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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

"Um Outro Olhar" no IPJ

Olhas-me com timidez… Baixas a cabeça, tapas a cara entre dedos de chocolate, e os teus lábios contrariam a lei da gravidade. Reages assim sempre que te espelho na minha memória fotográfica, no meu cristal reflectido, na minha lente tele-objectiva... Não te escondas de mim, não afastes os teus olhos dos meus, mais tarde ou mais cedo irei encontrar-te no meu view-finder.

Raul Vilar

Na próxima quarta-feira, proceder-se-á, no Instituto Português da Juventude, em Coimbra, à inauguração da exposição fotográfica “Um Outro Olhar”. Totalizando 49 fotografias, é composta por trabalhos da autoria de crianças e jovens portadores de deficiência mental de sete instituições particulares de solidariedade social (IPSS) da Região Centro.

A exposição, que se encontra integrada nas comemorações dos 70 anos do Instituto Superior Miguel Torga, conta com fotografias de crianças e jovens da Associação Portuguesa de Pais e Amigos das Crianças com Deficiência Mental (APPACDM) de Anadia, do Centro de Educação Integrada da Bela Vista, em Águeda, ambas no distrito de Aveiro; APPACDM de Coimbra, APPACDM de Soure, Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo (ADFP), CERCI Penela, todas no distrito de Coimbra; e CERCI Pombal, no distrito de Leiria.

Os jovens autores foram acompanhados por alunos da Licenciatura em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga, alunos que também cederam o material fotográfico necessário. A equipa de alunos do ISMT foi composta por Ana Carolina Correia, Ricardo Almeida, Manuel Marques, Igor Pinto, Carlos Constantino e Altino Pinto.

Entretanto, todos os alunos se licenciaram, e muitos pretendem seguir o território do foto-jornalismo. É o caso de Ricardo Almeida, que já trabalha na área. , “Desta vez os fotógrafos foram eles, e não nós...Torná-los autores das fotografias e deixá-los felizes é algo que me deixa reconhecido e bem comigo próprio”, afirma.

Altino Pinto considera ter sido “uma experiência bastante enriquecedora, que gostaria de repetir”. “Ver como aquelas pessoas olhavam e pegavam numa máquina fotográfica deixou-me bastante emocionado”, conclui.

Os papéis inverteram-se e aqueles que normalmente se encontram à frente da máquina fotográfica perderam o medo e tomaram as rédeas dos seus olhos. As fotografias variam entre retratos dos colegas, trabalhos manuais, paisagens, entre outros. Muitos deles nunca tinham pegado numa máquina fotográfica, o que dificultou um pouco o método. Porém, mais genuínas não poderiam ficar. Desde o sorriso de uns lábios inquietos até ao mais pormenorizado olhar de um rosto, os utentes destas associações sentiram o carinho atirado em flashs de luz e sombras.

“Adorei a experiência e, sem dúvida, que repetiria”, assegura Ana Carolina Correia. “Não estava à espera de tão boa recepção, todos eles foram muito queridos connosco”, afirma com um brilhozinho nos olhos. Foi com eles, inocentes de enganos, que Carolina fez um Amigo, coisa mais preciosa do mundo. O Amigo multiplicado por todos os corações que encontrou.

Esta exposição pretende dar a conhecer um universo considerado insondável por muitos. Simultaneamente, proporcionou-se às crianças e jovens um dia diferente, pautado por grande animação e alegria.

Patente até ao próximo dia 5 de Janeiro, a exposição cumprirá posteriormente circuito de itinerância pelas IPSS aderentes a este projecto.


Texto:
André Pereira
Fotografia: Ana Carolina Correia

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra festeja 18º aniversário

A Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra (EHTC) e o Centro Novas Oportunidades (CNO) atravessam momentos de festa. Se a EHTC festeja o seu 18º aniversário, o CNO tem apenas seis velas para soprar.

Localizada na Quinta da Boavista, a EHTC foi inaugurada a 29 de Novembro de 1989. Dotada com os requisitos para uma formação técnica e profissional de qualidade, esta escola está vocacionada para possibilitar uma preparação integral dos futuros profissionais, incutindo-lhes espírito de iniciativa, autonomia, polivalência e inovação, factores fundamentais para um correcto desempenho e valorização da sua actividade.

A Escola de Turismo tem já uma longa história para contar, apesar da sua tenra idade. No seu primeiro ano, a Escola abriu um curso – Recepção, Portaria e Animação – vocacionado para recepcionistas de hotel. Foram 33 os alunos que frequentaram o curso que apresentava apenas uma valência profissional. Hoje em dia, a generalidade destas três dezenas de alunos dirige hotéis. Cursos de bar e de restaurante também começaram a ser ministrados.

O ano lectivo de 1992/93 marcou o início de cursos de valência profissional e escolar. Foram os casos do curso de “Restaurante/Bar” e “Cozinha/Pastelaria”. No ano seguinte, a Escola introduziu uma outra oferta formativa, a oferta pós-12ºano, em que todos os cursos passaram a possuir dupla certificação (escolar e profissional). Inicia-se o curso de “Direcção de Restauração” (mais tarde “Técnicas e Gestão de Restauração”) que forma alunos para cargos de chefia para a direcção de restauração. Este curso manteve-se durante oito anos, tendo sido reformulado e mudado de nome para “Técnicas e Gestão Hoteleira”.

No presente ano lectivo, o curso de Turismo sofreu uma pequena reestruturação. O nome alterou para Hotelaria e Turismo, ganhando, com esta mudança, a valência do alojamento hoteleiro, abrindo o leque de hipóteses de trabalho aos estudantes.

Quanto ao emprego, a directora da EHTC Ana Paula Pais mostra-se bastante orgulhosa. “Após o primeiro mês de concluído o curso, todos os formados têm emprego”, afirma. Para promover a empregabilidade, todos os anos, no mês de Maio, há uma semana que aproxima os jovens estudantes e os empresários da área.

“São as próprias empresas que vêm cá buscar os alunos”, assegura Ana Paula Pais que, com um sorriso nos lábios mostra o seu orgulho ao dizer que os ex-alunos “têm emprego em todo o lado – na região centro, por todo o país e até no estrangeiro”.

“Como exemplos mais próximos podemos apontar a directora da Quinta das Lágrimas, o director do Astoria, e a directora do Hotel Almedina, todos eles ex-alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra”, conclui.

Actualmente, a Escola possui 17 turmas e 391 alunos. “O futuro será mantermo-nos por aí. Não tanto crescer em quantidade, mas sim em qualidade”, assegura a directora. Diminuir o número de desistências e fazer com que os alunos formados permaneçam no sector são os principais objectivos da direcção da Escola. Para ajudar nestas tarefas, existe um Gabinete de Apoio Psico-pedagógico ao aluno, que tem um conjunto de actividades com um cariz mais social e psicológico

“O futuro passa, ainda pela modernização da escola, com vista a acompanhar a evolução do próprio sector turístico”, realça Ana Paula Pais. “Esta evolução impõe que a escola antecipe as necessidades do mercado, através, por exemplo, do desenvolvimento de projectos mais criativos”, refere.

Desde sempre que a Escola possui formação contínua. No entanto, até ao ano de 1999, esta formação era desenvolvida pelos serviços centrais, em Lisboa, através de um projecto denominado “Brigadas Móveis” – grupos de formadores em determinadas áreas que se deslocavam pelo país. Em 1999, a EHTC iniciou a sua própria formação contínua específica, desenvolvida dentro da própria Escola. Actualmente, a EHTC faz formação em toda a Região Centro, em parceria com restaurantes, unidades hoteleiras, autarquias, regiões de turismo, entre outras entidades.

“Formar, Qualificar e Certificar”

Este é o lema conjunto da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra e do Centro Novas Oportunidades. Se a formação engloba o processo de aprendizagem, direccionado aos jovens, a qualificação é destinada aos activos que se encontram fora do processo de escolarização, mas no processo de qualificação das suas competências. Já a certificação encontra-se voltada para a área do Centro Novas Oportunidades e certificação escolar e profissional. A EHTC trabalha, desta forma, com estes três públicos: jovens, activos e adultos.

A EHTC acolheu, até à data, 1630 alunos. Destes, 872 obtiveram certificação, “um número que gostaríamos de aumentar”, afirma a directora Ana Paula Pais. Passaram ainda 8972 activos em formação e foram leccionados 527 cursos em formação contínua, uma área a reforçar.

“No entanto, encontramos algumas lacunas nos nossa população escolar. São elas a área linguística e o atendimento ao público”, garante Ana Paula Pais. Com o objectivo de colmatar estas falhas, “estamos a trabalhar para certificar a Escola como entidade formadora nos próximos dois anos”, conclui a directora. Esta certificação da Escola trará mais-valias ao nível da melhoria dos procedimentos e dos serviços aos alunos. Presentemente, a escola tem sob sua alçada duas escolas: Escola de Hotelaria e Turismo do Fundão, que já tem seis anos, e conta com 120 alunos; e a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, localizada em Óbidos e nas Caldas da Rainha. A de Óbidos foi inaugurada este ano, e conta com 60 alunos. Já a de Caldas da Rainha ainda se encontra em fase de construção.

Centro Novas Oportunidades comemora 6º aniversário

O ano de 2001 marcou a criação do Centro Novas Oportunidades, que na data se chamava Centro de Reconhecimento de Validação e Certificação de Competências, proporcionando a aquisição de certificação escolar e profissional.

O Centro Novas Oportunidades, coordenado por Sandra Simões, tem tido uma procura bastante elevada. Esta é uma consequência natural da “necessidade pessoal e profissional da pessoa”, afirma a directora do Centro. “A certificação das suas competências não só permite ao indivíduo um reconhecimento profissional como eleva a sua auto-estima”, continua. As áreas mais procuradas para certificação centram-se na “Cozinha e Empregados de mesa”. O processo de certificação inicia-se com a apresentação de um portfólio reflexivo de aprendizagens. Este dossier será entregue a profissionais especializados na área em causa, que analisam as competências do candidato. Poderá ser necessária uma formação complementar, que o indivíduo terá de efectuar. Após este processo, o candidato será confrontado perante um júri de certificação de competências, que o irá avaliar.

André Pereira
O Despertar

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Observatório Astronómico da Universidade visita o Sol

“O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério. Quem está ao sol e fecha os olhos começa a não saber o que é o sol, e a pensar muitas coisas cheias de calor. Mas abre os olhos e vê o sol e já não pode pensar em nada porque a luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz, e por isso não erra e é comum e boa.”

