segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Projetores Cinematográficos tombados



Imagem: Prefeitura Municipal

Os Projetores Cinematográficos foram tombados pela Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG por sua importância cultural para a cidade.

Prefeitura Municipal de Guaranésia-MG

Nome atribuído: Projetores Cinematográficos

Localização: Centro Cultural “Professora Fernandina Tavares Paes” – Praça Cel. Paula Ribeiro, nº 46 – Guaranésia-MG

Decreto de Tombamento:Decreto n° 1088/2003

Descrição: Os dois projetores de 35 mm, cujos números são respectivamente 199 e 200 da série 2, foram produzidos pela Empresa Cinematográfica Triumpho Canteruccio & Lamanna, da cidade de São Paulo – SP, a Rua do Triunfo, 134, em 1952.

A referida empresa teve início em agosto de 1939 e encerrou suas atividades em 1979.

Os projetores foram trazidos para Guaranésia pela Empresa Cinematográfica São Paulo Minas (atualmente extinta) em 1958 e o filme de estréia exibido pelo projetor foi “Corcunda de Notre Dame” na inauguração do Cine São José em 1958.

Em 1986, a Prefeitura Municipal de Guaranésia desapropriou o cinema e os projetores.

Em 1988, o Cine São José foi reformado e então inaugurado o Centro Cultural Professora Fernandina Tavares Paes e os projetores passaram a pertencer ao Centro Cultural. Em 1989, o cinema foi arrendado, até meados de 1999.

O cinema sempre esteve presente na vida dos Guaranesianos desde o início do século passado, primeiramente com o Cine Teatro Rio Branco, de propriedade de Lauria & Irmãos que funcionou até 1957, depois com o Cine Rex e finalmente com o Cine São José, ao qual pertenceram os projetores.

Os Projetores Cinematográficos do Centro Cultural eram considerados os melhores da época em 1958, pois durante a exibição o filme não era interrompido pela troca dos rolos, fato que era comum nas salas de projeção das décadas anteriores.

Até hoje, os projetores nunca tiveram defeito nem passaram por intervenções para concertos ou troca de peças. Muitos foram os casais que se conheceram assistindo aos filmes projetados no glorioso Cine São José.

Atualmente, o cinema com películas está desativado, e a sala de projeções fica somente para visitas de interessados que querem conhecer estas maravilhosas máquinas com lente de 35 mm, cujos números são 199 e 200 e série 2 da Empresa Cinematográfica Triunpho Canteruccio & Lamanna, que datam de meados do século XX.

Fonte: Prefeitura Municipal.

BENS TOMBADOS RELACIONADOS:

Guaranésia – Centro Cultural Profa. Fernandina Tavares Paes

Histórico do município: No início do século XIX, o Rio Canoas, que banha o município de Guaranésia, era conhecido como rio das Capivaras, por causa da grande quantidade existente desse animal em suas águas. Nessa época, às margens do rio, foi construído um rancho onde se estabeleceu o proprietário José Maria Ilhoa, conhecido pelo apelido de Canoas. Em função desse apelido, o curso d′água passou a ser chamado Rio do Canoas. O proprietário das terras construiu uma capela em homenagem à Santa Bárbara, ao redor da qual surgiu um povoado, conhecido pelo nome de Santa Bárbara das Canoas.

O povoado de Santa Bárbara das Canoas foi elevado à categoria de distrito, subordinado ao município de Jacuí, em 1839. Após 34 anos, a localidade foi elevada a cidade, com o nome de Guaranésia, em 1901. Essa denominação deriva do tupi-guarani e significa pássaro da ilha.

Fonte: Prefeitura Municipal.

Texto e imagens reproduzidos do site: www ipatrimonio org

Projetista de um cinema em Ontário, Canadá (1970)


The Way We Were

Ícone do r/TheWayWeWere

Meu avô na cabine do projetista de um cinema em Ontário, Canadá - início dos anos 1970

'Naquela época, só passava um filme, mas você tinha a opção de assistir às 19h ou às 21h (ou durante as matinês de fim de semana à tarde, se você quisesse). Você podia fumar na varanda ou nas últimas 15 fileiras do andar principal do auditório e geralmente assistia a um ou dois desenhos animados antes do filme principal começar.

