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domingo, 2 de novembro de 2014

"O Pintassilgo" (Donna Tartt): OPINIÃO!

À primeira vista, "O Pintassilgo" de Donna Tartt pode intimidar pelo seu elevado número de páginas e ao espreitarmos as páginas, antes de começarmos efectivamente a ler, podemos ficar assoberbados ao ver um texto tão denso, mas a verdade é que quando entramos na leitura constatamos que a escrita da autora possui uma simplicidade inesperada aliada, de forma magistral, a uma narrativa profunda, marcada pela sua carga dramática que prende o leitor a cada linha.

Vencedor do Prémio Pullitzer 2014, "O Pintassilgo" não reúne o consenso por parte da crítica, mas a meu ver, os grandes livros provocam sempre reacções díspares e cada leitor retirará as suas reflexões próprias e significados consoante as suas vivências e capacidade de abertura a este livro tão intenso e único.

Aos treze anos, Theodore Decker perde a sua mãe num atentado à bomba no Metropolitan Museum. Theo é um dos poucos sobreviventes. Agora aos vinte e sete anos sonha pela primeira vez com a sua mãe. Assim, começa a narrativa no presente e, através de um flashback, regressamos àquele momento que mudaria para sempre a vida de Theo: a morte da sua mãe. As descrições deste acontecimento são tão intensas e detalhadas que o leitor fica imediatamente preso à narrativa, narrativa essa que é feita pela própria voz de Theo o que faz com que o leitor se torne muito próximo deste menino/homem que se, por um lado, nos toca por causa das vivências tão traumáticas e irreversíveis que experimenta em tenra idade, por outro, nos suscita reacções adversas pelos caminhos sinuosos que escolhe seguir.

Embora o título do livro seja "O Pintassilgo", a verdade é que esta obra de arte do pintor Fabritius, do século XVII, é um elemento periférico na narrativa, sendo que esta se centra fundamentalmente na vida de Theo e é com beleza e humanidade que Donna Tartt nos mostra o crescimento de Theo. O leitor acompanha cada fase da sua vida desde a infância, passando pela adolescência até à idade adulta, sendo que a autora coloca a nu, de forma única, as fragilidades e vivências próprias de cada uma destas etapas.

É inquestionável que a morte da mãe marca Theo profundamente alterando o seu percurso de vida de forma inequívoca. Theo perde a mãe e vai viver para casa dos pais de um amigo seu. O seu mundo mudou repentinamente. O seu pai tinha-os abandonado pouco antes deste acontecimento trágico pelo que Theo não sabe do seu paradeiro. A viver com esta nova "família" em regime temporário, Theo cria laços e fomenta novas relações. Até que algo novo acontece. E a vida de Theo muda de novo. Neste cenário é impensável não sentir a crítica implícita aos serviços sociais e aos seus procedimentos. A prioridade é sempre que a criança/adolescente fique com alguém da sua família biológica. Mas a verdade é que a família biológica nem sempre é garantia das melhores condições emocionais para se crescer e isso ficará bem visível com o desenrolar da narrativa. Theo é mais uma vez "desenraizado" e tem de aprender a se readaptar a uma nova realidade.

O sentimento de perda, a vivência do luto pela perda da mãe e o sentimento de culpa atingem o leitor provocando-lhe emoções que ficam consigo ao longo das páginas. Theo não é o herói comum que tão presente está em inúmeras outras narrativas, mas sim um ser humano que se reveste de nuances que lhe conferem uma complexidade e profundidade únicas e intensamente credíveis.

Donna Tartt elabora um enredo onde a capacidade de adaptação de Theo é posta à prova de forma constante e é numa das novas etapas da sua vida que surge Boris, um novo amigo, que oferece à narrativa momentos de humor, no que concerne à experiência traumática que Theo viveu em consequência da morte da sua mãe, o que leva o leitor a uma reflexão.

E a verdade é que a extensão e a densidade da trama em nada interfere no ritmo da leitura, sendo que "O Pintassilgo" se revela um livro cativante levando o leitor num folhear de páginas célere e vibrante.

Ainda que sejam feitas considerações subtis sobre o mundo da arte, a verdade é que este livro se centra na vida de Theo, mas há que reflectir que "O Pintassilgo", obra tão apreciada pela mãe de Theo, acaba por ter um significado único como se este quadro fosse o elemento que o mantém ligado a ela.

Em suma, esta narrativa encerra em si uma unicidade própria dos livros que perduram indefinidamente no espírito do leitor. E, finda a leitura, o amadurecimento da narrativa na mente e coração do leitor, permitem-lhe retirar novos significados mesmo depois do livro se ter fechado e guardado na estante. Além disso, "O Pintassilgo" possui a extraordinária capacidade de provocar, simultaneamente, emoções e reflexões pertinentes sobre a perda, o crescimento e a necessidade de nos adaptarmos face às circunstâncias da vida.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
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quarta-feira, 14 de maio de 2014

"Tea-Bag - O Sorriso da Esperança" (Henning Mankell): OPINIÃO!