Alberto Caeiro, “Guardador de Rebanhos”

O Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra desenvolve, desde 1997, o projecto Dia da Astronomia na Escola. Desde esta data, o Observatório já visitou quase três centenas de escolas tendo sido abrangidos mais de cinquenta mil alunos, para os quais a astronomia mostrou ser um veículo privilegiado na aprendizagem das ciências em geral.

Segundo Artur Soares Alves, director do Observatório, “esta iniciativa pretende proporcionar a alunos, professores e restante comunidade educativa uma forma agradável e interactiva de apoiar, complementar e consolidar as matérias abordadas nos programas oficiais”.

Todos os anos, durante a Semana da Ciência e da Tecnologia, de 19 a 25 de Novembro, instituições científicas, universidades, escolas, associações e museus abrem as portas a um mundo tão longe quanto fascinante, proporcionando actividades desenvolvidas, através de um contacto directo com o público.

O projecto “Sol para Todos”, financiado pelo Programa Ciência Viva, tem como objectivo a promoção da ciência em geral e da astronomia em particular junto dos alunos de escolas do ensino não superior. O motor do projecto é o espólio de mais de 30.000 imagens do Sol (espectroheliogramas) existentes no Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra, fruto de um trabalho de mais de 80 anos de observações diárias do Sol iniciado em 1926. Actualmente, encontram-se digitalizadas e disponíveis ao público aproximadamente 15.000 imagens, fruto de um projecto igualmente financiado pelo Ciência Viva, que decorreu entre 2002 e 2004.

Trata-se de uma colecção de observações solares de enorme valor científico. O Observatório Astronómico dispõe de um acervo museológico constituído por um vasto número de instrumentos de observação e medição astronómica e terrestre. Conta ainda na sua colecção com mapas e cartas celestes, sendo a maioria do espólio constituída por peças dos séc. XVIII e XIX.

Para João Fernandes, coordenador deste projecto, “este tema leva-nos para algo longe daquilo que é terreno, fazendo-nos imaginar”. Também astrónomo e docente no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra e Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra, João Fernandes afirma que “as pessoas costumam aderir a este tipo de iniciativas”, perspectivando-se “um excelente feedback por parte de todos”.

No Observatório Astronómico é realizada investigação em Astronomia e Astrofísica nas áreas da Física Solar, Física Estelar, Mecânica Celeste e Astrofísica Extragaláctica. Alguns destes trabalhos visam a preparação dos programas científicos de missões da Agência Espacial Europeia como COROT e GAIA.

O Sol

O Sol é a estrela mais próxima da Terra. O nosso planeta está, por isso, e desde a sua formação, dependente do Astro-Rei. Esta dependência não se resume apenas ao facto da Terra ter o seu movimento anual, de translação, em torno do Sol. É muito mais do que isso. O Sol é a principal fonte de calor e de luz de que a Terra dispõe e fundamental para toda a Vida que ela comporta. Os fenómenos que ocorrem no interior e na superfície solar têm impacto na superfície terrestre.

André Pereira
O Despertar

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

AAC: 120 anos de Capa e Batina

Fundada no dia 3 de Novembro de 1887, a Associação Académica de Coimbra comemora este ano o seu 120º aniversário. A luta pelos direitos dos milhares de estudantes da Universidade de Coimbra marca a longa vida da Academia mais antiga de Portugal e uma das maiores da Europa. Desde a Tomada da Bastilha, passando pelas crises de 62 e 69, até à luta actual contra as propinas.

Diversas comemorações tiveram lugar por toda a cidade, culminando no sábado passado, com um espectáculo no Teatro Académico de Gil Vicente. Evocar o passado e projectar o futuro foram os principais objectivos da comissão organizadora que levou a cabo exposições, lançamentos de livros, tertúlias e uma gala no Casino Estoril. Foram oito meses de festejos, iniciados no dia 24 de Março – Dia do Estudante –, com o descerramento de uma placa comemorativa à porta da AAC.

Ainda no âmbito das comemorações, foi lançado um livro, da autoria de Rafael Marques – presidente da delegação de Coimbra da Cruz Vermelha – que relata alguns momentos marcantes da história da Academia. Os lucros reverterão para a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM).

São essas histórias que constroem as bases daquilo que é hoje a Associação Académica de Coimbra. O primeiro momento de relevante interesse surge no ano de 1836, quando os estudantes se vêem impossibilitados de representar uma peça no antigo teatro de Santa Cruz. Devido a esse facto, a Academia deliberou a construção de um novo teatro, que viria a nascer nos baixos do Colégio das Artes.

Nos finais de 1837, após graves divergências no seio do grupo, surgiu a Nova Academia Dramática, que se instalou no Edifício do Colégio de São Paulo “O Apóstolo”, onde é hoje a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

A Nova Academia Dramática era composta por três institutos: dramático, de música e de pintura. No dia 17 de Abril de 1849, os estatutos da Nova Academia Dramática são revistos e os institutos agregados num único – “O Instituto” –, com autonomia quase total, passando a Academia a denominar-se Academia Dramática de Coimbra.

Mais tarde, o nome sofre alterações para Instituto de Coimbra, alojando-se, em 1868, no Colégio de São Paulo, na Rua Larga. Já sete anos antes, havia sido fundado o Clube Académico de Coimbra, que, também alojado no Colégio de São Paulo, acaba por se fundir com a Academia Dramática de Coimbra, dando origem à Associação Académica e Dramática. Esta, em 1887, após uma revisão de estatutos, passa a designar-se Associação Académica de Coimbra.

Dois anos mais tarde, a AAC é transferida para o Colégio da Trindade. Este acontecimento foi uma verdadeira tragédia para a Academia, pois ditou o quase total desaparecimento das actividades culturais estudantis, já que as novas instalações não permitiam a realização de espectáculos, que eram a principal fonte de receitas da AAC. Assim, singraram as actividades desportivas como a ginástica atlética e acrobática, esgrima, jogo do pau, luta greco-romana, além de longos passeios a pé, a cavalo e de velocípede.

Em 1892, no seguimento de um Guarda-Mor ter detido um estudante por três dias na prisão académica por ter recebido, em oposição às ordens da reitoria, um novato na Porta Férrea com o tradicional Canelão, reúnem-se os estudantes em Assembleia Geral na Igreja da Trindade, votando uma greve geral. Como consequência, encerraram-se as instalações e suspenderam-se as actividades da AAC. A paralisação durou três anos. Os estudantes fundaram o Clube Académico Irmãos Unidos, para logo depois, em Setembro de 1896, retomarem o nome de Associação Académica de Coimbra.

Durante sete anos a AAC não teve casa fixa. A última localizava-se na esquina da Rua do Norte com a Rua do Cosme, para aí levada pelo então académico Egas Moniz. Mais tarde, em 1901, a AAC arrendou novamente o Colégio da Trindade, de onde tinha sido expulsa anos antes.

Em 1913, o Senado Universitário concedeu à AAC o rés-do-chão do Colégio de São Paulo, onde já estava instalado o “Clube dos Lentes”, oriundo da mesma raiz: a Academia Dramática. As instalações no Colégio eram já escassas para toda a actividade académica, que já incluía a dos organismos autónomos então existentes: o Orfeon e a Tuna. A relação com o Clube dos Lentes não era boa e o primeiro andar que ocupavam já tinha sido destinado à Academia, mas a entrega tardava, o que muito desagradava os dirigentes da AAC.

No dia 25 de Novembro de 1920, pela madrugada, cerca de quarenta estudantes ocuparam os andares superiores do Colégio, num assalto que se tornou famoso e que a academia denominou Tomada da Bastilha. O Colégio passou a ser conhecido como a Bastilha e o dia 25 de Novembro passou a ser considerado o dia da Academia de Coimbra, data ainda hoje comemorada pela AAC.

A data de 25 de Novembro tem sido anualmente comemorada com o Cortejo dos Archotes, no qual os estudantes evocam esta data tão importante para a Academia de Coimbra.

Durante as décadas do Estado Novo em Portugal, a AAC foi uma instituição de clara oposição ao regime vigente. Reuniões secretas, tomadas de posição públicas e privadas e algum bloqueio ao Governo eram as formas mais usadas. O crescimento do descontentamento estudantil, nomeadamente devido à Guerra Colonial, fez com que muitos estudantes fossem presos e perseguidos pela PIDE. Em 1969, a crise estudantil atinge o seu auge, culminando no dia 17 de Abril, que representou um importante passo rumo à Revolução dos Cravos.

Após o 25 de Abril de 1974, os estudantes tiveram uma voz preponderante na construção do Ensino Superior em Portugal. Novamente, a liderança deste movimento coube à AAC, como mais prestigiada Associação de Estudantes em Portugal. Durante os anos que se seguiram à Revolução dos Cravos, muitas foram as greves e as tomadas de posição dos estudantes em Coimbra.

Hoje, a Associação Académica de Coimbra mantém a força que a caracteriza, erguendo bem alto a capa negra de saudade, mas também de confiança num futuro melhor.

Fonte: Site da AAC

André Pereira
O Despertar

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

97 anos de República

“Lisboa amanheceu hoje ao som do troar da artilharia. Proclamada por importantes forças do exército, por toda a armada e auxiliada pelo concurso popular, a República tem hoje o seu primeiro dia de História. A marcha dos acontecimentos, até à hora em que escrevemos, permite alimentar toda a esperança de um definido triunfo [...] não se faz ideia do entusiasmo que corre na cidade. O povo está verdadeiramente louco de satisfação. Pode dizer-se que toda a população de Lisboa está na rua vitoriando a República.”

Jornal “O Mundo”, 5 de Outubro de 1910

O movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910 surgiu naturalmente como consequência de um conjunto de acções que construíam o panorama político da época. A contraposição entre os movimentos republicano e monárquico eram cada vez mais acentuados, com a Partido Republicano Português (PRP) a conseguir tirar partido de alguns factos históricos de repercussão popular. As comemorações do terceiro centenário da morte de Camões, em 1880, e o Ultimatum inglês, em 1890, foram aproveitados pelos defensores das doutrinas republicanas que se identificaram com os sentimentos nacionais e aspirações populares. Foram realizados diversos comícios, com vista a difundir os ideais republicanos. Elis Garcia, Manuel Arriaga, Magalhães Lima e Agostinho da Silva foram alguns dos oradores.

