Mostrar mensagens com a etiqueta Breves. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Breves. Mostrar todas as mensagens

4.3.12

Negro!

ver comentários...
Mais pistas faltassem, a conferência de imprensa de Mota oferecê-las-ia. Recordando o jogo em que o agora treinador do Setúbal defrontou o Sporting, não seria difícil antever que estratégia teríamos para este jogo. E assim foi. Tivesse o Sporting segurança na sua construção e a estratégia faria o Setúbal aspirar, no máximo, ao zero zero. Sem segurança, tornou-se numa estratégia com outras potencialidades.

A expectativa que tinha de um bom inicio de Sá Pinto já se havia esfumado, como escrevi após o jogo com o Paços de Ferreira. O calendário sugeria-o, de facto, mas o meu optimismo ignorou o obstáculo que representaria mudar alguns comportamentos em pleno climax competitivo. Comportamentos que exigem outro contexto para poder evoluir. Poderia lá chegar por outra via, ganhando tempo através de vitórias alicerçadas no controlo e estabilidade defensivas, como sugeriram os 2 jogos anteriores, mas bastou o primeiro sobressalto para se perceber que a confiança neste momento tem a consistência de um castelo de cartas. Polga será o maior exemplo desta relação entre a falta de confiança e o descontrolo. Fez um inicio de época relativamente estável, com as suas virtudes e defeitos, mas desde que a equipa perdeu contacto com o seu principal objectivo, que acumula erros individuais, jogo após jogo. Mas não é apenas Polga, como bem se vê...

A meu ver, o Sporting teve fases bem diferentes, como de resto parece corroborar o gráfico que acompanha o texto. Um inicio de boa produção mas com grande ineficácia, que custou pontos relevantes, um segundo período de maior eficácia, onde manteve um rendimento bastante elevado, e uma queda abrupta após o jogo com a Académica, quando perdeu contacto com o objectivo de liderança. Actualmente, temos a fase mais preocupante, porque a produção de jogo da equipa está nos níveis mais baixos da época e sem um contexto de dificuldade que o justifique.

Tenho abordado aqui o tema da fragilidade do futebol, e essa ideia aplicada ao caso do Sporting atribui uma enorme incerteza sobre os limites negativos a que a equipa poderá chegar. Um cenário negro, mas que poderá não ser irreal se não for rapidamente invertido.

ler tudo >>

3.3.12

Montanha russa

ver comentários...
- O jogo foi assim como o próprio momento do campeonato, uma montanha russa. Não posso dizer que não estivesse avisado - afinal, já escrevi sobre isso há muito - mas ainda assim, fui apanhado de surpresa por esta descida a pique do Benfica de Jesus. No jogo, como no campeonato. Está tudo em aberto? Pois está, mas para uns está menos do que para outros, e é bom não dar os primeiros 2 lugares como entregues. Enfim, o jogo ainda está demasiado fresco para se avançar a esse ponto, mas para o Benfica este pode ser um momento de viragem importante, mesmo para além desta época. Aguardemos os próximos capítulos. Agora, já se sabe, no futebol a emoção é dominante sobre a razão...

Precisamente, é o predomínio da emoção que faz deste um fenómeno em que o vencedor fica com tudo ("the winner takes it all", é a expressão que estou a adaptar). Neste momento, é o Porto que voltou a ter tudo na mão. O título, os sorrisos e a cabeça levantada. Sim, porque se durante meses Vitor Pereira foi quase que forçado a baixar os olhos perante o peso mediático de tantas criticas (é curioso, mas agora que penso nisso, acho que nunca ouvi ninguém dizer que gostava dele desde que se tornou treinador do Porto), hoje e enquanto estiver na frente, serão os outros que baixarão os olhos perante o treinador. Não há qualquer racionalidade nestes volte faces, mas esse é precisamente o ponto do fenómeno futebolístico, a emoção sobre a razão.

Não prometo voltar com mais pormenores sobre o jogo (não digo que não o farei, mas já uma vez prometi e não pude cumprir em tempo útil...), mas ficam algumas perguntas: O primeiro golo resultou de um remate sensacional, mas pode entrar por ali, naquele ângulo e àquela distância? E o último (independentemente da legalidade do lance), devia Artur ter chegado primeiro a uma bola que é disputada ainda na pequena área? Depois, a importância das bolas paradas, não apenas pelos golos directamente resultantes, mas por outros 2, que têm génese na transição após a cobrança de cantos. Não será o instante após os lances de bola parada o momento de maior desorganização e instabilidade táctica nos jogos? Face ao equilíbrio e dificuldade em desequilibrar nos outros 4 momentos, serão as bolas paradas o momento que actualmente mais define diferenças entre as equipas?

Finalmente, duas notas sobre o comportamento do Benfica. O primeiro para o risco em posse, que Jesus tanto pareceu querer controlar mas que o voltou a trair na hora da verdade. O Benfica sofre 2 golos após perdas (mérito de Fernando) em que a conservação da posse é fundamental para a manutenção do controlo. Principalmente o 2-2, pela situação de vantagem, que aconselhava risco mínimo, e pela própria ausência de necessidade da equipa se expor na situação concreta, já que acabara de concluir uma transição que terminou na área adversária, não exigindo perda de equilíbrio colectivo. É o outro lado da entusiasmante vertigem do futebol de Jesus, por vezes há um preço a pagar e não parece haver mesmo nada a fazer. A outra nota é sobre Cardozo. Com a derrota ninguém vai reparar muito, claro, mas marcou mais 2 em jogos "grandes". Ao fim de tantos anos, mantém melhor aproveitamento em jogos difíceis do que em jogos fáceis, o que não é apenas interessante, mas um perfeito contra senso. Lá está, o futebol não se explica, constata-se.