Henning Mankell é um autor multifacetado que tanto explora o género policial como se aventura pelas linhas do romance e a verdade é que muitos são aqueles que apreciam os seus policiais. Não obstante, Henning Mankell começa a conquistar fãs também nos seus romances. Estreei-me neste autor lendo precisamente um policial "O Homem de Pequim" e depois fiquei a conhecê-lo num registo totalmente diferente em "Sapatos Italianos" e confesso que apreciei a escrita nas duas narrativas apesar de se tratar de géneros literários distintos. 

Agora com "Tea-Bag - O Sorriso da Esperança" voltei a reencontrar o autor no género de romance, sendo que deste vez Henning Mankell se envolve nos meandros da imigração ilegal dando-nos a conhecer pessoas que, na tentativa de fuga da miséria e opressão, se aventuram num caminho para chegar até à Suécia.

O autor traz até ao leitor esta problemática através de três personagens femininas que acabam por entrar na narrativa quando conhecem um poeta em crise e em busca de um novo projecto de escrita - Jesper Humlin. 

Inicialmente, Henning Mankell traça em pinceladas seguras e reais, o estado caótico em que se encontra a vida de Jesper, tanto pessoal como profissionalmente. O leitor depara-se com um poeta cujo editor quer transformar em escritor de policiais para assim aumentar a venda de exemplares, com um poeta que se debate com uma companheira que quer ter filhos e que lhe faz um ultimato, com um poeta que vive a angústia de ter um escritor amigo que lhe fez concorrência, com um poeta que se vê a braços com uma mãe deveras peculiar e com um poeta que ainda se tem de preocupar com o seu corrector de bolsa que parece tudo menos preocupado com o seu cliente. 

Em traços gerais, o leitor fica imediatamente a par da vida de Jesper Humlin e é quando este se cruza com Tea Bag e fica fascinado com o seu sorriso que se começa a adivinhar um desenrolar para a narrativa que, embora muitas vezes marcada por diálogos plenos de humor, também se reveste de uma consciência social vincada quando nos dá a conhecer os anseios destas imigrantes que se arriscam na busca de uma vida melhor na Suécia, que levam no seu coração um sonho de liberdade que muitas vezes não se concretiza. 

Henning Mankell coloca a nu o que é viver na clandestinidade. O que é procurar a liberdade sem se ser realmente livre. Um sonho ensombrado pela ilegalidade que torna esta nova vida invisível e marcada pelo medo de se ser descoberto e enviado de novo para o país de origem donde se fugiu.

Ao longo da narrativa e a par da temática envolvente, o autor coloca-nos perante personagens que suscitam reacções no leitor. Se por um lado, podemos considerar o poeta Jesper Humlin um pouco irritante e inseguro, não marcando inicialmente, de forma forte a sua presença, a verdade é que por outro, este personagem masculino mais subtil dá espaço para que as três personagens femininas centrais ganhem relevo e contem as suas histórias e vivências, ao mesmo tempo que Jesper Humlin vai conseguindo crescer ao longo da narrativa.

Assim, em "Tea-Bag - O Sorriso da Esperança", o autor Henning Mankell coloca-nos perante um tema que nem sempre é explorado na literatura e simultaneamente, consegue dar voz aos imigrantes ilegais, aos seus anseios, aos seus sonhos, aos seus medos, aos seus passados e às suas experiências únicas, sendo que a narrativa acaba por tornar claro o futuro incerto das muitas pessoas que se aventuram na clandestinidade.

Em suma, Henning Mankell brinda o seu leitor com um romance sério, onde os momentos de humor tornam o ambiente mais leve sem deixar de suscitar reflexões deveras pertinentes e íntimas.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

"Uma Morte Súbita" (J. K. Rowling): OPINIÃO!

Eu devo pertencer àquele pequeno grupo que nunca leu J. K. Rowling. Sim, eu vi alguns filmes da Série Harry Potter mas uma coisa é ver os filmes e outra é entrar em contacto com a escrita da autora.

Por isso parti para a leitura de "Uma Morte Súbita" não só com expectativa, mas também com uma mente aberta por não ter outros livros como ponto de comparação o que considero uma vantagem.

Sendo "Uma Morte Súbita" o primeiro romance para adultos da autora iniciei esta leitura com curiosidade.

A sinopse deixa qualquer leitor com expectativa não sendo eu excepção e assim que iniciei a leitura apercebi-me que a escrita da autora me cativava.

J. K. Rowling dá-nos a conhecer Pagford, uma comunidade inglesa que fica abalada com a morte repentina de Barry Fairbrother, membro da Assembleia Comunitária. 

Este acontecimento inesperado abala Pagford e dá início a uma acção repleta de conflitos e tensões.

Através de uma escrita directa, sem floreados e por vezes dura, a autora leva-nos a conhecer várias personagens complexas e marcantes.

Mais do que um livro repleto de acção capaz de arrancar exclamações de espanto ao leitor, este é um romance onde a sua riqueza reside nas personagens, nos seus segredos, nos seus medos, nos seus mundos interiores, nos seus comportamentos e nas suas relações.