Havia dois projetores na cabine e os filmes eram divididos em vários rolos. O projetista alternava entre os dois projetores em um ponto no tempo que era indicado por pequenas marcas que eles faziam no canto superior direito do filme. Quando a primeira marca aparecia na tela, o projetista ligava o segundo projetor e o deixava funcionar em conjunto com o primeiro. A segunda marca indicava quando ele deveria mudar para o segundo projetor e o novo rolo seria exibido na tela'.

Texto e imagem reproduzidos do site:  www reddit com

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

A paixão escondida nas cabines das salas de cinema

Cid Linhares ao lado de um projetor a carvão em 1969
 
José Basílio ao lado de sua grande paixão

Cid Linhares revisando um filme 35mm

Artigo compartilhado do site da REVISTA GILDA, de 14 de junho de 2012

A paixão escondida nas cabines das salas de cinema

         Escondidos nas cabines, atrás dos projetores das salas multiplex, cinemas de rua, cineclubes ou cinematecas, estão os responsáveis por proporcionar os momentos emocionantes e mágicos que os filmes exibidos na grande tela nos trazem. Os projecionistas, na maioria das vezes esquecidos pelos frequentadores de cinema ,encaram seu ofício não como um trabalho, mas sim como uma verdadeira paixão, são eles que colocam e montam o filme no projetor, descem para conferir o som, controlam o foco e a luz.

          Com 62 anos de idade e 30 destes trabalhando como projecionista, José Basílio desde criança já sabia o que queria “ser quando crescer”. Aos 9 anos quando foi ao cinema com seu tio, o pequeno menino perguntou a ele: “O que tem dentro daquela cabine? E seu tio respondeu: É a pessoa que passa os filmes”. E desde então descobriu uma paixão intensa pelo cinema e o que seria mais tarde sua profissão.

         Ele estudou até a 5ª série do ensino fundamental e com18 anos foi servir ao exército no estado de Santa Catarina. Foi então que tudo começou, passou a freqüentar aulas de projeção e no terceiro dia, seu professor não compareceu. Então o sargento perguntou se o “milico daria conta do recado”. “Ajoelhei no chão e pedi a Deus que me ajudasse. E foi o que aconteceu tudo deu certo e eles gostaram tanto da projeção, que ao invés de cobrarem para me ensinarem, pagaram para que eu fosse o novo projecionista”, relembra Basílio.

  Quando veio para Curitiba leu no jornal que havia uma vaga de operador de cinema, era a empresa Vitória Cinematográfica quem que estava contratando, conquistou a vaga e assim trabalhou por 25 anos. Durante todos esses anos já cuidou de até 10 salas de cinema, ajudou muitos cinemas de bairro, projetou filmes em escolas, e também ajudou na Fundação Cultural de Curitiba.

           Há um ano está no Cineplex do Shopping Novo Batel e conta que sua paixão pelo cinema é tão grande que chega todos os dias mais cedo para assistir aos filmes sozinho. “Não gosto dos meus dias de folga, pois não posso assistir aos filmes em tela grande”, relata José. Basílio acredita que infelizmente essa profissão irá acabar, pelo fato dos filmes digitais serem mais práticos, mas afirma que eles não tem a mesma imagem e o som dos filmes projetados.

Cid Linhares, 60 anos, trabalha como projecionista desde 1968, e quando criança ia ao cinema e adorava. Linhares trabalhou em muitos cinemas, mas sempre sem registro. Quando um cinema fazia uma proposta financeira melhor, mudava de emprego e assim seguiu durante um bom tempo, trabalhando onde o pagassem melhor. Com 17 anos foi preso porque era menor de idade e trabalhava sem registro no Cine Flórida.

