Huguinho, Zézinho e Luisinho tinham como missão ajudar
países em dificuldades a atravessar as troikas. Um dia viram Portugal a tentar
passar pelo euro fora da passadeira e decidiram emprestar-lhe uma bengala feita
de tsu’s entrelaçados em ratings. Mas nada feito, iria ser atropelado. Já no
chão, apiedaram-se do pobre país e decidiram ajudá-lo fazendo uns trabalhos
manuais no intervalo da catequese para que os missionários da austeridade os levassem
e vendessem nos países dos ricos. Huguinho fez uma nossa senhora de Fátima em
cortiça encastrada num mini altar de latas de sardinha, Zezinho fez um
cristiano Ronaldo com restos de bolachas maria que sobejaram do banco alimentar,
amassadas em molho coalhado de bitoque, e Luisinho pintou umas naturezas mortas
com peras rocha vestidas de minhota. Teria sido um sucesso não fora uma providência
cautelar de mme canavilhas dizendo com a arte não se brinca.
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Murmurando entendimento V – os princípios de Dona Confiança
A Família Confiança era uma
família muito pura. Mesmo daquela pureza que já não se fabrica e só se encontra
ou em alfarrabistas de p’reza ou em boutiques de produtos tradicionais. Está
inclusivamente em fase de lançamento uma cadeia de lojas: ‘Confiança
Portuguesa’. Não vai vender galos de barcelos, nem latas de sardinha, nem pães
de deus, nem mesmo rendas da madeiras, mas antes uns pacotes com um sortido de
confiança composto por: 1 Constituição encadernada em lombada francesa, um
cartão da adse, um cartão de eleitor, um cartão de descontos do pingo doce, e
uma ficha de inscrição no acp.
Mas voltemos à família Confiança,
mais especificamente à menina Confiança. Nasceu ali à rua do Arsenal, entre
duas lojas de bacalhau, bem pertinho donde enfiaram uns tiros no bom do dom
Carlos e seu primogénito amado, e bem cedo se revelou uma moça que nunca quebrava
as expectativas de ninguém.
O seu primeiro namorado, César
Camacho, a primeira vez que lhe tentou dar um beijo levou com uma chave de
fendas no olho esquerdo e ainda hoje vende as melhores castanhas assadas do
País à porta do cemitério da Ajuda. Luís Gonçalves, o segundo, ainda ia com a
sua mão direita a pouco mais de 3 cm acima do joelho de Confiança quando esta lhe
enfia com uma faca de barrar manteiga pelo ouvido esquerdo, deixando-o numa
espécie de permanente otite com pernas. Já tendo cristalizado a sua imagem de
amante cruel, permitiu a primeira cópula digna desse nome a Gustavo Meirim, não
deixando de posteriormente o humilhar publicamente revelando detalhes não dignificantes
e ainda menos glorificantes, como sejam, um testículo ligeiramente pontiagudo
que incomodamente a distraia no momento de gratificação. Gustava apenas
conseguiu ter uma nova erecção já com 73 anos depois de uma dose de viagra
intravenoso que lhe foi administrado a troco de um comodato de duas
propriedades rústicas no sobral de monte agraço.
Menina Confiança, entretanto Dona
Confiança, tinha assim bem sedimentada a fama de que quem lhe tocasse nunca
mais se esqueceria. Sou uma mulher de princípios, dizia de forma quase solene,
o meu corpo é como se fosse um artigo constitucional.
É evidente que este comportamento
de Confiança (Fia, para os amigos que, obviamente, não tinha) tanto afastava
clientela como atraia outra mais afoita. Foi assim que um belo dia, dois
amigos, Pedro e Paulo, decidiram fazer uma aposta: qual deles a conseguiria
conquistar sem que levasse mazelas significativas para casa.
Primeiro foi lá Paulo. Levava um
relógio em contagem decrescente (quanto tempo faltava até que conseguisse
molhar a sopa) e apresentou-se insinuando que tinha um dedinho maroto que fazia
milagres, inclusivamente já conseguira transformar um protectorado numa casa de
fado. Confiança olhou para ele com desdém e perguntou-lhe logo se o dedinho não
lhe cabia no cuzinho. Espantado com a franqueza, Paulo decidiu que ainda tinha
de tomar um bocado mais de balanço e, com o dedinho entre as pernas, foi fazer
antes uma reforma de estado.
Pedro observou a cena à distância
com uma certa apreensão, mas pensava ter uma arma secreta: a sua franja
arrebatadora. Quando chegou à fala com Confiança todo ele eram falinhas mansas
e não tardou a conseguir um tete a tete. Não prometia nada, sabia de antemão
que ela tinha umas fornicatio legis muito restritivas mas ele estava disposto a
todos os sacrifícios para cumprir (‘foder com jeitinho’ era a frase inspiradora
que usava de si para si)
Dona Confiança pareceu claudicar com
a primeira abordagem. Era um rapaz de indole respeitadora, as suas intenções
apresentavam-se como das melhores, nem no inferno se encontrariam daquelas
certamente. Nas primeiras horas a estratégia de Pedro começou a dar resultado,
e um redondo e prolongado beijo parecia ir selar um compromisso entre Pedro e
Confiança, com esta a permitir avanços pela sua constitucionalidade dignos dum
coup d’état - olha para as minhas maminhas como se elas fossem duas bastilhas,
chegou mesmo a sussurrar-lhe ao ouvido, enquanto Pedro já se via a mascar
bastilhas.
Mas como qualquer macho, com ou
sem franja, com ou sem agenda libertina, Pedro sabia que teria de ir testando passo
a passo Confiança para ver até onde
poderia ir - se me deres a tua betesga eu serei o teu rossio, foi a vez
dele sussurrar. Pensava ele que depois da sua mão já ter poisado por terrenos
de reserva natural, poderia doravante urbanizar e em propriedade horizontal por
qualquer lado sem precisar de comprar maiorias na vereação.