ler tudo >>

28.2.12

A especificidade do Braga

ver comentários...
Não é a primeira vez que me refiro a ela mas, ainda assim, merece nova referência. A especificidade do jogo do Braga. Em organização, largura à direita, profundidade à esquerda. A ideia é começar sobre a esquerda, para onde cai Viana, como que esticando o campo, entre a bola e o destino preferencial da jogada, o corredor direito. Assim, é potenciada a construção longa de Viana e o extremo mais forte, Alan (ausente neste jogo, mas sem que o quadro geral se alterasse por isso). Lima aproxima à esquerda no inicio da jogada e assim beneficia também ele dos espaços laterais criados, para atacar a zona de finalização. Tudo isto em organização, onde a equipa actualmente se sente muito bem, pela confiança que foi acumulando, mas é em transição que Jardim reconhece maior potencial de desequilíbrio. Pelo espaço, pois claro. A equipa não teme baixar, e não teme também deixar alguns elementos mais adiantados, porque sabe que pode tirar partido disso se ganhar a bola. Lima na profundidade, naturalmente, mas também uma referência para o primeiro passe vertical - muitas vezes Mossoró - após a reconquista da bola. Um cenário que, quando sucede, recorda a Serie A.

No que ao jogo diz respeito, no entanto, só há momento relevante para explicar a definição do resultado: bolas paradas.

ler tudo >>

27.2.12

James...

ver comentários...
- Há um bom tempo que não o imaginava possível, mas o clássico chega mesmo com tudo empatado. E, com um sorriso do destino, o Porto materializa a recuperação do atraso precisamente frente ao mesmo adversário contra quem começara a defini-lo. Do jogo emerge, mais uma vez, James. Realmente, não percebo muito bem que fique fora dos principais eleitos (por critério meramente técnico, isto é), se tivermos em conta o rendimento do colombiano. James é o jogador com maior influência directa nos golos marcados na liga, se considerarmos golos e assistências, descontando penaltis. A sua utilização foi um ponto de interesse das variações tácticas da equipa durante o ano, e não me parecendo que essa seja uma discussão fechada, também não vejo que a dimensão do seu talento e influência seja suficiente para que fique de fora. O que faltará a James, talvez, é mesmo uma exibição de grande nível num grande jogo. Ficaremos à espera para ver o que vai acontecer na Sexta...

Para curiosidade, deixo a lista dos 10 jogadores com mais golos e assistências na liga, excluindo penaltis:
James 15
Lima 14
Nolito 13
Danilo Dias 12
Hulk 12
Baba 12
Cardozo 11
Rodrigo 10
Toscano 9
Edgar 9


- Sobre o jogo do Sporting, posso aproveitar o caso de James para introduzir o de Izmailov, reflectindo sobre a falta que faz ao Sporting ter com regularidade talento do nível do russo. Isto é, ter regularmente jogadores que marquem realmente a diferença. Em relação ao jogo, e na sequência do que havia escrito, veio mais uma vitória alicerçada no controlo e por 1-0. É claro que para Sá Pinto o caminho é ainda muito longo e incerto. Desde a ameaça das lesões até à incerteza de como a equipa poderá reagir a um primeiro resultado negativo, passando pela sobrecarga competitiva (o que não o contexto ideal para quem quer desenvolver alguns conceitos novos). Escrevi, aquando da sua entrada, que não tinha grandes dúvidas de que Sá Pinto saberia bem o que era mais importante para criar uma dinâmica positiva e o treinador tem correspondido plenamente a essa expectativa, reforçando a importância de ganhar e de elevar os níveis de confiança, como motor de arranque para esse objectivo. Aliás, este tipo de sensibilidade é bastante comum em ex-jogadores, e não me parece um acaso. Enfim, apenas mais uma nota sobre o jogo do Sporting: uma das grandes carências da equipa do Sporting é a qualidade da sua circulação baixa, que me parece indiscutivelmente fraca. A equipa revelou nos últimos 2 jogos um crescimento ao nível da segurança no primeiro passe, o que é fundamental e parte da explicação para o maior controlo sobre o adversário (basta ver, por exemplo, como surgiram os principais lances do Paços). Agora, se quiser ser capaz de chamar o adversário sem ter invariavelmente de perder a bola, terá de ser também capaz de a circular muito melhor em zonas baixas, nomeadamente com um melhor uso do guarda redes.

ler tudo >>

26.2.12

Eficácia e não só

ver comentários...
- Não há muita volta a dar... quem falha tantas ocasiões, tem sempre de olhar para a eficácia quando perde pontos e, ainda por cima, num empate a zero. Agora, será apenas da eficácia? Talvez não. Primeiro, o lado emocional. Já escrevi algumas vezes sobre a invulgar volatilidade das equipas de Jesus, algo que se constata em praticamente todas as épocas do treinador, e que vinha tendo esta temporada como principal excepção. Até agora. Depois das 2 derrotas, o terceiro jogo sem ganhar trouxe também a segunda vez em que Jesus regista dois jogos sem marcar. Tudo de repente, e de seguida. Essa inconstância pareceu ser o principal foco de Jesus para a nova época, quer pela forma como procurou encontrar uma solução mais equilibradora (Witsel), quer por algumas alterações nos comportamentos da equipa ao nível da gestão da posse. É claro que é impossível identificar com exactidão os motivos, e há que contar ainda com a importante contribuição da ausência de algumas unidades que vinham sendo nucleares na equipa. Ainda assim, é impossível dissociar esta quebra da tendência comportamental que anteriormente fora identificada. Seja como for, vêm aí jogos decisivos e mesmo se o Benfica permanece em boa posição, Jesus reaparece subitamente numa posição de exposição perante a critica... ou não fosse ele um treinador de futebol!

