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quinta-feira, 25 de abril de 2024

Marcadores de livros - 3004

Verso e  everso.

Verso e reverso.

Revolução

Como casa limpa 
Como chão varrido 
Como porta aberta 

Como puro início 
Como tempo novo 
Sem mancha nem vício 

Como a voz do mar 
Interior de um povo 

Como página em branco 
Onde o poema emerge 

Como arquitetura 
Do homem que ergue 
Sua habitação 

Sophia de Mello Breyner Andresen
27 de abril de 1974

Verso e reverso.

Versos e reversos.

Verso e reverso.

Verso e reverso.

Reverso e verso.

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Verso e reverso.





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Um dia feliz para todos!

terça-feira, 23 de abril de 2024

«Entrei na sede da PIDE»...


«Entrei na sede da PIDE, horas depois só por dentro continuava a ser gente. Por fora, fiquei reduzido a uma cara fotografada de todos os ângulos lombrosianos, a umas mãos esborratadas que deixavam impressões identificadoras numa ficha, a um nome sem senhoria e sem título, a um monte de ossos que o arbítrio alheio fazia mover. 
«- Volta a cara... Espalma agora aqui a pata... Levanta-te...
«Conhecia já de nome, até bem demais, a casa, que uma legenda negra celebrava. Contavam-se por toda a parte horrores dos suplícios a que eram submetidas nos cubículos do sótão - os famigerados "moinhos" - as vítimas renitentes à confissão. Dias e noites a fio, de pé, sem dormir, ou, mal fechavam os olhos, acordadas a cachação pelos "macaquinhos", os guardas que a rendição frequente mantinha sempre em forma. Havia casos de alucinação por esgotamento [...].»
Miguel Torga - A criação do mundo. Lisboa: Círculo de Leitores, 2001, p. 398

Nas páginas seguintes deste livro, Torga conta a sua experiência na prisão.

sábado, 12 de agosto de 2023

Boa noite!

Luis Cília canta «Dies Irae» de Miguel Torga. Canção gravada em 1969.

Miguel Torga


«[...] a estrada leva-o já a toda a pressa até outro local sagrado. Não pela sua história, que não é muito grande, nem sequer conhecida fora dele, mas pelo que significa para o viajante: São Martinho da Anta.
«[...] Não é em vão uma das razões desta viagem a Trás-os-Montes e não é em vão o motivo de seguir hoje esta estrada [...]. Tudo isto para conhecer o lugar onde nasceu e viveu o escritor mais profundo que deu esta velha terra: Miguel Torga.
«É que Torga [...] foi desse tipo de homens aferrados até ao fim à sua terra e à sua gente; uma terra e uma gente que ele descreveu muitas vezes, quer nas suas poesias quer nos seus contos, mas sobretudo no longo romance consagrado a contar as suas memórias, grande parte das quais tiveram aqui o seu cenário: A criação do mundo.
«A criação do mundo (do dele, mas, por extensão, também do nosso) conta a história de um homem - ele próprio - que nasceu nestas montanhas no princípio deste século [XX] e que depois andaria pelo mundo, do Brasil a Macau e de Moçambique a Angola, até acabar por se transformar num dos grandes escritores deste século [XX].»
Julio Llamazares - Trás-os-Montes. Barcelona: Penguin, D.L. 2016, p. 181-182.


Tal como Llamazares gosto imenso do Diário de Torga e de A criação do mundo, que vai ser uma das minhas próximas releituras.

Livro(s) e marcador(es) - 67

Fotos Maria.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Marcadores de livros - 2721

Junqueiro morreu há cem anos!
O terceiro e o quarto já estão no Panteão; o segundo entra lá no final de setembro. Esperemos que chegue o dia para Camilo.
E ainda: Mário Cesariny faria 100 anos no próximo dia 9 de agosto.

As datas de nascimento e morte de Camilo estão erradas: 1825-1890. Uma gralha que vão emendar.