O terceiro centenário da morte de Camões foi comemorado de forma bastante simbólica. As ruas de Lisboa acolheram um enorme cortejo popular que ficou marcado pela festa e entusiasmo dos intervenientes. O poeta dos “Lusíadas” e o navegador Vasco da Gama foram trasladados para o Panteão Nacional, numa cerimónia de autêntica exaltação patriótica. A Sociedade de Geografia de Lisboa foi a autora da ideia destas comemorações, no entanto, a execução coube a uma comissão de representantes da Imprensa de Lisboa, constituída pelo Visconde de Jorumenha, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Batalha Reis, Magalhães Lima e Pinheiro Chagas. Com isto, o Partido Republicano, ao qual pertenciam as figuras mais representativas da Comissão Executiva das comemorações do tricentenário camoneano, adquiriu uma enorme popularidade.

A Revolta Republicana

De um lado o General Manuel Rafael Gorjão Henriques, que comandava as forças monárquicas, do outro Machado Santos e as suas forças republicanas. A impotência do governo revelou-se pouco tempo depois, e a República era proclamada pelas forças vencedoras. Como consequência, D. Manuel II, que havia sucedido a D. Carlos I, era exilado para Londres.

Os dias 4 e 5 de Outubro de 1910 foram marcados pela revolta de militares da Marinha e do Exército, em Lisboa. Com o objectivo de derrubar a Monarquia, juntaram-se aos militares a Carbonária e as estruturas do Partido Republicano Português. Na tarde do dia 5 de Outubro, José Relvas, em nome do Directório do PRP, proclamou a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa. No dia 6 o novo regime foi proclamado no Porto e, nos dias seguintes, alargou-se ao resto do país.

A queda da Monarquia já era de esperar. Em 1908, D. Carlos e D. Luiz Filipe haviam sido assassinados por activistas republicanos. O reinado de D. Manuel II tentou acalmar o panorama político que se vivia, mas sem sucesso. Foi acusado de falta de firmeza e experiência, e de ser manipulado pela Rainha-mãe D. Maria Pia de Sabóia. Apesar de o 5 de Outubro não ter sido uma verdadeira revolução popular, mas essencialmente um golpe de estado centrado em Lisboa, a nova situação acabou por ser aceite no país e poucos acreditaram na possibilidade de um regresso à Monarquia.

Com o golpe de 5 de Outubro procedeu-se à substituição da bandeira nacional. O azul e branco da Monarquia foi substituído por um diferente leque de cores. O verde e vermelho ocupam a grande área da bandeira representando, respectivamente, a esperança e o sangue de todos os heróis portugueses. A esfera armilar, colocada no centro da bandeira, simboliza a época áurea dos Descobrimentos. Por sua vez, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques. As cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma, as cinco chagas de Cristo. O hino “A Portuguesa”, composto por Alfredo Keil tornou-se o hino nacional.

Seguiu-se um período de democracia republicana, presidido por Manuel de Arriaga. Poeta e advogado, foi um dos principais ideólogos republicanos. Depois da instauração da República, ao ser eleito presidente, tentou reunificar o partido que, entretanto, se desmembrava em diferentes facções. Foi um esforço sem muitos resultados, visto que o seu mandato foi atribulado devido a incursões monárquicas movidas por Paiva Couceiro. Foi substituído pelo professor Teófilo Braga, em 1915. Dois anos depois, o primeiro Presidente da República morria em Lisboa.

Teófilo Braga, fundador do Partido Republicano, assumiu em 1910 a presidência do Governo Provisório Republicano assumindo, em 1915 o cargo de Presidente da República. Foi professor e escritor, tendo deixado uma vasta obra literária.

Este período republicano foi caracterizado por uma forte instabilidade política, conflitos com a Igreja, mas também grandes progressos na educação pública. A chamada I República Portuguesa terminou em 1926, com o golpe de 28 de Maio, a que se seguiram longos anos de ditadura.

“O Governo Provisório da República Portuguesa saúda as forças de terra e mar, que com o povo instituiu a Republica para felicidade da Pátria. Confio no patriotismo de todos. E porque a Republica para todos é feita, espero que os oficiais do Exército e da armada que não tomaram parte no movimento se apresentem no Quartel-general, a garantir por sua honra a mais absoluta lealdade ao novo regime.”

Edital da Proclamação da República

Teófilo Braga, Lisboa, 5 de Outubro de 1910

André Pereira
O Despertar

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Museu da Água comemora Dia Nacional

“A água é o elemento que deu origem e mantém a vida no planeta Terra. Sem água, nenhuma espécie vegetal ou animal, incluindo o homem, pode sobreviver.”

Hoje comemora-se o Dia Nacional da Água. Para comemorar um dia tão importante e natural como a nossa sede, o Museu da Água de Coimbra tem em vista a realização de algumas actividades.

Neste dia, será inaugurada a instalação de Arte “Water Dreams”, do artista plástico Angel Orensanz. Nova-iorquino mundialmente conhecido, Angel já foi premiado nos principais acontecimentos internacionais de arte. A exposição será aberta ao público a partir das 18 horas, no Museu da Água de Coimbra, no Parque Manuel Braga, e estará patente até ao dia 31 de Outubro, podendo ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h.

O convite que o Museu da Água de Coimbra endereçou a Angel Orensanz para vir a Coimbra expor os seus trabalhos mundialmente premiados representa a “vontade deste Museu em dar a conhecer à cidade o que de mais actual se vai fazendo na arte internacional”. Quem o diz é Jorge Temido, presidente do Conselho de Administração da Águas de Coimbra. Esta é a primeira exposição de um artista estrangeiro desde a abertura do Museu em Março passado.

“Angel Orensanz é um dos escultores/autores mais iconoclastas que a Arte internacional tem visto”, afirma o presidente. A sua personalidade controversa estabelece constantes debates sobre a relação entre o Belo e o Sonho. Nova Iorque, Veneza, Berlim ou Moscovo são muitos dos locais por onde o artista já expôs as suas obras. Desta vez, será a oportunidade de visitar Coimbra, com o seu “Water Dreams” no espaço alargado do Museu, invadindo o Parque e o rio circundantes.

O Museu da Água de Coimbra foi inaugurado no dia 22 de Março deste ano, através de um protocolo entre a autarquia e a CoimbraPolis, e já atraiu mais de 10.000 visitantes. Nina Figueiredo, do Gabinete de Comunicação e Imagem da Águas de Coimbra afirma que “é ao fim-de-semana que o Museu da Água recebe mais visitantes”. Desde visitas de escolas, excursões organizadas ou pessoas individuais, os elogios a este espaço multiplicam-se à medida que se soma o número de visitas.

Acompanhando o rio na sua margem direita, o Museu possui dois edifícios – a antiga estação elevatória – a “casinha do parque” –, totalmente recuperada, e um edifício novo, construído de raiz, onde funciona a Provedoria do Ambiente e um bar. A autoria deste projecto pertence aos arquitectos João Mendes Ribeiro, Alberto Laje e Paola Monzio.

Peças de relevante cariz histórico documentam o passar dos tempos que o abastecimento de água tem sofrido. Desde contadores, passando por peças manufacturadas pelos próprios funcionários da Águas de Coimbra (AC), até documentos, plantas antigas e património industrial restaurado, tudo se encontra neste edifício, que é também uma casa-museu.

Após uma navegação por águas já passadas, nada melhor que se sentar na esplanada que pertence ao museu e apreciar a magia do Mondego, ou ouvir um dos muitos concertos que a Orquestra Clássica do Centro realiza regularmente no recuperado coreto do Parque.

A Água

Sem água nenhuma espécie vegetal ou animal, incluindo o homem, poderia sobreviver. Cerca de 70% da nossa alimentação e do nosso próprio corpo são constituídos por água. Os oceanos, os mares, os pólos, a neve, os lagos e os rios cobrem aproximadamente dois terços da superfície da Terra. A água é imprescindível à nossa vida. Teorias científicas, que trabalham na tentativa de descobrir a origem da vida no planeta Terra, atestam que ela teve início na água.

A água participa na protecção do embrião antes do nascimento e continua a actuar por toda a vida na manutenção da temperatura do corpo, no funcionamento das glândulas, na digestão, na lubrificação das articulações e tantas outras funções. 90% do corpo de um recém-nascido é formado por água.

A água é imprescindível ao nosso corpo. Uma vez desidratado ele sofre o fenómeno do envelhecimento. Também para a alimentação, a água é um elemento essencial. Nos vegetais, assim como em todos os alimentos com minerais, a sua composição é dissolvida e distribuída a partir da água.

Em média, uma pessoa bebe cerca de 60 mil litros de água durante toda a vida. Outra das curiosidades centra-se no facto de o ciclo da água já não ser suficiente para purificar a água que o homem polui. Hoje em dia morrem 10 milhões de pessoas por ano (metade com menos de 18 anos) por causa de doenças que não existiriam se a água fosse tratada.

Aparentemente infinita, a água disponível para consumo humano por ano não ultrapassa os 9 mil km3. Esta escassez já afecta vários países. De todos os planetas conhecidos, chove em apenas um: na Terra.

A água também apresenta um papel de extrema importância na maioria das religiões. Esta é considerada purificadora no Hinduísmo, Cristianismo, Judaísmo e Islamismo. O filósofo grego Empédocles defendia que a água era um dos quatro elementos básicos da natureza, em conjunto com o fogo, terra e ar, sendo respeitada como a substância básica do Universo.

Capas negras, Santa Clara,
Da tricana à Universidade,
Ó Mondego tens nas águas
Todo o brilho desta cidade.

André Pereira
O Despertar

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Mercado das Flores e Plantas - "São rosas, Coimbra!"

Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.

Flor da Liberdade, Miguel Torga


Os cidadãos da cidade que atravessou o coração do poeta desfrutaram, no passado sábado, de um vasto colorido visual e aromático. O Mercado de Flores e Plantas teve lugar na Praça 8 de Maio e na Rua Visconde da Luz, prolongando-se até à Ferreira Borges. Flores ornamentais, medicinais e odoríficas, arranjos florais e plantas, (de várias formas, odores e texturas) deram um novo colorido à Baixa. Esta iniciativa contou com a participação de cerca de quatro dezenas de vendedores e produtores de flores.

Esta é uma iniciativa inédita em Coimbra, tal como aconteceu no domingo anterior com o Mercado de Artesanato. Mais de 60 artesãos, oriundos de várias zonas do país, apresentaram uma vertente urbana e contemporânea do artesanato nacional. A diversidade das peças demonstrou parte da nossa riqueza cultural, desde a vertente dos acessórios de moda, a trapologia e bonecas em tecido, aos trabalhos em pasta de papel, casca de ovo de avestruz, velas ou sabonetes.

