Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.
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segunda-feira, setembro 05, 2011
Bairro Negro, reportagem de 1984
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quarta-feira, março 23, 2011
11 dias depois...
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segunda-feira, março 14, 2011
Manif à Rasca
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segunda-feira, outubro 04, 2010
Coisas de Velho
Conversa entre dois amigos. Um, mais velho, aconselha o outro sobre o envio de uma carta de motivação, a propósito de uma candidatura para um posto de trabalho.
- Diz-me o que achas. Já tenho CV feito e falta-me enviar juntamente com as cartas de motivação...
- Numa 1ªleitura não me parece mal. Acho, no entanto, que deverias dizer alguma coisa sobre a empresa e não apenas sobre ti. Um paleio tipo "a importância fundamental da empresa…”. Endereça a carta com a indicação de "pessoal" na frente do envelope
- Não era suposto enviar por mail?
- Claro! Desculpa. Por email...óbvio. Quando oiço a palavra "carta" ainda vejo envelopes, carteiros e caixas metálicas com ranhuras. Coisas de velho.
- Diz-me o que achas. Já tenho CV feito e falta-me enviar juntamente com as cartas de motivação...
- Numa 1ªleitura não me parece mal. Acho, no entanto, que deverias dizer alguma coisa sobre a empresa e não apenas sobre ti. Um paleio tipo "a importância fundamental da empresa…”. Endereça a carta com a indicação de "pessoal" na frente do envelope
- Não era suposto enviar por mail?
- Claro! Desculpa. Por email...óbvio. Quando oiço a palavra "carta" ainda vejo envelopes, carteiros e caixas metálicas com ranhuras. Coisas de velho.
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quarta-feira, abril 28, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
segunda-feira, março 08, 2010
Não
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Bom… ando com uma neura que nem posso. Tudo me irrita. Acho que é da chuva que não pára de cair. Já não sei quem me contou a graçola, mas que tal se puséssemos um contador da EPAL na chuva e mandássemos a conta para o S.Pedro?…
Irrita-me a perspectiva de ter de pagar mais do que a conta por esta crise para a qual eu e os meus pares nada contribuímos. Os bancos andaram a vender quimeras, os capitalistas engordaram pecúlios e quando ficou à mostra a mentira do sistema financeiro… põem-me uma conta à frente para pagar. Não quero pagar isto.
Não quero ficar com um salário cada vez mais magro, não quero ter de pagar cada vez mais, quando tenho de ir a um hospital do Estado nem quando envio os meus filhos para a escola pública. Não quero ver o Estado desfazer-se de empresas que constituem a própria essência do Estado… de que me serve que o Governo privatize a GALP, a REN, a CGD, a EDP?... se, com isso, nenhum dos serviços que essas empresas prestam vai baixar?
Estou cansado. Deve ser da chuva que não pára de cair…
Irrita-me a perspectiva de ter de pagar mais do que a conta por esta crise para a qual eu e os meus pares nada contribuímos. Os bancos andaram a vender quimeras, os capitalistas engordaram pecúlios e quando ficou à mostra a mentira do sistema financeiro… põem-me uma conta à frente para pagar. Não quero pagar isto.
Não quero ficar com um salário cada vez mais magro, não quero ter de pagar cada vez mais, quando tenho de ir a um hospital do Estado nem quando envio os meus filhos para a escola pública. Não quero ver o Estado desfazer-se de empresas que constituem a própria essência do Estado… de que me serve que o Governo privatize a GALP, a REN, a CGD, a EDP?... se, com isso, nenhum dos serviços que essas empresas prestam vai baixar?
Estou cansado. Deve ser da chuva que não pára de cair…
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terça-feira, fevereiro 23, 2010
Sei que há léguas a nos separar...Tanto mar, tanto mar...
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Encostado ao balcão de atendimento ao cliente, no Continente de Loures/Odivelas.
A um metro e meio de mim, um casal espera para ser atendido. Uma funcionária aproximou-se e a senhora perguntou se tinham fichas de inscrição para candidatos a um posto de trabalho ali no supermercado. A funcionária diz que sim e entrega-lhe uma folha. Informa que terá de juntar fotocópias do BI e do cartão de contribuinte. A senhora abana com a cabeça e volta a colocar uma questão:
- Sabe se vocês pegam brasileiros?