Quando a coxa já é um direito
adquirido por que carga d’água terá um homem de recuar para o joelho,
perguntava-se.
Mas Dona Confiança era muito
zelosa dos seus princípios e estava convicta de que tinha adquirido um estatuto
de inviolável que não poderia perder por qualquer franja por mais voluptuosa
que ela fosse.
E assim, estava já Pedro a alçar a
perna para um movimento mais acrobático quando Confiança se lhe escapa por
entre os rins e decide ir acertar linha das sobrancelhas e pintar as unhas de
outra cor, fazendo-o estatelar-se no arraiolos que nem um Junot de porcelana.
Será desprezo genuíno, será jogo,
será apenas prudência, será capricho, ruminava Pedro por entre os ossos doridos
a fazer de escombros. Mas Dona Confiança já estava noutra, remoçada e de peitos
ao nível do entrecot, deixou Pedro a lamuriar-se com Paulo que entretanto já
declarava aos quatro ventos que ela afinal nem era grande coisa e que mais
valia uma pila na mão que duas vulvas a voar, ou melhor, um imposto novo na mão
que duas constituições velhas a voar.
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Murmurando entendimento IV – madibando-se para isto tudo
Cristina Lagarde veio reconhecer
que tinha sido contratada para fazer uma fmímica gestual mas que entretanto
começou a ter visões e baralhou-se toda. Não teve coragem para parar e seguiu fazendo
as suas pantominas em forma de resgate porque não queria atrapalhar as
cerimónias fúnebres.
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Murmurando entendimento III – do cabaré para o convento, ida e volta
Simão Bivalves sempre fora um
reformista da primeira hora. Vivera torturado pelos desmandos e manobras
daquele que ficaria sorbonianamente especializado em tortura, e encontrara em
Passos Coelho uma espécie de vamos-lá-ver-se-dá, tipo chave de fendas em
promoção. Habituado a escarnecer e a elogiar, com uma discricionariedade da
família dos pequenos caprichos, Simão punha-se agora a jeito para servir de
mais um alibi ideológico a uma bateria de testes chamada pomposamente governo
de salvação com troika em opção.
Pau para toda a colher,
arrastou-se de gabinetes em gabinetes, tentando vender-se como eminência parda
mas pago a preço de conselheiro laranja. Andou próximo do poder e sentiu-se
recompensado por aquela sensação pirilâmpica de quem está tão próximo da luz que
se julga ser interruptor.
Emprestou a alta verve, a média cultura
e a baixa vergonha ao serviço do desdém olímpico e da cumplicidade banana,
contradisse tudo o que já tinha dito com a limpeza típica das superioridades de
ocasião, e ganhou referências que nunca sonhara sequer ter que suportar num grupo
de sueca de reformados.
Inchou com o vento que teve à mão
e desinchou com as picadelas dos ouriços do poder, esbracejando que não se pode
ser maquiavel com medicis estragados.
Simão Bivalves dedica-se agora a mostrar que
afinal sempre foi um espirito livre. Da mesma fora que nada prende o diáfano flato ao
espasmódico colón.
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Murmurando entendimento II – pib com laranja
Como o nosso PIB ainda está muito cru para enfrentar
novamente a vida lá fora, há que o preparar.
Num almofariz coloque as reformas do estado, o crescimento e
a competitividade.
Esmague até que fique uma pasta.
Num tabuleiro de ir à troika tempere o PIB por igual com as
reformas de estado esmagadas.
Junte no tabuleiro 2 folhas de orçamento de estado, 3
manifestações de polícias, 4 exames de professores e o sumo de laranja.
Por fim coloque a manteiga.
Leve ao Bundesbank pré-aquecido e
deixe assar aproximadamente ano e meio.
Entretanto, num tacho, leve à
comissão europeia o restante caldo, o deficit público, a manteiga e os miúdos
(as gerações mais novas).
Tempere um pouco com demagogia e
corrupção.
Deixe cozer entre 4 a 5 meses, até
as novas gerações ficarem tenrinhas.
Passado um ano do PIB estar no
bundesbank vire-o de forma a que fique com as exportações para cima.
Depois das novas gerações estarem
fodidas, perdão, cozidas, retire-as com um escorredor (qualquer instituto
público serve) para um centro de emprego raso.
Ao caldo que sobrou junte água
suficiente para afogar dois quarteis de bombeiros.
Deixe foder, perdão, ferver. Depois de ferver
junte os reformados, mexa e aguente duas ou três inconstitucionalidades.
Entretanto, corte os miúdos (novas
gerações) e desfie a parte do consumo privado do PIB. Não se esqueça de limpar
bem a TSU.
Depois dos reformados fodidos,
perdão, cozidos, junte os miúdos e misture.
Coloque tudo num tabuleiro de ir
ao Bundesbank e espalhe. Por cima coloque uma rodelas de funcionários públicos.
Depois do PIB assado, retire-o.
Aumente a temperatura do
Bundesbank para o máximo e coloque os reformados, os funcionários públicos e os
desempregados a tostar. Passados dois meses retire.
Sirva o PIB em pedaços,
acompanhado com os desempregados e rodelas de laranja.
Está pronto para servir aos
mercados.
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Murmurando entendimento I
Aparentemente «a troika reconhece erros mas são para manter»
o que me parece uma atitude bastante acertada. Julgo até que da nossa brilhante
história o ‘erro da troika’ é dos erros melhorzinhos que nós temos feito e para
além disso tem a virtude de podermos dizer que não fomos nós, foram os outros
meninos. Se considerarmos erros como por exemplo o terramoto de lisboa, a
presidência de godinho lopes, a morte de dom Carlos, a aventura de alcácer
quibir e a exportação da orsi feher , o memorandum e respectivos folhos foram
dos melhores figurinos com que nos equipámos. Vamos-mos lá entender: nós evoluímos na cadeia alimentar das crises,
pois deixámos de ser um país com crise para sermos uma crise com país.