Paralelamente à realização do mercado, aliou-se o Mercado de Doçaria Tradicional, que contou ainda com animação musical. A participação de grupos folclóricos da região trouxe novas cores para os nossos ouvidos. A Associação de Agricultores do Vale Mondego (orizicultores) também marcou presença neste mercado que ofereceu aos transeuntes um vasto programa cultural.

As flores e a doçaria tradicional, aliados a uma programação cultural onde não faltou a música, a poesia ou as danças, animaram a Baixa da cidade. Tendo promovido a Feira Artesanal do passado fim-de-semana, o departamento da cultura apoiou, também, este Mercado. No dia anterior, o vereador da cultura da Câmara Municipal de Coimbra já previa o que iria acontecer: “Será um dia de excelência. A junção das flores com música, doces e poesia só pode dar bom resultado.
Esperamos um elevado número de visitantes, até porque é uma iniciativa inédita na cidade”, assegurou. A ideia surgiu em viagens feitas ao estrangeiro, nomeadamente a Amesterdão, onde mensalmente se realiza uma feira que enche de alegria as ruas da cidade.

O dia começou com uma arruada e um concerto da banda filarmónica Adriano Soares e pregões tradicionais, seguida da actuação do Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Assafarge e do Grupo Folclórico de Taveiro. Mais tarde, realizou-se uma sessão de trechos musicais pela “Arte à Parte”, uma leitura de poemas alusivos às flores por João Rasteiro e uma actuação do Grupo Folclórico Moleirinhas de Casconha.

Outra novidade a realçar é o concurso “Melhor Composição Floral” que decorreu durante o Mercado de Flores e Plantas. O vencedor levou para casa 250 euros, enquanto que o segundo e terceiro classificados arrecadaram 200 e 175 euros, respectivamente.

As flores e as plantas sempre tiveram diversas utilidades na História Mundial. Uma rosa escondida atrás das costas, um girassol numa tampa de pedra ou um lírio em cima da mesa… As flores acompanham-nos nos momentos de alegria, solenidade, tristeza e até de debilidade física, sendo algumas utilizadas como alimento e, também, na saúde e na estética.

Desde tempos longínquos que as flores têm servido como inspiração de poetas, pintores, tecelões e tecedeiras. Porque não é só na altura da floração que se cria alegria e cor, o Mercado de Flores e Plantas é um convite a viver sabores, formas, texturas e cores variadas, diferentes da época da floração.

A flor que és

A flor que és, não a que dás, eu quero,
Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perene
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.

Ricardo Reis

André Pereira

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Regresso às aulas - A volta do Ensino

O cheiro dos livros paira no ar. Os dias de descanso rodeados de lençóis até à hora de almoço têm a sua data final anunciada. Recomeça o rodopio escolar. Cadernos, lápis, réguas, canetas, mochilas… tudo enche o carrinho das compras que, de um momento para o outro, pesa mais do que supostamente devia.

A corrida ao material escolar torna-se cada vez mais alucinante à medida que o início do ano lectivo se aproxima. Estes dias colocam à prova a capacidade económica de muitas famílias que se vêem obrigadas a gastar bastante dinheiro no regresso às aulas dos seus filhos.

“Os preços já são bastante elevados, para além de que cada vez temos de comprar mais material”, afirma Tatiana Nunes enquanto observa o filho pelos corredores do hipermercado. O Bernardo, de 11 anos, distancia-se da mãe e vê com as mãos tudo o que lhe alegra o campo visual. O seu mundo parece ter-lhe aberto alas, tal como ao seu desenho animado favorito, o Noddy. Todos os artigos escolares parecem querer saltar para o seu “carrinho amarelo”. Já a mãe, que observa o aumento do volume do carro, parece que não vai ter um dia assim tão belo, quando chegar à caixa para pagar.

A factura do cabaz de compras de material escolar pode facilmente chegar aos 40 euros, isto se os produtos não forem de linha branca. Nestas contas de somar não se incluem os livros, “o que causa maior despesa”, diz Tatiana Nunes. “Depois de um período de férias em que aproveitamos para nos divertir e descansar, o mês de Setembro é bastante agressivo”, conclui.

Este é um dos obstáculos que as famílias portuguesas têm de enfrentar quando os filhos retomam o período escolar. As campanhas publicitárias invadem a sala de estar com ofertas ilimitadas de produtos que, muitas vezes, acabam por não sair do estojo.

Rui Silva, que inicia em Setembro o 10º ano, já adquiriu todo o material necessário. “Sempre comprei o necessário e nada mais que isso”, afirma o jovem de 15 anos. “Tenho noção de que este é um período de difícil controlo económico para os meus pais, porque não sou o único estudante na família”, assegura. “O meu irmão mais novo vai este ano para o Ensino Básico e precisa de bastante material escolar”, conclui.

A entrada no Ensino Básico (5º ano) é um ponto de viragem no que respeita aos gastos escolares, uma vez que se multiplicam as disciplinas e, consequentemente, o material necessário para comprar. Um pesado esforço vivido à escala do orçamento de cada família.

Só no início deste ano lectivo, já se venderam cerca de dez milhões de manuais escolares. De acordo com dados da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), os livros para o 1º Ciclo custam, este ano, cerca de 23 euros, os do 2º ficam por quase 78 euros e os do 3º Ciclo por pouco mais de 126 euros.

O apoio às famílias, no âmbito da acção social escolar, foi recentemente reformulado. Ao longo deste ano lectivo, cerca de 214 mil alunos (dos 2.º e 3º ciclos e Secundário) receberão apoio escolar.

Todo o entusiasmo que se espelha nos rostos das crianças em muitos casos se desvanece quando pegam na mochila. Para este período de (re)adaptação não ser tão difícil, os pais devem envolver-se neste processo. A escola acaba por ser um prolongamento da sua própria casa, onde o aluno socializa com os outros e partilha a sua rotina pessoal. A colaboração dos pais com os professores ajuda a resolver muitos dos problemas escolares dos filhos.

A altura do ano para regressar ao frenesi diário não poderia ser a mais adequada. As notas caem das carteiras como folhas numa tarde de Outono. (Re)começa um período de adaptação a uma nova vida, para uns, e de continuação, para outros.


André Pereira
O Despertar
Fotografia: Direitos Reservados

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

"Os Mosteiros e o Vinho" de Leitão Couto

“O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente... Ele reaviva as nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga. Se bebes moderadamente em pequenos tragos de cada vez, o vinho gotejará nos teus pulmões como o mais doce orvalho da manhã... Assim, então, o vinho não viola a razão, mas sim convida-nos gentilmente a uma agradável alegria.”

Sócrates, filósofo grego

Joaquim Leitão Couto tem tido um percurso de relevante interesse pelo património cultural. Este seu amor pela cultura nacional começou desde cedo em Viseu, sua terra Natal, cidade com um abundante e rico espólio natural. Passou pelas universidades de Lisboa e Coimbra, onde adquiriu um saber médico amplamente reconhecido na área da Ortopedia.

Mais tarde, veio a ocupação de cargos autárquicos. Foi membro das assembleias municipais de Viseu e Penacova, presidente da câmara e presidente da assembleia municipal de Penacova. Como autarca, tornou-se amante do património, tendo sido autor e coordenador de publicações sobre todo o património concelhio de Penacova, desde os moinhos aos fornos de cal, passando pelo artesanato dos palitos, à vida e obra de António José d’Almeida e Vitorino Nemésio.

Contribuiu, ainda, para a musealização dos sítios neste concelho, no Museu do Moinho (Buçaco), no Museu dos Fornos de Cal e dos Carpinteiros (Casal de Santo Amaro), na Casa da Freira (Penacova), e na Casa do Monte (Lorvão).

Toda esta enorme bagagem cultural, repleta de experiências e vivências enriquecedoras, levaram Leitão Couto a elaborar o livro “Os Mosteiros e o Vinho”. Segundo Maria Alegria Marques, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, “esta é uma obra de amor. De amor à terra, mãe da vida e dos homens, de amor ao mundo campesino, de amor a um mundo que, passado, não mais voltará”.

Inicia-se assim o prefácio desta obra que nos prende logo desde o início. Cheira a uvas cuidadosamente tratadas e pisadas com a sabedoria dos mais genuínos homens da terra. Cada folhear de página acende um aroma único de remotos caminhos de uva, longos dias de vindima, e merecidos descansos com um copo na mão.

Este livro é a junção de vários anos de pesquisa por todo o país. Percorrendo 30 concelhos do País, Leitão Couto conseguiu recolher uma colecção bastante completa. O autor afirma mesmo que esta é “a mais completa colecção de tanoaria de Portugal”. Da colecção fazem parte peças com dezenas de anos e com um valor incomensurável.

Em 2006, foi instalado o Museu de Tanoaria em Miranda do Corvo, numa antiga casa de tipologia rural. O Museu tem a colaboração da Associação para o Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo e do respectivo município, no projecto de requalificação da Quinta da Paiva.

Os mosteiros foram, durante largos anos, os principais veículos de divulgação do vinho, reforçando a sua importância histórica e religiosa. O vinho tem sofrido uma evolução ao longo dos tempos mantendo, na sua essência, desde os segredos dos antigos processos de fabricação até à sua utilização na culinária mundial.

Uma das curiosidades que o livro nos apresenta é a arte de tratar a rolha de uma garrafa de vinho. “Ferver a rolha em vinho é um erro bastante comum”, afirma Leitão Couto. “A rolha deve ser introduzida seca e a garrafa colocada verticalmente para que o ar que se encontra sob pressão possa sair pela rolha”, conclui o autor que aprendeu este processo com António Dias Cardoso, da Escola Vitivinícola da Bairrada.

São muitas as histórias contadas neste magnífico livro. Desde os diferentes objectos de tanoaria encontrados e recolhidos, até às saborosas provas de vinho pelos recantos do nosso país.

A tecnologia actual é, sem dúvida, uma forma eficaz de resolver bastantes problemas. No entanto, no que respeita à pisa do vinho, a tradicional é mais aconselhada porque não destrói a uva completamente.

De realçar o grafismo do livro que, com as suas cores e formato, apela a uma leitura acompanhada pelo amigo de todas as alturas, o vinho. Leitão Couto sublinha o facto de este livro só ter sido possível devido aos diversos apoios que recebeu. Entre eles, está o Município de Miranda do Corvo, Município de Penacova, o Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões, as Caves Aliança (Sangalhos) e Henrique Oliveira (Miranda do Corvo). Sem nunca esquecer, está a família que, segundo o autor, “ajudou imenso e apoiou nos momentos menos fáceis”.

