Hoje, 7 anos depois, mais velha, com mais experiência no trabalho e outras vivências, novas reflexões e pensamentos tomam conta de mim.
Estou vivendo minha segunda gestação, dessa vez mais o menos planejada, e absolutamente diferente da primeira.
Como a proposta do Blog não é tratar de gestação, então vou me atentar a assuntos relacionados a minha profissão aproveitando o momento para escrever meus pensamentos sobre gestar e trabalhar.
Dança do Ventre, como todos sabem, tem um Universo basicamente feminino (digo isso pois muitos meninos têm se interessado em fazer parte dele), então, podemos concluir que tudo o que for relacionado a esse mundo será sempre bem vindo e aceito por todas as pessoas.
Ledo engano...
Minha cabeça tem girado em torno de pensamentos como:
- Ninguém quer fazer aula com gestante;
- Ninguém contrata gestante para show (sabia que um chá de bebe fica super bacana com uma bailarina grávida dançando?);
- Quando eu parar de dar aula para ficar com meu bebe recém-nascido será que vou conseguir retornar há tempo de ter meu lugar garantido?
- Será que meus alunos estarão lá quando eu voltar?
E daí: Poxa, eu trabalho basicamente com e para mulheres, vivo em torno de mulheres, mas, apesar de ser bem recebida e ter apoio, com relação ao trabalho, muitas dúvida pairam no ar.
Durante minha primeira gestação eu não refleti muito sobre o assunto, na verdade eu tinha pouco tempo para isso, e também não estava inserida no mercado como estou hoje.
E acredito que essas reflexões não permeiam somente as cabecinhas enlouquecidas das grávidas, mas também de mulheres que sonham e querem a maternidade mas pensam em todas essas questões e acabam empurrando a realização para frente, e para frente....
Eu que pensei que somente mulheres que trabalham no mundo corporativo tinham esse "problema". Ledo engano, meu...
De certa forma, se você trabalha no corporativo, com carteira assinada e tals, no mínimo, terá garantida através de estabilidade seu retorno à função.
Não, não. Não vamos discutir isso aqui. Lembre-se: sua profissão é escolha sua. Eu escolhi ser Bailarina e Professora de Dança do Ventre.
Sim, sim. Existem meios de tornar mais segura e estável nossa profissão. Você pode se inscrever no MEI, por exemplo. Recolher o INSS e garantir remuneração no período.
Tudo bem. Mas e os alunos? E o local onde você trabalha? E o mercado? Se não temos alunos, local para trabalhar e não estamos no mercado (as vezes basta um mês fora do facebook e BOOM - quer ver?). Ser autônomo é isso. Trabalha - ganha. Não trabalha - não ganha.
No fundo, o que mais me deixa melancólica é que faltam oportunidades para a mulher gestante. Falta confiança no trabalho dela. Falta segurança profissional.
E quer saber? Podemos mudar esse paradigma!
- Ninguém quer fazer aula com gestante: Você sabia que durante a gestação é possível dançar quase tudo e que, por exemplo, muitas vezes aquela profissional que executava poucos movimentos lentos e redondos, agora os executa com primazia?
- Ninguém contrata gestante para show: Sabia que um chá de bebe fica super bacana com uma bailarina grávida dançando?
- Quando eu parar de dar aula para ficar com meu bebe recém-nascido será que vou conseguir retornar há tempo de ter meu lugar garantido? Depois que o bebe nascer tudo pode acontecer. E se o lugar ou lugares onde trabalhava te substituírem, logo arrumará outro para exercer seu trabalho. Não desista!
- Será que meus alunos estarão lá quando eu voltar? O mercado anda sazonal mesmo. Eu, por exemplo, tenho alunos novos e poucos antigos. Eu amo todos e agradeço muito a eles, mas eles não são "meus" - não nesse sentido de posse - se você faz um trabalho bem feito e com amor, eles estarão lá. E se não estiverem, voltarão. E se não voltarem, tudo bem também. Segue o jogo.
Mulher, quer ser mãe, seja. Não coloque tudo no papel. Gestar não é racional, é emocional.
E se seu médico permitir: Dance! Sempre!
*Eu, dançando grávida do Enzo, em julho de 2009 durante festa da Nar Cia de Dança e Arte no Alibabar Itaim.
Beijo e até a próxima
Ju