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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

O chá das cinco - 164

«12 de maio [2020] "Tea Time"


«Há dias, para acompanhar o chá, o meu filho confecionou os primeiros scones, uns pequenos bolinhos que eu estava pronta a atacar quando ele proclamou terem primeiro de arrefecer na varanda.
«Pudemos finalmente experimentá-los, ainda mornos. Estavam leves, estaladiços, de chorar por mais.
«O segredo? Posso revelar, foi a receita do Fortnum and Mason, aperfeiçoada ao longo de décadas e que por generosidade o reputado estabelecimento londrino deixou de manter em segredo, passando a publicitar no website. [...]
«E barrando os scones com manteiga Terra Nostra, fui pensando que nem por sombras o casamento do scone com a manteiga das pastagens açorianas resulta menos bem do que com clotted cream
Clara Macedo Cabral - Diário da Bela Vista. Lisboa: Junta de Freguesia da Estrela, D.L. 2020, p. 83

No fim de semana passado fiz a receita do Fortnum and Mason (que encontrei na net, mas não no site da casa inglesa) e, como não tinha clotted cream, que acho que nunca experimentei, acompanhei-os com uma manteiga Rainha do Pico, doce de morango e um chá. para repetir.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Marcadores de livros - 1515

Marcador e postal da Porto Ed., 2019

«1941. Carry Ulreich de 15 anos vive em Roterdão gozando a vida como qualquer outra rapariga da sua idade, desfrutando dos pequenos prazeres e da liberdade comum a tantas famílias da época. Mas a liberdade de Carry irá desaparecer lentamente devido às imposições da ocupação nazi: a requisição de bicicletas e rádios, o recolher obrigatório, o dever de usar a estrela de David, a proibição do exercício de várias profissões (incluindo a de costureiro, que o pai de Carry exerce), a obrigatoriedade de frequentar escolas judaicas.
«E, no horizonte, o espectro dos campos de concentração. A inesperada tábua de salvação vem dos Zijlmans, uma família católica de Roterdão, que acolhe Carry e a família, pondo em risco a sua própria segurança. Assim começa uma vida na sombra, envolvida pela ameaça que paira lá fora. 
«Com um olhar nítido e lúcido sobre as dificuldades e os medos que enfrenta, o diário de Carry devolve-nos a história de vida de uma menina judia obrigada a crescer no momento mais terrível do século XX europeu.» (Sinopse)

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Veneza


«Veneza, 2 de janeiro de 1938 – Ora até que enfim, Veneza! Mas esta velha namorada está gasta. Não há corpo de mulher que resista às noitadas de vinte gerações.» 
Miguel Torga – Diário. 2.ª ed. Coimbra, 1942, vil. 1, p. 55

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Marcadores de livros - 1410


«É preciso fazer um esforço contínuo para amar o presente. Viver pelo passado, pelo que se fez, pelo que se conseguiu, é o mesmo que alimentar uma fome premente com banquetes de outrora..»
Miguel Torga - Diário, 1946

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Leituras no Metro - 286


Lisboa, 22 ago. 2017
Estas boas-noites já estão no fim.

«16 de novembro [de 1969] «Ontem ao reler o velho romance brasileiro de Bernardo Guimarães A Escrava Isaura (para o que havia de me dar!) encontrei uma referência às boninas vermelhas
«Vermelhas? Então as boninas (que na minha infância tanto rimavam com colinas e campinas) não são sempre brancas? 
«Não – explica o bom do Moraes que consultei agora com mão matutina – as boninas tanto podem ser brancas como avermelhadas e, afinal, não passam daquilo que, nuns casos, chamamos margaridas-dos-prados, e noutros boas-noites. Um mistério que levei meio-século a decifrar.»
José Gomes Ferreira – Dias comuns VIII: Livro das insónias sem mestre. Alfragide: Dom Quixote, 2017, p. 96


domingo, 16 de julho de 2017

Marcadores de livros - 766

Marcador da livraria e postal com estátua de Anne Frank.
Reverso do marcador.

Um marcador e um postal da livraria Jimminkboek, de Amesterdão, na qual o pai de Anne Frank lhe comprou o diário. 
Já tinha lido sobre o assunto no Presépio com Vista para o Canal.

Exterior da livraria.
O diário no qual Anne Frank escreveu.
A 1.ª ed. (de 3000 exemplares) de O diário de Anne Frank é publicada em 25 jun. 1947 - há 70 anos.

