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quarta-feira, 3 de junho de 2015

"A Rapariga no Comboio" (Paula Hawkins): Opinião [Topseller]

"The Girl on the train" fez furor em Inglaterra e nos EUA estando no top durante treze semanas consecutivas. Este burburinho em torno do livro da autora Paula Hawkins despertou a atenção da Topseller que no dia 5 de Junho terá nas livrarias "A Rapariga no Comboio". Numa iniciativa inédita em Portugal, a Topseller criou um exemplar de avanço fazendo chegar o livro, de forma antecipada, às mãos de alguns bloggers, entre eles o Refúgio dos Livros, pelo que já tive a oportunidade de ler este livro e agora partilho a minha opinião convosco. As críticas que foram sendo publicadas noutros blogues nacionais atiçaram ainda mais a curiosidade dos leitores sobre este livro levando a Topseller a antecipar a chegada do livro às livrarias do dia 8 para o dia 5. 

A curiosidade está instalada. Os admiradores de thrillers estão expectantes. Todos querem perceber qual a razão para tanto burburinho. Será que o livro é assim tão bom? E, se sim, porquê!

Pois bem, na minha opinião, há realmente motivo para este enorme entusiasmo em torno d' "A Rapariga no Comboio". Embora o emprego me roube muito tempo às leituras, a verdade é que este foi daqueles livros que me agarrou de forma tão automática que em poucos dias estava lido. Mais do que lido foi devorado. 

A autora Paula Hawkins traz até nós a história de Rachel e através desta personagem chegam-nos outras (Megan, Anna, Scott e Tom), cujas histórias se entrelaçam dando lugar a uma narrativa intensa. Todos os dias Rachel apanha o comboio. Todos os dias, nessa viagem de comboio, observa um casal. A esse casal atribui nomes e vidas e personalidades. Rachel cria uma percepção sobre aquele casal só pelo que observa de passagem na sua viagem de comboio. Até que um dia Rachel apercebe-se de algo errado com esse casal. Algo que viu de relance inquieta Rachel. Algo aconteceu. O leitor fica preso. E Rachel sente que tem que partilhar o que viu com a polícia. A partir desse momento tudo muda. 

Com a trama centrada num acontecimento em particular, que deixo que seja cada um dos leitores a descobrir por si próprio, vamos ser levados a uma narrativa feita a três vozes: Rachel, Megan e Anna. Cada uma destas personagens tem um impacto único no desenrolar da acção e a autora Paula Hawkins, através da sua escrita directa e forte, dá-nos a conhecer a personalidade de cada uma das destas mulheres: as suas fragilidades e forças, os seus passados e tormentos pessoais e as suas relações. 

E é também através da sua escrita e criatividade que a autora nos lança numa narrativa onde realidade e ilusão se confundem por vezes levando o leitor a questionar o que é verdade e o que é mentira. Será que conhecemos efectivamente cada uma das personagens? Será que não estamos a julgar uma personagem de forma errada? Será que a nossa percepção positiva sobre determinada personagem não está afinal errada?

É este não saber o que se passou realmente e quem é quem que faz com que a leitura adquira um carácter impulsivo e inquietante. A incerteza do desenrolar da trama faz com que o leitor se agarre às páginas de maneira compulsiva na ânsia de deslindar uma acção que se faz de vários fios. 

O facto d' "A Rapariga no Comboio" se centrar nas várias personagens, nas suas vidas, nos seus passados, nas suas personalidades e nos seus comportamentos, aliado à incerteza e inquietude que envolve toda a narrativa, faz com que o leitor se depare com um thriller com nuances psicológicas muito acentuadas, o que por si só atrai de forma intensa. Ao mesmo tempo, a maneira como a autora introduz na narrativa temas tão reais e presentes como o adultério, a maternidade e o alcoolismo faz com que as personagens ganhem uma dimensão humana muito forte, muito embora Paula Hawkins traga até nós, simultaneamente, personagens cheias de imperfeições onde, por vezes, sobressaem traços de insanidade e maldade.

Em suma, "A Rapariga no Comboio" vive das suas personagens que suscitam no leitor reacções diversas graças à forma como Paula Hawkins as traz até nós, todas elas cheias de sofrimento, com experiências de vida marcantes e ânsias de alcançar a felicidade e superar as suas adversidades pessoais. Este sim é daqueles thrillers que fará o leitor olhar para a realidade de uma forma diferente. A narrativa feita por três mulheres, os acontecimentos inesperados, as personalidades reveladas, a intensidade psicológica e a maneira como a vida de Rachel, Megan e Anna se relacionam de forma tão inteligente, fazem d' "A Rapariga no Comboio" um livro a não perder e de Paula Hawkins uma autora a seguir!