Quando questionado sobre o sentimento em relação à sua profissão, Cid revela que antigamente a profissão e o cinema fascinavam mais, pois a forma como o filme era projetado dava mais trabalho e exigia uma atenção maior. “Muitas mudanças ocorreram, como a introdução da luz nas projeções. Hoje em dia não é mais necessário revisar um filme, tudo vêm pronto e bem feito. Não é mais necessário ter um profissional que entenda de projeção. Quem trabalha nas grandes salas de cinema apenas coloca o DVD no aparelho e aperta play, nada mais”, desabafa Cid.

Porém admite que o cinema será sempre sua grande paixão e que sente-se realizado ao ver o cinema cheio e ter a responsabilidade de passar um filme que vai agradar ao público. “Não importa que eles não me vejam, gosto de ficar escondido na cabine, mas é incrível projetar o filme para um cinema lotado. A vida do projecionista é só dentro da cabine, é como ficar numa prisão. Faço o café, fumo e projeto. Mas amo isso, amo minha profissão”, declara Linhares. Quanto às novas tecnologias Cid esbraveja “não quero nem aprender a mexer”.

Desde os 20 anos de idade Jorge Luiz de Souza substituía o operador do cinema do qual seu pai era dono e durante duas décadas foi o projecionista do Cine Morgenau.  “Eu estive desde pequeno dentro do cinema, meu pai era apaixonado por cinema eu sempre estava com ele. A projeção acabou se tornando minha profissão e minha paixão”, destaca o projecionista.

Jorge relembra que os projetores suportavam apenas um rolo, mas para exibir um filme era necessário utilizar pilhas de rolos. “Sempre tinham duas máquinas e cada rolo de fita possuía 40 minutos, por isso precisava cuidar para realizar a troca durante a projeção do filme”, relata Jorge.

Jorge conta que as máquinas funcionavam com dois carvões em forma de lápis, que eram colocados na lateral esquerda e na frente do projetor para refletir a luminosidade na tela. Como era necessário ficar atento a diversos detalhes, precisava-se de um ajudante. "Hoje já não tem mais o trabalho todo que tinha antigamente, a fita hoje é mais resistente não arrebenta fácil, não exige o mesmo cuidado", declara o projecionista.

Se será extinta ou não a profissão de projetistas ou operadores, como era chamada antigamente, somente o tempo irá responder. Porém o amor declarado ao cinema por esses profissionais, certamente não corre o risco de acabar.

Produção: Agência Imaginário
Texto: Aline Przybysewski, Ana Evelyn de Almeida, Etiene Mandello, Lucas Molinari e Rosane Cadena
Edição: Aline Przybysewski
Imagem: Etiene Mandello e Rosane Cadena

Texto e imagens reproduzisoa do site: revistagilda blogspot com

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Memórias das primeiras salas de cinema caldenses...

Legenda da foto: Está patente no Museu do Ciclismo uma exposição sobre as duas salas de cinema mais antigas das Caldas: o Salão Ibéria, no Parque D. Carlos I, e o Cine-Teatro Pinheiro Chagas, na praça 5 de outubro, ambos demolidos.

Artigo compartilhado do JORNAL DAS CALDAS, de 7 de maio de 2023

Memórias das primeiras salas de cinema caldenses expostas no Museu do Ciclismo

Por Pedro Antunes

Com o título, “(Re)Viver as Desaparecidas Salas de Cinema caldenses”, a mostra foi inaugurada a 29 de abril e apresenta uma parte do espólio do colecionador Mário Lino, e do seu filho, também Mário.

Desde os 11 anos, em 1958, Mário Lino começou a colecionar artigos relacionados com o cinema porque o pai tinha vários panfletos de filmes exibidos nas Caldas guardados numa gaveta. Quando foi cumprir o serviço militar obrigatório, perdeu esse hábito e quando regressou às Caldas começou a fazer colecionismo sobre o ciclismo. Foi esta coleção que viria a dar origem ao Museu do Ciclismo.

