Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.
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segunda-feira, setembro 05, 2011
Bairro Negro, reportagem de 1984
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quarta-feira, março 23, 2011
11 dias depois...
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segunda-feira, março 14, 2011
Manif à Rasca
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quinta-feira, dezembro 10, 2009
Deve ser inginheiro...
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Medina Carreira especializou-se em partir a loiça. Não há vez nenhuma em que abra a boca para dizer coisas simpáticas. É sempre para partir. Assim se tem desdobrado a aceitar convites das televisões privadas, sempre sedentas de sangue e polémica, e dos círculos da oposição, sempre sedentos de tirar partido de todos os que se põem a jeito. E Medina, que também fez carreira à conta da política (militou no PS, foi ministro, apoiou Cavaco Silva na candidatura presidencial de 2006), lá anda a propalar ideias e críticas que, porventura, outros gostariam de expressar mas calam por conveniências de circunstância.
Confesso que não sei avaliar bem da justeza das críticas. Acho que muitas das teorias carecem de experimentação. Talvez Medina Carreira volte a ser ministro, um dia destes, e queira testar as suas próprias receitas.
Mas, por vezes, acho-o excessivo, injusto e parcial. Como, por exemplo, agora quando veio dizer que tudo está mal no sistema de ensino português, que os miúdos saem das escolas sem saber ler nem escrever e, portanto, não têm futuro: “o que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, diz ele.
Este senhor bacharel em engenharia mecânica acha que ninguém sabe nada de nada, excepto ele. Mas está enganado… até porque muitos dos patrões que ele agora defende preferem mesmo a tal “tropa-fandanga” que sai da escola sem saber ler nem escrever… apenas porque são baratos e submissos, qualidades que o patronato valoriza em detrimento das qualificações profissionais e da experiência com provas dadas. Como podem imaginar, sei do que estou a falar.
Confesso que não sei avaliar bem da justeza das críticas. Acho que muitas das teorias carecem de experimentação. Talvez Medina Carreira volte a ser ministro, um dia destes, e queira testar as suas próprias receitas.
Mas, por vezes, acho-o excessivo, injusto e parcial. Como, por exemplo, agora quando veio dizer que tudo está mal no sistema de ensino português, que os miúdos saem das escolas sem saber ler nem escrever e, portanto, não têm futuro: “o que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, diz ele.
Este senhor bacharel em engenharia mecânica acha que ninguém sabe nada de nada, excepto ele. Mas está enganado… até porque muitos dos patrões que ele agora defende preferem mesmo a tal “tropa-fandanga” que sai da escola sem saber ler nem escrever… apenas porque são baratos e submissos, qualidades que o patronato valoriza em detrimento das qualificações profissionais e da experiência com provas dadas. Como podem imaginar, sei do que estou a falar.
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sábado, agosto 15, 2009
Woodstock, o Adelino e a ditadura
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Woodstock foi há 40 anos. Meio milhão de pessoas juntaram-se num descampado, perto de uma aldeia chamada Woodstock, nos EUA, e realizaram um festival de música que marcou uma geração na parte Ocidental do Mundo.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.
sexta-feira, julho 31, 2009
Exercício político
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Nos últimos dias tenho conversado com alguns jovens, todos com formação universitária, utilizadores de ferramentas de trabalho utilizadas nas novas tecnologias de comunicação. Sabem tudo sobre Photoshop, HTML, PHP, Java, RPG, Cobol e outros códigos, para mim indecifráveis, mas nenhum me soube dizer quem foi Sá Carneiro, nunca ouviram falar do MRPP, ver televisão não lhes interessa por aí além, não ligam às notícias. Fazem parte dos 63% de abstencionistas nas últimas eleições europeias, embora eu acredite que boa parte da abstenção não se deveu à ignorância mas, antes, à desilusão.
Talvez por isso, todos os candidatos às próximas eleições legislativas (em Setembro) e autárquicas (em Outubro) se preocuparam em marcar presença na Web.
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quinta-feira, julho 02, 2009
28 locomotivas a vapor
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Em Portugal, os 28 economistas contratados pelo PSD… perdão, conotados com o PSD… perdão, amancebados… enfim, esses 28 doutores em economia, dizem que os grandes investimentos públicos têm de ser repensados, porque não são rentáveis, não criam emprego, não prestam para nada. Se perguntarem às empresas de construção civil ou aos 60 mil operários do sector que já estão no desemprego, talvez encontrem opiniões diferentes, mas não tão doutas, porventura.
Nos Estados Unidos, o presidente Obama também não concorda com os 28 pilares do pensamento económico português. Obama, à semelhança de Sócrates, ou vice-versa, tem também um projecto para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade. Mas Obama acha que esse investimento público vai ser altamente rentável para os Estados Unidos. Vai ajudar a reduzir a dependência da população face ao transporte automóvel, vai reduzir as importações de petróleo e… ainda, vai ajudar a reduzir as emissões de CO2 e estimular o desenvolvimento económico (imagem só!) mediante a criação de postos de trabalho.
O país é grande e os recursos são à escala, mas o projecto acarinhado por Obama desenha 10 linhas de alta velocidade, oito a ligar as principais cidades da costa Leste e duas na costa do Pacífico. Portugal não fará nenhuma...