A funcionária ficou a pensar e respondeu que, “por acaso”, não tinham nenhum brasileiro a trabalhar ali naquele supermercado. Mas que isso não queria dizer que não contratassem. No fundo, ela não sabia.
A senhora brasileira sorriu, agradeceu e foi embora. A ficha de inscrição ficou em cima do balcão.
A um metro e meio de mim, um casal espera para ser atendido. Uma funcionária aproximou-se e a senhora perguntou se tinham fichas de inscrição para candidatos a um posto de trabalho ali no supermercado. A funcionária diz que sim e entrega-lhe uma folha. Informa que terá de juntar fotocópias do BI e do cartão de contribuinte. A senhora abana com a cabeça e volta a colocar uma questão:
- Sabe se vocês pegam brasileiros?
A funcionária ficou a pensar e respondeu que, “por acaso”, não tinham nenhum brasileiro a trabalhar ali naquele supermercado. Mas que isso não queria dizer que não contratassem. No fundo, ela não sabia.
A senhora brasileira sorriu, agradeceu e foi embora. A ficha de inscrição ficou em cima do balcão.
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quinta-feira, fevereiro 18, 2010
sábado, janeiro 02, 2010
Serôdio
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Não gostei da mensagem de Ano Novo do senhor Presidente da República. Achei o discurso um somatório de frases feitas, ideias repetidas e “bocas” atiradas para a plateia, sem destinatário certo. O Presidente não teve peito para chamar os bois pelos nomes e foi pena. Além disso, detectei algumas contradições. Por um lado, Cavaco diz que devemos ter cuidado na aplicação do dinheiro público e por outro lembra-nos que “possuímos uma longa História de que nos orgulhamos, porque no passado não tivemos medo”. Ora, esse passado glorioso deveu-se ao atrevimento sem limites dos dirigentes da época que, se tivessem tido cuidado, nunca se teriam lançado numa aventura desmedida e, à partida, nada apropriada a um pequeno país, pobre e semi-despovoado como era Portugal no século 15. Cavaco nem teria molhado os pés na rebentação suave do Atlântico…
Foi, enfim, um discurso em louvor de si mesmo. Cavaco começou por lembrar que há um ano tinha avisado de que 2009 iria ser um ano difícil e, agora, veio cobrar-nos essa premonição fácil. No final, disse que “no meio de tantas incertezas, os Portugueses podem ter uma certeza: pela minha parte, não desistirei e nunca me afastarei dos meus deveres e dos meus compromissos.” Que bom, fiquei aliviado…
Foi, enfim, um discurso em louvor de si mesmo. Cavaco começou por lembrar que há um ano tinha avisado de que 2009 iria ser um ano difícil e, agora, veio cobrar-nos essa premonição fácil. No final, disse que “no meio de tantas incertezas, os Portugueses podem ter uma certeza: pela minha parte, não desistirei e nunca me afastarei dos meus deveres e dos meus compromissos.” Que bom, fiquei aliviado…
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quinta-feira, dezembro 10, 2009
Deve ser inginheiro...
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Medina Carreira especializou-se em partir a loiça. Não há vez nenhuma em que abra a boca para dizer coisas simpáticas. É sempre para partir. Assim se tem desdobrado a aceitar convites das televisões privadas, sempre sedentas de sangue e polémica, e dos círculos da oposição, sempre sedentos de tirar partido de todos os que se põem a jeito. E Medina, que também fez carreira à conta da política (militou no PS, foi ministro, apoiou Cavaco Silva na candidatura presidencial de 2006), lá anda a propalar ideias e críticas que, porventura, outros gostariam de expressar mas calam por conveniências de circunstância.
Confesso que não sei avaliar bem da justeza das críticas. Acho que muitas das teorias carecem de experimentação. Talvez Medina Carreira volte a ser ministro, um dia destes, e queira testar as suas próprias receitas.
Mas, por vezes, acho-o excessivo, injusto e parcial. Como, por exemplo, agora quando veio dizer que tudo está mal no sistema de ensino português, que os miúdos saem das escolas sem saber ler nem escrever e, portanto, não têm futuro: “o que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, diz ele.