Com brilhantismo a autora J. K. Rowling traça a realidade de uma comunidade onde todos se conhecem e onde todos escondem algo.

A forma como a autora nos transporta para Pagford através das suas personagens faz com que o leitor empatize com certos habitantes e antipatize com outros, ao mesmo tempo que vivencia, de forma realista, a maledicência e a mentalidade tacanha característica de uma comunidade muito centrada e fechada sobre si.

A morte de Barry Fairbrother despoleta guerras em torno do lugar que ocupava e que ficou vago na Assembleia Comunitária, sendo que este acontecimento leva o leitor numa espiral de conflitos.

Em "Uma Morte Súbita", a autora J. K. Rowling brinda-nos com uma narrativa marcada pelos conflitos e tensões entre casais, famílias, pais e filhos e vizinhos.

"Uma Morte Súbita" é um romance carregado de temas intensos que conferem ao livro uma riqueza incrível. A autora J. K. Rowling leva-nos a viajar por problemáticas como a droga, o adultério, o bullying, os conflitos conjugais, as dinâmicas entre pais e filhos, ao mesmo tempo que nos contempla com temáticas como a amizade, a sexualidade, a adolescência, a pressão familiar e a gestão de expectativas.

A narrativa da autora J. K. Rowling cativa e prende pela riqueza ao nível comportamental das suas personagens e pelas temáticas, problemáticas e dinâmicas relacionais conflituosas e distorcidas abordadas, ao passo que a escrita fria, um pouco negra, directa e com laivos de humor surpreende o leitor.

Para mim que nunca tinha lido J. K. Rowling foi uma estreia em grande que superou as minhas expectativas e me deixou com vontade de ler próximos livros que a autora escreva.

A meu ver "Uma Morte Súbita" é uma aposta da Editorial Presença mais do que bem sucedida que não deixará os fãs de J. K. Rowling indiferentes!

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


terça-feira, 4 de setembro de 2012

"A Luz Entre Oceanos" (M. L. Stedman): OPINIÃO!

"A Luz Entre Oceanos" é um livro tocante, emocional, perturbador e doloroso e, como tal, é um livro que merece ser sentido, pensado, reflectido e saboreado.

"A Luz Ente Oceanos" revela-nos a história de Tom Sherbourne: um homem perturbado pelas vivências que o acompanham desde a Primeira Guerra Mundial - um homem que por ter vivido os horrores daquele período negro da História trava as suas próprias guerras interiores.

Apesar deste background de Tom, "A Luz Entre Oceanos" traz-nos uma história para além disso: conta-nos a história de Tom e Isabel que se conhecem e apaixonam.

Tom é convidado a trabalhar como faroleiro na costa oeste australiana e tendo-se habituado ao isolamento vê a sua vida mudar quando conhece Isabel e após casamento ela vai viver com ele.

"A Luz Entre Oceanos" remete-nos, na sua essência, para a história de um casal que deseja ter filhos e mostra-nos o retrato emocionante de um casal que não conseguindo concretizar este sonho vai ficando gradual e profundamente marcado por sucessivas perdas até que um dia um barco dá à costa e nesse barco encontram um homem já morto e um bebé ainda viva.

Os instintos maternais de Isabel dão logo sinal e esta decide ficar com a bebé assumindo que o homem morto no barco era o pai da bebé e que a mãe teria caído do barco ao mar e perdido também ela a vida.

É a partir desta decisão que, enquanto Isabel se afeiçoa cada vez mais pela bebé que decidiu chamar de Lucy (nome que significa Luz), Tom se debate se terão tomado a decisão correcta. Tom debate-se com uma questão interior essencial: e se em algum lado a mãe da bebé está viva e sofre em angústia?

"A Luz Entre Oceanos" toca o leitor de uma forma intensa ao apresentar-nos a história de uma mulher marcada por perdas que vê nesta bebé aparecida no barco a oportunidade de finalmente ser mãe.

Só que o leitor não pode deixar de se questionar sobre se a dor desta mulher que não pode ter filhos se pode sobrepôr à responsabilidade de dar conhecimento do aparecimento desta criança caso a sua mãe biológica ainda esteja viva e à sua procura.

"A Luz Entre Ocenaos" dá-nos a conhecer o amor profundo e incondicional de Isabel por Lucy e encanta-nos pela ternura que se estabelece entre esta mãe do coração e esta criança que veio trazer a luz à vida de Isabel e Tom.

Contudo e, com o avançar da história, este livro coloca-nos perante um dilema bem acentuado, dilema esse que faz com que o coração do leitor balance entre o que é certo e o que é errado.

A autora M. L. Stedman brinda-nos com uma história carregada de vivências, ao mesmo tempo que nos oferece uma escrita cheia de sentimento e uma narrativa vincadamente emocional.

Nenhum leitor que se aventure a ler "A Luz Entre Oceanos" conseguirá ficar indiferente.

Os dilemas que preenchem esta história têm uma fronteira muito ténue entre o bem e o mal fazendo com que o leitor viva uma experiência de leitura marcada pela dicotomia: emoção/razão.