Nos Estados Unidos, o presidente Obama também não concorda com os 28 pilares do pensamento económico português. Obama, à semelhança de Sócrates, ou vice-versa, tem também um projecto para a construção de uma rede ferroviária de alta velocidade. Mas Obama acha que esse investimento público vai ser altamente rentável para os Estados Unidos. Vai ajudar a reduzir a dependência da população face ao transporte automóvel, vai reduzir as importações de petróleo e… ainda, vai ajudar a reduzir as emissões de CO2 e estimular o desenvolvimento económico (imagem só!) mediante a criação de postos de trabalho.
O país é grande e os recursos são à escala, mas o projecto acarinhado por Obama desenha 10 linhas de alta velocidade, oito a ligar as principais cidades da costa Leste e duas na costa do Pacífico. Portugal não fará nenhuma...
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terça-feira, junho 30, 2009
Nos tempos do XV Governo Constitucional
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A manchete do Jornal i de hoje é imbatível, não pelo título em si mas pela prosa que promete na página 16. O presidente da PT acusa a “senhora presidente do PSD” de prejudicar os accionistas da PT ao ter utilizado a compra dos 30% da Média Capital como arma de arremesso no duelo político que trava com o PS, quando pôs em causa o negócio “cujos termos não conhecia”.
Henrique Granadeiro diz que se lembra bem “das tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo” (em 2004) e diz que ainda não esqueceu como o Estado se desfez da rede fixa de comunicações (em 2002), numa época em que valia tudo para combater o deficit público, uma obsessão da ministra Manuela Ferreira Leite que fez com que Jorge Sampaio, o PR na época, tivesse de lhe lembrar que havia “mais vida para além do deficit”. Neste negócio, a PT foi obrigada a pagar muito mais do que o valor real da rede fixa de comunicações, uma artimanha financeira da ministra para conseguir conter o deficit que originou até uma acção da Comissão Europeia contra o Estado português.
Granadeiro veio lembrar aquilo que muitos fazem por esquecer…
Curiosamente, MFL já reagiu às declarações de Granadeiro, mas apenas para negar que tenha feito alguma vez pressões sobre qualquer órgão de comunicação social, coisa de que ninguém a acusava. Granadeiro referiu-se a pressões do governo do PSD. Alguém as terá feito, mas ele não disse que tinha sido a senhora ministra. Quanto às acusações de má gestão da coisa pública, essas sim dirigidas a ela directamente, MFL nada disse.
Henrique Granadeiro diz que se lembra bem “das tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo” (em 2004) e diz que ainda não esqueceu como o Estado se desfez da rede fixa de comunicações (em 2002), numa época em que valia tudo para combater o deficit público, uma obsessão da ministra Manuela Ferreira Leite que fez com que Jorge Sampaio, o PR na época, tivesse de lhe lembrar que havia “mais vida para além do deficit”. Neste negócio, a PT foi obrigada a pagar muito mais do que o valor real da rede fixa de comunicações, uma artimanha financeira da ministra para conseguir conter o deficit que originou até uma acção da Comissão Europeia contra o Estado português.
Granadeiro veio lembrar aquilo que muitos fazem por esquecer…
Curiosamente, MFL já reagiu às declarações de Granadeiro, mas apenas para negar que tenha feito alguma vez pressões sobre qualquer órgão de comunicação social, coisa de que ninguém a acusava. Granadeiro referiu-se a pressões do governo do PSD. Alguém as terá feito, mas ele não disse que tinha sido a senhora ministra. Quanto às acusações de má gestão da coisa pública, essas sim dirigidas a ela directamente, MFL nada disse.
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domingo, junho 28, 2009
MFL errou
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Quando Manuela Ferreira Leite disse ter a certeza que Sócrates sabia que a PT estava em negociações com a Media Capital, ou mentiu ou não sabia o que dizia.
Mesmo sabendo que a mentira em política é corriqueira, prefiro pensar que a senhora disse o que disse por mera ignorância. Porque MFL revelou ignorância tanto em relação aos estatutos da PT como ao campo de acção do Estado por possuir 500 acções golden share. É que, como já se viu, nem a PT tinha qualquer obrigação de informar o governo sobre as suas intenções, nem o Estado podia vetar o negócio em causa. Ora, Manuela Ferreira Leite não pode errar tanto, não só por ser candidata a primeiro-ministro mas, também, porque ainda há pouco tempo foi ministra de Estado e das Finanças (XV governo constitucional) e tinha obrigação de saber, ao menos, a capacidade de intervenção do Estado na PT. Esta gaffe só veio lembrar que a senhora, de facto, foi uma má ministra… Agora, só não sei se foi ela quem levou ao engano o Presidente da República, se foi Cavaco que fez com que ela errasse...
Mesmo sabendo que a mentira em política é corriqueira, prefiro pensar que a senhora disse o que disse por mera ignorância. Porque MFL revelou ignorância tanto em relação aos estatutos da PT como ao campo de acção do Estado por possuir 500 acções golden share. É que, como já se viu, nem a PT tinha qualquer obrigação de informar o governo sobre as suas intenções, nem o Estado podia vetar o negócio em causa. Ora, Manuela Ferreira Leite não pode errar tanto, não só por ser candidata a primeiro-ministro mas, também, porque ainda há pouco tempo foi ministra de Estado e das Finanças (XV governo constitucional) e tinha obrigação de saber, ao menos, a capacidade de intervenção do Estado na PT. Esta gaffe só veio lembrar que a senhora, de facto, foi uma má ministra… Agora, só não sei se foi ela quem levou ao engano o Presidente da República, se foi Cavaco que fez com que ela errasse...
