, no campo da especulação filosófica a sua figura aparece-nos cheia de elevação moral."
(Excerto da Conferência)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico e biográfico.
15€

28 outubro, 2024

ALVES, Dr. José Maria -
PÁGINAS DA VIDA DE NOSSA SENHORA
. Lisboa, Escola Tipográfica das Oficinas de S. José, 1942. In-8.º (19,5x12,5 cm) de 150, [2] p. ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição.
Interessantíssima biografia de Nossa Senhora, laudatória e providencial, exemplo típico da literatura religiosa publicada durante o regime do Estado Novo.
Ilustrado em separado com uma bonita estampa de Nossa Senhora com a seguinte legenda: "Mãe puríssima, Padroeira dos portugueses, salvai-nos e salvai Portugal."
Obra invulgar, histórica, com relevância para a bibliografia mariana portuguesa.
"À Senhora de Fátima - no vigésimo quinto aniversário - das suas aparições em «Terra de Santa Maria».
A vossos pés, minha doce e terna Mãe, venho depôr estas humildes «Páginas» que, quais flôres singelas, fui colhêr no vergel florido do sagrado Evangelho. Procurei embelezá-las com as côres variegadas - reflexões e pensamentos - de piedosos e doutos escritores, e perfumá-las com o aroma que a meditação das vossas virtudes costuma deixar nas almas.
Com a vossa benção materna, feita de luz e de amor, voem elas por êsse Portugal além, cantando as vossa glórias, atraindo as almas ao vosso coração de Mãe e conduzindo-as a Jesus."
(Dedicatória)
Índice:
Palavras de S. Ex.ª Rev.mª o Sr. Arcebispo de Évora para prefaciarem o livrinho | Ao Leitor | Dedicatória | I - A Imaculada Conceição de Nossa Senhora II - Nascimento de Nossa Senhora. III - Maria deixa a casa paterna e vai para Jerusalém IV - Desposórios com S. José. V - Anunciação do Anjo a Nossa Senhora. VI - Visitação de Nossa Senhora a santa Isabel. VII - Vai com S. José a Belém. - Nascimento de Jesus. VIII - A adoração dos pastores e dos Magos. IX - Maria Mãe de Deus. X - Purificação de Maria e apresentação de Jesus no Templo. XI - A fugida para o Egipto. XII - A Sagrada Família vai a Jerusalém para a festa da Páscoa. XIII - Volta para Nazaré. - Vida oculta. XIV - Em Caná de Galileia. XV - Maria durante a vida pública de Jesus. XVI - Ambiente hostil. - A última ceia. XVII - Ao pé da Cruz. XVIII - Nossa Senhora medianeira entre Deus e os homens. XIX - Aleluia! O Senhor ressuscitou! XX - Depois da Ressurreição. XXI - Aparições de Jesus. XXII - Ascenção de Jesus ao Céu. - Maria no Cenáculo. XXIII - Nossa Senhora e a Igreja. XXIV - Assunção de Nossa Senhora ao Céu.
Exemplar brochado, por abrir, em bom estado de conservação. Capa manchada por acção da luz. Sem f. ante-rosto(?).
Raro.
35€