Para a Sandra.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Leituras no Metro - 269

Lisboa: Sextante, 2007

Não era para comprar este livro, mas entrei numa livraria, vi este livro e não resisti. Ruth Laskier morreu com 14 anos, em Auschwitz, com a mãe, o irmão e a avó. O único sobrevivente da família foi o pai.
O diário que Rutka escreveu, durante alguns meses em 1943, só foi revelado em 2006. Foi entregue a uma irmã de Rutka, já nascida depois da Guerra, que vive em Israel e que introduz este pequeno volume: «Os polacos apelidaram Rutka de "a Anne Frank polaca", a cidade de Bedzin glorifica a sua memória e eu observo o cenário do assassinato da minha família, da minha irmã, e sinto a dor da missão que aceitei de modo a satisfazer o seu desejo e fazê-lo com honra e amor» (Zahava Laskier Scherz). A vontade de Rutka era de que o seu diário fosse lido, segundo confidenciou a uma amiga que o retirou do esconderijo depois da guerra, o guardou e entregou à irmã, quando esta foi localizada, 60 anos mais tarde.

«Mal posso acreditar que estamos já em 1943, é o quarto ano deste inferno […]. Se pudesse dizer: acabou, só se morre uma vez… Mas não posso, porque apesar de todos os horrores, queremos viver, esperar por amanhã.» escreve Rutka Laskier no início do seu diário, em 19 de janeiro de 1943.


E quando comecei este post, lembrei-me de um passo de A invenção do dia claro, de Almada: «Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido.»

domingo, 18 de dezembro de 2016

Boa noite!

Um dia destes, gostaria de estar em Paris para assistir a este espetáculo de Robert Wilson, baseado nos diários de Nijinsky, com Mikhail Baryshnikov.
Bem podia haver uma alma caridosa que trouxesse este espectáculo a Lisboa.


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Mitterrand: Journal pour Anne

Paris: Gallimard, 2016
€45,00

Este Journal, que é hoje posto á venda em França, foi escrito durante sete anos, entre 1964 e 1970, por  François Mitterrand, em 22 blocos de papel de carta, que ele enviava, uma vez terminados, a Anne Pingeot. São mais de 700 folhas ilustradas por recortes de fotografias, publicidades, desenhos e artigos de jornais, cruzados com reflexões manuscritas do autor. François Mitterrand revela-se nessas páginas tanto no seu amor por Anne como na leitura que faz da sociedade que o envolve. os imprevistos são apaixonantes para compreender aquele que toda a vida gozou da reputação de impenetrável. Em primeiro lugar, ficamos a conhecer as suas estratégias para conseguir, pouco a pouco, reunir uma esquerda que se encontrava dispersa. Todos os documentos foram cuidadosamente recortados e colados, acompanhados de um comentário. O resultado é, do ponto de vista plástico, fascinante, revelando Mitterrand como um homem apaixonado e cheio de humor. O conjunto é um documento extraordinário, com enorme importância histórica, dado que de outro modo nunca poderíamos conhecer tão intimamente o espírito de François Mitterrand.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Biografias e afins


Finalmente publicados os importantes diários de Vianna da Motta, genial pianista, compositor e professor . A tradução esteve a cargo de Elvira Archer .

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

terça-feira, 10 de março de 2015

Dias comuns VII

Lisboa: Dom Quixote, 2015

O diário Dias comuns, de José Gomes Ferreira, começou a ser publicado em 1990, cinco anos após a sua morte. O sétimo volume, Rasto cinzento, que é hoje posto à venda, debruça-se sobre o período entre 1 de janeiro e 17 de agosto de 1969, revelando muitas histórias e momentos do panorama literário e político português desses meses. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Raymond Chandler


«Sábado 29 dezembro 1973
[...]
«Ontem à noite, li algumas cartas de Chandler. É provavelmente o homem que escreveu os melhores romances policiais americanos. Muito antes de morrer, deu ao seu editor autorização para publicar a sua correspondência.
«Não direi que fiquei desiludido. Mas fiquei várias vezes exasperado. Sente-se, com efeito, que estas cartas foram escritas com vista à sua publicação. E verifiquei que é o caso de quase todos aqueles de que publicaram a correspondência.
«É difícil ser simples? Não é mais fatigante escrever cartas como excertos de antologia, pesando cada palavra, cuidando de cada frase?»
Georges Simenon - Traces de pas. Paris: Presses de la Cité, 1975, p. 145

domingo, 2 de novembro de 2014

Lenda chinesa

Zhou Xianji - Flowers from an album of ten leaves

Um homem deixava flores no túmulo da mãe, quando viu um chinês poisando um prato de arroz na lápide ao lado. Pergunta-lhe:
- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?
Responde o chinês:
- Sim, quando o seu vier cheirar as flores.
In: Rita Ferro - Veneza pode esperar: Diário I. Alfragide: Dom Quixote, 2014, p. 77