Já agora, sobre eficácia, fica o ranking segundo dados da liga (%Golos marcados por oportunidades criadas):

Marítimo 37%
Braga 36%
Guimarães 36%
Benfica 31%
Porto 30%
Gil Vicente 27%
Nacional 24%
Rio Ave 23%
Beira Mar 22%
Sporting 21%
Academica 20%
Olhanense 19%
Feirense 18%
Leiria 18%
Setúbal 16%


- Um caso interessante, é o da Académica. Há poucas equipas que tenha um modelo de jogo tão arrojado como a equipa de Pedro Emanuel. Aliás, parece-me discutível dizer que haja alguma. Risco em posse e risco na exposição pelo posicionamento defensivo. Ao mesmo tempo, porém, há muitas coisas que faz bem, como muito poucas equipas da Liga fazem. O resultado é uma época de grandes oscilações, com períodos de grande euforia e qualidade (fundamentalmente, quando se juntam confiança e especificidade), e outros bem difíceis, como o que atravessa desde o inicio do ano. Quem não parece estar a gostar do outro lado da moeda é Pedro Emanuel, e talvez por isso tenha adoptado uma postura mais conservadora para este jogo. É, mais uma vez, motivo de reflexão sobre a importância de dosear risco e segurança na definição das ideias de jogo que se querem para as equipas. Até porque, como defendi há dias, o futebol parece frágil.

- Uma nota para outro caso estranho, o 4-4 entre PSG e Lyon. Numa liga conhecida pelos poucos golos marcados, parece que os grandes jogos estão talhados para resultados volumosos e sempre muito equilibrados. Mais um fenómeno do futebol para o qual só os deuses deverão ter resposta.

ler tudo >>

24.2.12

Controlo

ver comentários...
- "Prefiro jogar para ganhar 5-4, do que para ganhar 1-0!". A frase é comum e certamente sedutora numa primeira análise, mas como tantas coisas na opinião que se generaliza, não se vislumbra qualquer enquadramento prático no que à realidade do jogo diz respeito. Não há equipas que ganhem 5-4, 4-3 ou 3-2 por sistema. Mas há equipas - várias - que sustentam séries longas vitoriosas em resultados como 1-0 ou 2-1. Tudo isto para falar do controlo, a grande novidade no jogo do Sporting, frente ao Legia. Dificilmente alguém pode ter achado que a equipa alguma vez esteve próximo do golo, o que não constitui novidade face à trajectória recente, mas também não creio que alguma vez se tenha justificado o sentimento de ameaça perante a derrota. E, isto sim, é uma novidade nas exibições do Sporting. Tenho sublinhado (o próprio Sá Pinto o tem feito) a opinião de que é importante crescer nos planos emocionais, nomeadamente no que respeita à confiança. Ora, há uma discussão interessante sobre isto: quanto à necessidade de ganhar, estamos conversados, parece-me inequívoca. Agora, numa hipótese em que (ainda) não seja possível juntar as duas, o que pode beneficiar mais uma equipa? Sentir que não sofre, ou sentir que pode marcar? (repito, na hipótese de não se poder juntar as duas...). Recordo-me de Mourinho dizer a Maradona num documentário recente: "Uma coisa é teres uma equipa que sabes que se marcas ganhas. Outra coisa, é marcares um golo e mesmo assim não saberes o que te pode acontecer". Poderá ser discutível, mas tendo a concordar com esta última ideia, ou seja, de que o controlo é um alicerce fundamental para conseguir um crescimento colectivo sustentado.

- Nos outros jogos, não houve grandes surpresas. Aliás, para mim o que é surpresa, é precisamente não ter havido surpresas, mas a consequência é que teremos uns oitavos de final extremamente interessantes. Uma nota para um dos jogos com mais golos da noite: já se esperava que PSV e Trabzonspor pudessem oferecer um jogo farto em remates certeiros, porque é hábito em ambos os casos. O PSV fez uma série de boas aquisições no Verão, mas quem justifica esta minha referência é um jogador do Trabzonspor, Burak Yilmaz. É impressionante a época que está a realizar na Liga turca, não tanto pelos números absolutos, mas pelo enquadramento relativo dos mesmos. Ou seja, o Trabzonspor tem o melhor ataque da prova, mas só Yilmaz é responsável por mais de 55% dos golos da equipa (contabilidade sem penaltis). Sem entrar em paralelismos, mas tentando fazer perceber a dimensão relativa do feito, seria o equivalente, por exemplo, a Benfica ou Porto terem nesta altura um jogador com 23-24 golos, ou, noutro caso, Real Madrid ou Barcelona terem um jogador com 37-38 golos já concretizados, ambos sem penaltis.

ler tudo >>

22.2.12

A identidade napolitana

ver comentários...
- Não sei se será da má fase, mas Villas Boas quase que antecipou a derrota antes da mesma, ao dizer na antevisão da primeira mão que a eliminatória poderia ser invertida na segunda. E pode, pelo que convém não dar as coisas como terminadas. Ainda assim, é sobre o Nápoles que quero escrever, coisa que já estive para fazer, mas que por falta de oportunidade acabou por não acontecer.

Não pode ser nunca um candidato, claro, porque não tem potencial para isso, mas parece-me ter todas as características para ser um perigoso "outsider". Porque tem uma filosofia de jogo muito ajustada ao tipo de jogos da competição, porque é fortíssimo dentro da sua proposta e porque beneficia, depois, de um ambiente muito favorável quando joga em sua casa. O Nápoles não me espanta tanto pela capacidade ofensiva, mas antes pela forma como a consegue. Ao contrário da generalidade das equipas ainda em prova, que procuram vencer "aos pontos", o Nápoles joga tudo no "KO". Ou seja, não procura atacar pela quantidade e, por vezes, parece até que o sofrimento faz parte da estratégia, tal a facilidade com que baixa o bloco enquanto espera pacientemente pelo momento certo para atacar, esticando o jogo de forma tremendamente eficaz, quer em organização, quer em transição. Mais espantoso do que tudo, pelo menos para mim, é a identidade. Seria de esperar que a frieza da sua proposta se desfizesse quando se vê em desvantagem, mas não... O Nápoles permanece impávido e, mesmo a perder, continua a esperar pacientemente pelo momento certo de atacar, e a verdade é que esta reviravolta está longe de ser caso único no currículo da equipa.

ler tudo >>

20.2.12

Jesus e o Vitória

ver comentários...
Tentarei trazer algo especifico sobre o jogo, assim que o analisar com mais pormenor, mas para já partilho apenas duas reflexões...