Este senhor bacharel em engenharia mecânica acha que ninguém sabe nada de nada, excepto ele. Mas está enganado… até porque muitos dos patrões que ele agora defende preferem mesmo a tal “tropa-fandanga” que sai da escola sem saber ler nem escrever… apenas porque são baratos e submissos, qualidades que o patronato valoriza em detrimento das qualificações profissionais e da experiência com provas dadas. Como podem imaginar, sei do que estou a falar.
Confesso que não sei avaliar bem da justeza das críticas. Acho que muitas das teorias carecem de experimentação. Talvez Medina Carreira volte a ser ministro, um dia destes, e queira testar as suas próprias receitas.
Mas, por vezes, acho-o excessivo, injusto e parcial. Como, por exemplo, agora quando veio dizer que tudo está mal no sistema de ensino português, que os miúdos saem das escolas sem saber ler nem escrever e, portanto, não têm futuro: “o que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, diz ele.
Este senhor bacharel em engenharia mecânica acha que ninguém sabe nada de nada, excepto ele. Mas está enganado… até porque muitos dos patrões que ele agora defende preferem mesmo a tal “tropa-fandanga” que sai da escola sem saber ler nem escrever… apenas porque são baratos e submissos, qualidades que o patronato valoriza em detrimento das qualificações profissionais e da experiência com provas dadas. Como podem imaginar, sei do que estou a falar.
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quarta-feira, dezembro 02, 2009
A banalização do mal
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Para quem aqui vem, não é novidade. Já escrevi, mais do que uma vez, sobre a inqualificável atitude da Media Capital Rádio ao despedir um trabalhador de baixa, doente com um cancro. O que fizeram ao Pedro Múrias é de uma crueldade absoluta. Evidencia a completa e total desprotecção que os trabalhadores sofrem às mãos de empregadores sem alma nem coração.
Despedido, doente, mas ainda combativo, o Pedro Múrias publicou no seu blog uma pequena entrevista com o advogado Garcia Pereira, especialista em Direito do Trabalho.
Diz Garcia Pereira que ...“vivemos outros tempos. Os Tribunais agora até já entendem que nem uma crise cardíaca gravíssima nem sequer a morte do Advogado constituído por um determinado cidadão faz suspender a instância do respectivo processo, já praticamente tudo é possível. Ou seja, temos julgadores ao mesmo nível dos empregadores que actuam como o seu!Agora, e como é óbvio, seja qual for a solução jurídico-formal que se perfilhe, promover o despedimento de alguém que se encontra doente, e sobretudo gravemente doente, constitui um acto inqualificável que em qualquer sociedade minimamente civilizada deveria suscitar a crítica e o repúdio unânimes.”
É o que diz Garcia Pereira, é o que eu penso, também. E lamento não ver nada disto reproduzido nos canais jornalísticos de referência, televisões, rádios ou jornais.
Despedido, doente, mas ainda combativo, o Pedro Múrias publicou no seu blog uma pequena entrevista com o advogado Garcia Pereira, especialista em Direito do Trabalho.
Diz Garcia Pereira que ...“vivemos outros tempos. Os Tribunais agora até já entendem que nem uma crise cardíaca gravíssima nem sequer a morte do Advogado constituído por um determinado cidadão faz suspender a instância do respectivo processo, já praticamente tudo é possível. Ou seja, temos julgadores ao mesmo nível dos empregadores que actuam como o seu!Agora, e como é óbvio, seja qual for a solução jurídico-formal que se perfilhe, promover o despedimento de alguém que se encontra doente, e sobretudo gravemente doente, constitui um acto inqualificável que em qualquer sociedade minimamente civilizada deveria suscitar a crítica e o repúdio unânimes.”
É o que diz Garcia Pereira, é o que eu penso, também. E lamento não ver nada disto reproduzido nos canais jornalísticos de referência, televisões, rádios ou jornais.
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quarta-feira, novembro 11, 2009
Da sala de espera...
Pedro Múrias inaugurou o seu blog. Diz ele que "esperava poder contar estas histórias no Rádio Clube, somando-as a outras 70 que lá contei sobre a minha luta contra um cancro. Não vai acontecerr! A PRISA/MCR, vai despedir-me... Despede-me, ok...mas não me cala."
