De ponto em ponto a consciência, pesa na impossibilidade da memória, vagando entre os rostos enquadrados na imagem fotografada, o esquecimento transgênico amarela a lembrança. O que se guarda explana o dom de quem insiste em colecionar, rostos, lugares, móveis e objetos de onde brota também a imaginação.
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As cores divergentes vigoram divagando ensaios eruditos, forjando na semente da alma um beijo, flor, e sujeito, fixa uma pétala que desperta intimamente a mudança sofisticada privilegiando a beleza projetada pela rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar;
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Todos temos nossa manias, pouco importa se seja megalomania, sendo do bem, querendo o bem querer acontecendo na alegria de outrem, que ainda são tantos pedaços, fagulhas, grãos, folhas, linhas, açúcar e sossego para o mundo. Eu, que ainda sou lembrado, tiro a memória para dançar, em segredo, com caráter iconoclasta romântico e didático retardando o esquecimento. Atirando cadeiras na lua por traquinagem, cinismo de quem salta com entusiasmo; simplicidade quando se brinca amarelinha - primeiro segue uma pedrinha que tenciona o impulso, do corpo firmando os passos, de modo que o mundo se equilibre no tempo da brincadeira fácil de compreender a natureza do sorriso bobo amanhecendo no sol resfriado.
Por Claudio Castoriadis
Imagem: eu