- Jesus. Perder 2 vezes seguidas no Benfica só lhe tinha acontecido no pesadelo do inicio de época da época passada. Podem ser duas derrotas irrelevantes no balanço final da época, e até é provável que o sejam. O Benfica pode, obviamente, ultrapassar o Zenit, e embora tenha perdido agora uma margem importante, continua a ter uma situação muito favorável para recuperar o título. Mas perdeu margem, isso é claro. A minha reflexão sobre Jesus tem a ver com o "timing" da sua entrada no Benfica, que me parece ter sido perfeito, quer para ele, quer para o próprio clube. Isto porque Jesus chegou depois do clube ter recuperado a vários níveis, nomeadamente tendo sido capaz de investir continuadamente, durante vários anos, na equipa principal. Ou seja, quando chegou tinha todos os recursos para vencer. Não menos importante, Jesus chega ao Benfica quando a própria gestão desportiva parece ganhar muito maior consistência nas suas decisões, por ter sido capaz de assumir alguns erros anteriores. Nomeadamente, não me parece muito improvável que Jesus tivesse chegado a esta época se Vieira não tivesse aprendido com o erro do despedimento de Fernando Santos. O Benfica teve cerca de 15 anos num patamar claramente inferior ao do Porto, mas hoje parece-me claro que subiu um importante degrau e que é muito mais improvável que o clube esteja muito tempo sem ganhar títulos. Fruto de um crescimento continuado da sua estrutura, que culminou com o acerto da aposta (continuada) no actual treinador.

- Sobre o Vitória, escrevi após o jogo com o Porto que era provável que a equipa fizesse uma segunda volta em crescendo, para chegar a níveis pontuais próximos daqueles que atingiu nos anos anteriores. Agora, com este inesperado triunfo, esse deixa de ser um cenário provável, para ser o cenário "mais" provável. É interessante como, com os diversos treinadores, há coisas que nunca mudaram nos últimos anos desta equipa, praticamente desde Paulo Sérgio. Nomeadamente, a agressividade no pressing e o recurso a um muito alicerçado nas características da sua principal referência ofensiva (sempre com jogadores fortes no jogo aéreo). Não diria que foi um crescimento brilhante, mas, lá está, com confiança e estabilidade, Rui Vitória deve acabar por levar o seu barco a bom porto e o 5º lugar não é um objectivo irreal.

ler tudo >>

Dúvidas sobre cabeceadores...

ver comentários...
- Sem competitividade, é mais difícil ter interesse. E quando uma equipa tão superior dobra a vantagem aos 25 minutos, dissolve-se toda a competitividade que um jogo poderia ter. O Porto e Vitor Pereira é que não devem ter sentido falta do interesse ou da competitividade. Aliás, até os devem ter temido quando Meyong reduziu. Enfim, a minha principal nota do jogo vai para mais um golo de Janko. Para aqueles que, como eu, viveram os anos do seu domínio no futebol português, qualquer golo de cabeça marcado com uma facilidade inverosímil nas costas dos centrais, traz imediatamente à memória a figura de Mario Jardel. Acho que da mesma maneira que gerações anteriores ficaram marcadas pelos "golos à Eusébio", a minha tem os "golos à Jardel" sempre prontos a saltar da memória. Ou então sou só eu. Enfim, a questão que tenho é: que grandes cabeceadores há (ou houve) que actuassem exclusivamente com movimentos ao 1ºposte? Muitas equipas, especialmente as que utilizam apenas 1 avançado mais fixo, pedem quase sempre um movimento ao primeiro poste, para abrir espaço para as entradas dos médios e do extremo do lado oposto. Aquilo que me parece é que este tipo de movimentos, por regra, "queima" o avançado, que normalmente é também o jogador mais forte na reacção ao cruzamento. Por exemplo, Falcao, que é fortíssimo ao primeiro poste, tem também a capacidade de atacar outras zonas em situações de maior densidade. Janko também ataca muitas vezes o primeiro poste, mas tenho dúvidas se não será mais forte quando lhe é dada liberdade para jogar com o lado cego dos centrais. Uma questão para continuar a reflectir...

- Em Alvalade, Sá Pinto não trocaria os pontos por uma melhor exibição, mas mais do que boa ou má, acho que foi uma performance decepcionante. Pelo menos para mim, que esperava outra capacidade com o regresso a casa e, sobretudo, com o regresso de várias unidades importantes e que raramente jogaram juntas nos últimos meses. Evidente que não é minimamente honesto ligar as dificuldades ao novo treinador e às suas novas intenções, mas as coisas são o que são e se é verdade que ganhar é importante para potenciar a confiança (como o próprio Sá Pinto não se cansa de referir), tenho dúvidas que essa mesma confiança aumente muito quando a situação no campeonato se manteve (por mérito da concorrência) e ainda por cima se absorve a insatisfação vinda das bancadas. Sá Pinto já deu alguma ideia de algumas alterações que pretende introduzir, nomeadamente baixando os médios que tinham uma postura assumidamente mais profunda com Domingos. Tinha a convicção de que o Sporting iria crescer nos próximos tempos, com a série de jogos caseiros e os regressos de alguns jogadores. A primeira sensação que me fica com este jogo, e perante o caminho que ainda parece existir em relação à adaptação às novas dinâmicas, é que esse crescimento poderá não ser tão evidente. Mas frente ao Légia teremos outra ideia, até porque o jogo não será tão fechado como este. Aliás, sobre o Paços notar o conservadorismo da sua proposta que, apesar disso, pode perfeitamente lamentar a eficácia como factor decisivo na definição do resultado. Não lhe sobra um calendário fácil, mas a verdade é que Calisto (que regresso mais improvável!) já fez o mais difícil.

ler tudo >>

17.2.12

É outro campeonato...