Como já vi escrito em qualquer lado: nós não somos os herdeiros
dos que foram à Índia, nós somos herdeiros dos que ficaram.
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A arca de Nelo #3
Quando Nelo, ex-nelo agora já Nelão Duarte, desembarcou ali
na zona do cais do Sodré, decidiu subir a rua do alecrim para ver como paravam
as modas no império. Deixou na barca a maior parte das parelhas e fez-se à calçada
apenas com Sócrates que, tal como a sua amiga do peito nelinha moura guedes,
estava desejoso de testar a popularidade, mas ninguém o convidara para
apresentar concursos pelo que vivia torturado.
Chegados à zona da rua das flores e ainda sem tragédia à
vista Nelo perguntou-se porque se viam tantos paneleiros num país que precisava
de aumentar a sua natalidade. Ninguém lhe respondeu em condições, e ele deu-se
conta de que havia relaxamento. Sacou do telemóvel e ditou: tenho de fazer um
novo código de costumes, algo que fique para a posteridade e não nos deixe nas
mãos de constituições mariconças. A par disso vou então fazer um programa
cautelar, ou seja, cada português vai vender uma cautela da lotaria do natal a
4 alemães. No final o pinto da costa faz um sorteio e por coincidência a sorte
grande sai a um árbitro da póvoa do varzim que estava a juntar para reforçar a
marquise contra os ventos da maresia e que teria prometido 3 penalties ao
fócuporto numa fase crítica do campeonato.
Já Nelão Duarte, envergando uma capa de arminho lilás comprada
na Benetton, estava a distribuir autógrafos em frente à igreja dos mártires
quando é chamado de urgência à barca: havia uma rebelião entre as parelhas,
criara-se, na sua ausência, uma facção que queria antes desembarcar em Alcochete
e vir tomar a capital pela ponte fairy (ex-vasco da gama), aproveitando
para comer um peixinho grelhado.
Vou comer uns chocos fritos e já volto - disse Nelão Duarte
à multidão que o aclamava.
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A arca de Nelo #2
A arca de nelo está ancorada junto ao mar da palha com vista
para a casa dos bicos, onde mme saramaga ainda pensa que estamos todos
ceguinhos, e o ambiente no convés é de alguma expectativa: aparentemente portas
e passos já foram na enxurrada mas ainda não se percebe se é o momento certo de
desembarcar. Inesperadamente aparece um pardal vestido de Wellington a segurar
um novo livro de gonçalo m tavares no bico, com o título: ‘pilhagens da minha
terra’. Josefa Noémia avisa então Nelo Duarte de que se calhar os ingleses
tomaram conta disto para fazerem corridas de galgos. Gera-se alguma consternação
entre as parelhas de reserva mas Joana amaral dias, alheia às convulsões, avisa
que só vai a terra se estiver garantido que o salão de beleza que lhe estica o
cabelo e põe betume na cara ainda está operacional. Nelo acha que está na
altura de largar o leme e tomar as rédeas. Reúne toda a tripulação, sobe para
uma réplica do cavalo de d. José em gesso, e anuncia: doravante serei
proclamado Nelão Duarte e irei tomar conta do País. Os casais que estiverem
comigo serão nomeados generais de freguesia. Acabou o tempo do protectorado,
das troikalinadas e dos cismas grisalhos, viva a União Platinada. Há lugar para
todos: piegas, coninhas, machetes e zorrinhos, desde que chamem de imperatriz à
minha josefa noémia. A minha primeira medida será fazer um viaduto sobre o
marquês e um túnel entre o barreiro e o cais do Sodré: o povo deve perceber que
há alternativas. Distribuição de
kerastase para todos os carecas e push-ups para as mamocas de todas as tábuas
de engomar. Quero tudo de cabeça levantada e a encher o peito de ar.
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A arca de Nelo
Nelo Duarte depois de ter sido Secretário de Estado da
Pachacha social única e dos Medalhões de Vitela foi colocado como embaixador especial do instituto
meteorológico na primavera árabe. Após ter sido enrabado na praça Tarhir ao ser confundido
com uma jornalista da revista Burda, decidiu mudar completamente de vida e
voltar à Pátria para a salvar da revolução em curso que estava a ser conduzida
pelos libertários do Termidor orçamental.
O seu principal objectivo era juntar num cacilheiro,
especialmente decorado pela omnipresente vasconcelas, um casal de representantes
de toda esta gesta da reforma do Estado e Barracas afins, fazendo dela uma grande arca para que
depois do dilúvio não se perdesse nada e Portugal voltasse a ser aquele sonho
quinhentista que sempre foi e do qual nunca devia ter saído.
O primeiro casal a entrar foi a menina ferreira leite e o
escuteiro bagão que tiveram direito a um camarote com vista para a Trafaria e
com o rádio sintonizado na rádio renascença. Depois destes devidamente
instalados entrou clara ferreira alves com um frasco de água oxigenada e de braço dado com pacheco pereira e que
tiveram direito a um beliche duplo com vista para o cristo rei, e paredes meias
com o camarote de judite de sousa e marcelo rebelo da mesma. Os vários casais
foram subindo para o cacilheiro de forma ordeira e apenas se verificaram
algumas escaramuças quando mário crespo se recusou a emparelhar com amélia de
rey colaço pela compreensiva razão de que esta já não estava com boas cores.
Como Nelo Duarte era um verdadeiro institucionalista
reservou um camarote onde juntou um contador de electricidade marado com uma via verde
a piscar amarelo e outro onde juntou uma constituição da república com dois baralhos de tarot. Chegou a ter
uma cegonha da ren a acasalar com o dono dum restaurante chinês, mas o chinês não
passou o controlo sanitário, não perdeu tempo e tinha de reserva uma
funcionária pública que juntou a um pensionista viúvo de outra encaixando-os num
camarote com vista para a rua da betesga. Ana drago conseguiu entrar mascarada
de iva da restauração juntamente com marques mendes mascarado de boletim do
euromilhões.