Ele fala: aqui.
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segunda-feira, outubro 26, 2009
Vozes de burro não chegam ao CEO
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Entre os milhares que vão ser despedidos, alguns são portugueses e, entre esses, um é um doente com cancro. Alguém que quando se preparava para lutar pela vida se vê na contingência de ter de lutar, também , pela subsistência…
Nem conheço o Pedro Murias. Pela foto, é um rapaz da minha idade. Deve ser um jornalista experiente, alguém capaz de enquadrar os mais jovens, de lhes transmitir conhecimentos vivenciados, de funcionar como filtro de qualidade numa redacção. Se a Media Capital acha que não precisa desse tipo de jornalistas, pior para a empresa. Mas não pode fazer tábua rasa de tudo o mais… e só a ideia de um doente poder ser despedido é algo de insuportável.
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Não sei se Juan Luís Cebrian, o CEO da Prisa, sabe do que se está a passar. A ordem de despedir foi dele, por certo. Mas a escolha foi feita aqui, pelos gestores locais. Pode ser que para o senhor Cebrian também seja insuportável a intenção de despedir um doente cancerígeno. Na dúvida, enviei-lhe um email. Façam o mesmo. Para aqui: ceo@prisa.es
Vozes de burro não chegam ao céu, eu sei, mas pode ser que este CEO não seja assim tão castigador.
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sábado, outubro 24, 2009
Pesos na consciência
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O despedimento do jornalista Pedro Murias, trabalhador da Media Capital, tem provocado uma onda de indignação. O Pedro tem um cancro e os próximos tempos não serão fáceis. Sem emprego serão ainda mais difíceis, porque o dinheiro realmente faz falta, principalmente quando se avizinham contas gordas nos médicos e nas farmácias.
Além do mais trata-se de uma crueldade sem nome e isso diz tudo sobre os mandões que decidem incluir um doente com cancro no rol do despedimento colectivo. Essa gente não sabe esperar…
Esta história trouxe-me à memória uma outra, algo similar… passada na redacção da SIC a meio da década de 90, com o jornalista Celestino Amaral. Durante anos a fio, o Celestino foi um daqueles assalariados sem regalias. Passava recibos verdes regularmente, como se fosse um trabalhador eventual, mas cumpria horário como qualquer outro do Expresso. Um dia foi parar à SIC e pouco tempo depois adoeceu. Só a pedido do Emídio Rangel o Celestino foi integrado nos quadros da SIC, mas a doença galopante mal lhe deu tempo para gozar as regalias inerentes, excepto a da baixa médica. Essa, o Celestino gozou ainda durante uns meses.
Além do mais trata-se de uma crueldade sem nome e isso diz tudo sobre os mandões que decidem incluir um doente com cancro no rol do despedimento colectivo. Essa gente não sabe esperar…
Esta história trouxe-me à memória uma outra, algo similar… passada na redacção da SIC a meio da década de 90, com o jornalista Celestino Amaral. Durante anos a fio, o Celestino foi um daqueles assalariados sem regalias. Passava recibos verdes regularmente, como se fosse um trabalhador eventual, mas cumpria horário como qualquer outro do Expresso. Um dia foi parar à SIC e pouco tempo depois adoeceu. Só a pedido do Emídio Rangel o Celestino foi integrado nos quadros da SIC, mas a doença galopante mal lhe deu tempo para gozar as regalias inerentes, excepto a da baixa médica. Essa, o Celestino gozou ainda durante uns meses.
Também a Media Capital, embora mantendo o despedimento colectivo, veio agora oferecer ao Pedro um seguro de saúde, para amenizar os problemas financeiros que se adivinham. Mas o despedido não lhes vai retirar o peso da consciência e a oferta foi recusada.
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quinta-feira, outubro 15, 2009
Mas que gente horrível...
Hoje, através do Facebook, tomei conhecimento de uma situação inqualificável. Já não bastava que a Media Capital Rádios esteja a despedir pessoal, por razões de mera racionalização de meios. Ou seja, aos investidores não interessa manter o nível da despesa, não é que eles estejam a passar fome ou com problemas financeiros… não.