Por casualidade, muitos anos depois, o então diretor do Museu José Malhoa, Paulo Henriques, lamentou-se junto de Mário Lino o facto de não ter sido guardado nenhum do material do Salão Ibéria. Nessa altura, o colecionador informou-o de que tinha muito material relativo a esse espaço que tinha sido demolido. Quando foi ver, Paulo Henriques ficou impressionado com o acervo.

Foi nessa altura, há 25 anos, que fez a primeira exposição, com vários panfletos e bilhetes do Salão Ibéria, no Museu do Hospital. O sucesso foi tal que Mário Lino recomeçou a sua coleção e desde então esta tem crescido, com cartazes, antigas máquinas de cinema, bobines de filmes e cadeiras antigas das salas, entre muitos outros artigos.

Estão também expostas muitas fotografias, programas de espetáculos, notícias antigas e outros elementos relativos ao Salão Ibéria e ao Cine-Teatro Pinheiro Chagas. São vários os painéis que contam toda essa história dos tempos áureos das salas de cinema caldenses. Há filmes que foram grandes êxitos também nas Caldas, como “A Severa” e “E Tudo o Vento Levou”, e que marcaram a vida da cidade.

Segundo o colecionador, para além do que está exposto, tem ainda várias caixas cheias de material. “Esta é uma pequena mostra de tudo aquilo que existe”, sublinhou.

Em 1997, o JORNAL DAS CALDAS noticiou pela primeira vez esta paixão de Mário Lino, a propósito de uma brochura que editou sobre o Salão Ibéria e o Cine-Teatro Pinheiro Chagas. A notícia faz parte desta exposição, que inclui vários recortes da imprensa local sobre a história dos cinemas nas Caldas da Rainha.

Em 2020, também no museu do Ciclismo, Mário Lino já tinha apresentado parte desta coleção, mas reforçou-a com algumas novidades. Por exemplo, pode ser vista uma notícia de 1905, que anunciou a estreia de uma “peça cinematográfica”, intitulada “Barba Azul”, nos Pavilhões do Parque, exibida num cinematógrafo.

Mário Lino está em conversações com a Câmara das Caldas para protocolar a cedência do seu espólio dedicado ao cinema e gostava que fosse criado um museu dedicado à história das Caldas no século XX, onde todo o material pudesse estar exposto.

Vitor Marques, presidente da Câmara das Caldas, elogiou o trabalho que o Museu do Ciclismo tem realizado e mostrou a sua satisfação por mais uma exposição apresentada. O autarca mostrou disponibilidade para arranjar condições para que esta coleção se mantenha nas Caldas e exposta em condições dignas. 

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldascaldas pt

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Era do cinema analógico chega ao fim depois de 125 anos

Artigo compartilhado do site FILMES E SEED, de 10 de maio de 2012

Era do cinema analógico chega ao fim depois de 125 anos

A invenção do rolo de celuloide deu início à história da imagem em movimento. Hoje, 125 anos mais tarde, chega ao fim a era da projeção analógica. E até as pequenas salas de cinema se curvam à tecnologia digital.

Oliver Hauschke, projecionista de um cineclube em Colônia, no oeste alemão, trabalha há 15 anos no setor, projetando em média 14 filmes por dia. Um trabalho árduo. "O filme é enviado em uma lata, dentro da qual ficam guardadas as partes do rolo de filme. Temos que 'colar' essas partes umas nas outras. Só para isso precisamos de uma hora", conta Hauschke.

Apertar o play

Já nas salas multiplex de cinema, a projeção digital já é padrão. No Cinenova, onde Hauschke trabalha, a nova tecnologia só foi inserida há pouco. Em uma das três salas do cineclube, os filmes terão projeção digital, sem os rolos de filme. Todos os procedimentos manuais tornaram-se supérfluos desde a inserção da tecnologia digital. Hauschke confessa sua satisfação e diz não ter problemas em se despedir dos velhos rolos de filme.