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


segunda-feira, 26 de maio de 2014

"A Mulher Silenciosa" (A.S.A. Harrison): OPINIÃO!

"A Mulher Silenciosa" de A.S.A. Harrison tem daquelas sinopses que atrai de forma quase automática aqueles leitores que apreciam thrillers psicológicos e eu não sou excepção. Gostei da capa e da sinopse e os meus sensores de curiosidade ficaram logo em estado de alerta.

Entrei na leitura com expectativas elevadas e a narrativa foi-me envolvendo de forma gradual com um crescendo de intensidade, ao mesmo tempo que a história provocava em mim uma sensação de estranheza: algo na relação do casal Jodi e Todd me agarrou e me lançou numa leitura ansiosa.

Cheguei a pensar que o reduzido número de diálogos iria ser um ponto negativo a apontar a este livro, mas a verdade é que a narrativa tão imbuída de uma envolvência psicológica tão vincada acaba por aprisionar o leitor. 

A narrativa d' "A Mulher Silenciosa" da autora A.S.A. Harrison é-nos apresentada através de capítulos "Ela" (na voz de Jodi) e "Ele" (na voz de Todd) o que acaba por dar ao leitor a visão que cada um dos personagens tem sobre a sua relação, os seus laços, os seus sentimentos, as suas formas de estar enquanto casal e os seus anseios. Através destes capítulos vamos conhecendo Jodi, uma mulher que está em união de facto com Todd há mais de vinte anos e que é psicóloga de profissão. Na voz de Jodi encontramos uma mulher que sabe das traições do marido, mas que não o confronta e que mantém as suas rotinas conjugais para agradar o marido. E na voz de Todd conhecemos um empresário de sucesso, um homem que gosta de conquistar, um marido infiel que apesar de tudo reconhece as inúmeras qualidades da sua companheira Jodi e que aprecia o regresso ao seu lar tranquilo onde o espera uma Jodi que não o questiona nem o confronta.

A dinâmica relacional entre este casal inquietou-me por vezes ao assistir à passividade e ao silêncio de Jodi e à incapacidade de Todd ser fiel. 

Aos poucos vamo-nos envolvendo na leitura e começamos a deparar-nos com uma narrativa plena de psicologia onde as personagens vão ganhando profundidade à medida que vamos conhecendo os seus passados, como eram em crianças e em que ambientes familiares cresceram. Muitas foram as vezes em que vi Jodi a comportar-se tal como a sua mãe se comportava no passado enquanto Jodi era criança e Todd a trazer até si formas de estar iguais às do seu pai. A forma como a autora traz aos protagonistas os traços e dinâmicas relacionais dos seus progenitores é brilhante, colocando o leitor perante a certeza de que um modelo familiar disfuncional tem impacto nas relações que estabelecemos enquanto adultos.

A escrita da autora A.S.A. Harrison é densa e madura e "A Mulher Silenciosa" é daqueles livros que exige uma leitura mais atenta para se conseguir absorver o enredo e todas as nuances implícitas de forma plena. A autora atira-nos para uma leitura onde a disfuncionalidade quase toca os limites da loucura quando Jodi descobre que Todd engravidou a filha do seu melhor amigo e deixa o lar de uma vida para se casar com esta rapariga.

É só mais na parte final d' "A Mulher Silenciosa" que o livro ganha uma ligeira vertente policial. Não obstante, "A Mulher Silenciosa" de A.S.A. Harrison é um livro a não perder. Não se tratando, a meu ver, de um thriller psicológico no sentido tradicional do termo, considero-o sim um livro sobre relações, conflitos, quase como se se tratasse de um romance psicológico onde sobressaem os laços afectivos, as dinâmicas estabelecidas, ao mesmo tempo que somos brindados com uma envolvência psicológica intensa e uma dose equilibrada de suspense. "A Mulher Silenciosa" é também ele um livro sobre passado, segredos e o seu peso no nosso presente e nos nossos comportamentos.

A autora A.S.A. Harrison faleceu em 2013 deixando o seu segundo livro inacabado, mas em "A Mulher Silenciosa" presenteia-nos com um livro de estreia inquietante, profundo e envolvente.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
«Para mais informações sobre o livro A Mulher Silenciosa, clique aqui.»


sexta-feira, 12 de julho de 2013

"No Canto Mais Escuro" (Elizabeth Haynes): OPINIÃO!

