O tempo fica
A vida passa
A Lua move-se
Tinha esse haiku guardado, há algum tempo. Há muitas variantes desta criatura.
Dedo esmagado
Dores atrozes
Tempo parado
Este acima não é um haiku. Mas se for assim:
Flor murcha
Falta água
Amanhã pode chover
Esse já. Mas todos o mesmo.
Continuo a esfregar duas pedras pensando assim iluminar a cada vez maior escuridão que nos cerca. Certo que quando a noite é mais escura é que a aurora está próxima, mas infelizmente as leis da vida cada vez, aliás nunca se aplicam ao social.
O social está em franca desagregação e degradação. Já chega, já chega de maldades, mas creioo que o pior ainda está para vir....
Recebi, vá lá saber-se porquê, de um velho companheiro da primária e querido amigo este haiku, de sua lavra que aqui coloco com muito gosto. Sou um amante destes de do seu processo de culto, e cultivo:
Fevereiro frio
Amendoeiras em flor
Sol no coração
de Pedro Aragão (Seia)
Retribui-lhe com um, também de criação espontânea, mas certamente inspirado no dele:
A Terra gira
Em torno do Sol
O tempo passa
Produzi alguns haikus e variantes este ano.
Ora que dou a agenda à reciclagem aqui ficam em algumas versões:
O tempo passa
O tempo fica
Algo continua
(Algo pode ser substituído de várias formas)
------------------------
Rã no nenúfar
Lince entre as estevas
Dias continuam
( Alternativas: Seguem os dias ou Sopra o vento)
-----------------------
Na noite de breu
Rompe um raio
Espírito e vida
( ou A noite / Ilumina um / Luz um )
-------------------
Cisnes selvagens voam
Sobre os pântanos
Em fundo o pôr do Sol
----------------------------
Sobre o lago parado
Passam sombras dos cisnes
No presente
-----------------------------
Na lonjura do mar
A Lua Cheia
Espalha a Luz
---------------------------------
O presente resiste
O passado foi
O futuro espreita
----------------------------
é uma ilustração do famoso conto budista os 6 cegos e o elefante.
Hoje cheguei a um ponto central na redacção de novo livro, e talvez lhe tenha encontrado a conclusão, independentemente de ainda faltar alguns troços.
Encontrei, também, este na Travessa. Sou um amante de Haikus, e estava a precisar de alguns para ilustrar o livro em curso. Estava.
talvez já esteja com eles.Hoje faz anos uma querida e velha amiga e camarada.
Aqui fica também, o Haiku, do dia:
No céu uma águia
Na esteva uma lebre
Passa uma nuvem
É a vida, em movimento.
Tenho estado a deliciar-me com esta recolha de crónicas de Jávier Marias, e espero a próxima, já póstuma das últimas.
Poucas, raras perderam actualidade, que são pensamentos incisivos e acutilantes que rompem com a correcção política e o pensamento dominante em nome do senso e do direito, dos direitos.
E nelas, por elas se vai descobrindo ideias, pistas, referências.
Este por exímio, muitos outros se têm, é particularmente útil, com a actual guerra em curso:
# Os bombardeamentos aéreos indiscriminados, sim isso, indiscriminados foram praticados, defendidos e praticados na II guerra mundial por sugestão de um tal Hugh Trenchard (um Sir!) logo secundado (pois então...) pelos Estados Unidos. Recordemos Dresden, Hiroshima e Nagazaqui, e tantos outros alvos, civis!#
Um livro que se lê como água cristalina num dia de canícula.
e aproveito esta posta para colocar um haiku, dedicado a uma amiga no seu aniversário:
" Nuvens efémeras
Papoilas fenecem
A Espiral da Vida "
nada continua igual no passar do tempo.
Labels: guerra, Haiku, Javier Marias, Livros
Entre viagens, afazeres vários, preocupações diversas, os livros vão ficando a marinar. Tenho 7 de mais ou menos porte em linha de começo de leitura, certo que 4 são romances e um com uma letra quase ilisível, o "Voyage en Espagne", em poche, de Theopihle Gautier, ficará para Dezembro....ou mesmo para 2022....
Ida à Louzã, ao magnifico Palácio local, e convívio com amigos na Figueira da Foz, fizeram-me perder a
e sempre no matar do tempo, sendo que essa nunca é a intenção, mas só a passagem, folhei e li alguns artigos interessantes (embora tenha a maior relutância em ler artigos cheios de erros de português) nesta revistinha, onde, inclusivé, consigo aprender alguma coisa, mesmo entre a confusão (artigos a precisarem de revisão ou outra edição!)
o nosso jornalismo está moribundo, vi até uma locutora, nas páginas de revista do Expresso, promocionada a jornalista. Onde estarão eles?
Labels: Cannadouro, Haiku, História, Livros