Apenas lhes interessa manter o nível dos proventos e, portanto, quando se torna difícil ganhar mercado, a solução é despedir. Os despedidos que se amanhem. Mas a questão é que a Media Capital não se inibe de despedir mesmo aqueles que mais precisam de ter meios para combater uma doença… e isso já não é só insensibilidade social, é crueldade pura.
No Facebook, na página de Pedro Murias, estava esta mensagem deixada pelo próprio: “Hoje fui notificado pela Media Capital Rádios que estou numa lista para um despedimento colectivo. Adivinho que não sou caso único. Acredito que por esse país fora se aponta a porta da rua a quem está nestas lutas pela vida!”
Pedro Murias tem um cancro.
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No Facebook, na página de Pedro Murias, estava esta mensagem deixada pelo próprio: “Hoje fui notificado pela Media Capital Rádios que estou numa lista para um despedimento colectivo. Adivinho que não sou caso único. Acredito que por esse país fora se aponta a porta da rua a quem está nestas lutas pela vida!”
Pedro Murias tem um cancro.
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sábado, agosto 08, 2009
Dos bons costumes
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Percebo muito bem que as empresas tenham códigos de conduta, livros de estilo, regras. São características das respectivas culturas empresariais e, por princípio, ajudam ao negócio. Mas, sempre que oiço, leio, uma notícia sobre a proibição de se usar decotes ou mini saias ou calças de cintura baixa, cheira-me a bafio…
Primeiro, não acredito que alguém que trabalhe, por exemplo, num banco, ou num hospital, vá trabalhar vestido de modo indecente. As pessoas sabem, quanto mais não seja por mero bom senso, como se devem comportar. Nunca vi uma professora do liceu ir dar aulas de vestido transparente, os motoristas da Carris não conduzem de calções (até porque têm farda…), eu não faço reportagens de chinelos (excepto quando o ambiente o permite).
Por estranho que vos pareça, isto vem a (des)propósito de me ter lembrado do ministro que foi despedido por ter feito uns corninhos ao líder da bancada do PC… julgo que, na altura ninguém questionou a decisão de sacrificar o homem, porque se tratava de um gesto de má educação, indigno, etecetra e tal. Deixemo-nos de histórias… quer dizer, andamos a substituir a livre discussão de ideias políticas com base em conceitos moralistas piores que os do tempo da outra senhora… E logo ali, no Parlamento, onde os senhores passam a vida a se insultarem impunemente de alto a baixo.
Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de Sócrates… o acto apenas revelou que o 1º ministro não se rege pelos conceitos de lealdade recíproca com os seus parceiros de governo. Deixa-os cair com uma frieza arrepiante, ao mínimo contratempo. Basta que o ministro em causa não seja um yes man. No final, Sócrates mostrou que comanda o governo como qualquer patrão, mais ou menos buçal, que não tem rebuço em despedir o empregado mais incómodo, mesmo que seja um bom profissional.
Primeiro, não acredito que alguém que trabalhe, por exemplo, num banco, ou num hospital, vá trabalhar vestido de modo indecente. As pessoas sabem, quanto mais não seja por mero bom senso, como se devem comportar. Nunca vi uma professora do liceu ir dar aulas de vestido transparente, os motoristas da Carris não conduzem de calções (até porque têm farda…), eu não faço reportagens de chinelos (excepto quando o ambiente o permite).
Por estranho que vos pareça, isto vem a (des)propósito de me ter lembrado do ministro que foi despedido por ter feito uns corninhos ao líder da bancada do PC… julgo que, na altura ninguém questionou a decisão de sacrificar o homem, porque se tratava de um gesto de má educação, indigno, etecetra e tal. Deixemo-nos de histórias… quer dizer, andamos a substituir a livre discussão de ideias políticas com base em conceitos moralistas piores que os do tempo da outra senhora… E logo ali, no Parlamento, onde os senhores passam a vida a se insultarem impunemente de alto a baixo.
Sinceramente, não sei o que passou na cabeça de Sócrates… o acto apenas revelou que o 1º ministro não se rege pelos conceitos de lealdade recíproca com os seus parceiros de governo. Deixa-os cair com uma frieza arrepiante, ao mínimo contratempo. Basta que o ministro em causa não seja um yes man. No final, Sócrates mostrou que comanda o governo como qualquer patrão, mais ou menos buçal, que não tem rebuço em despedir o empregado mais incómodo, mesmo que seja um bom profissional.