A autora M. L . Stedman mostra-nos uma capacidade estonteante no que diz respeito a conquistar o leitor e a deixá-lo em profunda reflexão muito após o término da leitura.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


domingo, 12 de fevereiro de 2012

"Não fomos nós dois" (Tiago Gonçalves): OPINIÃO!

"O desespero de Júlio empurra-o para Mafalda, uma jovem mas experiente terapeuta habituada a lidar com inquietos desenquadrados sociais. A relação entre eles flui com a natural química de um aparente jogo predestinado, mas as suas convicções são tão diferentes como as suas personalidades." (sinopse)

Este não foi o primeiro livro do autor Tiago Gonçalces que li. Já o tinha feito com "
De uma só sorte".

Em "Não fomos nós dois", o autor remete o seu leitor para um universo centrado em duas personagens, do meu ponto de vista, cativantes.

Júlio: um homem desesperado que tem uma visão muito particular e negativa da vida. Mafalda: a psicóloga que irá ajudar Júlio a alcançar respostas para as suas questões e inquietações.

É um livro que levanta reflexões interessantes e perspicazes e que, simultaneamente, nos leva para o mundo interior destas duas personagens.

Sendo cada capítulo dedicado alternadamente a Júlio e a Mafalda a leitura torna-se cativante pois permite-nos compreender os mundos interiores de cada uma das personagens, em momentos simultâneos da história. Por outras palavras, conhecemos Júlio num capítulo na relação que estabelece com Mafalda no espaço terapêutico e, logo de seguida, no capítulo seguinte, acompanhamos as reflexões de Mafalda sobre esse mesmo momento.

Ao ler este livro senti que houve uma evolução na escrita do autor Tiago Gonçalves e, embora seja um livro com poucas páginas, é um livro cheio de conteúdo que deixa o leitor com questões e reflexões.

CLASSIFICAÇÃO:
5. Muito Bom!




domingo, 1 de janeiro de 2012

"Lotaria" (Patricia Wood): OPINIÃO!

"Lotaria" é o livro de estreia da autora Patrícia Wood e finda a sua leitura eu só posso dizer: que bela maneira para uma autora se estrear no mundo da Literatura!

"Lotaria" conta-nos a história de Perry - um menino com um QI de 76 - apenas um ponto acima daquilo que a ciência convencionou considerar limitação cognitiva. E perguntam vocês: mas o que é que isso tem de tão fascinante?

Eu passo a explicar: este livro é fascinante porque Perry viveu com a avó desde pequeno e esta avó foi extraordinária! Dotada de uma sabedoria cativante, a avó de Perry não deu importância a este valor de QI e ensinou a Perry que ele era apenas um pouco mais lento que os outros. Além deste ensinamento, a avó de Perry transmitiu-lhe tantos outros que o guiaram à medida que foi crescendo.

Ao contrário de muitos outros que automaticamente olhavam para as limitações cognitivas de Perry, a sua avó deu-lhe todo o amor e toda a estrutura para Perry se tornar num adulto completamente autónomo e funcional. Mas mais do que isso, a avó de Perry deu-lhe as ferramentas necessárias para ele saber pensar por ele próprio e para saber compreender as segundas intenções dos outros e em quem deveria confiar.

Quando Perry perde a sua avó, vai ser o seu grupo de amigos de longa data que o vai acarinhar e auxiliar durante a sua vida e a sua aventura: é que Perry ganha a lotaria e, instantaneamente, surgem inúmeros familiares interessados no seu dinheiro.

Mas Perry não é "burro" nenhum como os seus irmãos-primos pensam. Estes julgavam que ia ser fácil ficar com o dinheiro de Perry mas este surpreende todos quando mostra que sabe bem em quem pode confiar. E, acima de tudo, Perry demonstra uma capacidade fascinante para avaliar a real importância que o dinheiro tem na vida dos seres humanos.

Poderíamos pensar que Perry, ao ficar rico, iria gastar rios de dinheiro em compras e aquisições supérfulas, mas uma vez mais Perry surpreende-nos: ele apenas quer pequenas coisas e esta forma de ser de Perry é o que nos conquista desde a primeira página do livro.

Para mim "Lotaria" é um livro cheio de ternura, esperança e, sobretudo, um livro repleto de ensinamentos preciosos. A avó de Perry e o próprio Perry são duas personagens que me tocaram profundamente. O facto de ter lido este livrinho nesta época natalícia aqueceu-me o coração.

"Lotaria" é um livro cheio de ensinamentos, com uma escrita suave e fluída e personagens que nos conquistam à primeira vista. Um livro que entrou automaticamente no meu "Top 15" por tudo que me transmitiu e ensinou.

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente fantástico!





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E saber mais sobre este livro aqui!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Darling Jim" (Christian Mork): OPINIÃO!

Tive oportunidade de ler "Darling Jim" graças a um convite da Editorial Presença para participar numa iniciativa inédita de Leitura Conjunta/Diário de Leitura no facebook e a quem agradeço desde já a oportunidade.

Assim que li a sinopse de "Darling Jim" do autor Christian Mork fiquei curiosa. Pensei cá para mim: "o que sairá deste livro?"