Inevitavelmente cada enviado da troika teve de se juntar com
uma deputada da maioria e foi muito notada a escolha do careca por aquela moça
do psd já entradota mas com uma franja toda janota.
Depois do cacilheiro ter ido fazer um cruzeiro na costa da Somália,
Nelo Duarte mais a sua Josefa Noémia, já devidamente coroada de grumeta d’honor,
entraram na barra e esperaram que aparecesse a pomba com o raminho de oliveira,
o que poderia indiciar que francisco louçã já teria sido empossado de director
geral das alfândegas, no entanto, constataram que ainda se estava na fase em que mario soares
era o director das Al Pândegas.
(pode ser que ainda continue)
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Aero-remodelismo
Raul Bilirrubina, o famoso escritor de utopias literárias , nas
quais usava o pseudónimo de Cardoso Cuco Castelo, aquando da apresentação do
seu último livro disse que se iria dedicar à politica.
A audiência primeiro pensou que se trataria duma blague para chamar a atenção, mas rapidamente percebeu que representava uma decisão séria.
Ao se ter criado um ambiente de alguma surpresa, Cardoso Cuco Castelo, ou melhor Raul Bilirrubina, achou por bem dar mais detalhes sobre o que iria fazer. E eis que revela algo ainda mais inesperado: tinha sido convidado para Ministro das Florestas e preparava-se para aceitar.
Não podemos tomar a árvore pela floresta, relembrou, e como ele ficaria com o pelouro da floresta teria ocasião de olhar para todos os outros e dizer-lhes: «vocês só estão a ver a árvore, deixem comigo que eu vejo a floresta»
A audiência saltava de estupefacção em estupefacção, apesar de não terem chegado a ficar estupefacientes, e agora já nem sabiam se deviam considerar aquilo uma brincadeira, ou uma grande ingenuidade do escritor, ou até uma maior ingenuidade de quem o tivesse, eventualmente, convidado, e no limite até terá havido um ou outro convidado que tenha pensado que ali se revelava finalmente uma qualquer genialidade até aí escondida.
Claro que apareceu logo um brincalhão de serviço que esganiçou o previsível aparte de que todos os guardas florestais iriam ser promovidos a secretários de estado, mas em geral as pessoas entreolhavam-se num silêncio pontilhado daquele típico esgar de lábio em meia-lua e olhos quase arregalados.
Já se estava na fase dos autógrafos quando Cardoso Cuco Castelo, aliás Raúl Bilirrubina, disse a um dos assistentes que era preciso ter cuidado pois se uma andorinha não fazia uma primavera uma árvore já podia fazer uma floresta. Este último, intrigado, perguntou como seria isso? Tudo tem a ver com as sementes, respondeu com algum enigmatismo Cardoso CC, - aliás, bem, já sabem o nome dele - e nesta remodelação pretendeu-se voltar a ver as coisas mais por cima da rama.
O incidente passou, as pessoas também já estavam mais a pensar em ir para casa jantar e assistir aos comentários sobre os novos episódios da nova telenovela Les Irrévocables, mas no final da sessão uma pessoa foi ficando, ficando até só restar ela e o próprio futuro ministro das florestas, os dois especados na sala que nem dois pinheiros preparados para lhes sacarem a resina.
Senhor ministro, acho que lhe poderia ser útil. Como assim, respondeu Cardoso CC, entre o surpreendido e o negligente sem esconder o incomodado. Tenho muita experiência no desbaste e calculo que vai ter muito que desbastar. Talvez, respondeu Cardoso, cofiando um bigode que não tinha há mais de 15 anos, mas ainda não lhe despertando a atenção a ponto de ter desistido de fazer ir fazer uma mijinha - não se esqueça do que tem para me dizer, mas já não aguentava mais; aaahh, ffff.
Aquele momento em que um homem espera que outro mije geralmente é ocupado pelo que espera com pensamentos de registo obscuro, no entanto aquele representante do que restava de uma audiência não perdeu tempo e disse bem alto: veja lá se esse ministério não vai servir para que os outros tenham onde fazer uma mijinha na hora do desbaste de custos.
Cardoso saiu da casa de banho ligeiramente alterado, nada que lhe tivesse perturbado o sempre delicado movimento do fecho éclair mas o suficiente para o colocar em expectativa – o que quer dizer com isso?
Senhor ministro, acho que na remodelação lhe deram esse ministério não por causa daquela lengalenga da árvore e da floresta, mas para terem um sítio qualquer onde os cortes sejam fáceis e naturais de fazer e, pelo sim pelo não, sempre lá podem ir fazer uma mijadela de vez em quando. Diga-lhes só para não mijarem contra o vento.
A audiência primeiro pensou que se trataria duma blague para chamar a atenção, mas rapidamente percebeu que representava uma decisão séria.
Ao se ter criado um ambiente de alguma surpresa, Cardoso Cuco Castelo, ou melhor Raul Bilirrubina, achou por bem dar mais detalhes sobre o que iria fazer. E eis que revela algo ainda mais inesperado: tinha sido convidado para Ministro das Florestas e preparava-se para aceitar.
Não podemos tomar a árvore pela floresta, relembrou, e como ele ficaria com o pelouro da floresta teria ocasião de olhar para todos os outros e dizer-lhes: «vocês só estão a ver a árvore, deixem comigo que eu vejo a floresta»
A audiência saltava de estupefacção em estupefacção, apesar de não terem chegado a ficar estupefacientes, e agora já nem sabiam se deviam considerar aquilo uma brincadeira, ou uma grande ingenuidade do escritor, ou até uma maior ingenuidade de quem o tivesse, eventualmente, convidado, e no limite até terá havido um ou outro convidado que tenha pensado que ali se revelava finalmente uma qualquer genialidade até aí escondida.