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sexta-feira, junho 26, 2009
Trampa na ventoínha
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Por questões meramente políticas e de circunstância, a PT (que é uma empresa privada) viu-se impedida de realizar um negócio que considerava estratégico, a compra de uma percentagem da Media Capital.
Primeiro foram todos os partidos políticos da oposição, do BE ao CDS, que exigiam “transparência”, preocupados com a liberdade de expressão, não fosse José Eduardo Moniz afastado da direcção-geral da TVI quando, na realidade, o problema deles era garantir que a guerrilha mediática contra o PS e Sócrates se mantinha, pelo menos até às eleições. Depois, foi o governo que, para tentar não alimentar mais intriga política, decidiu não autorizar o negócio. «Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial», disse o primeiro-ministro.
Como se sabe, o Estado detém uma golden share na PT e pode vetar negócios que considere prejudiciais aos interesses nacionais. Não sei se isto se aplica ao caso vigente, porque de facto nunca esteve em causa a liberdade de expressão. A liberdade foi, mais uma vez, utilizada como arma de arremesso em nome de interesses privados dos grupos políticos. Ferreira Leite e Cavaco foram os primeiros a lançar trampa na ventoinha… devem estar muito contentes.
Primeiro foram todos os partidos políticos da oposição, do BE ao CDS, que exigiam “transparência”, preocupados com a liberdade de expressão, não fosse José Eduardo Moniz afastado da direcção-geral da TVI quando, na realidade, o problema deles era garantir que a guerrilha mediática contra o PS e Sócrates se mantinha, pelo menos até às eleições. Depois, foi o governo que, para tentar não alimentar mais intriga política, decidiu não autorizar o negócio. «Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial», disse o primeiro-ministro.
Como se sabe, o Estado detém uma golden share na PT e pode vetar negócios que considere prejudiciais aos interesses nacionais. Não sei se isto se aplica ao caso vigente, porque de facto nunca esteve em causa a liberdade de expressão. A liberdade foi, mais uma vez, utilizada como arma de arremesso em nome de interesses privados dos grupos políticos. Ferreira Leite e Cavaco foram os primeiros a lançar trampa na ventoinha… devem estar muito contentes.
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quinta-feira, junho 25, 2009
Manuela, Cavaco e a vaca sagrada
A Portugal Telecom nasceu em 1994, pela fusão da Telecom Portugal S.A., da companhia de Telefones de Lisboa e Porto S.A. e da Teledifusora de Portugal S.A.. À época era operador monopolista das telecomunicações e, por isso, o Estado reservou para si 500 acções tipo A, as chamadas golden shares. Mas é uma sociedade de capitais privados, sendo que o Estado reserva para si a prerrogativa de vetar negócios que considere lesivos do interesse nacional.
Lendo os estatutos da PT, chega-se à conclusão que é bem possível que a administração da PT tivesse iniciado contactos para a aquisição de 30% da Media Capital sem pedir licença ao accionista Estado. Como é possível que não tenha participado ainda a nenhum outro accionista.
O artigo terceiro nº1 dos estatutos diz que “a sociedade tem por objecto a gestão de participações sociais noutras sociedades” e o nº2 do mesmo artigo acrescenta que “a sociedade pode, sem restrições, adquirir ou deter quotas ou acções de quaisquer sociedades”… Sendo certo que, conforme reza o artigo 14º nº2 deliberações desse tipo “não serão aprovadas contra maioria dos votos correspondentes às acções de categoria A”(as tais golden shares detidas pelo Estado), mas isso (julgo eu) não implica que o Estado tenha de acompanhar a par e passo todas as iniciativas da administração da PT, apenas tem de as aprovar no final, votando com todos os outros accionistas em Assembleia Geral.
Portanto, quando Manuela Ferreira Leite vem dizer que “não acredita” que a PT não tivesse consultado o primeiro-ministro sobre a intenção de estabelecer contactos com a PRISA para uma eventual compra de uma percentagem da Media Capital, parece-me obvio que se trata de pura especulação política própria da pré-campanha. Uma pré-campanha em que o Presidente da República decidiu participar activamente, caucionando, dirigindo quiçá a estratégia do PSD, ao abrir “uma excepção” para se referir às fortes suspeitas que esta negociação comercial lhe suscita.
Cada qual vê o Mundo com os próprios olhos, e a mim só me apetece dizer asneiras… já ninguém se lembra do sucedido em Abril de 2002, quando o governo de Durão Barroso tomou posse e a principal preocupação do ministro Morais Sarmento foi sanear o director-geral da RTP, Emídio Rangel. Nesse saneamento foram todos eles cúmplices, de Cavaco a Ferreira Leite e hoje arvoram-se cinicamente em defensores da liberdade de imprensa quando suspeitam que o director-geral da TVI pode vir a ser substituído com a entrada de novos accionistas na Media Capital. Como se Moniz fosse uma vaca sagrada do PSD. Como se a TVI não fosse propriedade privada e os seus accionistas soberanos nas decisões que entenderem por bem tomar. Assim como, de resto, a PT.
Lendo os estatutos da PT, chega-se à conclusão que é bem possível que a administração da PT tivesse iniciado contactos para a aquisição de 30% da Media Capital sem pedir licença ao accionista Estado. Como é possível que não tenha participado ainda a nenhum outro accionista.