Entrei na história de mansinho e fui logo confrontada com a descoberta de 3 cadáveres numa casa: a Tia Moira e as suas sobrinhas. Fiquei pasma como seria de esperar com um início tão directo.

E depois desta entrada triunfal na leitura fui-me embrenhando na história. Entrei no diário de uma das sobrinhas mortas - Fiona - e fui começando a conhecer a história: quem era a tia Moira, porque é que Fiona e Róisin estavam a viver com a sua tia, como era a sua relação.

E eis que chega o momento pelo qual vinha ansiando dado os comentários feitos no Diário de Leitura no facebook: eis que aparece o tão famoso Jim - o querido ("darling") Jim. E pronto a partir daí a leitura nunca mais foi a mesma: Jim exerce um fascínio inacreditável sobre as mulheres: Fiona conhece-o o fica perdida de amor por ele. Conhecemos um Jim sedutor e, aos poucos e poucos, um Jim perigoso, misterioso...quem será afinal Jim?

Mas Jim não encantará só Fiona: ele conquista quem quer e vamos ter várias surpresas ao longo do livro. Jim é um mestre da sedução perigoso e a vida de uma pequena terra jamais voltará a ser a mesma desde que Jim chega...e mesmo quando desaparece os efeitos de Jim continuam a sentir-se.

Entretanto viajamos por mundos de lendas, histórias, contos de fadas e mistérios. E eis que nos chega o Diário de Róisin: o que terá ela para nos contar? Aos poucos vamos fazendo descobertas.

E até ao final do livro acompanham-nos algumas dúvidas: quem é Jim e quem matou Moira e duas das suas sobrinhas?

O carteiro Niall que encontrou o diário de Fiona fica intrigado e não quer deixar que a memória das irmãs mortas seja esquecida, pelo que irá embarcar numa aventura única para descobrir a verdade.

Christian Mork conseguiu criar um livro cheio de histórias e personagens e momentos, de uma forma tão coerente e sedutora, que chegando ao fim não sabemos em que género literário encaixá-lo, ficando a vontade de que Jim volte noutro livro futuro do autor.

Finda a leitura deste livro, deixo-vos aqui o que senti e escrevi sobre o livro no Diário de Leitura do facebook:

"Pois é o tão aguardado livro "Darling Jim" está finalmente disponível nas livrarias e para todas as pessoas que acompanharam este diário de leitura a expectativa deve ser imensa. Como tal, só posso dizer uma coisa: vão comprar! E vocês perguntam-me: "Mas oh Diana em que género tu inseres este livro?" e eu digo-vos sinceramente: este livro não pode ser inserido num género apenas - ele é muito mais vasto que isso e, talvez por esse motivo, tantas surpresas e exclamações e arrepios e sorrisos nos causou a nós enquanto o líamos e o íamos partilhando convosco nesta viagem conjunta de leitura. Para mim foi um livro que me conquistou não só pela história mas por todo o mistério que o envolve e por trazer à luz do dia os sentimentos e os perigos dos mesmos quando mal direccionados e sobretudo pelas personagens que dada a sua construção nos conquistaram e envolveram. Por isso agora que este diário de leitura está prestes a terminar já começa a bater a saudade pois foi uma experiência única e foi muito bom poder ir partilhando o que eu achava à medida que ia lendo. Agora é a vossa vez de o lerem: comprem e depois partilhem com o Refúgio dos Livros o que acharam, pensaram, sentiram. Fico à vossa espera porque Darling Jim continuará nas nossas mentes e a dar que falar durante muito mais tempo :D Até breve!"

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!




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sábado, 30 de julho de 2011

"L.A. Confidential" de James Ellroy: OPINIÃO!

Quando fui de férias agora em Julho estava a ler "Ferney" de James Long da Planeta mas assim que cheguei ao meu destino de férias deu-me vontade de ler um livro mais mexido e então o eleito foi "L.A. Confidential" do autor James Ellroy da Editorial Presença.

Este livro de 562 páginas foi a minha companhia na praia e na piscina durante 5 dias :).

Nunca tinha lido nada do autor mas a frase da contracapa "Quando o café Mocho da Noite se torna palco de um homicídio em massa..." activou logo a minha curiosidade e foi assim que me embrenhei num livro que é classificado como romance contemporâneo pela editora, mas que para mim é sobretudo de acção pura.

Logo de início vamos conhecer imensas personagens: Ed Exley que vive na sombra do sucesso do pai na polícia; Bud White que tem um passado familiar conturbado e Jack Vincennes que se move entre estrelas de cinema, denunciando os seus segredos sujos a revistas de escandâlos. Logo aqui temos 3 polícias com histórias próprias e fora do vulgar.

Na primeira parte do livro vamos conhecer o episódio que ficou conhecido como "Natal Sangrento" e, para mim, esta primeira parte do livro foi como uma introdução para ficarmos a conhecer as personagens: os polícias, os seus comportamentos, as suas relações, assim como os jogos de interesses entre polícias e outros elementos exteriores.