"No Canto Mais Escuro" da autora Elizabeth Haynes tem daquelas sinopses que a meu ver cativam automaticamente, sobretudo aqueles leitores que apreciem thrillers psicológicos repletos de tensão. Só que quando entramos nas páginas de "No Canto Mais Escuro" somos confrontados com uma tão forte carga dramática e com uma tão acentuada aura de tensão que ficamos abalados, tentando recuperar o equilíbrio, ao mesmo tempo que nos esforçamos para manter o pé no chão e não nos deixarmos afectar pela intensidade do livro.

Assim que me envolvi nas primeiras páginas de "No Canto Mais Escuro" as primeiras palavras que vieram à minha mente para classificar este livro foram: perturbador e inquietante e esta sensação foi adensando-se mais e mais ao longo da leitura, fazendo-me encolher e temer o que viria a seguir.

Numa narrativa que alterna entre o passado e o presente, vamos ficar a conhecer Catherine Bailley, uma jovem gestora de recursos humanos que no passado se envolveu com Lee Brightman, um homem possessivo, dominador e, acima de tudo, doentio, ao mesmo tempo, que vamos tendo vislumbres do presente de Catherine: o impacto que esta relação passada doentia teve em si, nomeadamente, no que toca ao seu estado psicológico.

Quando somos remetidos para o passado assistimos à fase da conquista, do enamoramento e à construção de uma relação de namoro onde pequenos gestos que inicialmente são interpretados como "ele gosta mesmo de mim pois quer-me só para ele" e "oh ele deve gostar mesmo de mim para ter ciúmes" se vão transformando em possessividade e vão minando a auto-estima de Catherine, levando-a a ver-se aprisionada numa relação que sabe errada e doente, mas da qual não se consegue libertar. 

Assim, "No Canto Mais Escuro" remete-nos para uma dinâmica relacional repleta de loucura, domínio, perversidade e violência, relação essa que acaba por transformar a feliz e independente Catherine numa jovem com a auto-estima destruída que no presente vive cheia de medo, medo esse que a leva a realizar constantemente um conjunto de rituais de verificação com o objectivo de diminuir a sua ansiedade e sentir-se mais segura, sendo que a forma como a autora Elizabeth Haynes elabora o retrato do transtorno obsessivo-compulsivo e o seu impacto na vida de Catherine confere uma riqueza acrescida à narrativa.

A autora Elizabeth Haynes cria um enredo tão real que chega a arrepiar pela sua veracidade, porque de uma forma ou de outra todos nós já experienciamos algum tipo de controlo ou sabemos de relações próximas que se revestem de posse e abuso. 

O jogo psicológico que Lee desenvolve, de forma arquitectada, inteligente, sem deixar pistas, fazendo com que Catherine seja considerada louca, manipulando os seus amigos e roubando-lhe a sua rede de apoio são de um realismo que chega a ser perturbador.

"O facto de ainda estar apaixonada por ele, pelo lado gentil e vulnerável que ainda existia algures dentro dele, era apenas uma parte da explicação: havia também o medo terrível do que ele poderia fazer se eu tomasse alguma atitude que o provocasse. Já não se tratava de me ir embora. Tratava-se de fugir. Era questão de fugir". 

Esta perversidade de uma pessoa se ver envolvida numa relação onde a sua auto-estima foi tão minada e alterada que a leva ao ponto de se culpar pelas reacções coléricas do parceiro, pensando "se eu não lhe tivesse dito aquilo ou daquela forma, ele não se teria aborrecido" deixam o leitor a arder de raiva, tentando por um lado perceber que a ausência de um atitude, de um ponto de final na relação se deve à auto-estima destruída, mas por outro não conseguindo entender como alguém se mantém numa relação desse tipo.

"No Canto Mais Escuro" é sem dúvida uma narrativa que suscita as mais variadas reacções no leitor e, embora leitores mais susceptíveis possam sentir dificuldade em avançar na leitura por causa do grau de tensão dramática e manipulação psicológica, a verdade é que a mim esta narrativa me agarrou desde a primeira página. 

Narrativas com carga psicológica fascinam-me enquanto leitora, visto a Psicologia ser a minha área de formação académica e, como tal, "No Canto Mais Escuro" para mim afigura-se como uma narrativa com uma envolvência extraordinária, onde as relações, as dinâmicas e os comportamentos carregam o livro de uma riqueza soberba. 