Em geminação com a Livraria Lumière.

domingo, 9 de abril de 2023

Segredo

Dreamstime.com

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo. 
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar.
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero seu um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino 
A voar...

Miguel Torga

sábado, 30 de novembro de 2019

Fernando Pessoa


«3 de dezembro [de 1935] - Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era.» 
Miguel Torga – Diário. 2.ª ed. Coimbra, 1942, vol. 1, p. 18


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Veneza


«Veneza, 2 de janeiro de 1938 – Ora até que enfim, Veneza! Mas esta velha namorada está gasta. Não há corpo de mulher que resista às noitadas de vinte gerações.» 
Miguel Torga – Diário. 2.ª ed. Coimbra, 1942, vil. 1, p. 55

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Marcadores de livros - 1410


«É preciso fazer um esforço contínuo para amar o presente. Viver pelo passado, pelo que se fez, pelo que se conseguiu, é o mesmo que alimentar uma fome premente com banquetes de outrora..»
Miguel Torga - Diário, 1946

domingo, 19 de março de 2017

Leituras no Metro - 273

Se não fosse um amigo meu não teria dado pela saída deste livro. É de agradecer a Pedro Foyos, um dos jornalistas do República e do Jornal do Caso República, ter-se metido nesta empreitada de contar a ocupação do diário da tarde e as peripécias para a execução do Jornal do Caso República. Tudo bem contextualizado no Verão Quente de 75 e com algumas pequenas histórias, umas comoventes e outras grotescas. 
Quem viveu este tempo gostará de ler este livro e quem não o viveu ficará informado de como foi difícil lutar pela liberdade de expressão e pela própria liberdade.

19 de maio de 1975
9h15: «Um grupo integrando tipógrafos e um elemento adstrito à direção comercial entra na redação com o propósito de “comunicar uma coisa” a Raul Rego. No gabinete deste é-lhe apresentado um ultimato no sentido de o forçar à demissão, juntamente com o adjunto Vítor Direito e o chefe [de redação] João Gomes. Perante a enérgica recusa da direção em admitir tal exigência, o grupo pergunta se a direção e a redação estariam dispostos a elaborar o jornal desse dia, mantendo-se contudo, a exigência da demissão. Raul Rego comunica a intenção de dar conhecimento dos factos aos redatores. Os interpelantes retiram-se.» É João Gomes quem no minuto seguinte põe a redação ao corrente da situação. Os jornalistas resolvem expressar por meio de voto a sua posição face às ocorrências e por 22 votos contra dois expressam «total confiança e solidariedade» com a direção. (p. 119)
11h00: «Os jornalistas dão-se conta, entretanto, de que lhes é interdito igualmente o acesso ás instalações sanitárias […]. Para as necessidades mais prementes utilizam-se troféus em forma de taça, alguns dos quais procedentes dos históricos Centros Republicanos, que adornam o topo de uma comprida estante do gabinete do diretor.» (p. 121)

«O diretor do único jornal diário que desafiou o fascismo durante décadas e salvou a dignidade da imprensa portuguesa, esse, teve de mijar na taça ganha num campeonato de 1949, nem à latrina o deixaram ir.»
Álvaro Guerra – Café 25 de Abril (transcrito na p. 121) 

Coleção de todos os números do Jornal do Caso República, alguns dos quais chegaram a tirar 200 000 exemplares. Para o fazerem, os jornalistas arriscaram a vida e tiveram de mudar de tipografia várias vezes.