ver comentários...
- Muito semelhante o jogo do Sporting, em relação ao do Benfica, 24 horas antes. A diferença maior será mesmo o golo que o Benfica ofereceu quando parecia ter já extraído empate tão generoso como o que o Sporting agarrou. É claro que o Zenit não é o Legia, e as dificuldades do Sporting parecem ter como explicação uma abordagem menos ajustada da equipa, em relação à do próprio Benfica. Afinal, que tempo teve a nova equipa técnica para preparar este jogo? Ver um Sporting a parecer fazer uma aprendizagem "on the job", com todos os riscos que isso tem, voltou a fazer-me coçar a cabeça sobre o timing desta mudança técnica: Na situação do Sporting, foi quase como mudar de equipa técnica a 3 dias de uma final: foi mesmo só por questões técnicas?! A irracionalidade pode chegar a este ponto?! Sobre o futuro imediato do Sporting, o resultado acaba por importar bem mais do que a exibição. Sobre Sá Pinto e o seu futuro imediato, mantenho o mesmo prognóstico, que não é muito diferente daquele que faria caso Domingos tivesse permanecido. Ou seja, adivinha-se um contexto favorável à evolução da equipa, com o regresso de alguns jogadores e uma série de jogos caseiros onde a probabilidade de vitória é grande. Eu penso que as melhorias virão rapidamente, já quanto aos pormenores, ainda vamos ter de esperar mais um pouco para saber, porque ainda não houve tempo para nada...

- No Dragão, o Porto perdeu quando parecia ter feito o mais difícil para ganhar. O que salta à vista para quem está habituado a ver o Porto jogar semana após semana para o campeonato, é a diferença de resposta a cada duelo individual. Uma diferença que marcou, em grande parte, o destino do jogo. No primeiro caso, Álvaro Pereira faz tudo bem, antecipa a diagonal de Balotelli nas costas dos centrais, ganha-lhe a frente e impede-o de chegar à bola. O problema é que quando se encostou ao italiano para o afastar definitivamente... foi ele quem voltou para trás. Quantos avançados da nossa liga teriam a mesma capacidade física? Se calhar, nenhum. Depois, uma, duas, três, ..., inúmeras vezes vemos o Porto forçar a saída em posse a partir de zonas baixas. Com Moutinho, então, parece sempre infalível. Desta vez, não foi. O problema é que quando se tem Aguero, Nasri e Touré nas costas, uma vez pode ser tudo o que é preciso. São outros campeonatos...

- Quando me pedem projecções sobre a Liga Europa, quase sempre a conversa encerra na volatilidade dos favoritos. Para a maioria das equipas das 5 principais ligas, esta prova é assim como que uma espécie de Taça da Liga Europeia, e por isso é que raramente os favoritos a ganham, ao contrário do que acontece, por exemplo, na Champions. Este ano a Europa tem os olhos colocados nos gigantes de Manchester, mas não daria como definitivo que seja assim tão simples. Para já, não houve grandes surpresas (os 2 ingleses não jogam no fim de semana), mas vamos ter de esperar pelas eliminatórias em que os jogos sejam intercalados com a fase decisiva das principais ligas, onde todos os pontos contam para definir campeões ou apuramentos para a Champions League. É capaz de ser um frete para muitas destas equipas... Redknapp e os franceses que o digam!

ler tudo >>

16.2.12

Factor casa

ver comentários...
- O factor casa... Por vezes é ingenuamente desprezado nos discursos, mas raramente o é no campo de jogo. Desta vez, havia mais do que factores psicológicos a condicionar as aspirações do Benfica. Foi um jogo terrível, de sucessivos duelos, acelerações repentinas e uma fluidez quase nula. Tudo isto, claro, perante um adversário muito mais adaptado. 3-2 não é um bom resultado, mas dadas as incidências foi tudo menos mau. Na Luz, claro, tudo será diferente, não querendo isto dizer que forçosamente venha a correr bem. Impressionante o caso de Cardozo: não tem a agressividade exigível, não dá sequência a praticamente nenhum lance que passa por si, mas, depois, é ele que está nos lances decisivos. Não foi a primeira, nem será a última vez, e por isso Jesus não abdica dele.

- Numa das eliminatórias, à partida, mais interessantes, tudo parece ter ficado muito rapidamente resolvido. Porque sucumbiu de forma tão clara o Arsenal? Porque é que as equipas que têm melhores jogadores ficam quase sempre à frente das outras? Não tem de ser uma questão de dinheiro, mas é seguramente uma questão de qualidade.

ler tudo >>

14.2.12

O regresso da Europa

ver comentários...
- Não é uma fase final de Champions que levante grandes expectativas. Antes dos oitavos de final, 66% do favoritismo era reservado para os dois grandes de Espanha, e dificilmente alguém imaginará um cenário distinto desse. O aliciante especial neste ano está em perceber se o Barça será capaz de fazer aquilo que nenhuma equipa conseguiu desde que a Champions é "Champions", ou seja, ganhar por dois anos consecutivos. Seria, no fundo, a materialização em termos de títulos de um feito condizente com aquilo que a equipa representa para os anos que passaram. Tudo parece óbvio, mas é só quem tiver muita falta de memória poderá menosprezar os caprichos em que o futebol é fértil em provas destas características.