Já a projecionista e cineasta iniciante Nicole Wegner vê a coisa com outros olhos. Ela adora usar o equipamento antigo. "É ótimo ligar um projetor. Aí ele começa a crepitar e a luz se acende. É lindo. Agora, com a tecnologia digital, meu trabalho não é mais tão agradável", diz ela. Com a projeção digital, o filme chega em um disco rígido ou em forma de arquivo no servidor, que por sua vez está ligado ao projetor. O projecionista não tem muito o que fazer.

"É preciso apenas apertar o play e pronto. Tudo acontece automaticamente: as cortinas se abrem, a luz se apaga, o projetor é ligado e o filme começa. No final, tudo funciona automaticamente de novo, no sentido oposto", descreve Wegner.

A eterna rotina de colocar e tirar filmes, cortar e separar deixa os dedos sujos, relata Hauschke. Ele não tem mais vontade de trabalhar desta forma.

Já para Nicole Wegner, a profissão de projecionista sempre foi um ofício artesanal que, como todos os outros, deixa as mãos sujas. Mas ela também vê as vantagens da nova tecnologia. "Não poderia ter feito meu último filme se tivesse sido obrigada a rodar analogicamente. Eu tinha 80 horas de material bruto. Revelar isso tudo não seria praticável do ponto de vista financeiro", analisa a projecionista e cineasta.

"Queremos uma imagem perfeita?"

A fase de testes com o projetor digital no Cinenova, onde Hauschke e Wegner trabalham, transcorreu sem maiores problemas. "Foi ótimo quando pude testar a nova tecnologia pela primeira vez", conta Hauschke. Ele está absolutamente convencido da qualidade da projeção digital.

"A imagem é mais nítida que no rolo de 35 milímetros. E posso passar o filme várias vezes, sem que ele fique gasto. O rolo de filme vai ganhando riscos com as projeções frequentes e ficando mais opaco", fala o projecionista.

Já Wegner se pergunta se isso incomoda, de fato, o espectador: "Queremos uma imagem perfeita? Gosto da imagem que respira, da imperfeição dentro dela, quando o filme encalha, porque ali as partes foram coladas".

Os primórdios dos rolos de filme

A sujeira dos dedos dos projecionistas do futuro não teve ter sido algo em que o religioso norte-americano Hannibal Goodwin, que patenteou o celuloide há 125 anos, em 1887, tenha pensado. Sua invenção na época significou uma revolução, uma vez que as imagens, antes, só podiam ser gravadas em lâminas de vidro sensíveis à luz. Com o advento do celuloide, o filme se tornou praticamente infinito, já que passou a ser possível colar quantos filmes se quisesse uns nos outros. A sequência de 24 quadros por segundo é o que o olho humano registra como uma imagem fluida.

Mas foi o empresário George Eastman que conseguiu comercializar o celuloide de maneira bem-sucedida. O fundador da Kodak tornou a câmera com rolo de filme de celuloide acessível a qualquer pessoa. Em 1888, ele lançava no mercado a Kodak N°1 – câmera fotográfica compacta e leve. No entanto, o celuloide provou ser altamente explosivo e não foi mais usado desde os anos 1950. Desde então, passou-se a usar o rolo de filme de poliéster.

Peça de museu

A falência da Kodak no início deste ano foi o início do fim do filme de rolo. Embora haja até hoje filmes rodados em película de 35mm, a pós-produção é feita há anos com tecnologia digital. Grandes produções, como Avatar ou O Hobbit, são filmadas exclusivamente com uso de tecnologia digital.

Os distribuidores são os que obtêm mais vantagens com a digitalização do cinema, pois economizam os altos custos das cópias e do transporte de rolos de filme, que podem pesar até 25 quilos. Por outro lado, as salas de cinema são obrigadas a arcar com os custos da adaptação à tecnologia digital. Um projetor novo custa entre 60 e 80 mil euros.