Claro que apareceu logo um brincalhão de serviço que esganiçou o previsível aparte de que todos os guardas florestais iriam ser promovidos a secretários de estado, mas em geral as pessoas entreolhavam-se num silêncio pontilhado daquele típico esgar de lábio em meia-lua e olhos quase arregalados.
Já se estava na fase dos autógrafos quando Cardoso Cuco Castelo, aliás Raúl Bilirrubina, disse a um dos assistentes que era preciso ter cuidado pois se uma andorinha não fazia uma primavera uma árvore já podia fazer uma floresta. Este último, intrigado, perguntou como seria isso? Tudo tem a ver com as sementes, respondeu com algum enigmatismo Cardoso CC, - aliás, bem, já sabem o nome dele - e nesta remodelação pretendeu-se voltar a ver as coisas mais por cima da rama.
O incidente passou, as pessoas também já estavam mais a pensar em ir para casa jantar e assistir aos comentários sobre os novos episódios da nova telenovela Les Irrévocables, mas no final da sessão uma pessoa foi ficando, ficando até só restar ela e o próprio futuro ministro das florestas, os dois especados na sala que nem dois pinheiros preparados para lhes sacarem a resina.
Senhor ministro, acho que lhe poderia ser útil. Como assim, respondeu Cardoso CC, entre o surpreendido e o negligente sem esconder o incomodado. Tenho muita experiência no desbaste e calculo que vai ter muito que desbastar. Talvez, respondeu Cardoso, cofiando um bigode que não tinha há mais de 15 anos, mas ainda não lhe despertando a atenção a ponto de ter desistido de fazer ir fazer uma mijinha - não se esqueça do que tem para me dizer, mas já não aguentava mais; aaahh, ffff.
Aquele momento em que um homem espera que outro mije geralmente é ocupado pelo que espera com pensamentos de registo obscuro, no entanto aquele representante do que restava de uma audiência não perdeu tempo e disse bem alto: veja lá se esse ministério não vai servir para que os outros tenham onde fazer uma mijinha na hora do desbaste de custos.
Cardoso saiu da casa de banho ligeiramente alterado, nada que lhe tivesse perturbado o sempre delicado movimento do fecho éclair mas o suficiente para o colocar em expectativa – o que quer dizer com isso?
Senhor ministro, acho que na remodelação lhe deram esse ministério não por causa daquela lengalenga da árvore e da floresta, mas para terem um sítio qualquer onde os cortes sejam fáceis e naturais de fazer e, pelo sim pelo não, sempre lá podem ir fazer uma mijadela de vez em quando. Diga-lhes só para não mijarem contra o vento.
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Uma república acima das nossas possibilidades
D. Duarte Pio – Isabelinha, minha querida, se calhar está na
altura de fazermos um golpe de estado
D. Isabel – Senhor, acho que não tenho nada que vestir para
uma ocasião dessas
D. Duarte Pio – No estado em que isto está o mais ajustado é
um fato-macaco
D. Isabel – Querido, chamam-se jardineiras e já não me
servem desde que entrámos para a moeda única
D. Duarte Pio – Tudo te fica bem, minha rainha, desde que não
ponhas uma saia muito travada, pois podemos precisar de correr, por mim tudo
bem
D. Isabel – Senhor, já mostras a magnanimidade dos grandes
estadistas…
D. Duarte Pio – Achas que depois devemos manter o menino passos
coelho e os outros como ministros do reino?
D. Isabel – Credo, Senhor, antes chamar a padeira de
Aljubarrota e juntá-la com o Miguel de Vasconcelos
D. Duarte Pio – Então e exilamo-los para onde?
D. Isabel – Há aquela ilha das cagarras ….
D. Duarte Pio – Mas essa já está reservada para o senhor doutor
anibal…e se lhes pusermos também umas anilhas e os deixarmos ir para casa,
assim nem davam despesa?...
D. Isabel – Dava uma imagem de poupança, sim… e o que
fazemos com os da troika?
D. Duarte Pio – Então, ao selassié fazemos barão da damaia e
aos outros viscondes da bobadela
D. Isabel – E aos mercados?...
D. Duarte Pio – Então, montamos uma Câmara Alta no bolhão e
pomo-los lá a perorar com yelds
D. Isabel – Mas isso é que é uma verdadeira mudança de
regime, meu Amor, corre-te no sangue o fluido dos grandes reformadores
D. Duarte Pio – Sinto que estive os anos todos a ser
preparado para este grande momento
D. Isabel – Mas olha, amor, eu hoje tinha combinado ir aos
saldos, achas que podemos fazer o golpe de estado antes amanhã…eu até já teria
o guarda-roupa mais adequado e tudo para a restauração 2.0
D. Duarte Pio – Vais ter de fazer sacrifícios, uma rainha
tem de pensar primeiro no seu povo…
D. Isabel – Achas que o povo está à frente da minha
reputação e tudo?
D. Duarte Pio – Não sei… isso vai ter de ficar definido na
nova constituição
D. Isabel – Mas achas que vai ser preciso fazer outra!? Não
serviria o catálogo da Redoute?
D. Duarte Pio – Não sei, eles com a república ficaram um
bocado esquisitos
D. Isabel – Meus Deus, em que estado é que isto estará… Não
seria melhor arranjarmos um regente?
D. Duarte Pio – Sim…e até podíamos deixar tudo como está !, só que passava a ser monarquia e já não eramos responsáveis pelas
dívidas da república
Isabel – Amor, tanto talento desperdiçado, mas posso à mesma
comprar roupa nova para o golpe de estado, não posso?
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Uma salvação acima das nossas possibilidades
Baptista da Silva – olha lá, achas que está na altura de dar
mais alguma entrevista?