15 de julho de 1975
«Neste dia são divulgadas declarações de Otelo Saraiva de Carvalho que perduram nas antologias históricas do Verão Quente de 1975: "Eu, às vezes, chego a pensar que a nossa inexperiência revolucionária, enfim, teria sido melhor se, em 25 de Abril de 1974 encostássemos à parede ou mandássemos para o Campo Pequeno [praça de touros] umas centenas ou uns milhares de contrarrevolucionários, eliminando-os à nascença."» (p. 153)

Chegou a circular uma lista com alguns nomes desses «contrarrevolucionários» onde se encontravam jornalistas do República.
Otelo devia ter-se inspirado no que Franco fez a republicanos espanhóis quando os mandou matar na praça de touros de Badajoz, incendiando-os com petróleo ou gasolina. Portugueses da raia diziam que o cheiro a carne queimada era medonho. Ou então, em Pinochet que, em 1973, prendeu os seus opositores num campo de futebol, onde muitos foram mortos. Tudo 'boas práticas', como agora se diz.

20 de julho de 1975:
«Estranha revolução esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou.»
Miguel Torga - Diário XII
(cit. p. 162)

A leitura continua...

sábado, 17 de janeiro de 2015

Miguel Torga

Miguel Torga, 20 anos sobre o desaparecimento do poeta.

S. Martinho da Anta, 13 de Abril de 1965


Falo da natureza.
E nas minhas palavras vou sentindo
A dureza das pedras,
A frescura das fontes,
O perfume das flores.
Digo, e tenho na voz
O mistério das coisas nomeadas.
Nem preciso de as ver.
Tanto as olhei,
Interroguei,
Analisei
E referi, outrora,
Que nos próprios sinais com que as marquei
As reconheço, agora.



In Diário X. Coimbra : [s.n.], 1968.

domingo, 21 de setembro de 2014

Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga




Boa noite! Bom Outono!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Miguel Torga - in memoriam

Miguel Torga faria hoje 106 anos. Para conhecermos melhor um escritor temos que conviver com a casa onde viveu. A casa situa-se na Rua Fernando Pessoa, nº 3, Coimbra.
A sua história relata um ambiente onde apenas existe o essencial, com móveis rústicos e de bom gosto. A luz é a chave da casa. Em todos os objetos encontramos a presença do escritor e a da sua mulher, Andrée Crabbé Rocha, professora de Filologia Românica na universidade de Coimbra.
Adolfo Correia da Rocha teve uma adolescência difícil que o marcaria para toda a vida.
Profundamente religioso dizia que os deuses dele eram os deuses pagãos mas que não os queria presentes na morte. Assim, narrou a curadora da Casa. Esteve um ano no seminário em Lamego mas não gostou. Aos 13 anos foi trabalhar para o Brasil nas terras de um tio. Este vendo as suas potencialidades dá-lhe uma bolsa de estudo.  Aos 18 anos ingressa num colégio para fazer o liceu. Esta circunstância torna-o ainda mais reservado.
Tornou-se médico mas a sua alma era a de escritor. Era um homem solitário, reservado, não gostava de entrevistas nem de ostentação (o que se percebe também na casa).

Hoje a Casa-Museu Miguel Torga abriu as portas de sua casa para homenagear o escritor
 
Sala de jantar vista do exterior.

Vista geral da casa
Oferta de um livro de escrita 

A visita termina junta à torga que existe no jardim.

Agapantos 


Coimbra, 5 de Junho de 1978

ADEUS

É um adeus…
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus…
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
Sem lágrimas,
Sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer
A humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade
Consumada,
Um poema de lírico pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada.

Miguel Torga, in Diário XII, retirado do Banco de Poesia da Casa Fernando Pessoa

Miguel Torga nasceu em S. Martinho de Anta, distrito de Vila Real (colocado 11:02 h, 13/8/13)

terça-feira, 23 de abril de 2013

«Quando o coração transborda, a língua fala» (Dom Quixote)

Col. BNE

«Cervantes deu-nos em 1605 a Bíblia do personalismo individualista espanhol». 
«A sede de sobreviver sufocou em Dom Quixote o gozo de viver.»
Miguel de Unamuno

Venha o Sancho da lança e do arado, 
E a Dulcineia terá, vivo a seu lado,
O senhor D. Quixote verdadeiro!
Miguel Torga (in Poemas ibéricos)