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O artigo terceiro nº1 dos estatutos diz que “a sociedade tem por objecto a gestão de participações sociais noutras sociedades” e o nº2 do mesmo artigo acrescenta que “a sociedade pode, sem restrições, adquirir ou deter quotas ou acções de quaisquer sociedades”… Sendo certo que, conforme reza o artigo 14º nº2 deliberações desse tipo “não serão aprovadas contra maioria dos votos correspondentes às acções de categoria A”(as tais golden shares detidas pelo Estado), mas isso (julgo eu) não implica que o Estado tenha de acompanhar a par e passo todas as iniciativas da administração da PT, apenas tem de as aprovar no final, votando com todos os outros accionistas em Assembleia Geral.
Portanto, quando Manuela Ferreira Leite vem dizer que “não acredita” que a PT não tivesse consultado o primeiro-ministro sobre a intenção de estabelecer contactos com a PRISA para uma eventual compra de uma percentagem da Media Capital, parece-me obvio que se trata de pura especulação política própria da pré-campanha. Uma pré-campanha em que o Presidente da República decidiu participar activamente, caucionando, dirigindo quiçá a estratégia do PSD, ao abrir “uma excepção” para se referir às fortes suspeitas que esta negociação comercial lhe suscita.
Cada qual vê o Mundo com os próprios olhos, e a mim só me apetece dizer asneiras… já ninguém se lembra do sucedido em Abril de 2002, quando o governo de Durão Barroso tomou posse e a principal preocupação do ministro Morais Sarmento foi sanear o director-geral da RTP, Emídio Rangel. Nesse saneamento foram todos eles cúmplices, de Cavaco a Ferreira Leite e hoje arvoram-se cinicamente em defensores da liberdade de imprensa quando suspeitam que o director-geral da TVI pode vir a ser substituído com a entrada de novos accionistas na Media Capital. Como se Moniz fosse uma vaca sagrada do PSD. Como se a TVI não fosse propriedade privada e os seus accionistas soberanos nas decisões que entenderem por bem tomar. Assim como, de resto, a PT.
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Politicamente incorrecto,
socorro tirem-me daqui
quarta-feira, junho 24, 2009
Nunca se engana e raramente tem dúvidas

Se Cavaco decidir que as próximas eleições legislativas e autárquicas se realizarão em simultâneo, estará a decidir contra a grande maioria dos partidos políticos. Só o PSD concorda com Cavaco. Aliás, PSD e Cavaco estão em sintonia perfeita, fazendo lembrar os tempos em que o actual Presidente da República era líder do partido. Aposto, seja o que for, que até às eleições esta sintonia não será desfeita. Depois, tudo depende dos resultados obtidos. Se o PSD vencer, Cavaco governará de facto o país, se o PSD perder, o status quo institucional recuperará a normalidade, com um governo a governar e um presidente a zelar pelo respeito da Constituição.
Se Cavaco votar contra a vontade de 5 dos 6 partidos com representação parlamentar, estará a dar uma lição ao primeiro-ministro. Cavaco, que só foi “humilde” na hora da derrota (nomeadamente nas presidenciais de 96 que perdeu contra Jorge Sampaio), não tem pejo em se manter convicto das suas opiniões nem em desconsiderar com arrogância as opiniões que lhe são contrárias. Algo que Sócrates fazia e parece que, agora, deixou de fazer.
Se Cavaco votar pela simultaneidade das eleições, o PSD será o único partido a concordar com o PR e, assim, surgirá como garante da estabilidade institucional… e isso pode ter consequências eleitorais.
Se Cavaco votar contra a vontade de 5 dos 6 partidos com representação parlamentar, estará a dar uma lição ao primeiro-ministro. Cavaco, que só foi “humilde” na hora da derrota (nomeadamente nas presidenciais de 96 que perdeu contra Jorge Sampaio), não tem pejo em se manter convicto das suas opiniões nem em desconsiderar com arrogância as opiniões que lhe são contrárias. Algo que Sócrates fazia e parece que, agora, deixou de fazer.
Se Cavaco votar pela simultaneidade das eleições, o PSD será o único partido a concordar com o PR e, assim, surgirá como garante da estabilidade institucional… e isso pode ter consequências eleitorais.
sábado, junho 20, 2009
Não demorem muito a reflectir, tá?
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Uma trintena de grandes economistas veio agora dizer ao governo que os anunciados investimentos públicos em auto-estradas, no aeroporto e no TGV são uma má opção. Dizem que são investimentos de fraca rentabilidade… e talvez sejam, mas tenho pena que só agora venham dizer isso (cheira demasiado a oportunismo). Muitos deles, quando lhes tocou serem ministros fizeram o mesmo ou pior, no que diz respeito à betonização do país.
Sempre ouvi dizer que desenvolver vias de comunicação é condição estruturante para o crescimento económico… mas parece que já não é. Já nem sei o que pensar. E se acho que mais auto-estradas são, porventura, dispensáveis num país tão pequeno e que já tem tantas… se aceito que um novo aeroporto talvez não seja a prioridade nº1 do país (embora gostasse de ver os aviões voarem mais alto sobre Lisboa…), acho que o TGV é essencial, não só porque encurta a distância entre Lisboa e o Porto mas, fundamentalmente, porque se não o fizermos vamos ficar sem ligação ferroviária de alta velocidade com o resto do Mundo. E isso será mais um estigma do nosso subdesenvolvimento no futuro.