A apresentação do livro ocorreu em Miranda do Covo. No entanto, haverá uma segunda apresentação em Lorvão, no mês de Outubro, aquando da festa em honra das Santas Rainhas.

Num tempo de ritmo acelerado, nada melhor que relaxar, deixar as pálpebras cederem às leis de Newton e degustar um delicioso vinho. “Enquanto está na garrafa, o vinho é meu escravo; fora da garrafa, sou escravo dele”, disse um dia Juan Luis Vives.

André Pereira
O Despertar

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Praias Fluviais de Coimbra - Dá um mergulho no rio!

“Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos/ Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio/ Mais vale saber passar silenciosamente/ E sem desassossegos grandes.” Foi apenas um. Hoje são várias as que folheiam um livro que tão pouca quietude tem causado… Em Coimbra, podemos “fitar sossegadamente o curso do rio”, de mãos enlaçadas com Lídia, ou com o simples descanso.

Praia da Bogueira – Lousã

Dotada de diversas infra-estruturas, nas duas margens que rodeiam o espelho de água, a Praia da Bogueira convida ao lazer e ao divertimento nos dias mais quentes. Parque de merendas, parque infantil, campos de jogos e um café com esplanada juntam-se aos novos balneários e a uma pequena piscina, reservada a crianças e a pessoas com deficiência, construída junto a um espaço relvado.

A Praia Fluvial da Bogueira, em Casal de Ermio, recebeu este mês a bandeira de “Praia Acessível”. Foram levadas a cabo diversas obras de requalificação daquele espaço, através da recuperação de algumas estruturas e iniciação de outras.


Praia Fluvial de Penacova

Situada nas margens do Mondego, em frente da vila de Penacova, e junto ao Parque de Campismo, esta praia fluvial encontra-se rodeada por uma bela envolvente natural. Dispõe de bar, um abrigo para embarcações, campo de jogos e zona de merendas. Uma das suas características é a ponte de madeira, que convida a dar bons mergulhos. As estradas pitorescas, ora talhadas nas escarpas sobre o rio, ora trepando ao cimo dos montes, permitem apreciar o belo panorama paisagístico.

A praia tem diversos serviços de apoio disponíveis, tais como acesso a deficientes, aluguer de toldos e espreguiçadeiras, bar, duches, embarcações ligeiras sem motor, instalações sanitárias, parque de campismo e posto de Primeiros Socorros. Esta é uma praia vigiada, com serviço de restaurante. Tem, ainda, condições para a prática do futebol e voleibol de praia, bem como canoagem. É de fácil acessibilidade.


Praia Fluvial Canaveias – Pena

Esta praia caracteriza-se pelos bons acessos e infra-estruturas de apoio. Dotada de acessos pedonais para pessoas com mobilidade condicionada, a praia possui equipamento de socorro a náufragos e vigilante, bem como estacionamento. A praia dispõe de um parque de lazer com churrasqueira e zona de piqueniques, sombras e um parque infantil. Está classificada como "Praia Acessível".

Há possibilidade de aluguer de toldos e espreguiçadeiras. À disposição do banhista, estão diversos serviços, tais como bar, instalações sanitárias e posto de primeiros socorros.


Praia Fluvial Olhos de Fervença – Olhos de Fervença

As nascentes naturais, conhecidas como "Olhos de Fervença", abastecem o concelho de água e atraem muitos visitantes com o seu cenário bucólico. O que deu origem a uma bonita praia fluvial com boas infra-estruturas de apoio, designadamente uma área de recreio e lazer, circuitos pedonais, bar com esplanada, balneários, parque de merendas e campo de jogos. Além do plano de água, que tem uma plataforma de saltos na sua zona mais profunda, a praia fluvial inclui ainda uma zona de prado relvado para banhos de sol e descanso, um pequeno areal e um terraço, com cadeiras, chapéus de sol, serviço de bar e vigilância. Esta é uma praia vigiada e facilita o acesso de pessoas com mobilidade condicionada.


Praia Fluvial de Pomares – Pomares

Esta praia fluvial é contígua a um parque de campismo que convida ao descanso nas faldas da Serra do Açor. Possui um cativante envolvente natural e tem disponíveis bons equipamentos de apoio e segurança.


Praia Fluvial de Palheiros – Palheiros

Situada na freguesia de Torres do Mondego em Coimbra, esta praia possui diversas infra-estruturas essenciais, inclusive campo de desportos diversos, churrasqueira, parque de merendas, sanitários e recipientes para o lixo. Tem, ainda, vigilância e um bom parque de estacionamento (uma pequena ponte de acesso pedonal, permite o estacionamento em ambas as margens do Mondego). Encontram-se afixados vários boletins das análises realizadas à água, num placar situado no concessionário. O acesso à praia é feito pela povoação de Palheiros, na margem esquerda do Mondego. A praia possui infra-estruturas que facilitam o acesso a deficientes.


Praia Fluvial da Louçainha – Louçainha

Galardoada pela primeira vez em 2007 com a bandeira azul, a praia fluvial da Louçainha oferece água de boa qualidade, bons acessos e infra-estruturas, incluindo parque de merendas e restaurante panorâmico.


Praia de Avô – Oliveira do Hospital

Esta praia fluvial, situada na zona marginal do Rio Alva, é composta por uma variação de dois cursos de água diferentes que formam uma ilha, a ilha do Picoto. A praia, alvo de uma profunda intervenção recente, é constituída por dois açudes de água na zona circundante da ilha, com um ponto de passagem de peões, uma piscina infantil alimentada com água do rio, zonas de relva, equipamento para piqueniques, balneários e zonas pedonais.

Góis e Tábua

Existem outras praias fluviais em Coimbra, em lugares recônditos e belos, protegidos pelo verde saudável que abraça o distrito. Góis possui três praias dignas de realce, sendo elas, a praia fluvial do Cerejal, da Peneda e da Foz. De fácil acessibilidade, em todas se encontra o descanso e paz necessários para um bom dia de repouso.

O concelho de Tábua também é rico em proporcionar inúmeros espaços de lazer. No que respeita a praias fluviais, há a praia dos Bicos dos Covos, a praia fluvial do Vale Miodo, de Meda de Mouros e do Porto Pedrinho. Todas as praias são de areia branca e de fácil acesso.


Praia Fluvial do Mondego

Em 2 de Agosto de 1935 foi inaugurada aquela que foi a primeira praia fluvial portuguesa, construída por mão humana: a praia fluvial do Mondego, em Coimbra. A obra custou um total de 60 mil escudos, actualmente 300 euros.

A praia nasceu como espaço de convívio e recreio, numa altura em que a cidade perdia parte dos seus habitantes, uma vez que os estudantes tinham regressado a casa para as férias de Verão e uma parte importante dos seus habitantes não tinha posses económicas para ir a banhos. Aquando da inauguração houve festa rija, com salva de 21 tiros, banda de música do Colégio dos Órfãos (S. Jerónimo) e sessão solene.

Para a execução da praia, retirou-se grande quantidade de areia, foi colocada estacaria para protecção e retenção das águas, ainda visível quando as comportas do açude abrem e baixa o nível das águas (a jusante da actual ponte de Santa Clara).

Nas margens e areal (em certos anos criava-se uma ilha de areia) abriram-se bares, esplanadas, restaurantes, alugavam-se toldos e chapéus-de-sol e ainda barcos de recreio. Havia ainda uma casa para mudar de roupa e uma bilheteira onde se comprava o bilhete que permitia o acesso a um passadiço de acesso à zona de banhos.

Nos anos seguintes a praia foi ganhando imponência, até que, em 1947, já não foi erguida pois os custos haviam-se tornado exorbitantes.


PRAIAS MARÍTIMAS DE COIMBRA
Onde o céu se espelha

Figueira da Foz


A Figueira da Foz é a única cidade portuária do centro do país e é também a segunda maior cidade do distrito, com cerca de 60.000 habitantes. A sua praia é frequentada, essencialmente, pelos habitantes da Figueira da Foz e de Coimbra. É uma praia extensa e com diversas estruturas de diversão como: parque infantil, campo de vólei, campo de ténis, campo de futebol e de ginástica. Todos os anos se realizam inúmeros campeonatos desportivos, com destaque para o “Mundialito de Futebol de Praia” e para o campeonato de surf.

Depois de um fantástico dia na praia, nada melhor que experimentar os deliciosos pratos de mariscos. Entre as especialidades que não se pode deixar de provar estão a lula grelhada e o bacalhau com batatas a murro.

Mira

Começou por ser uma terra de pescadores. Estes, com a sua sabedoria e experiência construíram o Barco de Mar. Hoje a praia de Mira tem uma grande ocupação durante os meses de Julho e Agosto. Possui bastantes restaurantes (Avenida da Barrinha) e bares. Os veraneantes desfrutam das lagoas e da floresta, que se estende até à Serra da Boa Viagem.

A Praia de Mira mantém a Bandeira Azul desde o início da atribuição do símbolo de qualidade em zonas balneares europeias, um caso único em Portugal.

A mais famosa festa do Concelho de Mira é a festa em honra de S. Tomé de Mira, a 25 de Julho.


Tocha

Praia de areal limpo e extenso. Com boas infra-estruturas de apoio, é possível encontrar entre elas uma biblioteca de praia. Tem passadeiras para a praia, que não estragam as dunas. É rica em iodo.

A sua areia fina, suas dunas extensas, seus pinhais próximos são trunfos importantes desta praia que aposta num turismo mais calmo e perto na natureza. Há um grande parque de merendas situado nos pinhais, é aliás tradicional preparar aí as batatas a murro na areia. Ao lado existe um campo de futebol e basquetebol, com um bar. Na pequena aldeia encontram-se algumas pastelarias, bares e uma pequena feira onde se vendem lembranças e fruta.

Por muitos rios e mares que possamos sentir na nossa pele, não nos sai da memória o cheiro das ruas monumentais de Coimbra, das vielas, das igrejas seculares, das suas pessoas, capas e batinas negras... Desta forma, no intervalo de um mergulho, nas reticências de um descanso, nada melhor que aproveitar para contemplar o Café Santa Cruz, localizado na Praça 8 de Maio, junto ao Mosteiro de Santa Cruz. A filosofia deste monumento é criar no seu espaço clássico e austero, com quase 90 anos de história, um ambiente actual com um menu contemporâneo. Folhear um jornal, ler um livro ou estar simplesmente à conversa acompanhado de uma chávena de café são rituais habituais deste espaço de tertúlias, informal, de divulgação de cultura.

