Nos anos 50 a Fábrica de Loiça de Sacavém dá início à série
Arte Nova, com a finalidade de renovar o design da sua produção, modernizando-o de forma a acompanhar as propostas de outras fábricas nacionais como a
SECLA ou a
Aleluia. A escolha da designação
Arte Nova, responsável por alguns equívocos, já que nada tem a ver o movimento
Art Nouveau, remete para dois conceitos fundamentais: a modernidade das formas e a sua base natural, uma vez que todas elas revelam uma liberdade biomórfica, também ela característica da
Art Nouveau, mas aqui já sob influência dos movimentos escandinavos emergentes na década de 40 e a cerâmica italiana da década de 50.
Outras peças da mesma série:
Este jarro(a), parte da série
Arte Nova, apenas marcado "Sacavem", aparece referenciado na
folha de modelos da fábrica com a designação
A-21 Jarra nº 4, podendo nele reconhecerem-se as referidas características, a acrescer a uma enorme liberdade formal associada ao experimentalismo na utilização dos esmaltes, tanto na cor como nas texturas.
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Maria de Lourdes Castro - Jarra nº 4 A-21, 24 x 22 cm, c.1960, FLS. © HPS |
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Maria de Lourdes Castro - Jarra nº 4 A-21, detalhe, c.1960, FLS. © HPS |
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Maria de Lourdes Castro - Jarra nº 4 A-21, detalhe, c.1960, FLS. © HPS |
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Maria de Lourdes Castro - Jarra nº 4 A-21, detalhe, c.1960, FLS. © HPS |
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Maria de Lourdes Castro - Jarra nº 4 A-21, detalhe, c.1960, FLS. © HPS |
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Maria de Lourdes Castro - Jarra nº 4 A-21, detalhe, c.1960, FLS. © HPS |
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Fábrica de Loiça de Sacavém - Jarra nº 4 A-21, marca de fábrica. © HPS |
Concebidas por Maria de Lourdes Castro (n.1934), no período entre 1955 e 1959, as peças da série Arte Nova apresentam características comuns no que diz respeito aos vidrados e às texturas, tirando partido dos escorridos, de modo a transpor para a cerâmica a componente matérica típica do Informalismo ou o Expressionismo Abstracto, correntes artísticas dominantes nas décadas de 40 e 50. Como pode verificar-se pelas peças abaixo reproduzidas.
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Maria de Lourdes
Castro - Cinzeiro Sempre em pé A-5, 6 x 13 x 11 cm, 1958-1959. Imagem publicada no catálogo Maria
de Lourdes Castro: Uma Exposição Biográfica, edição do Museu Nacional do Azulejo, 2005. |
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Maria de Lourdes Castro - Jarro n.º 1 A-33, 23 cm de altura, c.1960, FLS. MdS Leilões |
Abaixo pode ver-se outro gomil da série Arte Nova, produzido no final da década 50, com marca manuscrita na base "F. L. Sacavém A-44 B". Esta série manteve-se em produção até finais da década de 70.
Este tipo de forma foi ensaiado um pouco por toda a Europa, especialmente na Alemanha e em Itália, podendo também ser encontrado na América do Norte, de onde destacamos as peças fabricadas pela canadiana
Blue Mountain Pottery.
Da produção italiana damos como exemplo um gomil da autoria de Matteo Di Lieto (1920-1970), célebre ceramista de Amalfi.
Di Lieto fundou a oficina Arte Ceramica Amalfi em 1940, aí trabalhando até 1970, ano em que faleceu. O seu filho Gaspare continuou a tradição do uso de vidrados experimentais sobre formas elementares, até ao fecho da empresa em 2006, no entanto, os anos mais profícuos em experimentalismo e inovação foram para Di Lieto as décadas de 50 e 60.
O seu trabalho pode hoje ser visto no Museo della Ceramica, em Vietri sul Mare, um dos centros de maior tradição na cerâmica italiana.
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Matteo Di Lieto - gomil, 33,5 cm de altura. |
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Matteo Di Lieto - gomil, 33,5 cm de altura. |
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Matteo Di Lieto - gomil, detalhe. |
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Matteo Di Lieto - gomil, marca de fabrico. |
Por último, alguns exemplares concebidos na fábrica de cerâmica Zsolnay, situada em Pécs, na Hungria.
A Zsolnay estabeleceu-se em 1853, continuando a laborar na actualidade. Desempenhou um papel relevante no movimento de renovação das artes aplicadas desenvolvido durante a segunda metade do século XIX, procurando o crescimento
tanto artístico como industrial. A fábrica conseguiu alcançar estes objectivos com enorme sucesso nacional e internacional, abraçando opções estéticas individuais de originalidade significativa e aderindo rapidamente às propostas modernistas da Secessão austríaca.
Após a II Guerra Mundial, a Zsolnay desenvolveu peças inovadoras, tanto formal como conceptualmente, sendo especialmente conhecidas as revestidas com esmaltes de eosina verdes e vermelhos. Das últimas, aqui mostramos alguns exemplares biomóficos com revestimento craquelé, de vários autores, datados da década de 60 do século XX.
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Gabriella Törzsök - gomil, 31,5 x 12 cm, Zsolnay. eBay |
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Gabriella Törzsök -
gomil, 31,5 x 12 cm, Zsolnay. eBay |
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Gabriella Törzsök -
gomil, 31,5 x 12 cm, Zsolnay. eBay |
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Gabriella Törzsök -
gomil, 31,5 x 12 cm, Zsolnay. eBay |
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Gabriella Törzsök -
gomil, marca de fábrica. eBay |
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András Sinkó - jarro zoomórfico, 25,4 x 15cm, Zsolnay. eBay |
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András Sinkó -
jarro zoomórfico, 25,4 x 15cm, Zsolnay. eBay |
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János Török -
jarro zoomórfico, 25,4 x 15cm, Zsolnay. eBay |
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András Sinkó -
jarro zoomórfico, detalhe, Zsolnay. eBay |
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András Sinkó -
jarro zoomórfico, detalhe, Zsolnay. eBay |
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András Sinkó -
jarro zoomórfico, marca de fábrica. eBay |
CMP* agradece a todos os coleccionadores a cedência de imagens de peças das suas colecções.