25 outubro, 2024

BRAGA, Theophilo -
O MARTYR DA INQUISIÇÃO PORTUGUEZA ANTONIO JOSÉ DA SILVA (O Judeu). Por...
Lisboa, Publicação da Junta Liberal, 1910. In-8.º (22,5x13,5 cm) de 27, [5] p. ; [1] f. il. ; B.
Apontamento biográfico de António José da Silva, o Judeu, condenado à morte pela Inquisição. Variação da edição de 1904: capa tem impresso um título diferente do mencionado na f. rosto: "O Poeta Judeu e a Inquisição".
Ilustrado com uma estampa extra-texto: Estátua do poeta Judeu no Salão do Theatro de S. Pedro d'Alcantara, no Rio de Janeiro.
António José da Silva (1705-1739). "Poeta, comediógrafo e advogado, dito o Judeu, nasceu em 1705, no Rio de Janeiro, e veio a ser executado em 1739, em Lisboa. É considerado o dramaturgo português mais importante entre Gil Vicente e Almeida Garrett." (Infopédia)
Antonio José da Silva Coutinho (1709-1739), mais conhecido na tradição popular pelo nome de Judeu, representa na historia do Theatro portuguez o primeiro esforço para levantar a comedia da estreiteza acanhada dos divertimentos dos bonifrates, e fazel-a competir com a magnificencia da Opera italiana, que explorava o genio perdulario de Dom João V. Era uma empreza audaciosa no reinado aterrador do Santo Officio; Antonio José sabia fazer rir a multidão, e por esse facto tornou-se criminoso: a gargalhada acordava o povo do medonho pezadello dos inquizidores, e estes entenderam que merecia a morte aquelle que ousava distrahir as imaginações do assombro funereo dos Autos de Fé. Era preciso procurar-lhe um crime, inventar um pretexto para descarregar sobre o poeta a espada flammejante do fanatismo, vingar sobre elle a divida em aberto deixaa por Gil Vicente."
(Excerto da Introdução)
Índice:
[Introdução.] | Vida intima de Antonio José da Silva, tirada do processo do Santo Officio. | Influencia das Operas italianas na forma das suas comedias. | Operas no reinado de D. João V, de 1712 a 1735. | Elemento lyrico nacional das «Modinhas», aproveitado por Antonio José. | Origem popular da Opera «Vida de D. Quixote». | Como Antonio José descreve a falta da noção de Justiça no seu seculo. | Combate o ergotismo e as Theses monasticas na Opera «Esopaida». | A sensualidade de Dom João V, symbolisada no Jupiter da Opera Amphitryão. | Grito da natureza e protesto contra a prepotencia fanatica. | A sociedade elegante de Lisboa e as «Guerras do Alecrim e Mangerona». | O fidalgo pobre e os medicos. | Descripção dos martyrios e torturas moraes que Antonio José soffreu na Inquisição. | O Cavalheiro de Oliveira. | O espirito religioso condemnou a eschola de Antonio José.
Exemplar brochado em bom estado de conservação. Vincado ao centro.
Muito invulgar.
10€

05 outubro, 2024

LÖWENSTEIN (Soror Ignez), Princesa de -
PRINCESA E MONJA. (A Viúva de E-Rei D. Miguel).
Tradução e introito do Conde d'Alvellos. Pôrto, Depositária: Livraria Tavares Martins, 1936. In-8.º (19x12 cm) de XXIII, [1], 218, [3] p. ; [46] f. il. ; E.
1.ª edição.
Apontamentos biográficos sobre a vida de Maria Adelaide de Bragança, viúva do rei D. Miguel, traçados pela pena de sua sobrinha, a Princesa de Lowenstein.
Livro ilustrado com um fac-símile no texto e, em separado, 46 estampas que reproduzem fotografias e gravuras de retratos, objectos de estimação e locais caros à família real portuguesa no exílio.
Junta-se duas bonitas pagelas:
- Dom Miguel de Bragança e Sua Espoza D. Adelaide, Sophia, Amelia (105x70 mm);
- Anjo de mãos postas rezando (112x58 mm)).
Exemplar n.º 806 de uma tiragem não declarada, rubricada pelo tradutor.
A f. ante-rosto apresenta uma dedicatória manuscrita com autógrafo não identificado: "A sua mulher em homenagem ás boas tradições cristãs da sua família."
"Após o «Desembargo do Paço» (aqui já concedido pela Graça de Quem de Direito), os in-fólios, à velha usança, eram apresentados à leitura dos curiosos das letras por um prólogo, introito, ou, como soe dizer a Mestrança, por um pródromo adequado. Agora, porém, roçaria pelo sacrilégio juntar outros traços a êste retrato religioso, na factura do qual o talento e a sinceridade da Pintora subiram quási à altura da grandeza moral da Retratada.
De facto, êste livro está escrito com o coração, um coração puro como era o da Princesa de Lowenstein - Soror Ignez no Convento Beneditino de Solesmes - sobrinha de Madre Adelaide de Bragança, a Rainha Viúva do nobilíssimo Rei Dom Miguel de Portugal.
Esta narrativa, leve e graciosa no enrêdo, grave e cheia de conceito na finalidade, encadernada em alvura, ficará bem na estante dos livros de orações, pois é uma oração à bondade e ao total desinterêsse de Si Mesma, - Essa Mesma freira humilde a Quem os Césares do Seu Tempo iam consultar!
Para que dizer mais sôbre a Grande Dama que, aos vinte anos, não duvidou unir o Seu alto destino ao de um Rei banido de Seu reino pela ingratidão, pobre pelo roubo, premeditado e sistemático, de tudo que Seu era, vilipendiado por muitos que até a mesma vida Lhe deviam?"
(Excerto do introito - Advertência)
Encadernação belíssima inteira de pele a duas cores (negro/carmim), com as armas reais portuguesas, título e autor em dourado. Conserva as capas originais.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Pastas apresentam pequenas falhas de pele nos cantos e na lombada.
Muito invulgar.
Peça de colecção.
50€