Os pequenos cineclubes não têm, porém, alternativa. Daqui a pouco, os rolos de filme convencionais irão se extinguir. E a profissão do projecionista vai se tornar cada vez mais dispensável. Hauschke já teve sua carga horária reduzida e está pensando em encontrar outra profissão. Já Wegner quer continuar fazendo e projetando filmes – de preferência analógicos.

Autora: Silke Wünsch (sv)

Revisão: Francis França

Notícia publicada no site Deutsche Welle - Legal Notice. Todas as informações nela contidas são de responsabilidade do autor.

Texto reproduzido do site: www filmes seed pr gov br

domingo, 15 de dezembro de 2024

As maravilhosas e divertidas tardes de domingos no antigo Cine Guarani



Fotos: Acervo de Italo Fábio Casciola

Publicação compartilhada do site O BEMDITO, de 19 de novembro de 2023 

As maravilhosas e divertidas tardes de domingos no antigo Cine Guarani
Por Ítalo Fábio Casciola, Publisher do OBemdito

Velhos tempos, belos dias em que as matinês eram uma paixão das crianças de Umuarama

A vida passa tão depressa… A gente só confirma isso quando nota as mudanças à nossa volta. Mudanças de costumes, do cenário urbano e, principalmente, no modo de viver… E quando comparados os detalhes, são até chocantes!

E só aí a gente acredita que tudo mudou e que a cidade onde a gente vive não é mais a mesma em sentido nenhum. Até nós não somos mais os mesmos, pois as circunstâncias mudam o nosso estilo de existir.

Um desses fortes detalhes é quando comparamos a alegria de nossa infância e adolescência com a realidade da terceira idade. E, no caso de Umuarama, me salta à memória como um canguru o amado e idolatrado Cine Guarani – que foi o nosso paraíso de alegrias no já muito distante passado.

A BELA ÉPOCA DAS MATINÊS NO CINEMA

Eram os primeiros dias de janeiro de 1959, início das férias escolares. E nesse momento Umuarama ganhava o Cine Guarani, a primeira casa de espetáculos do gênero. Era um tempo em que a TV dominava em absoluto a diversão das famílias. Era transmitida em preto e branco, cores nada bonitas para nossos olhos…

Aos domingos e durante o período noturno das semanas era a única fonte de lazer. Então, quando o Cine Guarani iniciou suas atividades foi uma loucuuura… A estreia aconteceu no primeiro fim de semana daquele mês.

A construção começou em 1958 e durou seis meses e o local era bem no ‘coração’ da cidade, a Avenida Paraná (hoje próximo ao Choppatinhas), e ficou pronto todo equipado e mobiliado no fim desse ano. Tinha 600 poltronas de madeira e foi edificado em alvenaria, sendo uma das primeiras construções desse tipo quando predominavam as edificações em madeira de peroba. Esse primeiro cinema da Capital da Amizade foi um empreendimento lançado pelos irmãos Rafael, Bohdan e Marciano Baraniuk (este depois foi eleito prefeito!).

É importante frisar que naquela época aqui não existia luz elétrica, mas o Cine Guarani implantou sua própria força motriz: um possante motor a diesel que gerava energia e alimentava o equipamento que projetava os filmes na chamada “tela panorâmica”.

Também iluminava a calçada, a entrada e a bilheteria, além dos arredores e fundos do prédio. Depois de alguns anos na direção da Família Baraniuk, o Cine Guarani foi comprado pela empresa Araújo & Passos, de Botucatu (SP).

LONGAS FILAS NA CALÇADA DA AVENIDA PARANÁ

O Cine Guarani assumiu a liderança como principal lugar de diversão de Umuarama. Tanto nas matinês e nas 3 sessões noturnas de domingo como nas sessões noturnas da semana inteira formavam-se filas quilométricas para entrar no cinema. E, claro, não tinha espaço para acomodar todo mundo, até porque os preços dos ingressos não eram caros, pois vivíamos num período em que a economia brilhava com a alta produtividade da cafeicultura.

FILMES E ARTISTAS INESQUECÍVEIS!