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Leituras no Metro - 183

Lisboa: Asa, 2013

Não se sabe quem é a autora deste diário escrito entre 20 de abril e 22 de junho de 1945, apenas que tinha 30 anos na época, trabalhava numa editora que encerra nestes primeiros dias. 
Berlim é então uma cidade em ruínas, onde ainda caiem bombas, as pessoas vão para as filas de racionamento arranjar comida, vivem entre as suas casas e os abrigos... É neste período que o exército russo entra na cidade, a saqueia e viola frequentemente as mulheres, entre as quais a autora e suas vizinhas.
«Percorri o caminho ao lado do elétrico. Subir não podia, pois não possuo o titulo de escalão III. O elétrico ia quase vazio, contei oito passageiros na carruagem. Havia centenas de pessoas que seguiam a seu lado debaixo de chuva torrencial, se bem que o pudessem apanhar sem problema, pois ele tem de seguir viagem. Mas não: a ordem como princípio. Está profundamente entranhada em nós, e nós obedecemos.» (21 abr., p. 24)

http://www.planfor.fr/compra,bulbos-crocos-precio-barato-final-de-temporada,B623,ES
http://boasnoticias.pt/noticias_Tempo-dos-milagres-A-Floresta-dos-lilases_11583.html

«No caminho para casa, introduzi-me no jardim abandonado do professor K.; por detrás das ruínas negras da casa, colhi crocos e lilases. Levei alguns para Frau Golz, que também habitava no meu antigo prédio. Sentámo-nos em frente uma da outra junto da mesa de cobre e conversámos. Quer dizer, falávamos aos gritos a fim de sobrepor a voz ao tiroteio recentemente iniciado. Frau Golz pronunciava com voz abatida: "As flores, as maravilhosas flores..." Ao mesmo tempo corriam-lhe lágrimas pelo rosto. Também eu me sentia horrorizada. Agora, a beleza faz-nos sofrer. Estamos rodeados pela morte.» (21 abr., p. 25)

O livro viu a luz do dia graças a C. W. Ceram (pseudónimo de Kurt W. Marek) que conheceu a autora e a convenceu a deixá-lo publicar: «neste livro é descrita a verdade, nada mais do que a verdade.»
«A leitura desperta os mais variados sentimentos, facto que se relaciona diretamente com a personalidade da autora. Nos momentos mais terríveis surge a frieza com a qual ele os descreve; até que, consternados, percebemos que não teve lugar qualquer objetivação artística [...], mas a frieza tem de se expandir, porque os sentimentos estavam congelados... congelados de horror.» (p. 301)

C. W. Ceram é um escritor alemão, cujo livro mais conhecido deve ser Deuses, túmulos e sábios, que li há muitos anos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Do Diário de João Chagas

O primeiro elétrico de Lisboa começou a circular em 1901, entre o Cais do Sodré e Algés.
Av. 24 de Julho

17 de setembro de 1914
«Volto a Lisboa no elétrico e pelo caminho, Junqueira e Aterro fora, venho vendo, revendo esta velha cidade - em que quase nasci. É curioso! Parece que a vejo pela primeira vez há muitos anos. Tenho presente a lembrança das últimas leituras que fiz em Paris do Jacome Ratton e do Du Châtelet e talvez por isso parece-me que a Lisboa de hoje está tal qual eles a viram no século XVIII, em toda a sua sordidez. Em Belém lembro-me da velha gravura de Bertolozzi, que está no meu escritório de Paris e parece-me que se encontra tudo no mesmo estado em que o deixou D. João VI e a corte ao embarcarem para o Brasil, no meio dos seus frades, dos ses boleeiros e do seu povo infeliz que lhe beijava as mãos. Há apnas algumas árvores a mais. A praia é a mesma com o seu chão de barro que um dia de chuva transforma em lameiro.» (vol. 1, p. 233)

sábado, 6 de setembro de 2014

Grande Guerra - 13

Anterior a 1914

«6 de setembro [de 1914]
««Hoje, domingo, a feia cidade que é Bordéus regorgita de gente - a que veio de Paris e de toda a França abrigar-se aqui, e a da terra, que se endomingou, passeou todo o dia, orgulhosa talvez do seu grande papel histórico. Por toda a parte se viam os largos calções vermelhos dos zuavos que continuam chegando, vindos certamente da Argélia, por mar.»
João Chagas - Diário. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1929-1932, vol. 1, p. 208

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Grande Guerra - 12

No início de setembro de 1914, João Chagas sai de Paris e instala-se em Bordéus.

1911 

«5 de setembro [de 1914]
«Manhã passada na Legação a trabalhar. [...] O homem típico por excelência, de Paris, o príncipe Troubetzkoy passeava esta manhã no Cours de l'Intendance os seus favoris grisalhos passados á escova que Paris há 40 anos conhece. Antes do jantar na praça da Comédia encontram-se o Senado e o Palais Bourbon, de jaquetão e chapéu de palha, entre o Café Cardinal e o Café de Bordeaux.»
João Chagas - Diário. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1929-1932, vol. 1, p. 206