Depois chegamos à segunta parte "O massacre do Mocho da Noite" e as coisas começam a aquecer. São mortas algumas pessoas e é a partir daqui que vamos seguir a investigação, conhecer a fundo as personagens e ver os joguinhos sujos de interesses, favores, corrupção.

Entramos numa cidade - Los Angeles - dos anos 50 cheia de glamour, festas e num submundo de droga, violência e sexo. Aliás, vamos enveredar por um caminho de pornografia e, embora inicialmente me tenha feito alguma confusão tantos nomes e diminutivos de personagens, depois comecei a entrar na história e a perceber as relações estranhas entre cada uma das personagens.

Tenho um Ed Exley com vontade de se afastar da sombra do pai e se destacar por mérito próprio. Temos um Bud White que, pelo seu passado familiar, não lida de forma muito ética com casos de violência doméstica e, por fim temos, um Jack Vincennes que faz o jogo perigoso entre polícia e denunciador de famosos a revistas.

E posso já adiantar que a relação entre Ed, Bud e Jack é tudo menos pacífica e o que me surpreendeu mais foi a forma como a história dá a volta mais para o final e junta estes 3 na busca pela verdade sobre o Massacre do Mocho da Noite.

Para mim este livro está repleto de acção. O que eu destaco, por me ter surpreendido mais, foi o nível de corrupção e jogo sujo que pode existir na polícia.

Além disso é um livro com tantos personagens corruptos que até irrita. As personagens foram criadas de tal forma pelo autor que, pelo menos em mim, conseguiram causar irritação por vezes, enquanto que outras despertaram simpatia em mim.

É uma leitura que exige atenção, não tanto pelo número de personagens, mas sobretudo pelo facto de por vezes termos o nome da personagem, depois termos o diminutivo e outras o apelido. E a acrescentar a isso temos uma teia complexa de ligações entre várias personagens e como tal, inicialmente, é exigida ao leitor maior concentração para conseguir entrar na história. Mas ultrapassada essa dificuldade inicial é uma leitura muito interessante!

A par disso este livro tem um desfecho inesperado e quando ficamos a conhecer o líder por detrás deste massacre é inevitável ficarmos boquiabertos!

Embora este livro gire em torno de um homicídio em massa e tenha investigação distancia-se dos policiais puros. No entanto, este foi um livro que gostei bastante de ler, sendo que no final das 562 páginas ainda exclamei "já terminou? oh que pena!".

Terminada esta leitura não me surpreende nada que tenha sido realizada uma adaptação cinematográfica: este foi dos poucos livros que li que achei que ficava bem no cinema! Aliás fiquei com vontade de ver o filme, conhecer as personagens visualmente e ver a acção toda com os meus próprios olhos e não só na minha imaginação!

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito bom!




Podem visitar o site da Editorial Presença clicando aqui.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

"O tempo que já não viverei" (Fabio Volo): OPINIÃO!

Fiquei fã de Fabio Volo quando li “O dia que faltava” e quando vi que uma das novidades de Maio da Editorial Presença era “O tempo que já não viverei” fiquei logo com vontade de o ler.

Para mim Fabio Volo é um autor com uma capacidade nata no que se refere a falar de sentimentos. Com a sua escrita envolve-nos na leitura. Mais uma vez Fabio Volo não me desiludiu.

Neste “O tempo que já não viverei” vamos acompanhar a história de Lorenzo – uma criança que cresce com um pai ausente e que agora, enquanto adulto, luta com as suas imaturidades emocionais decorrentes da ausência dessa figura paternal.

Através de um relato feito na primeira pessoa por Lorenzo vamos acompanhar a sua vida desde a infância até à idade adulta.

Ao terminar a leitura deste livro o que me apraz dizer é que mais do abordar sentimentos, o autor demonstra uma mestria em traduzir, de forma brilhante, a maneira como, enquanto crianças, temos uma perspectiva e interpretação específicas sobre os acontecimentos e as relações, que se modifica quando olhamos para trás com olhos de adulto e uma maturidade desenvolvida.

E para mim, “O tempo que já não viverei” é um livro sobre isso mesmo: a ausência da figura parental enquanto criança e o entendimento de gestos de amor, na idade adulta, que enquanto criança – Lorenzo não conseguiu encontrar ou entender.

Para mim foi também um livro sobre a necessidade de se aproveitar o tempo e a vida da melhor forma.

“O tempo que já não viverei” é uma lição sobre amor, relações e crescimento, ao mesmo tempo que se foca na oportunidade de olharmos para o passado e o entendermos sob um olhar mais positivo no presente.

Fabio Volo é daqueles autores que escrevem de forma fluida e que nos trazem ensinamentos para a vida.

Ficarei ansiosamente à espera do novo livro do autor!

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!




Podem saber mais sobre este livro
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terça-feira, 24 de maio de 2011

"Uma inquietante simetria" (Audrey Niffenegger): OPINIÃO

Mal este livro saiu despertou a minha curiosidade e quando chegou cá a casa fiquei toda contente. No entanto, ainda esperou sensivelmente 1 mês até chegar a vez dele ser lido mas assim que peguei nele devorei as 400 e poucas páginas em 4 dias.