Olhando para o Mundo, vemos o presidente Obama a investir dinheiro público na construção e recuperação de infraestruturas, no serviço de saúde, no sistema escolar, na indústria automóvel… com a finalidade de manter e criar emprego para que a economia reanime.
Sempre ouvi dizer que desenvolver vias de comunicação é condição estruturante para o crescimento económico… mas parece que já não é. Já nem sei o que pensar. E se acho que mais auto-estradas são, porventura, dispensáveis num país tão pequeno e que já tem tantas… se aceito que um novo aeroporto talvez não seja a prioridade nº1 do país (embora gostasse de ver os aviões voarem mais alto sobre Lisboa…), acho que o TGV é essencial, não só porque encurta a distância entre Lisboa e o Porto mas, fundamentalmente, porque se não o fizermos vamos ficar sem ligação ferroviária de alta velocidade com o resto do Mundo. E isso será mais um estigma do nosso subdesenvolvimento no futuro.
Olhando para o Mundo, vemos o presidente Obama a investir dinheiro público na construção e recuperação de infraestruturas, no serviço de saúde, no sistema escolar, na indústria automóvel… com a finalidade de manter e criar emprego para que a economia reanime.
Em Portugal… vamos reflectir... à luz do pensamento de Cavaco.
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quinta-feira, junho 18, 2009
Não
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Este caso da Autoeuropa é paradigma da imoralidade do sistema neo-liberal que, com raras excepções, se instalou em quase todos os países do Mundo.
Os trabalhadores recusaram perder mais direitos laborais e disseram não à proposta patronal de pagar menos pelas horas extraordinárias em seis sábados por ano, segundo ouvi na TSF. A proposta partiu da administração da empresa que pretende tornar a fábrica da Wolkswagen mais competitiva, reduzindo o custo da mão-de-obra, apesar deste factor não pesar mais de 5% nos custos de produção da fábrica. Pelo caminho, ficaram ameaças veladas de deslocalizar a fábrica, numa tentativa obvia de influenciar pelo medo a decisão dos trabalhadores.
Ninguém tem dúvidas de que os donos da Wolkswagen não hesitarão em fechar a fábrica portuguesa, caso considerem que vão ganhar mais dinheiro para outro lado qualquer. No fundo, tudo se resume a isso: ganhar mais dinheiro.
Quando nos anos 90 se começou a ouvir falar em globalização, na necessidade de quebrar todas as barreiras ao comércio livre mundial, percebeu-se que os capitalistas babavam-se pelos lucros potenciais que existem em mercados de biliões de pessoas, nomeadamente o chinês e o indiano. Na altura disseram-nos que íamos todos beneficiar com essa globalização, que os produtos iam chegar aqui mais baratos, porque os chineses produziam barato. Não nos disseram que íamos correr o risco de ficarmos todos desempregados, que os capitalistas iam todos fechar as empresas no hemisfério norte para reabri-las nos mercados asiáticos onde podem alegremente explorar indecentemente todo o tipo de mão-de-obra, mesmo a infantil.
Por mim, podem voltar a reerguer as barreiras alfandegárias, a taxar os produtos importados, a definir contingentes de importação. Prescindo das t-shirts a 5 € que se vendem no Continente. Prefiro dar 15 € por umas feitas em Vila do Conde.
Hoje, lamento ver como os dirigentes de um país se rebaixam aos ditames da administração de uma fábrica. O nosso ministro da economia disse esperar que “os trabalhadores reconsiderem as consequências que uma decisão destas pode ter”, deitando para cima dos torneiros mecânicos o ónus da questão e ilibando os gestores de qualquer tipo de má-fé. Também a promitente primeira-ministra, Manuela Ferreira Leite, falou em “bom senso” – coisa que na opinião dela faltará na cabecinha dos electricistas e fresadores. Nenhum deles defendeu os direitos de quem trabalha na Autoeuropa.
Os trabalhadores recusaram perder mais direitos laborais e disseram não à proposta patronal de pagar menos pelas horas extraordinárias em seis sábados por ano, segundo ouvi na TSF. A proposta partiu da administração da empresa que pretende tornar a fábrica da Wolkswagen mais competitiva, reduzindo o custo da mão-de-obra, apesar deste factor não pesar mais de 5% nos custos de produção da fábrica. Pelo caminho, ficaram ameaças veladas de deslocalizar a fábrica, numa tentativa obvia de influenciar pelo medo a decisão dos trabalhadores.
Ninguém tem dúvidas de que os donos da Wolkswagen não hesitarão em fechar a fábrica portuguesa, caso considerem que vão ganhar mais dinheiro para outro lado qualquer. No fundo, tudo se resume a isso: ganhar mais dinheiro.
Quando nos anos 90 se começou a ouvir falar em globalização, na necessidade de quebrar todas as barreiras ao comércio livre mundial, percebeu-se que os capitalistas babavam-se pelos lucros potenciais que existem em mercados de biliões de pessoas, nomeadamente o chinês e o indiano. Na altura disseram-nos que íamos todos beneficiar com essa globalização, que os produtos iam chegar aqui mais baratos, porque os chineses produziam barato. Não nos disseram que íamos correr o risco de ficarmos todos desempregados, que os capitalistas iam todos fechar as empresas no hemisfério norte para reabri-las nos mercados asiáticos onde podem alegremente explorar indecentemente todo o tipo de mão-de-obra, mesmo a infantil.