11 setembro, 2024

CORREIA, Dr. António - ALBERTO LUÍS GOMES : modelo de desportista e estudante. Pelo... Estudantes de Coimbra 1. Coimbra, Depositária: Coimbra Editora, Limitada, 1953. In-8.º (18x13 cm) de 30, [2] p. ; il. ; B.
1.ª edição.
Apontamento biográfico de António Gomes, estudante de Coimbra e jogador da Académica - tendo sido o primeiro internacional português da Briosa. Jogador-estudante, como na época era uso, teve diversos convites dos grandes portugueses - Benfica e Sporting - para "mudar de ares", com promessa de chorudos proventos, que recusou sempre.
Ilustrado com 3 fotografias, sendo duas delas em página inteira.
"Conheci o Alberto Gomes em Junho de 1937. Não o jogador de futebol que tinha vindo da cidade do Porto mas sim o estudante timorato que se vinha habilitar ao exame para entrar na Universidade. O primeiro obstáculo a vencer era o exame do 7.º ano, que já então se efectuava no liceu D. João III. [...]
Obtida a aprovação no exame do 7.º ano, principiámos a preparar-nos intensamente para vencer o grande e ambicionado salto: entrar na Universidade.
Se bem que eu então não conhecesse o Alberto Gomes como desportista de grande futuro, a verdade é que já nessa altura ele tinha de certa maneira conquistado um lugar no grupo de honra da Académica. Nada no entanto permitia prever até que ponto subiria na escala do desporto nacional."
(Excerto do Apontamento)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Páginas 27/28 e 29/30 alvo de restauro.
Muito invulgar.
15€