Fiquei fã da autora e agora espero pela Feira do Livro do Porto para tentar comprar o outro livro da autora ("A mulher do viajante no tempo") na Hora H.

Primeiro tenho de dizer que acho as capas da Editorial Presença muito cativantes.

Depois adoro adoro adoro estes livros amigos do ambiente...é uma delícia manusear as folhas dos livros da Presença.

E depois as sinopses da Presença deixam-nos sempre com a orelha arrebitada eh eh.

E a acrescentar tenho de falar da capacidade de escrita e criatividade da autora Audrey Niffenegger.

Achei a sua escrita super fluída que, conjuntamente, com uma história tão criativa, nos leva a querer ler sempre mais um bocadinho.

"Uma inquietante simetria" está dividido em 3 partes, cada uma delas constituída por vários pequenos capítulos com o seu respectivo título que nos vão conduzindo por episódios ao longo do livro.

Ao olharmos para a capa e ao lermos a sinopse poderíamos pensar que "Uma inquietante simetria" iria centrar-se sobretudo sobre a história das gémeas Julia e Valentina que, quando a sua tia Elspeth morre, recebem o seu apartamento em testamento. E com este testamento vêm condições específicas que vão ser a alavanca para inúmeros acontecimentos.

Mas para contextualizar devo referir que as gémeas, Julia e Valentina nunca conheceram a tia Elspeth. E para mais, a mãe das gémeas - Edie também era gémea com Elspeth.

Elspeth morre e deixa o seu apartamento às sobrinhas gémeas que nunca conheceu com a condição de que só poderiam vender o apartamento depois de lá habitarem 1 ano e que não poderiam deixar os seus pais lá entrar. Logo aí percebemos que algum segredo e incompatibilidade aconteceu entre Elspeth e Edie para existirem estas condicionantes.

Quando as gémeas se mudam para o apartamento da tia, num prédio com vista para o famoso Highgate Cemetery as suas vidas vão mudar.

No seu prédio vivem personagens caricatas: Martin, homem casado, que sofre de Perturbação Obsessiva-Compulsiva e também Robert, companheiro de Elspeth.

Achei a personagem de Martin fascinante: a forma clara e objectiva como a autora conseguiu retratar o distúrbio obsessivo-compulsivo, os rituais, as compulsões, a ansiedade, o impacto na vida social e pessoal foi para mim um aspecto que me cativou.

Neste livro vamos conhecer a relação entre Julia e Valentina. Vamos acompanhar as suas aventuras.

Vamos ver a forma como Valentina se vai relacionar com Robert. E a maneira como Julia se vai relacionar com Martin.

Vamos ver como a mudança para este apartamento tem um impacto na vida das gémeas: como há uma gémea "lider" e outra "submissa": como esta mudança para uma casa diferente e a vida independente dos pais vai levar as gémeas a questionarem os seus papéis e personalidades enquanto gémea.

Este livro aborda esta questão de se ser gémea de uma forma muito interessante: afinal ter um irmão gémea é ter alguém igual a nós fisicamente. Mas por outro lado, 2 gémeos são pessoas únicas e individuais com personalidades distintas que também precisam de um espaço para crescer.

É um livro que fala das simetrias: a simetria e igualdade física das gémeas, a simetria nos rituais de Martin.

Quem já leu este livro pode dizer: ah mas este livro é um bocado fantasioso porque incluiu um fantasma e muita coisa gira em torno da influência desse fantasma. Sim é um livro com uma componente algo fantasiosa mas quando me abstraí desse facto, o que retirei do livro foram as lições, as relações, o crescimento das personagens, os sentimentos, o passado e as consequências dos nossos actos.

A mim foi sem dúvida um livro que me conquistou e, como tal, quero ler o outro da autora.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!




Podem descobrir mais sobre este livro
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terça-feira, 17 de maio de 2011

"C" de Tom McCarthy: OPINIÃO!

"C" do autor Tom McCarthy conta-nos a história de Serge Carrefax. Vamos acompanhar a história de Serge desde a sua infância até a idade adulta.

Serge nasceu em 1898, o ano em que o telégrafo começou a ser usado em transmissões comerciais.

Serge cresce num ambiente específico: o seu pai trabalha com crianças surdas e é fascinado pelas experiências com as comunicações sem fios, a sua mãe é surda e a sua irmã Sophie tem uma personalidade única.

Para mim foi um livro complexo de se ler e passo a explicar: a leitura exige uma atenção extra porque se vai desenvolvendo numa época diferente e se centra de forma focada nos tópicos: comunicação, linguagem, sons, silêncios, códigos.

Na infância conhecemos um Serge que vive a sua vida entre os silêncios e os sons da estática, envolvendo-se gradualmente com os códigos usados durante a Primeira Guerra Mundial. Nós, leitores, envolvemo-nos na sua relação particular com Sophie, a sua irmã mais velha.

Conhecemos o pai de Serge, uma personagem para mim, com um comportamento e atitudes e reacções peculiares...pareceu-me um pai totalmente focado nos mistérios das comunicações sem fios e alheado do mundo e crescimento dos filhos.