- Entretanto, na Liga Europa, começou o curioso duelo entre Braga e Besiktas. É interessante perceber como os feitos recentes dos bracarenses lhe creditaram algum favoritismo (ainda que tangencial) para esta eliminatória. É algo que não faz muito sentido, se considerarmos que o Besiktas tem uma série de jogadores com que o Braga não pode sonhar. Para já, o Besiktas conseguiu uma vantagem praticamente decisiva e só um jogo perfeito em Istambul pode inverter esta tendência. Algumas notas sobre alguns protagonistas: Leonardo Jardim, que apesar da derrota volta a fazer uma época excelente, sendo mais um treinador que aparece com um trajecto quase perfeito e já com algum tempo de carreira. Manuel Fernandes, cujo talento sempre me entusiasmou e que parece ter ganho alguma consistência nos últimos meses, sendo aparentemente uma solução a considerar para a Selecção. Finalmente, Carvalhal que tal como tinha antecipado aquando da sua partida para Istambul, abriu para si uma oportunidade interessantíssima num clube de enorme dimensão e num país em que o futebol está em franco crescimento (tem sido a sétima liga da Europa que mais investimento fez nos últimos 3 anos).

ler tudo >>

14.9.11

Benfica - Man Utd (breves)

ver comentários...
Estes jogos têm um interesse especial porque permitem cruzar realidades que nos habituamos a observar, mas que evoluem em contextos paralelos. Já havia escrito sobre a ameaça que podia representar o tipo de movimentos de construção do United, mas o Benfica reagiu muito bem para a situação, com Jesus a preparar estrategicamente essa circunstância, destacando os papeis de Witsel, Aimar e Amorim. Em particular, fica-me a dúvida se, sem Aimar, a equipa poderia ter conseguido tão boa resposta perante a construção dos ingleses. A outro nível, também se percebeu a preocupação da linha média em auxiliar a zona central nas situações de cruzamento, uma vez que o Manchester tem como outro ponto forte a capacidade de fazer aparecer muita gente em zona de finalização. Pena o golo de Giggs, porque já se antecipava que houvesse mais dificuldades de controlo na segunda parte. Não apenas pelo potencial que havia no banco, mas porque, como se confirmou, o United iria seguramente construir de outra forma após o intervalo.

Outra nota, tem a ver com a capacidade de adaptação de Ferguson. Incrível como este United, com orientações de jogo tão actuais, tem o mesmo treinador há 25 anos. Este sim, é o maior exemplo a seguir. Porque acreditar no seu próprio trabalho, todos acreditam. Encontrar quem saiba duvidar, é que é mais difícil. E é por isso, por ter sabido duvidar, que foi sempre evoluindo.

ler tudo >>

19.8.11

Empate do Sporting e os portugueses na Liga Europa (Breves)

ver comentários...
Mais um empate para o Sporting. Não deixa de ser curioso que, depois de uma pré época em que tanto se falou dos aspectos defensivos, seja pelo lado ofensivo que a equipa fica a dever a si própria melhores resultados, no arranque oficial. Curioso, mas não surpreendente. Algumas notas de opinião sobre o jogo:

- "ganhar" e "jogar bem". A dicotomia de que havia escrito, na última análise. Não é possível "ganhar" com frequência, sem "jogar bem". Mas, de igual modo, não me parece provável que se "jogue bem" muitas vezes, sem "ganhar". O Sporting não fez um grande jogo, mas teve ocasiões mais do que suficientes para se exigir um golo. Um golo que daria outra confiança, outro conforto, e, com alguma probabilidade, outra exibição. Sem o golo, sem a eficácia, não se fomenta a própria confiança, e alimenta-se, ao invés, a esperança de quem acredita num feito. Não surpreende a quebra na recta final do jogo, assim como não me parece preocupante a exibição. Não, porque não se pode esperar que uma equipa possa manter sempre o mesmo o ritmo, a mesma intensidade mental e física, durante 180 minutos, numa mesma semana, e sempre lidando contra a frustração de ter o resultado a seu desfavor. Mas, parece-me preocupante, isso sim, que vá acumulando essa mesma frustração.

- Domingos apostou, creio que deliberadamente, nos mesmos. Discordo que este seja o melhor onze, e entendo que há mesmo erros potencialmente crónicos (finalização, já se sabe), mas estou de acordo que, havendo uma aposta, esta seja continuada. Aliás, é assim que deve ser, se realmente houver confiança nas avaliações previamente feitas. Mas, regressando à questão do onze, a vantagem de o repetir passa por, não só cimentar rotinas, como poder evoluir em especificidade e, mais importante que tudo, alavancar a confiança dos protagonistas, quer no plano inter-relacional, quer na relação de confiança com a própria proposta de jogo que está a ser implementada. Dois problemas aqui: 1) é claro que o melhor onze acabará por não ser este (pelo que a especificidade não se aplica como devia). 2) Sem vitórias o efeito confiança fica, no mínimo, limitado. Este foi, de resto, um aspecto que abordei muito no ano passado, com o Porto, e que considero poder ter sido muito importante para o crescimento da equipa.

- Finalmente, falar de outro problema já antecipado: as lesões. Já se sabia de Rodriguez (ainda não aconteceu), Izmailov, Bojinov e Matias. Agora, o jogador que mais resposta tem dado em termos de capacidade de desequilíbrio, Jeffren, também ameaça ser inconsistente na sua disponibilidade. Não ajuda...


Em relação aos outros resultados de equipas portuguesas, pouco optimismo. Os nulos, não sendo maus, também não abrem espaço para grande confiança. O resultado em Madrid é normal. Pelo menos o Braga, seria bom que passasse...

Nota também para os treinadores portugueses. Jesualdo, num Panathinaikos em franco desinvestimento, foi copiosamente batido em Israel. Não menos "copioso", foi o desaire de Paulo Sérgio frente ao Tottenham. É certo o desnível, mas 0-5, é sempre muito. Finalmente, o excelente arranque de Carvalhal, no Besiktas. É um caso que acompanharei com curiosidade, porque os turcos têm uma excelente equipa, que, acredito, pode ser muito melhor aproveitada com o treinador português. É uma grande oportunidade para Carvalhal, num grande clube, de um país com enorme potencial para crescer nos próximos anos. Entre os jogadores, tenho particular esperança na evolução de Manuel Fernandes. Se evoluir no critério, poderá, ainda, tornar-se num grande jogador.

Outro caso a não perdeer, é o da Roma. O primeiro "case study" de importação do "modelo barça", e um enorme teste à viabilidade da ideia. Maior do que qualquer das teorias entretanto defendidas, seja num sentido, ou noutro. Os resultados não são ainda definitivos, mas são, para já, desastrosos (só vi 1 jogo, e percebe-se porquê...). Enquanto Luis Enrique continuar, e mantiver o modelo, o balanço vai a tempo de ser invertido...

ler tudo >>

18.8.11

Os imbatíveis sub 20 e o privilégio da 'SuperCopa' (breves)

ver comentários...
Em primeiro lugar, claro, a Final inesperada!