Capitão Roby – eu noutro dia comi uma gaja que é pivot e
meto-te na boa numa mesa redonda
Baptista da Silva – desta vez tinha pensado em dizer que era
observador por parte do kremlin
Capitão roby – tem cuidado que eu uma vez comi uma ucraniana
com tranças mas fiquei ulcerado no estômago, julgo que estava contaminada
Baptista da Silva – sim, tens razão, se calhar opto por dizer
que sou fiscal d’excel
Capitão roby – por acaso noutro dia comi uma miúda em cima
dum power point e ela disse-me que eu tinha um outlook fatal
Baptista da Silva – olha, estou a pensar apresentar um
estudo que demonstra que há uma correlação directa entre a austeridade e a
austeridade
Capitão roby – isso lembra-me uma vez em que eu andava a comer
umas gémeas que também trabalhavam em correlação
Baptista da silva – a libido e a economia andam muito
ligados…
Captão roby – não me digas…o mais parecido que comi com uma
economista foi uma escritora de livros infantis
Baptista da Silva - sim, e na economia também se aprende a
controlar os impulsos sob pena de tudo se esvair em superavits precoces...
Capitão roby – aishh... nessa onda o pior que me aconteceu foi numa fase em que
andei com a mania da miúda única… passava o tempo com restrições e quando voltei
ao mercado reparei que estava muito desvalorizado e nem tinha dado por isso,
foi um castigo para voltar a sacar umas miúdas novas
Baptista da Silva – pois é, isso é terrível, eu se calhar vou
antes fazer um estudo empírico a demonstrar que o que trama a moeda única é ela
ser única, por exemplo, num país com várias moedas únicas acho que esta crise
nunca aconteceria
Capitão roby – olha, lembras bem, uma vez andei com umas empíricas suecas e
digo-te, nunca chegava a ser necessário arranjar uma teoria para aquilo tal a variedade
de resultados, e bons, que se obtinha. Eu sou um apologista fanático do estado
social em formato loiro e robusto, detesto escanzeladas, aliás, estou sempre em greve de escanzelo.
Baptista da Silva – eu também gosto muito do estado social,
uma vez fiz um estudo para a rádio renascença em que demonstrava que há uma
correlação directa entre o nº de terços rezados pelas pessoas juntinhas em Fátima
e o número de avé marias produzidos pelo País…
Capitão roby – sim, sim, as religiosas são as melhores, um
tipo tem é que lhes levar os filhos à catequese, ouvir uma ou outra ladainha, mas
depois são muito certinhas, têm a noção do dever, não sei se estás a perceber?
Baptista da Silva – por isso é que eu já defendi que para
nós termos bem a noção do dever, têm é de nos emprestar ainda mais, pois quanto
mais devermos mais noção temos, e assim por diante, é logarítmico e tudo, já
expliquei isso uma vez numa conferência para prémios nobel da paz que organizei
no Porto Brandão
Capitão roby – nem me fales da Porto Brandão, pá, uma vez comi
lá uma gajita a julgar que era a angelina joli e afinal era a empregada duma
pastelaria na costa da Caparica que tinha perdido o autocarro e sofria de asma e tinha o peito metido para dentro
Baptista da Silva – meu Deus, o mundo é muito dado a confusões, é…, olha
que ainda noutro dia estava a dar uma conferência para tipos com problemas de
inserção social e depois descobri que aquilo era mesmo o conselho de ministros,
e nem foi o tipo do lacinho que me levou lá!
Capitão roby – eu gosto muito de inserção social! Muito mesmo.
Sem isso não há salvação. Aliás, só concebo mesmo a sociabilidade em geral num ambiente de inserção em particular.
Baptista da Silva - então se calhar hoje vou mesmo aceitar o estatuto de observador da salvação nacional, vendo bem uma pessoa não se pode estar sempre a expor, não é?
Capitão Roby - discrição acima de tudo, sim, o segredo é a cama do negócio
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Uma democracia acima das nossas possibilidades
PSD – então rapazes, vamos lá fingir que chegamos a um
acordo qualquer sobre qualquer coisa com um objectivo qualquer
CDS – bem, eu já paguei o meu preço de reputação…, agora é a
vossa vez
PS – queridos, eu só preciso de ir aguentando isto até às
novas eleições, vocês já sabem…
PSD – primeiro temos de escolher um tema para estarmos de
acordo…
CDS – podíamos escrever um texto sobre a cereja do fundão….
PS – é pá, também é chato dar cabo da reputação da cereja…
PSD – olhem, e se disséssemos que nos tínhamos reunido em
boliqueime e isto ficava como o os ‘acordos de boliqueime’, desarmávamos o
gajo…
CDS – pois, pois, e falávamos das amendoeiras em flor e
assim…
PS – e vocês levavam a mal se intercalássemos uns versos do
Manuel Alegre?
PSD – por mim tudo bem desde que eu ainda vá lanchar a casa…
CDS – e eu com isto já perdi a missa do meio-dia…
PS – a democracia tem um preço…
PSD – acham que 3 páginas chegam?
CDS – se calhar devíamos falar sobre as berlengas para dar
um ar de ainda maior abrangência ao acordo?
PS – sim… tipo refúgio pós troika, o gajo anda obcecado com
o pós troika… será que ele pensa que também há uma depressão pós troika?
PSD – já se bebia era qualquer coisa…detesto consensos assim
com a boca seca
CDS – quando íamos com o Paulinho às feiras tínhamos sempre
ginjinha com fartura…
PS – e não terá ele abusado da bebida?...
PSD – vá lá, não me distraiam que isto está quase pronto…olhem
lá, se pusermos isto a acabar com um verso do Herberto Helder, então é que isto
fica mesmo à prova de bala, hem?
CDS – não pode é ter palavrões por causa do bébé da ministra
cristas!