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quinta-feira, agosto 06, 2009
Tabefes nada Molex
Diz o “Le Parisien”, simpático diário tablóide da capital francesa, que um administrador da multinacional americana Molex, que fabrica componentes automóveis, foi violentamente agredido por um grupo de trabalhadores em greve, na sequência de um conflito laboral que surgiu depois da empresa ter anunciado o encerramento para o próximo mês de Outubro.
O caldo entornou quando o administrador em questão foi alvejado com ovos podres e os seus guarda-costas tentaram reagir contra os atiradores de ovos. No final, dois guarda-costas foram parar ao hospital e o senhor engenheiro obteve um atestado de baixa médica de 7 dias.
Desde que foi anunciado o encerramento definitivo da fábrica que os trabalhadores entraram em greve. O problema é que a empresa continua a ter muitas encomendas e a administração tentou contratar pessoal eventual para assegurar a produção. Os grevistas, muito justamente, endureceram a luta e deu nisto.
O caso da Molex é a prova provada de que muitos empresários se estão nas tintas para a responsabilidade social e não têm o mínimo rebuço em fechar uma fábrica para a deslocalizar para um país onde seja permitido ter mão-de-obra quase escrava.
O caldo entornou quando o administrador em questão foi alvejado com ovos podres e os seus guarda-costas tentaram reagir contra os atiradores de ovos. No final, dois guarda-costas foram parar ao hospital e o senhor engenheiro obteve um atestado de baixa médica de 7 dias.
Desde que foi anunciado o encerramento definitivo da fábrica que os trabalhadores entraram em greve. O problema é que a empresa continua a ter muitas encomendas e a administração tentou contratar pessoal eventual para assegurar a produção. Os grevistas, muito justamente, endureceram a luta e deu nisto.
O caso da Molex é a prova provada de que muitos empresários se estão nas tintas para a responsabilidade social e não têm o mínimo rebuço em fechar uma fábrica para a deslocalizar para um país onde seja permitido ter mão-de-obra quase escrava.
Desde 1789 que de França só nos chegam boas notícias...
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sábado, julho 25, 2009
Mau feitio
Quem segue a actualidade internacional sabe bem que os problemas com que nos confrontamos não são exclusivos de Portugal.
O desemprego galopante, a falência e a deslocalização de empresas, a baixa do poder de compra afectam de igual modo a vida de espanhóis, franceses, italianos, ingleses… e não se pode dizer que a culpa seja de Sócrates.
Em França, por exemplo, há até novos fenómenos de radicalização das lutas laborais, com os trabalhadores a organizarem-se em comités ad-hoc e a prescindirem do papel mediador das estruturas sindicais clássicas. Para muitos franceses, a luta pela sobrevivência já ultrapassou as fronteiras da contemporização e deixou de ser admissível permitir que o patronato deslocalize calmamente uma empresa para um país asiático de mão-de-obra quase escrava. As situações violentas têm-se multiplicado no último mês, com vários casos de sequestro de empresários e ameaças de destruição do património das empresas encerradas por mero calculismo capitalista. Há até instalações fabris que foram ocupadas por trabalhadores e armadilhadas com cargas explosivas prontas a serem deflagradas caso a polícia ensaie alguma tentativa de resolver o conflito pela violência legalizada. Os problemas de Sarkozy são bem maiores que os de Sócrates, são à escala do país, como é evidente… mas Sarko não tem eleições à porta. O governo francês tem tentado dialogar com os promotores destas situações, mas os impasses acumulam-se e a França arrisca-se a ter no regaço uma questão social verdadeiramente explosiva no final deste Verão. Por parte dos sindicatos, o silêncio é quase absoluto, pelo que se lê nos jornais… ou foram de férias (um direito inalienável do trabalhador enquanto tem trabalho) ou não sabem o que dizer.
Ah, Marianne… que feitio o teu!
O desemprego galopante, a falência e a deslocalização de empresas, a baixa do poder de compra afectam de igual modo a vida de espanhóis, franceses, italianos, ingleses… e não se pode dizer que a culpa seja de Sócrates.
