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Vamos lá, chego eu com meu chassi de grilo para malhar junto com os bolados da rave. Saca aquele tipo de cara que faz subcurso no SENAC ou na Anhembi-Morumbi tipo Hotelaria? (“Ah, é um mercado que tá crescendo, né?")
Pois bem, o dia deles se resume a acordar, comer que nem um cavalo de competição, entrar no MSN, xavecar a Ju e a Flavinha, almoçar quantidades cavalares de comida com mais uma quantidade baleística de suplementos, dormir à tarde e lá para umas 9 da noite ir para a academia com sua Montana. Aprendam, todo bolado de Rave tem uma Montana.
Pois bem, eu chego depois de acordar às 7 da manhã, trabalhar o dia inteiro, pegar trânsito, comer alguma coisa e torcer para chegar a tempo de fazer fisioterapia, afinal com a quantidade de peso que eu pego, não chega a ser musculação.
Aí tenho que agüentar o Cadu, o tal bolado da Rave conversar com o instrutor da Academia, o Linhares, em uma nova língua! Sim, meus caros, é o famoso papo de academia. Aquele bando de nome nada a ver como “rosca”, “supino inclinado” e “crucifixo” com mais uma quantidade de números seguido da expressão “de cada lado”.
É de doer o coração, afinal os caras realmente vivem para aquilo. E por acharem que vivem disso, dominam o ambiente. Imagina a cena. Estou lá eu, concentrado nos meus supinos leves e uns quatro marmanjos que tem tamanho para baterem no Mike Tyson me olhando com cara de bunda esperando que eu acabe minhas séries! É mais ou menos a mesma sensação de mijar do lado de um negão. Uma bosta.
Infelizmente eu não vou conseguir ter uma vida regrada o suficiente para manter um ritmo que nem esses caras. E assim a vida vai seguindo. Não sei porque a estética física tornou-se tão importante em nossa sociedade a ponto das pessoas mudarem seus hábitos de vida e de comportamento em busca não de uma vida saudável, mas sim de estética. Somos todos culpados. Afinal nós vivemos e consumimos os padrões que a sociedade nos impõe. Gostamos de meninas magras e/ou malhadas e a recíproca é verdadeira. Infelizmente conseguir atingir estes padrões para quem tem que trabalhar, estudar e dormir 5 horas por noite é um teste de disciplina e foco. É sobre-humano o que temos que fazer para ganhar alguns quilos, perder outros quilos ou tentar ser isso ou aquilo. Como mesmo frizou meu amigo Botones, esse texto não se aplica aos bolanders trabalhadores, raçudos e disciplinados.
É saudável cuidar do corpo e da saúde, mas os papos de academia mostram que o culto ao corpo vence a disputa com a cabeça. E o resultado que vemos é pessoas esteticamente dentro do padrão sem nada a oferecer em troca.
Não sabem conversar, se expressar ou ainda mesmo, ter autoconfiança. Afinal como você vai estar confiante se tudo o que você tem a oferecer são seus bíceps e tríceps e você sabe que sempre vai ter alguém maior que você?
Estamos criando uma geração de acéfalos ratos de academia. Que se preocupam apenas com o próximo treino. O problema é que eles não perceberam que tem um músculo, ainda mais importante, que precisa ser treinado rapidamente.