09 setembro, 2024

CASTELLO BRANCO, Camillo - MARIA DA FONTE. A proposito dos apontamentos para a historia da Revolução do Minho em 1846 publicados recentemente pelo reverendo Padre Casimiro, celebrado chefe da insurreição popular. Porto, Livraria Civilisação, 1885. In-8.º (19x12 cm) de 425, [3] p. ; E.
1.ª edição.
Interessante trabalho de investigação de Camilo Castelo Branco - de certo modo autobiográfico, já que também ele viveu nessa época - sobre a existência e acção da Maria da Fonte, personagem mítica da revolta popular baptizada com o seu "nome de guerra", que eclodiu no Minho, em 1846.
Rara edição original, ilustrada com bonitas capitulares e vinhetas tipográficas.
"Maria da Fonte, ou Revolta do Minho, foi uma revolta popular ocorrida na primavera de 1846 contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral.
A revolta resultou das tensões sociais remanescentes das guerras liberais, exacerbadas pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis de recrutamento militar que se lhe seguiram, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.
Iniciou-se na zona de Póvoa de Lanhoso (Minho) uma sublevação popular que se foi progressivamente estendendo a todo o norte de Portugal. A instigadora dos motins iniciais terá sido uma mulher do povo chamada Maria, natural da freguesia de Fontarcada, que por isso ficaria conhecida pela alcunha de Maria da Fonte. Como a fase inicial do movimento insurreccional teve uma forte componente feminina, acabou por ser esse o nome dado à revolta."
(Fonte: Wikipédia)
"Foi a Maria da Fonte a personificação fantastica de uma collectividade de amazonas de tamancos, ou realmente existiu, um corpo e fouce roçadoura, uma virago revolucionaria com aquelle nome e appellido?
É o que vamos esmiuçar.
Mas, em parenthesis: acho que faltam condiçoens epicas n'este periodo que acabei de immortalisar e exhibir á posteridade. Ao tratar das heroinas da revolução nacional de 1846, o meu estylo é lapantanamente grutesco. [...]
Sobre a personalidade unica, singular e distincta de Maria da Fonte entre as mulheres amotinadas no concelho de Vieira, o depoimento do snr. padre Casimiro deve ser o primeiro n'este processo de investigação.
Refere o minucioso historiador que um sapateiro de Simães, da freguezia de Fonte Arcada, o avisára que lhe maquinavam a morte; e, na mesma occasião, se mostrára receoso de que lhe matassem sua irman Maria Angelina, a quem chamavam Maria da Fonte, e fôra processada e pronunciada nos tumultos da Povoa de Lanhoso. Perguntou-lhe padre Casimiro o que fizera ella para ganhar tal nome. - Nada, respondeu o sapateiro; apenas acompanhára as outras mulheres que arrombaram a cadeia da Povoa para soltar as prêzas que primeiramente se levantaram contra a Junta de Saude."
(Excerto de Parte Primeira - Marias da Fonte)
Encadernação em meia de pele com ferros gravados a negro na lombada. Sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado geral de conservação. Assinatura de posse visível na f. rosto e primeira página de texto. Pág 95/96 apresenta rasgão no canto com perda de suporte, mas sem afectação da mancha tipográfica.
Raro.
Indisponível

06 setembro, 2024

J. G. C. -
RESUMO HISTORICO DA VIDA DO GRANDE POETA LUIZ DE CAMÕES
. Dedicado ao seu anniversario. Por... Lisboa, Typ. do «Diario da Manhã», 1880. In-8.º (17,5x11,5 cm) de 16 p. ; B.
1.ª edição.
Breve biografia do vate português a propósito das comemorações do seu centenário natalício. O autor assina "J. G. C." não tendo sido possível ir para além disso na sua identificação, e a BNP nada adianta.
Com interesse histórico e bibliográfico.
"O illustre épico portuguez - Luiz de Camões - esse immortal genio que se vê, que se ouve... que se lê em cada pagina dos Luziadas - nasceu no anno de 1524, em Lisboa, e era filho de Simão Vaz de Camões e de D. Anna de Sá e Macedo, de nobre geração. Seu pae descendia de Vasco Pires de Camões que passando de Hespanha a Portugal no anno de 1370, seguiu o partido de D. Fernando que o fez senhor das villas de Sardoal, concelho de Gestães, alcaide-mór de Portugal e Alemquer.
Tinha Luiz de Camões apenas 12 annos e já seu nome era conhecido no numero dos estudantes da Universidade de Coimbra! As suas obras bem denunciam os rapidos progressos que fez nos estudos. Acabada a sua lide de estudante veiu para a côrte, e ahi dando curso á inclinação poetica, que o dominava, soube ganhar os respeitos e as affeições dos que o rodeavam."
(Excerto do Resumo)
Exemplar brochado em bom estado de conservação.
Raro.
20€