PS – olha que até está a ficar um texto todo catita, sim
senhor, belo Compromisso de Salv[e-se quem puder]ação Nacional que a gente aqui arranjou, hem!
PSD – vocês não acham que o gajo vai topar que isto é
tudo só treta para ver se ele se cala?
CDS – na… ele quer é ir sossegado de férias e que a Mariazinha
não o chateie, e que o bulhão pato seja amigo das ameijoas, o importante é o
primado da família e…
PS – é pá esquecemos-nos de pôr isso…
PSD – meninos agora já não vai a tempo, falei da
miscigenação das raças, da língua portuguesa, do pastel de nata, da ínclita geração
e já foi um pau, agora tenho de me despachar porque já mandei pôr o pargo no forno
lá em casa
CDS – isto está tão consensual que até o rato mickey
assinava, pá!
PS – esperemos que agora não venha o soares e estrague isto
que nos deu tanto trabalho a escrever
PDS – assim até dá gosto fazer Consensos & Compromissos nacionais, pá,
ainda franchisamos esta coisa, melhor que nisto só mesmo nas cartas de demissão, ...agora é a vez do PS também
fazer uma dessas para nós brincarmos, hem!
CDS – sim, senão depois disto brincamos com quê?! Este selassié
nem usa rastas!
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Um presidente acima das nossas possibilidades
M. – Filho, desta vez vais mostrar que és um homem, ou quê!?
A. – filha, estamos quase em férias…deixa lá isto passar…
M. – Nem penses! Ainda te chamam banana!
A. – mas ó filha, eu tinha prometido aos nossos netinhos que
ia jogar com eles ao sete e meio para o Algarve!
M. – Eu levo os miúdos para baixo e tu ficas cá para mostrar
que existes!
A. – mas eu existo…
M. – Tu não existes, filho, fora dos programas de comédia
não existes, desta vez vais ter mesmo de fazer alguma coisa para te fazeres presidente
existente!
A. – achas que se eu fizer outro discurso sobre o estatuto político
dos Açores estará bem?
M. – Ó filho, tu atreve-te! Tu agora vais ter mesmo de
deixá-los à toa! Não me interessa nada do que vais dizer, eles têm é de ficar:
à toa.
A. – então…mas só se eu disser que aceito o Portas mas só se
ele fizer um corte de cabelo igual do Nuno Melo…
M. – Não dá, filho, ele ainda compra um capachinho e
safa-se, tens de ser mais incisivo, raio! Será que também vou ter que ser eu a
resolver isto como tive de fazer ontem com os estores que estavam encravados!
A. – ó querida, isso é que me fazias mesmo um grande favor…
eu estou aqui com uma dor nas cruzes e tudo por causa duma posição que tive de
fazer com as costas durante a última tomada de posse
M. – Olha, tu vais lá e dizes que sim mas que não eventualmente
assim-assim, ou então coiso.
A. – parece-me bem pensado e dá imagem de durão, mas olha…e
depois posso ir para baixo com os netinhos?
M. – Só podes ir quando o Portas ficar careca, antes disso
estás proibido. Deixo empadão no congelador e já limpei a gravata cor de
salmonete que estava com aquela nódoa de sardinha assada
A. – e se eles depois me disserem: 'então agora tome conta
disto'... o que é que eu faço?
M. – Nesse caso, chamas a troika e marcamos aquele cruzeiro
na Somália para ver os piratas!
A. – mas ó filha, eu preferia ir antes jantar fora uns
salmonetes ali a setúbal?
M. – Primeiro os piratas, depois, quando voltarmos, se setúbal
ainda for nosso vamos aos salmonetes!
A. – estou com muito medo, já sem sei se consigo fazer a
minha cara de pau…
M. – Consegues querido, claro que consegues, fazes assim: quando
estiveres a ler o discurso pensa naquele dia em que o nosso netinho mais novo
te bolsou para cima das calças e então faz a mesma cara!
A. – achas então que eu ainda sou muito homem?
M. – Claro, filho! Uma mulher nunca faria figuras destas!
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Acabaram as gaspadinhas venha a lotaria popular
Pouco ou nada tenho escrito sobre a chamada realidade realmente
real (tirando uns dispersos da vie au tanga, au bailout e au rachat) pois, como
seria expectável, irei daqui a uns tempos escrever os textos que serão
definitivos sobre o tema e preciso de manter o meu estatuto técnico de espectador
distante - pois não tenho perfil churchilizável. Contudo, apenas uma doença de índole
hemorroidal aguda e em fase eruptiva me impediria de sentar aqui neste momento
e declarar que, dois pontos:
se por mero acaso, ou leviandade de punho, voltarmos a eleger um tal engenheiro
técnico pós-graduado em velhas oportunidades, nem que seja para tesoureiro numa
junta de freguesia, é porque somos uns tais de gajos que merecemos ser
confiscados de todos os depósitos acima de qualquer valor.
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vai-se a ver é carolina herrera
Os nuestros hermanos, que não podem ver nada, na
impossibilidade de arranjarem um consultor da onu porque são fracos em línguas,
desencantaram um tal de Mulas Granados - que por acaso terá participado num tal
de estudo do FMI - que escrevia artigos sob pseudónimo numa tal de fundação.
Convenhamos que se esforçaram, mas não é nada que se pareça com o nosso baptista
da silva. Aguarda-se agora a divulgação da marca da mala que vão oferecer às
suas pepas xavieres.
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alô, fala dos mercados?
Seguindo
os sábios conselhos dum ex-membro da confraria do bacalhau e consultor pro bono da ONU o governo requereu o
alargamento do prazo de pagamento da dívida pública, já só falta Gaspar dar uma
mala Chanel a cada pensionista para apaziguar o tribunal constitucional e tudo
voltará à normalidade.