André Pereira
O Despertar

domingo, 8 de julho de 2007

Centro Cirúrgico de Coimbra com nova unidade de apoio

Coimbra tem mais saúde

O Centro Cirúrgico de Coimbra (CCC) inaugurou, na quarta-feira passada, uma nova unidade de apoio. Localizado em São Martinho do Bispo, o CCC aumenta o seu espaço com um edifício que permitirá a criação de novas valências, com vista a proporcionar mais e melhores condições aos utentes.

Com o objectivo primordial de melhorar a capacidade do Centro Cirúrgico, este novo espaço aumentará o leque de áreas e especialidades, através da criação de novos consultórios e com auxílio de equipamento inovador.

Odete Videira, enfermeira directora do CCC, vê o futuro de forma optimista, até porque o método de funcionamento tem sido o adequado. “O trabalho em equipa tem sido essencial e é a nossa principal forma de trabalhar”, afirma.

Esta unidade privada de saúde, que existe desde 4 de Julho de 1999, tem como grande impulsionador e coordenador António Travassos, reconhecido médico na área da oftalmologia. Desde o seu início que o CCC tem conseguido construir uma personalidade de reconhecida diferenciação e elevada qualidade dos serviços médicos, do atendimento e das condições de acolhimento dos utentes.

A Oftalmologia e a Urologia, através dos médicos António Travassos e Linhares Furtado, foram as primeiras áreas a serem tratadas no Centro Cirúrgico. Assim se iniciou este “projecto de vida profissional” que, actualmente, é já uma certeza na área da saúde de Coimbra.

Segundo Odete Videira, “Coimbra é a cidade da saúde, e nós queremos ser parceiros dessa missão”. “Não pretendemos ser concorrentes de ninguém a nível económico”, continua. Com um olhar meigo e um sorriso que cativa qualquer pessoa, Odete Videira encara o seu trabalho com a mesma dedicação e amor que transmite aos doentes.

O utente é, desta forma, a razão de ser da sua competência, disponibilidade e vontade de bem servir. Os doentes são tratados como se estivessem na sua própria casa, de forma a transmitir um ambiente bastante cómodo e acolhedor. Odete Videira afirma que “o doente tem de ficar satisfeito, não apenas com um ou outro serviço, mas com todos”. Até agora, esta máxima tem funcionado de forma bastante positiva, na medida em que “são os próprios doentes que publicitam o Centro, trazendo novos utentes bem como médicos”.

O Centro Cirúrgico de Coimbra baseia-se em pilares de extrema organização e disciplina, que permitem um tratamento de elevada qualidade e uma relação bastante próxima com os cerca de 130 funcionários. “Todos nós trabalhamos por amor à camisola”, afirma Odete Videira. “Os empregos conquistam-se e este é um dos inúmeros pontos que nos torna uma família”, conclui.

As pessoas sentem-se bem no Centro e, prova disso, é a procura enorme que este espaço tem tido, especialmente por estrangeiros. Com muito pouca publicidade, o CCC encontra nos doentes e nos médicos os principais divulgadores da qualidade do Centro. No ano de 2006, realizaram-se cerca de 37.000 consultas e sensivelmente 5.000 cirurgias.

Os quartos do CCC, equipados com mobiliário exclusivo, de fácil higienização e adaptabilidade, contêm todos os instrumentos necessários a uma boa estadia do utente. Com equipamentos sofisticados e da mais alta qualidade, os aposentos são autênticos quartos de hotel, com todo o requinte e conforto necessários.

Num processo de expansão do Centro Cirúrgico, procedeu-se, também, ao alargamento do refeitório. Uma empresa especializada está encarregue de fazer o controlo alimentar, assegurando a higiene e qualidade que caracterizam esta unidade de saúde.

O Centro Cirúrgico esforça-se no sentido de fazer convergir os diferentes objectivos, personalidades e interesses dos seus colaboradores, incluindo os utilizadores (médicos), de forma a conseguir complementaridade e cooperação.

O doente é o fulcro das intenções qualitativas, merecendo, por parte da organização, capacidade, competência, consideração e confiança.

Um outro novo edifício está em fase de construção. Na área circundante do Centro Cirúrgico, será criada uma unidade de Pediatria, com todas as condições necessárias para o tratamento das crianças.

Para assegurar o bom funcionamento de toda esta rede, foram criadas diversas parcerias com algumas empresas, entre elas, a ADMG, Multicare, Media, Sãvida, CTT, Caixa Geral de Depósitos, SAMS e Maternidade Alfredo da Costa.

Com a abertura deste novo espaço, o Centro Cirúrgico de Coimbra corre o sério risco de provocar nos utentes a vontade de não mais querer sair. Todo o meio envolvente seduz as pessoas que por lá passam. Desde o espaço físico, amplo, atraente e agradável, até aos sorrisos sempre disponíveis de qualquer funcionário. Afinal, a saúde não está só nas seringas, nos bisturis, nos blocos operatórios… Para além de tudo isso, existe o ser humano e, no Centro Cirúrgico de Coimbra, ele é a principal cura de qualquer doença.

Homenagem a Linhares Furtado, o “transplantador mágico”

A inauguração do novo edifício do Centro Cirúrgico de Coimbra teve como ponto alto a homenagem a Linhares Furtado, “um simples académico ilustre, professor distinto, cientista demiúrgico, cirurgião criativo e mágico”, segundo Almeida Santos, ex-presidente da Assembleia da República.

A única condecoração atribuída pelo Estado português a Linhares Furtado – a Grande Oficial da Ordem do Infante – “é pouco, é nada”, disse, considerando que “as pátrias esquecem-se, vezes demais, de ser reconhecidas e justas”.

Autor do primeiro transplante renal em Portugal, em 1969, e do primeirotransplante hepático (1988), entre outros “verdadeiros milagres científicose cirúrgicos”, Linhares Furtado foi classificado por Almeida Santos como “apersonificação da excelência”.

Por seu lado, Joaquim Murta, um dos fundadores do Centro Cirúrgico de Coimbra, considerou Linhares Furtado “um exemplo de referência e um símbolo da nossa conduta pelo seu enorme entusiasmo, dinâmica, saber, espírito inquieto e nunca satisfeito”.

O “transplantador” foi surpreendido com esta homenagem, confessando o seu “estado de choque” perante tantas emoções fortes. “Coimbra tem tradições notáveis na medicina e os médicos do Centro Cirúrgico devem concretizar a clínica que efectivamente a cidade não tem”, afirmou.

Com a inauguração deste novo edifício, o CCC alarga o seu leque de valências na área da saúde. Desde a sua fundação, há oito anos – foi inaugurado pelo então presidente da Assembleia da República Almeida Santos, definido hoje por António Travassos como "um amigo" da unidade de saúde – o CCC realizou cerca de 200 milconsultas e mais de três mil actos médicos e cirúrgicos.

André Pereira
O Despertar

terça-feira, 3 de julho de 2007

Visitar Coimbra

Nunca é demais palmilhar Coimbra com a sola dos nossos sentidos. O cheiro a terra molhada quando chove, o negro dos estudantes numa capa, as mãos numa guitarra que nos ouve, o sabor de uma saudade quando mata… São vários os locais que se podem visitar em Coimbra. Porém, qualquer porta que se abra ou janela que se escancare é vital manter o outro sentido em sentido, o coração. Poderá balançar, manter-se direito, que importância faz? Existe, sente, e também olha.

A história escreveu-se com sonoridades Celtas até ao Séc. II a.C., século marcado pela chegada dos romanos e da qual ficaram até aos nossos dias sinais de uma cultura grandiosa. Coimbra fez-se depois Mourisca e já Almedina era o nome da cidade dentro das muralhas, quando chegou o tempo da afirmação da fé cristã pela Reconquista. As urbes protegiam-se então à volta dos templos e Coimbra, por vontade de D. Afonso Henriques, viu nascer em 1131 o Mosteiro de Santa Cruz e fez-se cidade berço de Reis.

Quinta das Lágrimas

A Quinta das Lágrimas está indissociavelmente ligada a D. Pedro e a Inês de Castro. E apesar de a mais conhecida história de amor dita em Português não ter ocorrido na Quinta das Lágrimas, à época "Quinta do Pombal", algumas das mais belas páginas da literatura portuguesa encarregaram-se de tornar a "Quinta das Lágrimas" o cenário da sorte e do infortúnio dos amores de Pedro e Inês.

No Jardim da Quinta das Lágrimas, há qualquer coisa de indizível, qualquer coisa de poético, qualquer coisa de eterno à sua espera. É lá que encontramos, junto à Fonte dos Amores, gravada numa pedra calcária a mando de Lord Wellington, a estrofe 135 de Canto III dos Lusíadas:

As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores.


A Quinta das Lágrimas, situada na margem esquerda do Mondego, é fundamentalmente uma área ajardinada em torno do Palácio do Séc. XIX e um bosque situado na encosta a sul. Na propriedade existem duas nascentes que foram compradas pela Rainha Isabel de Aragão para abastecer de água, através de um pequeno aqueduto, o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e, naturalmente, o Paço Real, que ficavam ali bem perto. A existência de duas caleiras, que se unem no "Cano dos Amores", permitiam que a água transportasse as mensagens que iam e vinham do Paço Real. Foi também essa água que ficou vermelha após a morte de D. Inês. Na verdade há uma alga chamada Hildenbrandia Rivularis que vive na água doce e é vermelha. O jardim da Quinta das Lágrimas é constituído maioritariamente por espécies exóticas, algumas das quais com mais de duzentos anos.

Parque Verde do Mondego


Situado na margem direita do Rio Mondego, o Parque Verde ocupa uma vasta área, num imenso espaço verde onde é possível encontrar bares, restaurantes e um pavilhão para exposições. Da autoria do arquitecto Camilo Cortesão, é um espaço para apanhar sol, andar a pé, levar os miúdos a passear, comer, ouvir música, ler ou namorar.

Ponte Pedonal Pedro e Inês

A nova Ponte Pedonal e de Ciclovia sobre o rio Mondego liga o Parque Verde do Mondego e a margem esquerda do rio. A meio percurso entre as duas margens, a ponte forma uma praça ponto de encontro ou de descanso – com oito metros de largura.