Grande resultado para o futebol português! Enfim, talvez ajudasse alguma identificação maior dos adeptos com os jogadores, e com a equipa. Não é possível comparar o sentimento com o de 89 ou 91. Mas, nem eles têm culpa, nem estão menos de parabéns por isso. É confuso, ainda assim, este resultado não combinar com a perspectiva clara de um "craque" a emergir. Um único, que fosse, por exemplo, aposta forte de um dos principais clubes nacionais (e, nem me restrinjo aos 3 "grandes"...). Como eram João Vieira Pinto, Peixe, Figo, Rui Costa, ou outros, que não singraram, mas, pelo menos, iludiram.

Mas, para chegarem até aqui, tem de haver algum mérito, quer individual, quer colectivo. Pelo menos, à escala de nível onde jogam. É quase impossível que não haja...

Por fim, fica a minha nota sobre este exercício de projectar jovens. Não domino, claramente, essa "arte". Nunca me dediquei afincadamente, mas já percebi que há algo que me escapa para poder ser consistente. O ponto é que esse "algo" parece escapar também à maioria das pessoas. É a minha percepção. Nunca dei com alguém que denotasse grande acerto nos seus prognósticos a este nível. E não são poucos os que tentam. Tanto dá certo, como dá um espectacular fiasco. Ou seja, tem pouco valor. Talvez um dia perca mais tempo com este desafio, porque parece ser interessante...


Um pouco antes, um grande aperitivo, para a época. O Barça mereceu, foi melhor, mas não tanto se tivermos em conta as duas mãos. Enfim... que interessa quem mereceu? O que interessa é que foi mais um espectáculo fantástico, recheado de tudo (mas tudo!) o que um grande jogo precisa de ter. Como adeptos, somos uns privilegiados!

ler tudo >>

13.8.11

Inicio de empates e a eficácia (Breves)

ver comentários...
Primeiro Benfica, depois Braga e, acabado há pouco, o Sporting. 3 empates, que deixam os favoritos insatisfeitos. Não estou a tentar "meter todos no mesmo saco", porque, realmente, merecem análises distintas. Distintas, mas que têm como denominador comum o factor mais difícil de trabalhar no futebol: a eficácia.

Voltarei ao tema (sobre Benfica e Sporting), possivelmente recuperando ideias recentemente debatidas. Para já, é impossível não deixar de pensar em quem sobra deste inesperado inicio de empatas. Será que, 1 ano depois, o Porto vai ganhar vantagem logo à primeira jornada? Em 24 horas saberemos...



... entretanto, a Selecção de sub20 acaba de se qualificar para as meias finais do Mundial. À minha nota de satisfação, acrescento outra, de surpresa...

Não que eu fizesse qualquer juízo da competência, ou valia, da equipa - fazê-lo, seria banalizar a minha opinião, já que não tenho acompanhado com rigor suficiente para tal. Mas, porque, de facto, tenho encontrado muitas criticas ao que se vai passando na Colômbia. Não posso, pela mesma falta de fundamentação, avaliar da justiça de tanto pessimismo, mas posso congratular-me por ele, seja porque motivo for, não se ter concretizado...

Uma pergunta para aqueles que se lembram do entusiasmo gerado, não só em 91, mas também de 89: que grau de entusiasmo gerará, hoje, uma eventual presença de Portugal na final?

ler tudo >>

6.8.11

Derrota do Sporting (Breves)

ver comentários...
Voltarei ao jogo no inicio da próxima, após uma análise mais detalhada. Guardo, por isso, pormenores para essa altura, mas posso adiantar já alguns pontos.

- Quando escrevi o comentário sobre o jogo do Valência, referi que não tinha sido por acaso que a equipa perdeu. Se tivesse sido, se tivesse havido apenas um diferencial de eficácia, seria expectável que o Sporting se apresentasse muito melhor neste jogo. Como não foi, e como o Malága é uma equipa de valores e identidade semelhante ao Valência, seria de todo improvável que o Sporting não voltasse a passar por dificuldades, apenas 6 dias volvidos. Amanhã, já poderá haver algumas diferenças...

- O jogo de amanhã servirá de último calibre para o estado de ânimo em redor da equipa. A Juventus serviu para animar, o Valência para dividir, e o Malága, agora, para determinar uma primeira unanimidade em relação a pessimismo. A Udinese nunca poderá fazer voltar o entusiasmo pós-Juventus, mas poderá ajudar a evitar uma inversão radical do estado de espiríto, em 2 semanas.

- Tudo depende do ponto de referência, mas se a comparação for com a época anterior, parece-me que não se dissiparam os motivos para optimismo em relação a melhorias substanciais. E aqui termino, porque entro no que pretendo escrever na próxima semana...

ler tudo >>

4.8.11

Vitória em frente e... o calor de Guimarães (breves)

ver comentários...
A época pode ainda estar em aquecimento, mas o calor (que tem faltado nas praias) parece já ser bem intenso em Guimarães. Ainda bem. É um clube que se exige sempre muito e, por isso, estar ou não na Liga Europa, não é um pormenor. Se é assim, se há mais pressão, é porque o Vitória é, realmente um clube maior. Machado sabe-o, e, por isso, só mesmo a temperatura anormalmente alta em Guimarães, pode justificar a sua reactividade.

Alguns pontos interessantes sobre esta eliminatória. Primeiro, o "bom resultado" que é o 0-0, na primeira mão. Aparentemente, era bom para todos. O treinador do Midtjylland até citou Mourinho para o justificar. Não creio que 0-0 seja sempre um bom resultado em casa, mas, neste caso, talvez tenha sido mesmo, se considerarmos o óbvio não favoritismo dos dinamarqueses. Afinal, se a probabilidade inicial é perder, quanto mais próximo estiver de uma decisão pelo pormenor, melhor (o limite são, obviamente, os penaltis). Já para o Vitória, como favorito, o nulo trazia a responsabilidade acrescida de ter menor margem de erro, ainda que para o seu próprio estádio. E viu-se como um detalhe podia ter deitado tudo a perder.