02 agosto, 2024

DOMINGUES, Mário -
MOISÉS : evocação bíblica
. Lisboa, Romano Torres, 1967. In-8.º (19,5x13 cm) de 511, [9] p. ; B.
1.ª edição.
Biografia de Moisés, figura mítica do judaísmo, a quem é atribuída, por intervenção divina, a autoria da Torá - livro sagrado da religião judaica.
Obra com significado para a história do povo judeu e dos primórdios do Estado de Israel, por coincidência, publicada no ano da ofensiva israelita em várias frentes sobre os estados vizinhos, movimento militar que ficaria conhecida pela Guerra dos Seis Dias.
Exemplar muito valorizado pela dedicatória autógrafa do autor, datada de 1967, ao conhecido escritor, jornalista e bibliófilo coimbrão José Neves Águas.
"A história de Moisés e do povo de Israel, na sua luta épica contra a tirania do Egipto, é narrada neste volume de maneira impressionante. Havia quatro séculos que os Israelitas, os escravos mais desdenhados pelos faraós, suportavam uma opressão desumana. Eram simultâneamente um povo cativo e uma classe obreira esmagada sob o peso das outras classes sociais, que se lhes sobrepunham. Pareciam condenados à servidão por toda a eternidade. No entanto, Moisés logrou libertá-los."
(Excerto retirado da badana)
Mário José Domingues (Roça Infante D. Henrique, Ilha do Príncipe, 1899 - Costa da Caparica, 1977). "Foi um escritor, publicista, jornalista, tradutor e historiador, considerado um dos mais fecundos no panorama literário português. Colaborou em diversos periódicos anarco-sindicalistas. Com inúmeros pseudónimos estrangeiros, alguns dos quais muito popularizados, escreveu algumas centenas de romances policiais, "cor-de-rosa" e de aventuras, que se venderam geralmente com grande êxito.
Com dezoito meses de idade foi enviado para Lisboa, sendo educado pela avó paterna. Aos dezanove anos de idade aderiu ao ideário do anarquismo e iniciou colaboração no diário anarco-sindicalista A Batalha e, posteriormente, no jornal anarquista A Comuna, da cidade do Porto. Nesse período participou nas atividades de um grupo libertário que, entre outros, integrava Cristiano Lima e David de Carvalho. Fez parte da redação da revista Renovação (1925-1926) e colaborou na organização do congresso anarquista da União Anarquista Portuguesa (UAP). Publicou diversas obras de ficção, entre as quais Hugo, o Pintor (1922), Delicioso Pecado (1923), A Audácia de um Tímido (1923), Entre Vinhedos e Pomares (1926) e O Preto de Charleston (1930). Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 dedicou-se ao jornalismo e tornou-se escritor profissional. Voltou-se para a história, escrevendo mais de uma dezena de volumes. Também se dedicou ao romance policial, de aventuras e à literatura cor-de-rosa recorrendo a pseudónimos pretensamente estrangeiros.
A 10 de julho de 1970, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada."
(Fonte: Wikipédia)
Exemplar brochado em bom estado geral de conservação. Cansado, com vincos e pequenos desfeitos. Contracapa apresenta rasgão junto à lombada (sem perda de suporte).
Invulgar.
15€

21 julho, 2024

SOUSA, José de Campos e -
PALMELA E OS DU MAURIER.
Reparos a uma obra de Daphne du Maurier. Pelo sócio efectivo... Separata de Arqueologia e História - 8.ª série das publicações, volume XII. Lisboa, Associação dos Arqueólogos Portugueses, 1966. In-4.º (25,5x19 cm) de [6], 28 p. (153-180 pp.) ; [1] f. il. ; B.
1.ª edição independente.
Contestação de Campos e Sousa à possibilidade de laços familiares entre a família Du Maurier e o Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein (1781-1850), sugestionados por Daphne du Maurier (1907-1989), importante escritora inglesa contemporânea, na sua obra autobiográfica - Les du Maurier.
Livro ilustrado em separado com o retrato do Duque de Palmela.
Valorizado pela dedicatória autógrafa do autor "ao ilustre jornalista e velho amigo Raúl Rego".
"Há tempo que desejo alinhar em letra de imprensa alguns reparos a Les du Maurier, mas tarefas mais instantes me têm impedido de o fazer. Aproveito, agora, o ensejo que se me depara, num momento de acalmia, para dar a conhecer as objecções em mim suscitadas pela leitura do momento surpreendente. Farei por arrancar de sobre a nudez fraca da verdade o manto opaco da fantasia... (Que a sombra benévola de Eça me perdoe a adaptação atrevida).
Antes de mais, é imperioso salientar que Les du Maurier não é apresentada como obra de ficção. A própria autora a apregoa como biografia, e a indigita como crónica, pretendendo convencer os leitores da veracidade do texto, graças a uma solene e afectuosa dedicatória à parentela..."
(Excerto de Intróito)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Invulgar.
10€