Jardim Botânico

O Jardim Botânico foi criado em 1772 e integrado no Museu de História Natural instituído pela reforma universitária do Marquês de Pombal.

O Jardim é uma ilha dentro da cidade, mas é, sem sombra de dúvida, o seu valor científico que o torna incomparável. Além de conter espécies raras no resto do país, é internacionalmente reconhecido pelos vastos estudos que tem realizado sobre a flora. Existem árvores originárias de todo o globo, graças ao micro-clima deste espaço, o que torna um passeio no Botânico uma volta ao mundo mesmo ao alcance dos nossos pés.

Universidade de Coimbra

A história da Universidade de Coimbra remonta ao século seguinte ao da própria fundação da nação portuguesa, dado que a Universidade foi criada no século XIII, em 1290.

A Universidade de Coimbra é um dos principais destinos turísticos portugueses. Todos os anos visitam o Paço das Escolas cerca de 200 mil turistas das mais diversas proveniências.

A Universidade de Coimbra constitui um referencial incontornável do imaginário ligado à própria ideia de Universidade, com a sua Academia – a maior do país – as suas oito Faculdades, dezenas de centros de investigação, um Instituto de Investigação Interdisciplinar, estruturas de fomento do empreendedorismo e de ligação ao tecido empresarial, um estádio universitário, vários museus, o Teatro Académico de Gil Vicente, o Jardim Botânico e das melhores estruturas de apoio a estudantes (residências, restaurantes universitários, bares, salas de estudo, centros de convívio, entre vários serviços).

Sé Velha

A Sé Velha é um dos edifícios em estilo românico mais importantes de Portugal. A construção da Sé começou depois da Batalha de Ourique (1139), quando Afonso Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como capital do reino. Na Sé está sepultado D. Sesnando, Conde de Coimbra.

Sé Nova

Situa-se no Largo da Feira perto da Universidade de Coimbra. Originalmente, a Sé Nova foi a Igreja do Colégio dos Jesuítas (Colégio das Onze Mil Virgens), que se haviam instalado em Coimbra em 1541. A igreja começou a ser construída em 1598, seguindo um projecto dos jesuítas de Portugal.

Em 1759, estes foram banidos de Portugal pelo Marquês de Pombal e, em 1772, a sede episcopal de Coimbra foi transferida da velha Sé românica para a espaçosa igreja jesuíta.

Igreja Santa Cruz

Em 28 de Julho de 1131 a pedra fundamental da igreja é lançada por D. Afonso Henriques e benzida por D. Bernardo. Não resta quase nada desta primeira construção.

Em 1507, após a visita de D. Manuel I, quando se deslocou a Compostela, o templo e as dependências conventuais sofreram grandes remodelações que só terminaram no reinado de D. João III.

A construção da actual fachada e do abobadamento geral – corpo e capela-mor – da igreja são executados de 1507 a 1513. O túmulo de D. Sancho fica também no tramo central da Igreja em frente do túmulo de D. Afonso Henriques e é coevo do daquele rei.

Penedo da Saudade

O Penedo da Saudade é um parque e miradouro da cidade de Coimbra, construído em 1849, de onde se avista a parte oriental da cidade até ao rio Mondego, a Serra do Roxo e a Serra da Lousã.

Ligado à cultura coimbrã e à sua academia, neste espaço pode-se encontrar entre uma vegetação diversificada, inúmeras placas comemorativas de eventos ligados à vida académica, além de poesias de alunos. A mais antiga data de 1855.

A "Sala dos Cursos" e a "Sala dos Poetas" são dois espaços de visita obrigatória.

André Pereira
O Despertar

segunda-feira, 18 de junho de 2007

II Festa da Música anima Coimbra

Pelo segundo ano consecutivo, a Alliance Française desafiou músicos de Coimbra a embelezar sonoramente a cidade. No dia 21 de Junho, a Festa da Música irá dar as boas-vindas ao Verão.

À semelhança do que sucedeu no ano passado, a Rua Pinheiro Chagas, da Alliance Française, situada nas traseiras da Escola Secundária José Falcão, estará encerrada ao trânsito automóvel num período entre as 16horas e as 24horas do próximo dia 21, quinta-feira, durante as oito horas que prometem ser de festa e muita música.

O programa ainda é provisório – uma vez que poderá conhecer alterações a qualquer hora, sobretudo com a integração de mais algum participante –, no entanto, mais de duas dezenas de grupos irá actuar. Estão confirmadas as participações de um grupo de alunos do Jardim-Escola João de Deus, o Grupo de Flautas e Danças Regionais do Externato João XXIII, a Orquestra da Escola de Música do Colégio de S. Martinho, a Escola de Guitarra do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), a Escola de Dança Ritmo Latino, o Combo Jazz Sítio de Sons, a Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Coimbra, dirigida por Jacinto Neves, o Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra, com o maestro Paulo Bernardino, o Conjunto de Cordas do Conservatório de Música de Coimbra, com o maestro João Ventura, a Sociedade Filarmónica de Vila Nova de Anços, o Orfeon Académico de Coimbra, o Duo de Fagotes do Conservatório de Música de Coimbra, o grupo de rock-jazz Dérive, a Classe de Percussão do Conservatório de Música de Coimbra, o Ensemble de Saxofones do Conservatório de Música de Coimbra, o grupo de rock Cabra Cega, um recital de canto e piano do Conservatório de Música de Coimbra e a companhia Encerrado para Obras, com um espectáculo inteiramente dedicado à canção francesa.

No início dos anos 80 do século XX, os franceses decidiram dar forma a um evento a que chamaram Festa da Música. De então para cá, sobretudo a partir do Ano Europeu da Música, assinalado em 1985, o projecto cresceu e multiplicou-se um pouco por toda a Europa e países francófonos. Este projecto global faz com que no mesmo dia, à mesma hora, todo o mundo de língua francesa se una numa só que transcende todas as existentes, a música. Alain Didier, director da Alliance Française de Coimbra, sente-se feliz por trazer para Coimbra, pela segunda vez, este evento, que já se realiza há um quarto de século em França e que já tem a sua expressão em muitos países do mundo, dos quais consta agora Portugal, para festejar o solstício de verão, um São João antes da hora.

O vereador da cultura da Câmara de Coimbra Mário Nunes, também presente na conferência de imprensa que apresentou o programa, realça a importância cultural da Festa da Música, afirmando que “Coimbra deve-se sentir orgulhosa por estas iniciativas.”

A manifestação popular que se verificará na próxima quinta-feira é gratuita e está aberta a todos os cantores e músicos, amadores ou profissionais, que desejam actuar nesta festa e que é acessível, todos os anos, a milhões de pessoas. Mistura todos os géneros musicais e dirige-se a todos, tendo como objectivo popularizar a prática musical e familiarizar o público para todas as expressões musicais.

André Pereira
O Despertar

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Rex Bowling abre em Cantanhede

Cantanhede à distância de um strike

Após nove meses de “gestação”, o “Rex Bowling” foi inaugurado. A data escolhida foi o dia 5 de Junho. Este novo complexo desportivo está localizado no bairro de Santo António, junto aos estaleiros da Câmara Municipal de Cantanhede.

Tendo o bowling como actividade âncora, este espaço oferece um elevado manancial de actividades a todos os que o pretendam visitar. O público-alvo envolve toda a família, e tem uma área que abrange não só a região centro como todo o território nacional.

“Este complexo não é só para Cantanhede, mas para todo o país, e espero pôr a minha cidade na rota dos grandes acontecimentos”, refere Carlos Cantarinho, orgulhoso da obra que um dia sonhou executar e agora está praticamente concluída.

O maior complexo de bowling nacional ocupa uma área coberta de 2.000 metros quadrados, e possui dois parques de estacionamento para mais de 1.000 viaturas. Dividido em dois pisos, este espaço tem capacidade para cerca de 1.500 pessoas.

No piso superior, saltam à vista 10 pistas de bowling profissional com as medidas adequadas à realização de competições. Este compartimento inclui mesas de apoio para os jogadores e para o público, quatro ecrãs plasma e ainda um balcão exclusivo para os praticantes desta modalidade, onde podem adquirir o calçado apropriado.

Este espaço possui, ainda, um bar e um palco onde se pode proceder à realização de concertos com bandas da região e de todo o país.

As cores “quentes”, as palmeiras, as oliveiras e os balcões revestidos a palha transmitem um ambiente tropical e bastante acolhedor. Carlos Cantarinho revela que a intenção da decoração é de proporcionar um “ambiente relaxado”.

Ainda no primeiro piso, há espaço suficiente para dar um passo de dança, numa das pistas, acompanhado de uma música cantada em karaoke por um amigo. Se preferir, pode apreciar a música sentado numa das confortáveis cadeiras da esplanada.

Descendo alguns degraus, encontramos um espaço bastante amplo, com inúmeras actividades à disposição dos visitantes. Oito mesas de snooker, 10 computadores com ligação à Internet, jogos de setas, simuladores de jogos e uma pista de carros telecomandados animam este piso. Podemos ainda encontrar mesas de pingue-pongue, matraquilhos, quatro ecrãs plasma e um balcão em forma de pino de bowling. Para os mais pequenos, há também um local onde é possível brincar.

Na cerimónia de inauguração, Carlos Cantarinho mostrou-se bastante feliz com a “concretização de um sonho”, agradecendo a todos os que estiveram envolvidos directa ou indirectamente neste projecto, com especial atenção para o presidente da Câmara de Cantanhede. Na festa inaugural, estiveram ainda presentes empresários de bowling espanhóis e alemães.

Apesar do “forte investimento”, o ex-emigrante não se mostra arrependido. Antes pelo contrário. “Será um sucesso!”, assegura. “O Rex Bowling é um espaço válido para a região de Cantanhede e para todo o distrito de Coimbra”, conclui.

Para além do dinamismo que pretende trazer a esta região do país, Carlos Cantarinho sente-se feliz por ter criado 16 postos de trabalho.

Quanto ao horário de funcionamento, o “Rex Bowling” está aberto todos os dias, das 11h até às 4h. Porém, às sextas-feiras, sábados e domingos o horário de fecho altera para as 6h. Não são cobradas entradas e não há um consumo mínimo obrigatório.

Carlos Cantarinho pretende, desta forma, proporcionar bons momentos de diversão. Com apenas 18 anos, Carlos Cantarinho saiu de Cantanhede rumo à Suíça, em busca de melhores condições de vida. Hoje, com 39 anos, regressa à terra que o viu nascer para concretizar um sonho que foi cimentando enquanto esteve emigrado.