Por mim, podem voltar a reerguer as barreiras alfandegárias, a taxar os produtos importados, a definir contingentes de importação. Prescindo das t-shirts a 5 € que se vendem no Continente. Prefiro dar 15 € por umas feitas em Vila do Conde.
Hoje, lamento ver como os dirigentes de um país se rebaixam aos ditames da administração de uma fábrica. O nosso ministro da economia disse esperar que “os trabalhadores reconsiderem as consequências que uma decisão destas pode ter”, deitando para cima dos torneiros mecânicos o ónus da questão e ilibando os gestores de qualquer tipo de má-fé. Também a promitente primeira-ministra, Manuela Ferreira Leite, falou em “bom senso” – coisa que na opinião dela faltará na cabecinha dos electricistas e fresadores. Nenhum deles defendeu os direitos de quem trabalha na Autoeuropa.
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quarta-feira, junho 17, 2009
Atendimento prioritário
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Hoje, não foi um dia bom. Saí de manhã para ir até à Caixa de Previdência dos Jornalistas. É verdade que a “caixa dos jornalistas” já não existe, formalmente, mas os serviços de atendimento continuam a ser diferenciados. Ainda estou para perceber, então, por que razão a extinguiram… Fui lá para inscrever o meu 3ºfilho no Abono de Família. Levei a Certidão de Nascimento, os documentos de identificação da mãe, os meus… pensei que era tudo. Mas não… faltava a declaração da Segurança Social a atestar que o abono não foi requerido pela mãe. A palavra do cidadão não basta, a atestação é fundamental. Ainda me passou pela cabeça que a funcionária da Caixa de Previdência poderia aceder à base de dados da Segurança Social e verificar a questão. Afinal de contas… estamos a falar de serviços públicos afins, contíguos. Mas não… tinha de ir a uma Loja do Cidadão e tratar do assunto. Fui.
A fila era longa. Como levava comigo o “rebento”, tirei uma senha F, destinada a situações prioritárias. A senha dizia F-062 e o quadro indicava que o utente F-54 estava a ser atendido… Dos cinco guichets, três estavam a funcionar. Vinte e cinco minutos depois, reparei que utentes chegados depois de mim estavam a ser atendidos. Eram pessoas munidas de senhas A, B, C ou D… e a senha F tinha avançado apenas dois números. Indaguei junto das funcionárias do atendimento, qual era a lógica do atendimento prioritário… e responderam-me que tinha de esperar pela minha vez. Pedi o livro de reclamações.
A fila era longa. Como levava comigo o “rebento”, tirei uma senha F, destinada a situações prioritárias. A senha dizia F-062 e o quadro indicava que o utente F-54 estava a ser atendido… Dos cinco guichets, três estavam a funcionar. Vinte e cinco minutos depois, reparei que utentes chegados depois de mim estavam a ser atendidos. Eram pessoas munidas de senhas A, B, C ou D… e a senha F tinha avançado apenas dois números. Indaguei junto das funcionárias do atendimento, qual era a lógica do atendimento prioritário… e responderam-me que tinha de esperar pela minha vez. Pedi o livro de reclamações.
domingo, junho 14, 2009
Posto de observação - 1
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Não digo que o PS não possa vencer as próximas eleições legislativas, mas que vai ser muito difícil contrariar os ventos de mudança que surgiram das eleições europeias, lá isso vai.
Nos últimos 4 anos, o PS tratou mal toda a gente, incluindo o seu eleitorado mais fiel. Tal como Paulo Pedroso diz, numa entrevista publicada hoje no Correio da Manhã, as reformas levadas a cabo eram necessárias (até a oposição da direita o dizia…), “mas o governo não pode é tratar o eleitorado como se fosse dispensável”.
Percebe-se o que Paulo Pedroso quer dizer: não se governa sempre com a intenção de angariar votos, mas não é possível governar sempre contra tudo e todos. E foi isso que Sócrates fez, nomeadamente ao assumir a opção “beligerante” face aos sindicatos. O que este governo PS fez, podia ter sido feito por qualquer governo de direita, sem espanto.
O governo fez de conta que a luta de classes é um cenário da Guerra Fria e que, hoje, não faz sentido continuar a dar relevo à acção sindical. Um governo socialista deveria ter tido um papel nivelador na desigualdade existente entre patrões e trabalhadores, mas decidiu promover um novo Código de Trabalho que cava ainda mais essa diferença, liberalizando os despedimentos. Na verdade, Sócrates seguiu as pisadas de Cavaco que, via Bagão Félix, deu inicio à chamada “flexibilização” nos anos 90. O patronato sempre disse que as leis protectoras do trabalhador são contrárias ao desenvolvimento, porque afugentam os investidores. Na verdade, o que eles querem dizer é que essas leis afugentam os investidores que não têm qualquer escrúpulo social. O PS nunca devia ter pactuado com isto.
Hoje, vemos bem como a classe média laboral está desamparada, desempregada, sem capacidade para cumprir com os compromissos que lhe foram impostos pelo sistema: a escola privada dos filhos, a prestação da casa própria ou a prestação do carro. Hoje, Portugal é o país onde existem as maiores desigualdades salariais na Europa, entre o que ganham os gestores (onde não há qualquer tecto salarial) e o salário proposto aos restantes trabalhadores (que é cada vez mais baixo). Este fosso salarial atinge dimensões escandalosas mesmo no sector empresarial do Estado, onde seria mais natural haver algum comedimento nesse tipo de atrevimentos. Mas não há.