O segundo ponto de interesse vai para a indignação de Machado, sobre a desvalorização que foi feita ao adversário. É verdade que é um erro desvalorizar o valor de uma equipa que não se conhece. Não só porque é o primeiro passo para perder, mas também porque cada vez os níveis competitivos se equiparam, neste patamar. Mas também se percebe que, realmente, o valor do Vitória era consideravelmente superior. Percebe-se, porque, se não se não fosse assim, a instabilidade que se apoderou do Vitória após o 0-1 nunca lhe permitiria "encostar" um adversário na base do coração, sem que isso lhe tivesse custado mais dissabores. E, se há coisa que os adeptos do Vitória conhecem, são os efeitos dos desequilíbrios emocionais da sua equipa no Afonso Henriques.

O terceiro ponto, é Soudani. Nunca o vi jogar, mas é um caso que quero seguir. Tem números de concretização impressionantes nos últimos anos e será interessante ver como encaixará o conflito de realidades. Estava esperançado que viesse para Portugal...

Quarto, e último ponto, para uma questão o futuro imediato deste Vitória: tendo em conta o futebol praticado e a temperatura envolvente, que hipóteses tem Machado de sobreviver, com 2 jogos com o Porto pela frente? À partida, poucas, parecendo tudo até bastante óbvio. Mas, recorrendo à memória, talvez seja melhor não o subestimar...

ler tudo >>

24.5.11

Convocatória, Mourinho e Domingos (Breves)

ver comentários...
- Para que não se confundam pequenos detalhes com traves mestras, as possibilidades de sucesso de Paulo Bento e da Selecção não estão condicionadas por pormenores de convocatórias, pela escolha pontual de A ou B. Ainda assim, parece-me que há dois casos que indicam algo: 1) Beto, porque jogou regularmente nos últimos 2 meses, protagonizando algumas exibições decisivas e mesmo impressionantes, como contra Marítimo e Guimarães. 2) Liedson, porque, como escrevi ontem, se não é para contar com o jogador, não faria também sentido pré-convocá-lo.
Estes dois casos não serão os únicos discutíveis, mas merecem-me particular destaque por são flagrantes no que respeita ao momento e condição técnica dos jogadores. Ou seja, o que isto indica é que, para Paulo Bento, há métricas para além do critério técnico que contam para a composição do seu grupo. Se for assim, estou de acordo.

- Ontem não o referi, mas posso fazê-lo hoje. É um incómodo para inúmeras teorias de raciocínio invertido sobre o José Mourinho de hoje, que o "seu" Real Madrid termine a liga com 92 pontos e 102 golos. O registo ofensivo é avassalador, e não tem paralelo na carreira deste técnico, segundo consta, "cada vez mais defensivo". O registo pontual é também fantástico e apenas é superado pela sua primeira temporada no Chelsea.
Retirássemos o "fenómeno Barcelona" da equação e Mourinho seria hoje, e para todos, o treinador genial que sempre foi. Provavelmente, até, concordar-se-ia estar melhor do que nunca.
Numa cultura em que a inversão de raciocínio é a forma mais banal de se parecer inteligente, porém, haverá sempre quem ouse estender o exercício até ao limite...

- Foi o tema do dia: Domingos foi confirmado como treinador do Sporting. Não é surpresa para quem acompanha o que escrevo que penso ser uma boa notícia para o Sporting e para a própria competitividade da Liga. Ainda que a tarefa se adivinhe espinhosa, note-se. Mas reservo mais considerações para outra ocasião...

ler tudo >>

15.5.11

Fim de campeonato (breves)

ver comentários...
- Voltarei ao jogo, mas fica claro que o terceiro lugar foi resolvido pelos diversos tiros no pé que o Braga cometeu. Terá sido o efeito psicológico de se ter uma final europeia no horizonte? Será um sinal de quebra de concentração pós-climax da meia final? E que efeitos terá a derrota na confiança, às portas da final? São perguntas e suposições interessantes, mas às quais nunca teremos respostas concretas. Resta-nos especular, portanto. Seja como for, é indiscutível a justiça da vitória do Sporting, que terá, seja por mérito próprio ou demérito alheio, realizou o melhor jogo da "era Couceiro".

- Na Luz, a liga terminou de forma fiel ao que se passou durante boa parte da época. Para ser mais específico, a pior parte no que ao Benfica diz respeito. A importância da última imagem nunca deve ser negligenciada, mas até ver o relevo deste último deslize será apenas nulo. Há uma coisa que deve ser dito, porém: se o Benfica e Jesus pensam que o problema se resolve com um simples "reset", provavelmente estarão enganados. São problemas que já foram aqui abordados muito antes do inicio desta época e que, por isso, dispensam nesta altura grandes comentários...

- Importante, embora não possa comentar o jogo, assinalar o feito do Porto de Villas Boas. Lembro-me de, no primeiro campeonato de Mourinho, Manuel José ter antecipado um jogo entre o seu Belenenses e o Porto, na abertura da segunda volta. Dizia o experiente treinador, que o Porto não havia perdido, mas que perderia seguramente, mais tarde ou mais cedo. Era a História que o garantia. E acertou, porque o Porto de Mourinho haveria mesmo de perder...

- Tudo somado, e descontado os ruídos próprios dos vários ciclos, foi uma época bastante dentro das expectativas. Destaques, apenas, para o domínio histórico do Porto, e para a troca de protagonismos, entre a excentricidade do Paços de Ferreira e a timidez do Marítimo. De resto, entre os sobreviventes, há sinais de risco que podem transitar para a próxima época. Destaco Académica, Beira Mar, Leiria e Setúbal.

ler tudo >>

AddThis