A possibilidade de assistir ao passado, à transformação de uma pessoa e da sua personalidade em resultado de uma relação emocional e de ver a sua evolução no presente, a forma de se relacionar com novas pessoas, a dificuldade em confiar, a luta com o transtorno obsessivo-compulsivo e o tratamento enviam sem quaisquer reservas "No Canto Mais Escuro" para a minha lista de livros preferidos de 2013. 

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente Fantástico!

Mais informações consulte o site da Presença aqui.
Para mais informações sobre o livro "No Canto Mais Escuro" clique aqui.



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

"Continua Desaparecida": (Chevy Stevens): OPINIÃO!

Quando começa a haver muito burburinho, muita conversa, muita troca de elogios à volta de determinado livro isso costuma ser sinal de que o livro é realmente bom e que promete!

Quando comecei a ler críticas super entuasiasmadas sobre este livro e toda a gente que o lia concordava e elogiava fiquei com a pulga atrás da orelha e, como é óbvio, não descansei até conseguir arranjar o livro e lê-lo!

Embora o livro se encontre classificado como "Romance" no site da Wook, ao lermos a sinopse apercebemo-nos facilmente que este livro de romântico não tem nada e, sendo assim, só puderia concordar com o que a autora Karin Slaughter diz sobre o mesmo na capa:

"Um thriller extraordinário. Deixa-nos hipnotizados desde a primeira página."

Ora bem, depois de concluída a leitura deste livro tenho de referir que classificá-lo como thriller é o mais correcto.

Em "Continua Desaparecida" da autora Chevy Stevens vamos conhecer a história de Annie de 32 anos que um dia foi raptada e viveu 1 ano em cativeiro sobre a alçada de um "tarado" como ela própria o chama.

Num livro em que cada capítulo é uma sessão de terapia com uma psiquiatra, Annie leva-nos a conhecer, a viver, a sentir, a sofrer, a encolher de horror, a suspirar e até a ficar triste porque, em discurso directo, conta à sua psiquiatra e a nós leitores, os horrores que viveu enquanto foi prisioneira de um homem (se é que o podemos chamar de homem) cruel.

Esta viagem por aquilo que foi a vida de Annie durante e após o seu rapto é simplesmente tortuosa e irreal.

Num livro que intercala de forma sublime o relato de Annie sobre o seu ano como prisioneira e a forma como encara a vida e se relaciona após a sua fuga, vamos sentir um ódio profundo por um psicopata que, sem razões aparentes, decide raptar uma jovem mulher e destruir a sua vida, a sua alma, o seu corpo, a sua mente para sempre.

A forma vívida e objectiva como Annie relata a sua experiência deixa qualquer leitor profundamente incomodado e tocado. O sofrimento a que Annie foi sujeita pelo "tarado" (aquele que a raptou) é de uma dureza irreal.

A forma como Annie teve de adaptar o seu comportamento enquanto esteve em cativeiro, a violência física, emocional e psicológica a que foi submetida deixou-me a mim inquieta ao perceber que, na vida real, situações destas acontecem efectivamente. As sequelas que ficam com Annie são de uma profundidade enorme e aquilo que ela vai contando à sua psiquiatra faz o leitor sentir uma enorme compaixão e vontade de mimar esta personagem.

A maneira como a autora conseguiu, por sua vez, criar e desenvolver a personagem deste "tarado psicopata" é de louvar: conseguiu dar vida a uma personagem que, embora cruel, é também totalmente credível e sendo eu licenciada em Psicologia e tendo os conhecimentos da área, sei que existem efectivamente pessoas com estes traços de personalidade de crueldade e maldavez, embora não se vejam como pessoas más, sentindo que o seu comportamento é natural - dentro da sua mentalidade distorcida conseguem percepcionar os seus actos e comportamentos como dentro dos parâmetros normais.

E, além de tudo isto, a autora dá-nos um final de livro que é de cair o queixo: quando percebemos porque aconteceu este rapto, as razões do rapto, ficamos boquiabertos e eu pelo menos fiquei simplesmente chocada!

Tal como diz na contracapa é: "um livro visceral, chocante e maravilhosamente narrado".

Quem ainda não o leu apenas digo uma coisa: leiam e depois digam-me o que acharam!

P.S. Só acrescento mais um apontamento: considero que o título deste livro foi maravilhosamente escolhido. Afinal, quem é submetida a uma experiência destas nunca mais achará o seu "Eu" antigo: quem vive o que Annie viveu muda de personalidade para sempre. O "Eu" anterior deixa de existir e daí achar que a divisão dos capítulos por sessões terapêuticas foi genial: em cada sessão, a Annie que "Continua desaparecida" vai, passo a passo, tentar encontrar-se de novo e renascer.

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente Fantástico!