“É um regresso bastante feliz”, afirma com um brilho nos olhos. A pista está preparada, os dedos agarram a bola. Inicia-se, agora, a corrida na área de arremesso. Contrariando a nossa memória auditiva, colocamos os “feet on approach” e lançamos a bola pela pista… Agora, resta esperar por um strike.

André Pereira

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Por entre pulos e avanços

Uma criança colorida nas mãos do mundo

“É uma criança bonita de riso e natural. Limpa o nariz no braço direito, chapinha nas poças de água, colhe as flores e gosta delas e esquece-as. Atira pedras aos burros, rouba as frutas dos pomares e foge a chorar e a gritar dos cães.” O seu nome é Alberto e viaja lentamente pelos seus montes cerebrais, verdes de sonhos, brancos de pureza. Olha o infinito com as costas moldadas a uma macieira, roendo calmamente o fruto proibido que lhe permite saborear toda e qualquer paisagem como contempla o seu rebanho.

Hoje comemora-se o dia mundial da criança. Todos os desenhos animados ganham vida, os carros, as casas, os livros transformam-se em doces e até os adultos sorriem. O mundo hoje é dos pequeninos, das grandes vidas de palmo e meio que, por joelhos esfolados e lábios de chocolate, fazem acontecer a vida à sua própria maneira.

Hoje é dia de acordar de madrugada para ver os desenhos animados, dia de vestir o fato de super-herói e salvar uma cidade inteira, dia de chegar a casa a rir, a chorar de alegria! Dar um chuto numa bola, pedalar até ao infinito, cair num monte de areia, rebolar pelo jardim, andar de baloiço, subir a um escorrega, cantar, pentear uma boneca, construir aldeias de legos… É tempo de viver verdadeiramente, sem preocupações nem mentiras adultas. É tempo de encher um copo de nada, que é tudo! É tempo de fazer voar milhões de papelinhos de todas as cores com toda a inocência e ingenuidade que possamos encontrar dentro de nós.

Joana tem seis anos e gosta muito de ser criança. No entanto, há coisas que ela não compreende nos adultos. Mesmo assim, vive feliz na alegria que emana dos seus olhos azuis que, por vontade ou coincidência, têm a mesma cor do reflexo do mar.

A seu lado, brinca Simão. Um olhar meigo e dócil invade, sem aviso prévio, qualquer outro que não coloque trancas na porta. Mas assim é bom, é saudável, faz-nos sentir cada vez mais pequeninos e recordar aquela que um dia já fomos. Com oito anos, Simão vive enamorado com a sua consola de jogos portátil. As mãos sujas de terra dão lugar aos pequenos dedos que, numa eficácia hábil e imperceptível, constroem mundos dentro de uma pequena caixa de jogos.

O dia mundial da criança celebra-se anualmente no dia um de Junho. Após a Segunda Guerra Mundial, as crianças de todo o mundo enfrentavam imensas dificuldades, desde a deficiente alimentação à escassez de cuidados médicos. Para agravar, os pais tinham pouco dinheiro. Uma das soluções foi retirar os filhos da instrução escolar e fazer com que eles ajudassem em casa, trabalhando de sol a sol. Mais de metade das crianças europeias não sabia ler nem escrever.

Já em 1950, e perante esta situação de pobreza, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se comemorasse um dia dedicado a todas as crianças do mundo.

Dessa forma, os Estados Membros das Nações Unidas reuniram-se e propuseram o primeiro dia de Junho como Dia Mundial da Criança. Houve, assim, o reconhecimento de que as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho.

Em 1989 foi elaborada, pelas Nações Unidas, uma Convenção sobre os Direitos da Criança, que teve em consideração, entre outros elementos, o teor indicado na Declaração dos Direitos da Criança, adoptada em 20 de Novembro de 1959, pela Assembleia Geral desta Organização, que dizia que “a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais...”.

A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.” Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional.

O distrito de Coimbra comemora este dia de forma muito especial. Hoje, às 10h30 e 14h30, e com o apoio do Exploratório, Centro Ciência Viva de Coimbra, a companhia de teatro “Encerrado para Obras” apresenta no jardim do Exploratório (Casa Municipal da Cultura) a peça “Clones e Clowns”. A peça, criada por aquele grupo, ilustra uma temática extremamente actual e controversa – a clonagem – que se inscreve no tema dominante do novo Exploratório, “Ciências Básicas & Saúde”. A entrada é gratuita e destina-se a todos, crianças, jovens e adultos.

Por sua vez, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra celebra este dia através de actividades pedagógicas e lúdicas pensadas para os mais novos. O programa é diversificado e os vários ateliês são dirigidos a alunos do ensino pré-escolar e do 1º e 2º ciclo do ensino básico. Esta nova iniciativa pretende ser, segundo o Museu, “um instrumento de divulgação e interpretação de fenómenos científicos”, uma vez que aprender significa também recortar, pintar, desenhar, modelar e… brincar, numa palavra. É um pouco tudo isso que o Museu da Ciência propõe nos quatro ateliês temáticos que preparou para o Dia da Criança. Os meninos entre os quatro e os sete anos vão ficar a conhecer todas as características dos astros ao construir o “seu” sistema solar, com plasticina e outros materiais. E será que já sabem como o homem conquistou o ar e o espaço? Nada mais fácil com os OVIS (Objectos Voadores Identificados) do Museu: aviões a jacto, helicópteros e foguetões já não terão segredos para o jovem público, no fim da sessão de hoje.

Aos mais velhos (entre os sete e os 12 anos) serão propostos desafios ainda mais aliciantes, como descobrir quais as cores escondidas na tinta de um marcador, perceber o que compõe a luz branca ou saber como se acende uma lâmpada. As cores e a electricidade são dois fenómenos científicos de relevo que costumam suscitar a curiosidade das crianças.

Está na hora de ir deitar. Ouve-se, bem ao longe, uma música que cai do céu estrelado, flutuando no seu chapéu amarelo… O dia chega ao fim, e as palavras que saíram em cambalhotas pelas pontas dos meus dedos, transformam-se em leves bemóis que te sussurram ao ouvido: “Boa noite, sonhos lindos. Adeus, e até amanhã!”

A criança que pensa em fadas

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

Fernando Pessoa

André Pereira
O Despertar

terça-feira, 29 de maio de 2007

Instituto Miguel Torga no Parlamento Europeu

A convite do eurodeputado Fausto Correia, uma delegação da Licenciatura em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) deslocou-se a Bruxelas. Esta comitiva foi presidida por José Henrique Dias, presidente do Conselho Científico do ISMT e por Sansão Coelho, em representação dos docentes da licenciatura. Oito alunos do quarto ano e cinco do terceiro ano completaram a representação do ISMT.

A visita decorreu nos dias 16, 17 e 18 de Maio e inseriu-se na política há vários anos seguida pelo Parlamento Europeu, de aproximação dos cidadãos dos Estados-Membros às instituições europeias. Para além da visita ao Parlamento Europeu, que incluiu encontros com eurodeputados e demais responsáveis da instituição, a delegação do ISMT deslocou-se a Gent e Bruges.

Todos os membros da comitiva são peremptórios ao afirmar que a viagem não poderia ter corrido melhor. “Desde a parte logística, passando pela organização e pelo ambiente entre todos os membros da comitiva e desta para com todos os outros”, afirma Altino Pinto, um dos alunos que se deslocou ao país belga.

A presença de Fausto Correia foi um livro aberto para todos no que respeita aos assuntos relacionados com o Parlamento Europeu e com a Cultura Nacional/Europeia.

À chegada a Bruxelas, a comitiva vinda de Portugal, que incluía a delegação do ISMT mais outros convidados do eurodeputado, instalou-se na capital e, da parte da tarde, visitou o Parlamento. Acompanhado por um membro da equipa de Fausto Correia, o grupo português percorreu os corredores do centro político europeu, absorvendo inúmeras informações sobre a importância deste não só na Europa, como também no resto do mundo.

O Parlamento Europeu é o único órgão da União Europeia que resulta de eleições directas. Os 785 deputados que nele têm assento são representantes dos cidadãos, escolhidos de cinco em cinco anos pelos eleitores de todos os 27 Estados-Membros da União Europeia, em nome dos seus 492 milhões de cidadãos.

Este órgão desempenha um papel activo na redacção de actos legislativos que se reflectem no quotidiano dos cidadãos: desde medidas a nível da protecção do ambiente, dos direitos dos consumidores, da igualdade de oportunidades, dos transportes, bem como da livre circulação de trabalhadores, de capitais, de serviços e de mercadorias. O Parlamento dispõe igualmente de competências para, juntamente com o Conselho, aprovar o orçamento anual da União Europeia.

É no Parlamento Europeu que se discutem as medidas gerais para a construção de uma Europa unida, consistente e forte. O Parlamento é uma verdadeira tribuna internacional, na qual muitos dirigentes se vêm exprimir. Ao longo dos anos, foi-se tornando o intérprete das acções externas e internas da União, o que permite que os deputados e, por conseguinte, os cidadãos, participem na definição da sua visão política europeia.

Após a passagem pelo centro político europeu, no dia seguinte, Gent e Bruges foram as cidades visitadas. A magia e cariz histórico destas cidades embelezam qualquer olhar que as observa. Os vastos espaços verdes, incorporados em cinzentas massas de estradas e catedrais, são elementos constantes num país multicultural, dividido internamente, cada vez mais, pela língua. Este país, que faz fronteira terrestre com a Holanda, a Alemanha, o Luxemburgo e a França sofre bastantes influências culturais dos que o rodeiam. Desta forma, no norte do país (Região da Flandres) é predominante a utilização da língua holandesa, no sul (Região da Valónia) a língua francesa e numa zona do leste do país, a língua alemã. Esta heterogeneidade é fonte de inúmeros conflitos na Bélgica. Na Região da Flandres, por exemplo, há grupos que desejam deixar de serem belgas para pertencerem à Holanda.

À noite, a Grand-Place de Bruxelas envolve qualquer um num abraço imponente e carinhoso. “A praça mais bela do mundo”, segundo o escritor d’ “Os Miseráveis” Victor Hugo, é considerada Património Mundial da UNESCO desde o ano de 1998.

O terceiro dia foi de despedida. Todo o tempo foi pouco para descobrir mais sobre o país e sobre o funcionamento do Parlamento Europeu. No entanto, o conhecimento adquirido será, certamente, uma rampa de lançamento para uma maior integração na sociedade da qual fazemos parte.

André Pereira
O Despertar