Depois temos o crescimento de Serge cheio de aventura e acção e episódios marcantes, onde a comunicação, sons e códigos continuam a pautar a sua vida.

Para mim esta leitura exigiu maior nível de concentração porque não se trata de um livro ligeiro do tipo "rapaz apaixona-se por rapariga e vivem felizes para sempre" mas antes um livro complexo, com um "alcance histórico e psicológico" que tenta "decifrar um pouco os códigos e ritmos obscuros que regem a vida e nos mantêm todos interligados".

É sem dúvida um livro original sobre um tema que não vemos constantemente noutros livros e onde Serge figura como a personagem principal da trama. Ao longo do livro vamos crescendo simultaneamente com Serge e vamos vivendo a sua vida, as suas experiências, as suas histórias e relações. E, por vezes, senti-me saltar entre episódios e a questionar se Serge estaria lúcido ou a alucinar...se o que estava a pensar seria real ou sonho....numa ânsia de entender os mistérios de Serge vamos lendo e vamos acompanhando esta personagem...cuja vida é cheia e repleta de episódios....até chegarmos ao derradeiro desfecho final.

Pelo tema, pela forma de escrita do autor, pelas personagens em si e pelo contexto temporal e histórico é um livro a ler com atenção e dedicação para ser devidamente apreciado.

Como refere o Daily Telegraph "uma escrita electrizante que merece ser lida e desfrutada tanto como analisada e debatida" e foi isto mesmo que eu senti ao terminar a leitura: este não se trata de um livro que lemos, acabamos, fechamos e esquecemos, mas que exige de nós leitores uma atenção e uma análise sobre o mesmo quando findamos a sua leitura.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!




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sexta-feira, 22 de abril de 2011

"O Castelo dos Pirenéus" (Jostein Gaarder): OPINIÃO!

Este foi daqueles livros que quando o terminei de ler pensei "bem tenho de fazer uma pausa e reflectir sobre o livro."

Não é um daqueles romances com uma daquelas histórias de amor que tantas vezes encontramos nos livros.

O autor Jostein Gaarder tem a capacidade de escrever de uma forma particular que nos leva a reflectir sobre o que lemos.

Em "O Castelo dos Pirenéus" vamos conhecer Solrun e Steinn que no passado viveram uma história de amor intensa e que, após 30 anos, se encontram por coincidência ou não (fica ao critério do leitor) no mesmo hotel onde viveram esse amor apaixonado.

Mas ao lermos a sinopse poderíamos pensar que íamos embarcar numa história onde este casal iria reviver o seu amor após 30 anos mas não. Vamos sim acompanhar a troca de emails entre este casal e vamos, sobretudo, acompanhá-los na troca de ideias, de reflexões, de perspectivas e entendimentos sobre si, sobre o que acreditam, sobre o mundo, sobre a vida e a morte, a existência de coincidências, sobre o normal e o paranormal.

Senti que foi um romance que me fez reflectir mesmo. Por um lado, temos Solrun cuja perspectiva sobre uma série de aspectos mudou ao longo da vida e que tem uma capacidade de análise mais abrangente e fora do que é habitualmente pensado e, por outro, temos Steinn, alguém com uma formação científica, muito objectivo e, portanto, muito céptico na análise das situações.

E, depois temos ainda a revivência via emails sobre um acontecimento comum do seu passado que acabou por influenciar o distanciamento entre Solrun e Steinn.

Por fim, temos um final que eu não esperava e que me deixou a questionar e a reflectir sobre a vida e sobre a forma como as coisas acontecem.

É, com certeza, um livro a ler, a saborear e a reflectir.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

"Ódio" (David Moody): OPINIÃO

"Ódio" do autor David Moody é o 1º volume de uma trilogia que, pelo que pude perceber através desta leitura, é no mínimo intrigante!

Aliás, este "Ódio" foi como uma entrada para me abrir o apetite para os restantes livros da trilogia!

Através da escrita do autor somos transportados para a vida da personagem principal - Danny McCoyne. Danny é um homem casado que tem 3 filhos e que leva uma vida absolutamente banal. Além disso, tem um emprego que vai suportando porque tem de sustentar a sua família.

Tudo corria normalmente até que começam a acontecer situações estranhas. Tal como a sinopse indicava, qualquer pessoa se pode tornar num assassino impiedoso. Deparamo-nos com descrições de actos cruéis e ficamos intrigados ao tentar perceber porque é que alguém "normal" se transforma num assassino sem motivo aparente.

O que me despertou maior curiosidade e perplexidade nos actos "loucos" de alguns foi o porquê de fazerem aquilo, como eram capazes de matar.

Com capítulos curtos e uma sucessão de acontecimentos inexplicáveis, fui lendo este livro em grande velocidade na expectativa de descobrir o motivo de tais comportamentos.

Até o próprio Danny vai mudar e será que pode confiar em si mesmo? Seria capaz de magoar a própria família?

Como este é o 1º livro da trilogia ficamos sem conhecer a explicação desta situação mas os próximos livros prometem de certeza!

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito bom