19 junho, 2024

COUVANEIRO, João Luís Serrenho Frazão - O PENSAMENTO SOCIAL E POLÍTICO DE ANTÓNIO PEDRO LOPES DE MENDONÇA. Dissertação de Mestrado em História Contemporânea apresenta à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sob a orientação do Professor Doutor Sérgio Campos Matos. Lisboa, [s.n. - Colibri - Soc. de Artes Gráficas, Lda. - Lisboa], 2002. In-fólio (30x21 cm) de [8], 180, [1] f. ; il. ; B.
1.ª edição.
Trabalho académico. Importante subsídio - histórico e biográfico - para o tema do liberalismo, e o despertar do movimento operário português.
Ilustrado com um retrato do biografado em página inteira.
"O pensamento social e político de António Pedro Lopes de Mendonça de João Luís Serrenho Frazão Couvaneiro é um estudo sobre uma figura bem representativa da vida política, social e cultural portuguesa, do tempo do nosso primeiro Liberalismo (1826-1865).
Victor de Sá já a ela se referira em diversos passos da sua obra, em particular ao seu papel com Sousa Brandão na Fundação do Eco dos Operários, o primeiro Jornal Socialista Português.
Jornalista, folhetinista, romancista e crítico literário, divulgador em Portugal do ideário socialista de Fourrier, Blanc, Proudon, das ideias e correntes estéticas e literárias de V. Hugo, Dumas e Balzac, esta monografia salienta também o papel de Lopes de Mendonça na vida política e parlamentar portuguesa e em particular o seu pensamento político e social que o aproxima de um fundo de cultura e pensamento comum às figuras de proa do pensamento liberal do seu tempo, com alguns dos quais polemizou, a saber, com A. Herculano e H. Nogueira, a propósito de temas e debates então correntes acerca da Centralização, da Descentralização, do Municipalismo, entre outros temas."
(Capela, José V. in Prémio História Contemporânea (12.a edição). Apresentação das obras concorrentes e da vencedora)
"A instauração do liberalismo em Portugal é indissociável da conjuntura europeia da primeira metade de Oitocentos, ligando-se de forma directa às invasões francesas e, em função destas, ao apoio interessado da Inglaterra, aparentemente mais empenhada em assegurar uma relação de privilégio com a rica colónia brasileira, do que em salvaguardar os interesses da metrópole. Destes contactos resultou a inoculação em solo luso dos princípios liberais, que iam já contagiando boa parte do continente europeu.
No decurso da primeira metade do século XIX, operou-se em Portugal um conjunto de transformações, que deram origem ao lenta nascimento de um Estado de Direito com a subordinação do Monarca e do Governo a uma legalidade que advinha agora da Nação. A vitória liberal alterou de forma definitiva as estruturas da sociedade portuguesa. O País renovou-se e reinventou-se de acordo com as luzes de uma nova cultura política. Estas transformações, operadas não sem hesitações e compassadas com ritmos desiguais, consolidaram-se em 1851 com o pronunciamento regenerador, que para além de promover a reestruturação das elites políticas, foi marcado pelo início visível da organização do movimento operário."
(Excerto da Introdução)
Exemplar em brochura, bem conservado.
Muito invulgar.
Com interesse histórico.
25€