Hoje, vivemos num país onde desapareceu a escolha de uma profissão como realização profissional… As pessoas procuram uma carreira preocupadas, apenas, com o sucesso social e financeiro, o que, ironicamente, na actual crise, é cada vez mais difícil.
Para vencer as próximas eleições, o PS teria de alterar este estado de coisas. Não me parece que haja tempo para tarefa tamanha e não sei se o eleitorado vai continuar a fiar-se em promessas eleitorais.
Nos últimos 4 anos, o PS tratou mal toda a gente, incluindo o seu eleitorado mais fiel. Tal como Paulo Pedroso diz, numa entrevista publicada hoje no Correio da Manhã, as reformas levadas a cabo eram necessárias (até a oposição da direita o dizia…), “mas o governo não pode é tratar o eleitorado como se fosse dispensável”.
Percebe-se o que Paulo Pedroso quer dizer: não se governa sempre com a intenção de angariar votos, mas não é possível governar sempre contra tudo e todos. E foi isso que Sócrates fez, nomeadamente ao assumir a opção “beligerante” face aos sindicatos. O que este governo PS fez, podia ter sido feito por qualquer governo de direita, sem espanto.
O governo fez de conta que a luta de classes é um cenário da Guerra Fria e que, hoje, não faz sentido continuar a dar relevo à acção sindical. Um governo socialista deveria ter tido um papel nivelador na desigualdade existente entre patrões e trabalhadores, mas decidiu promover um novo Código de Trabalho que cava ainda mais essa diferença, liberalizando os despedimentos. Na verdade, Sócrates seguiu as pisadas de Cavaco que, via Bagão Félix, deu inicio à chamada “flexibilização” nos anos 90. O patronato sempre disse que as leis protectoras do trabalhador são contrárias ao desenvolvimento, porque afugentam os investidores. Na verdade, o que eles querem dizer é que essas leis afugentam os investidores que não têm qualquer escrúpulo social. O PS nunca devia ter pactuado com isto.
Hoje, vemos bem como a classe média laboral está desamparada, desempregada, sem capacidade para cumprir com os compromissos que lhe foram impostos pelo sistema: a escola privada dos filhos, a prestação da casa própria ou a prestação do carro. Hoje, Portugal é o país onde existem as maiores desigualdades salariais na Europa, entre o que ganham os gestores (onde não há qualquer tecto salarial) e o salário proposto aos restantes trabalhadores (que é cada vez mais baixo). Este fosso salarial atinge dimensões escandalosas mesmo no sector empresarial do Estado, onde seria mais natural haver algum comedimento nesse tipo de atrevimentos. Mas não há.
Hoje, vivemos num país onde desapareceu a escolha de uma profissão como realização profissional… As pessoas procuram uma carreira preocupadas, apenas, com o sucesso social e financeiro, o que, ironicamente, na actual crise, é cada vez mais difícil.
Para vencer as próximas eleições, o PS teria de alterar este estado de coisas. Não me parece que haja tempo para tarefa tamanha e não sei se o eleitorado vai continuar a fiar-se em promessas eleitorais.
A oposição já se prepara para regressar ao poder. Ainda hoje, no Diário de Notícias, Paulo Rangel confirma um provável cenário de acordo pós-eleitoral entre o PSD e o CDS, para formar um governo de coligação.
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quarta-feira, junho 10, 2009
O estado a que isto chegou...
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Na TSF, esta manhã, ouvi a jornalista perguntar a Vasco Lourenço se a homenagem a Salgueiro Maia não era um acto reparador de justiça, embora tardio… Vasco Lourenço respondeu que há erros que não têm emenda possível. Para o antigo capitão de Abril e actual presidente da Associação 25 de Abril, as injustiças que se exerceram sobre Salgueiro Maia em vida, não podem ser reparadas agora. É tarde demais. Mas nunca é demais lembrar que Cavaco Silva, quando era primeiro-ministro, há precisamente 20 anos, recusou uma pensão ao capitão de Abril, enquanto a concedeu a dois antigos agentes da PIDE.
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, na parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, o capitão Salgueiro Maia falou assim aos soldados: "Há diversas modalidades de Estado, os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui." Foram todos os 240 homens que ali estavam. E fizeram uma Revolução.
Sr. Comendador
Entre os condecorados deste 10 de Junho, há pelo menos um que merece a distinção. Chama-se Alfredo Neres e é padre missionário, Comboniano. Conheci-o no norte do Congo, em Bondo. Já aqui escrevi sobre ele. Convido-vos a reler estes três posts - primeiro, segundo, terceiro - escritos em 2006, mas que revelam quase tudo o que sei sobre Alfredo Neres. Gostava de o ver no meio dos figurões (ex-ministros, almirantes, artistas da moda, catedráticos e outros doutores) que com ele vão receber a comenda. Tímido, meio desajeitado, Neres vai suar as estopinhas e desejar estar lá no mato, entre os seus, que já há muito tempo lhe dispensaram o merecido reconhecimento e amizade.
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Farsolas
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Cavaco Silva não promulgou o Decreto nº 285/X da Assembleia da República, que altera a Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, que regula o regime aplicável ao financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais. A rejeição presidencial contraria um voto unânime do Parlamento. Nenhum partido votou contra este Decreto e, espantem-se… agora quase todos se agacham perante o veto. Se não estou errado, apenas o PC continua a dizer que este Decreto vinha substituir uma Lei má e que ninguém respeita.