Em França, por exemplo, há até novos fenómenos de radicalização das lutas laborais, com os trabalhadores a organizarem-se em comités ad-hoc e a prescindirem do papel mediador das estruturas sindicais clássicas. Para muitos franceses, a luta pela sobrevivência já ultrapassou as fronteiras da contemporização e deixou de ser admissível permitir que o patronato deslocalize calmamente uma empresa para um país asiático de mão-de-obra quase escrava. As situações violentas têm-se multiplicado no último mês, com vários casos de sequestro de empresários e ameaças de destruição do património das empresas encerradas por mero calculismo capitalista. Há até instalações fabris que foram ocupadas por trabalhadores e armadilhadas com cargas explosivas prontas a serem deflagradas caso a polícia ensaie alguma tentativa de resolver o conflito pela violência legalizada. Os problemas de Sarkozy são bem maiores que os de Sócrates, são à escala do país, como é evidente… mas Sarko não tem eleições à porta. O governo francês tem tentado dialogar com os promotores destas situações, mas os impasses acumulam-se e a França arrisca-se a ter no regaço uma questão social verdadeiramente explosiva no final deste Verão. Por parte dos sindicatos, o silêncio é quase absoluto, pelo que se lê nos jornais… ou foram de férias (um direito inalienável do trabalhador enquanto tem trabalho) ou não sabem o que dizer.
Ah, Marianne… que feitio o teu!
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sexta-feira, julho 17, 2009
Os trabalhadores pagam a crise
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É raro que um jornal publique notícias sobre os seus próprios conflitos laborais. O Público fê-lo hoje, talvez porque se trata aparentemente de uma boa notícia, ou seja, do propalado fim do conflito… que, de facto, não acabou nada, continuará dentro de algum tempo, quando o patrão verificar que não é assim que lá vai.
A questão é que o jornal dá prejuízo, 4 milhões ao ano, segundo julgo. E o senhor Azevedo acha que é cortando na massa salarial que vai ganhar dinheiro. Olhando para o exemplo de outros, diria que se trata de um erro. Um projecto de comunicação social ganha-se investindo, reinvestindo, dinheiro e imaginação, levando os criativos a vestir a camisola, fazendo com que o local de trabalho passe a ser uma segunda casa, senão mesmo a primeira. É assim que se vencem essas batalhas, com mel e não com fel. O que o senhor Azevedo está a fazer é a destruir a esperança e a transformar o projecto de um jornal num mero emprego a prazo e mal pago. Assim, não vai lá. A partir de agora, o Público passa a ter jornalistas com medo, inseguros em relação ao futuro, inseguros em relação a si mesmo. Passa a ter trabalhadores que farão tudo para sobreviver, atropelando-se mutuamente, destruindo relações de camaradagem, anulando lealdades, como derradeira esquema de sobrevivência.
O Público “convenceu” os trabalhadores a abdicarem de uma parte do salário, como contrapartida não haverá nenhum processo de despedimento colectivo. Quem será o ingénuo que acredita que o problema ficou resolvido?
A questão é que o jornal dá prejuízo, 4 milhões ao ano, segundo julgo. E o senhor Azevedo acha que é cortando na massa salarial que vai ganhar dinheiro. Olhando para o exemplo de outros, diria que se trata de um erro. Um projecto de comunicação social ganha-se investindo, reinvestindo, dinheiro e imaginação, levando os criativos a vestir a camisola, fazendo com que o local de trabalho passe a ser uma segunda casa, senão mesmo a primeira. É assim que se vencem essas batalhas, com mel e não com fel. O que o senhor Azevedo está a fazer é a destruir a esperança e a transformar o projecto de um jornal num mero emprego a prazo e mal pago. Assim, não vai lá. A partir de agora, o Público passa a ter jornalistas com medo, inseguros em relação ao futuro, inseguros em relação a si mesmo. Passa a ter trabalhadores que farão tudo para sobreviver, atropelando-se mutuamente, destruindo relações de camaradagem, anulando lealdades, como derradeira esquema de sobrevivência.
O Público “convenceu” os trabalhadores a abdicarem de uma parte do salário, como contrapartida não haverá nenhum processo de despedimento colectivo. Quem será o ingénuo que acredita que o problema ficou resolvido?
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Crise,
desemprego,
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- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média