Quem frequentou o Cine Guarani deve se sentir privilegiado em ter assistido as maiores produções cinematográficas do século passado, estreladas por artistas geniais. Naquela tela vimos O Gordo e o Magro, Charles Chaplin, Tarzan, Tom & Jerry, Ingrid Bergman, John Wayne (e muitos outros reis dos filmes de bangue-bangue), Clark Gable, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor… A disputa nas telas era entre os filmes em preto e branco e os coloridos.

Filmes de Amácio Mazzaropi faziam retumbante sucesso na cidade. “Tristeza do Jeca” (1961) e “Jeca Tatu” (1959) eram adorados pelo público e ficavam em cartaz duas ou três semanas seguidas.
Mas os recordes de público aconteciam todo ano na temporada da Semana Santa com a exibição dos filmes da vida de Jesus Cristo. Incrível: as sessões especiais começavam às 9 horas da manhã e iam até o início da madrugada do outro dia. Vinha gente da zona rural e de todos os cantos da cidade, eram verdadeiras multidões.

Também marcaram época os filmes do Tarzan e os bangue-bangues. Durante a exibição, torcidas pelo “mocinho” sacudiam o cinema com gritos, batidas de pés, palmas e pulos barulhentos no piso de tábuas. Doideira total!

SOCIALIZANDO E A TROCA-TROCA DE GIBIS

Como toda época tem seus modismos, naquele tempo ir ao cinema além de ser uma forma de entretenimento era também um encontro social e, depois de assistir os filmes nas sessões das noites, na saída as pessoas se reencontravam para conversar nas mesas de um bar ou numa sorveteria. Depois de várias horas de copo e blá-blá-blá, as turmas seguiam juntas cada uma para o bairro onde moravam.

Mas a maior agitação da história do Cine Guarani sempre acontecia na calçada em frente ao cinema antes de começar as matinês dominicais. A molecada chegava logo depois do almoço, com pacotes de gibis, aquelas histórias em quadrinhos que eram uma verdadeira paixão!

E começavam uma verdadeira Feira do Gibi, num troca-troca de revistinhas repetidas entre a galerinha. Também aconteciam as permutas de figurinhas – naquele tempo eram lançados álbuns esportivos, de artistas de música e TV, de personagens de desenhos animados, enfim, era uma febre para os colecionadores de figurinhas.

Para tornar a Feira do Gibi mais saborosa e agradável, em frente ao cinema se formavam filas de carrinhos vendendo pipoca, amendoim torrado, doces caseiros, frutas e sorvetes. Os ambulantes, no final das matinês, festejavam as vendas altas e mostravam entusiasmo prometendo voltar no próximo domingo…

O MELANCÓLICO FIM DO AMADO CINEMINHA ANTIGO…

Em 1968 a cidade ganhou um novo cinema: o Cine Umuarama, edificado a poucos passos da Praça Santos Dumont. Ao contrário do Guarani, este tinha uma estrutura arquitetônica moderna, imponente e se destacava entre as outras construções do comércio daquela área nobre da Capital da Amizade.

E além de uma ampla sala de recepção, com galeria expondo belos cartazes gigantes de filmes e de uma atraente bomboniére, possuía 1.500 poltronas confortáveis, amplo palco e super tela, banheiros e bebedouros acolhedores. E as bilheterias eram várias, evitando filas desconfortáveis à espera de comprar ingressos.

O novo empreendimento era da empresa Araújo & Passos, dona do cinema velho… A novidade, é claro, atraiu todos os apaixonados por cinema, pois além de grandes lançamentos, o novo Cine Umuarama era uma beleza. A cidade, por sua vez, havia crescido e ganhado novas opções de diversão. E mais: surgiu a TV colorida, que segurava muita gente em casa com novelas e programas especiais.