O financiamento dos partidos políticos sempre foi um dos calcanhares de Aquiles do regime. Julgo que nenhum partido cumpre a Lei a preceito, principalmente os partidos do poder, que gastam rios de dinheiro em cada campanha eleitoral e se amancebam levianamente com os donos do capital.
Sempre se ouviram rumores sobre os tortuosos caminhos do financiamento partidário. E, na verdade, não é raro ver dirigentes partidários dividirem o seu tempo e competências com empresas de construção civil, empresas financeiras, além das empresas do sector empresarial do Estado. Acabar com este tipo de suspeição é urgente. Esta nova Lei votada na Assembleia da República alargava o raio de acção dos partidos na recolha de fundos. Ou seja, não acabava com os eventuais conluios perniciosos entre o poder executivo e os donos da massa, mas tornava o funil menos apertado e, portanto, eliminava a necessidade dos partidos utilizarem métodos ilegais para se financiarem.
Cavaco disse que era “inoportuno”, face à situação de crise em que vivemos, permitir uma vida desafogada aos partidos enquanto o povo continua a apertar o cinto. Trata-se, como é óbvio, de uma sentença farsola… porque, como é bom de ver, os partidos continuarão a financiar-se onde for preciso, continuando a vender favores e benesses.
O financiamento dos partidos políticos sempre foi um dos calcanhares de Aquiles do regime. Julgo que nenhum partido cumpre a Lei a preceito, principalmente os partidos do poder, que gastam rios de dinheiro em cada campanha eleitoral e se amancebam levianamente com os donos do capital.
Sempre se ouviram rumores sobre os tortuosos caminhos do financiamento partidário. E, na verdade, não é raro ver dirigentes partidários dividirem o seu tempo e competências com empresas de construção civil, empresas financeiras, além das empresas do sector empresarial do Estado. Acabar com este tipo de suspeição é urgente. Esta nova Lei votada na Assembleia da República alargava o raio de acção dos partidos na recolha de fundos. Ou seja, não acabava com os eventuais conluios perniciosos entre o poder executivo e os donos da massa, mas tornava o funil menos apertado e, portanto, eliminava a necessidade dos partidos utilizarem métodos ilegais para se financiarem.
Cavaco disse que era “inoportuno”, face à situação de crise em que vivemos, permitir uma vida desafogada aos partidos enquanto o povo continua a apertar o cinto. Trata-se, como é óbvio, de uma sentença farsola… porque, como é bom de ver, os partidos continuarão a financiar-se onde for preciso, continuando a vender favores e benesses.
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sábado, junho 06, 2009
Depois de muito reflectir... decidi votá-los ao desprezo
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Pela primeira vez, não vou votar. Desta vez, decidi não legitimar ninguém. Ninguém dirá que fala em meu nome. Em meu nome, falo eu. E se muitas vozes se juntarem à minha, certamente que seremos escutados. Estas eleições europeias podem ser, realmente, importantes. Basta que a população dê um veemente sinal de protesto. Não votar ou votá-los à indiferença, é um dos sinais de protesto possíveis. Se eles forem eleitos por uma minoria ridícula de votantes, poderão lá ficar com os tachos milionários, mais a vaidadezinha toda, mas o ridículo vai-se-lhes agarrar à pele. Talvez assim, sem uma real legitimação democrática, os senhores deputados europeus e a Comissão e os governantes nacionais e os políticos em geral, passem a ter vergonha na cara e comecem a zelar pelos interesses e pelo bem-estar do povo. O não voto é um aviso. O próximo passo poderá ser algum tipo de insurreição civil. Eles sabem e têm medo disso. E se a abstenção nas eleições europeias é já um dado adquirido, a possibilidade desta atitude se repetir nos próximos actos eleitorais tem um significado político que os políticos não poderão deixar de levar em conta. Quem julga que um regime, qualquer regime, pode sobreviver sem adesão popular engana-se.
A actual crise económica tem pai e mãe. É filha do adultério entre o capitalismo e a democracia. Foram os tipos em quem temos andado a votar que o permitiram, que beneficiaram de todos os logros e de todas as impunidades. Votei neles… mas agora não. Dizem-me que podia votar naqueles que nunca tiveram participação nas malfeitorias do meu desagrado. Podia… mas votar em quem quer que seja é legitimar todo o processo político, é legitimar quem vence mesmo que não tenha sido esse o sentido do meu voto.
É importante dar um sinal de que não queremos continuar por este caminho. Não queremos continuar a pagar as asneiras dos outros, as falcatruas dos outros, os desfalques. Desta vez, com o meu voto não contam.
A actual crise económica tem pai e mãe. É filha do adultério entre o capitalismo e a democracia. Foram os tipos em quem temos andado a votar que o permitiram, que beneficiaram de todos os logros e de todas as impunidades. Votei neles… mas agora não. Dizem-me que podia votar naqueles que nunca tiveram participação nas malfeitorias do meu desagrado. Podia… mas votar em quem quer que seja é legitimar todo o processo político, é legitimar quem vence mesmo que não tenha sido esse o sentido do meu voto.
É importante dar um sinal de que não queremos continuar por este caminho. Não queremos continuar a pagar as asneiras dos outros, as falcatruas dos outros, os desfalques. Desta vez, com o meu voto não contam.
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Acerca de mim
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- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média