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dou-vos um mandamento novo
Nós somos aquele país que
acaba o ano com um baptista da silva e começa o seguinte logo com uma pepa
xavier. Por outro lado, não satisfeito com o tsunicómio criado há uns meses
atrás, o governo mete moeda e saca
dum relatório efemirizado, revelando que afinal se consegue voltar ao Estado
equilibrado de salazar e caetano ( esta expressão continua a ser bastante boa,
que fazer) sem precisar de pôr ninguém no tarrafal desde que uns quantos se
contentem em ir viver para debaixo das pontes. Como democrata evoluído estou
completamente de acordo com tudo desde que não me calhe. Como regra, o
democrata evoluído deve pensar apenas nos seus interesses e por duas ordens de
razões: a) somos os melhores a saber os nossos interesses (isto faz parte da
evolução, por exemplo no tempo do Estado de Salazar e Caetano eram eles quem
sabiam o que era o melhor para nós); b) não devemos ajuizar dos interesses dos
outros porque nos podemos enganar (enganarmo-nos faz parte da evolução, antes praticamente
ninguém se enganava porque morria relativamente cedo). Esclarecida a minha
posição, serve o presente apenas para declarar que se deus nosso senhor me
proteger presentemente prometerei votar pelo bem comum nas próximas eleições.
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anda, caralho
Apesar de não possuir caderneta profissional de terapeuta
julgo que todos, numa aproximação imperfeita ao Mandamento do Senhor, temos a
obrigação de proporcionar ao próximo um mínimo de condições para que ele
extravase a sua raiva interior e que o faça da forma mais benigna para os que o
rodeiam. Este é o ponto, e é um ponto bonito, na minha maneira de ver.
Um dos locais de eleição para esse transvase de bílis é do
conhecimento de todos: o trânsito. Não irei discorrer sobre o tema em teoria,
ele já está tratado seja por especialistas, seja por curiosos, seja por amantes
da opinião livre em geral e da badalhoquice em particular.
A forma que escolhi para cumprir este mandamento na sua
versão terapêutica foi atrasar-me ligeiramente a arrancar ao sinal verde, proporcionando
assim ao condutor de trás momentos de verdadeiro êxtase de raiva e ódio sobre
mim expelidos de forma concentrada, mas sempre devidamente controlada e confinada no espaço.
A fórmula de escape terapeutico que tenho assistido com mais frequência e que me
parece de resultados mais imediatos é um «anda, caralho», dito apenas com um
ligeiro arregalar de olhos e um levantar das maçãs do rosto que muitas vezes
evidencia duas rugas laterais de belo efeito em caucasianas sem maqulhagem excessiva. Na maioria das
situações este movimento terapêutico atinge-se com um mero atraso-de-arranque
de 1,5 segundos mas já encontrei casos desesperados
de reacção aos 6 décimos de segundo.
Um segundo modelo de intervenção é aquele que tem associado
o formato de impropério simples: «foda-se, arranca!». Dado
o grande potencial de dinamização económica que tem associado, geralmente é
adequado a pessoas com uma intervenção cívica relevante e que se preocupam
realmente com o estado das contas nacionais, deficits e espirais recessivas. Por regra, esta fórmula terapêutica
deve vir acompanhada com aquele movimento de braços que numa primeira fase se
afastam em leque do volante para depois nele aterrarem com veemência recolocando-se em posição de ataque ao semáforo e ao carro da frente (o terapeuta - eu) .
Grandes oscilações de pescoço já não são necessariamente observadas nestas ocasiões, e como se
seguem arranques rápidos a terapia conclui-se sem efeitos secundários. Já
acompanhei pacientes que depois do arranque chegam mesmo a conseguir bufar duas
ou três vezes o que é altamente recomendável desde que não embacie.
Uma outra técnica terapêutica que também aconselho é a que
está associada a sinais de amarelo intermitente. Atrasar o arranque acima dos 2
segundos em bastantes destas situações consegue proporcionar ao nosso cliente do carro
de trás aquele movimento para trás com a cabeça e olhos no zénite e que, com jeitinho e paciência,
conseguimos que ainda esboce um «merda, mexe-te, merda». Se repararmos, este
impropério terapêutico é de enorme potencial pois não só permite a irritação
adicional de ter de dizer desenroladamente 3 émes seguidos, sendo que um deles é um verbo, e
ainda para mais é uma frase capicua, o que nalguns espíritos mais escrupulosos
adiciona bastante valor-de-exasperação.
É evidente que - e os leitores mais atentos e conhecedores
certamente já terão pensado neste reparo - nem sempre a terapia termina nem esgota com o
mero atraso de arranque seguido de impropério de ódio dirigido contra certos-incertos.
É preciso garantir que se segue um alívio e esse alívio tem de ser muitas vezes
concretizado com expressões em surdina como «não tens nada para fazer, cabrão»,
ou «é por causa destes cabrões que isto não anda para a frente», ou mesmo até um «país de conas é o que isto é» (as generalizações em certas sessões terapeuticas podem ser bastante apropriadas). E é nestes
momentos que o terapeuta que todos temos dentro de nós se deve sentir realizado.
Mais realizado que isto só mesmo hoje a seguir ao almoço quando uma miúda bem gira do pescoço cima, ali num semáforo às Amoreiras, depois de lhe ter atrasado um arranque em coisa de mais de 1,45 segundos, lhe consegui sacar um «fode-me assim outra vez, meu amor, fode», com sopradela de franja e tudo. São estas coisas gratificantes que nos ficam. Nem passei factura, que Deus me perdoe.
Mais realizado que isto só mesmo hoje a seguir ao almoço quando uma miúda bem gira do pescoço cima, ali num semáforo às Amoreiras, depois de lhe ter atrasado um arranque em coisa de mais de 1,45 segundos, lhe consegui sacar um «fode-me assim outra vez, meu amor, fode», com sopradela de franja e tudo. São estas coisas gratificantes que nos ficam. Nem passei factura, que Deus me perdoe.
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