Assim, o histórico Cine Guarani entrou em decadência, vivia vazio e teve um fim melancólico: em 1970 encerrou definitivamente as suas atividades. Poucos meses depois dessa decisão, foi demolido!!! Uma longa história virou cacos de cimento, telhas quebradas e caminhões carregando as cadeiras velhas para serem jogadas na periferia da cidade. Como a gente vê no encerramento dos filmes, repetiu-se com o antes tão querido cineminha: FIM!

(Umuarama é um município do Paraná)

Texto e imagens reproduzidos do site: obemdito com br

InstitutoRB mostra exibições em Super 8 no seu último CIME de 2024

Publicação  copartilhada do site PERNAMBUCO, de novembro de 2024

InstitutoRB mostra exibições em Super 8 no seu último CIME de 2024

Evento exibirá no Instituto Ricardo Brennand, na Várzea, especial voltado para um dos movimentos mais importantes da história do cinema pernambucano nesta quarta (27)

Por: Diario de Pernambuco

O último CIME-Cinema, Museu e Educação de 2024, a ser realizado no Instituto Ricardo Brennand, na Várzea, nessa próxima quarta-feira (27), a partir das 15h, será uma homenagem à Sétima Arte, com foco nos cinemas de rua e na produção de Super8 mm  que tem história importante a contar sobre um Recife não tão distante, efervescente na produção cinematográfica. 

Se voltarmos no tempo, constatamos que  após o histórico movimento Ciclo do Recife, na década de 1920, a capital enfrentava período de marasmo na Sétima Arte. Entre 1973 e 1983,  despontamos então nos festivais graças ao Super8mm. Era aquela forma de filmar considerada uma alternativa de pouco custo, onde as gravações, em 8mm , por câmeras lançadas pela KodaK, nos Estados Unidos, em 1965, serviam mais para uso amador. O lema era “fazer muito com pouco”. E muitos viviam do Super 8 profissionalmente, cobrindo casamentos, batizados, aniversários, formaturas. Devido ser de fácil acesso começou a ser experimentada também por estudantes.

Mas existiam os inquietos que  começaram a fazer arte cinematográfica com filmes curtinhos  como os  cineastas Jormard Muniz de Brito, Fernando Spencer, Geneton Moraes, Celço Marconi, Paulo Cunha, Amin Stepple. O movimento era tão ativo na capital recifense que em 1976 foi criado o Grupo de Cinema Super8 de Pernambuco.

E essa agenda do InstitutoRB no CIME terá como convidado o colecionador Edvaldo Mendonça , do município de Bezerros que falará da sua paixão. E exibirá para os presentes  curiosos, apaixonados pelo cinema, parte do seu precioso e variado  acervo de equipamentos cinematográficos,  filmes , cartazes de obras de época. Edvaldo promete  produções  do universo do Super8, das produções em 16mm e  também em 35mm, como A vida de Cristo, de 1912, e outras obra da mesma temática de 1980 para análises entre uma e outra. E explicará  como começou sua coleção, ainda adolescente, em 1985 até os dias de hoje  e o trabalho de memória que cultiva, bem como o esforço para manter as preciosidades  do seu acervo.

 “Com as redes sociais muito mudou para colecionadores como eu. Agora fica mais fácil encontrar quem também  coleciona e provocarmos trocas de conhecimentos, o que é enriquecedor“, diz, lembrando que continua inda hoje a ampliar o seu acervo. Ele levará a essa edição do CIME, do Instituto Ricardo Brennand, o conjunto de 40 dos mais de cem filmes que cataloga e modelos de projetores  diferenciados entre 1970 e 1980.

 O CIME-Cinema, Museu e Educação é uma iniciativa do Ministério da Cultura em parceria com o Instituto Ricardo Brennand através da Lei de Incentivo à Cultura (PRONAC 235689). Uma ação educativa que associa a produção audiovisual com o acervo do Instituto Ricardo Brennand. A ação realiza a exibição de obras audiovisuais a partir da interlocução com as obras da coleção e de um tema emergente da sociedade. Em seguida ocorre um debate com os diretores e produtores do filme e o público inscrito.

Texto e imagem reproduzidos do site: www pernambuco com