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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Hábitos masculinos que as mulheres desprezam (mas não deveriam)


:: Homens têm certas roupas preferidas. Não importa se elas estão gastas, furadas, desbotadas, xexelentas, surradas, rasgadas e insuportáveis à apresentação social. Elas são de estimação e pronto.

:: Horário do futebol é sagrado. Se o cara não gosta de futebol, hora do UFC é sagrada. Se ele não gosta de luta, hora do “Walking Dead” é sagrada. Enfim, sempre haverá alguma programação na TV que exigirá total atenção do seu homem.

:: Camisas de banda de rock, calças camufladas e uniformes de futebol (mesmo que seja o do XV de Jaú ou do Penapolense) têm seu lugar especial no guarda-roupas. Homem não reclama dos seus vestidos verde-musgo, verde-alface, verde-claro, verde-banana etc – que são idênticos ao olho nu.

:: Homens têm um instinto natural de deixar calçados em qualquer lugar da casa. E o pior: virados para baixo. Não bata. Instrua.

:: Homens não entendem comédias românticas. Na verdade, homens abominam filmes fofos com a Meg Ryan, Sandra Bullock, Jennifer Lopez, Julia Roberts e Jennifer Anniston.

:: Mesmo que não seja um hábito frequente, homens se divertem vendo filmes idiotas com explosões, mortos-vivos e super-heróis. Crianças têm a Disney. Homens têm os X-Men e os filmes do Stallone.

:: Quando homens estão reunidos com outros homens, eles fazem uso de um dialeto secreto que só eles entendem. Não tente compreender.

:: Homens não entendem de moda. Homens gostam de jeans, camiseta e all-star. Se o seu homem souber que tons pastéis serão a próxima tendência do verão, desconfie.

:: Homens gostam de dispensar horas vendo as prateleiras de livros e filmes. Mesmo que não compre absolutamente nada. Seja legal e deixe o seu homem lá no mundinho dele e vá passear na Zara ou na Shop 126.

:: Por mais leais que sejam, homens sentem atração pela Angelina Jolie ou pela Scarlett Johansson. Reflita: antes essas musas inatingíveis do que aquela sua colega biscate-piranha-vadia-imunda, não é mesmo?

:: Homens esquecem a toalha molhada sobre a cama. A melhor forma de instruí-los é dar uma toalhada no focinho deles.

:: Homens não sabem cozinhar, mas gostariam de verdade. Valorize o sabor do Miojo do seu namorado como se fosse um prato do Claude Troigrois.

:: Homens gostam de videogame. Respeite. Lembre-se que o videogame é um santo remédio contra a infidelidade. Dê para ele o novo “God of War” e tenha a certeza que ele vai ficar quietinho em casa no sábado à noite.

:: Homens esquecem de lavar o carro ou de fazer a barba, imagine algumas datas.

O samurai que vive dentro de nós

Vou te fazer uma pergunta simples sobre artes marciais:

- Qual a diferença entre um lutador profissional e um amador?

A sua resposta tem grandes chances de ser a mais simplista, rasa, intolerante e míope:

- O dinheiro.

Exato! É isso mesmo.

Pois é, por mais que soe depreciativo, essa é a grande diferença entre um profissional do mundo da luta e um sujeito como eu ou você, que luta apenas para manter a qualidade de vida. Agora, se você me permite, vou puxar a sardinha para a minha brasa.

Quando eu e tantos outros amigos topamos participar de uma competição de luta (jiu-jitsu, judô, karatê, tae kwon do ou qualquer modalidade) nossa motivação vem de um dos instintos mais primitivos e nobres do estranho bicho-homem: a honra competitiva.

Para nós, não há bolsa milionária, prêmios por performance, contratos vantajosos ou patrocínios generosos. Em vez de equipes multidisciplinares (nutricionista, fisioterapeuta, treinador físico e o escambau), temos apenas os colegas dando apoio, a família apreensiva e a crença de que o anjo da guarda vai nos proteger.

Somos pessoas esquisitas que gastam dinheiro com inscrições, perdem um fim de semana, e ainda se arriscam a lesões diversas. Tudo isso para disputar uma medalha sem-vergonha que custa R$ 10,00 no centro da cidade.

Só que aquele pedaço de metal que desbota após alguns meses tem um valor inestimável para quem o conquista. Aquele trocinho mixuruca não pode ser comprado. Para levá-lo para casa, o indivíduo tem que fazer por merecer.

E ao fim do dia, aquela medalha gelada parece que fica colada no peito suado. E mesmo quando ela passa a ocupar um lugar na gaveta, sua presença nunca mais desaparece. Só que dessa vez, fica guardada como uma lembrança ao lado esquerda do peito.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você por aqui? O seu camarada He-Man já estava saudoso deste participar desse bloguinho com suas opiniões sempre sensatas e inquestionáveis. A valiosa lição de hoje é sobre cuidados com a sua integridade física. O guerreiro que volta para casa inteiro, pode conquistar mais vitórias. A linha divisória entre a honra e a estupidez é muito tênue. Adoro essa palavra. “Tênue”. Bom, voltando ao raciocínio, a linha é tênue. Defender seus valores vai além de se machucar. Preze a sua segurança e a sua saúde. Seus entes queridos agradecem. Amiguinho, evite comer demais e praticar exercícios físicos em seguida. Até a próxima!!!


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Andar com fé

- Você é muito “hobbesiano”.

O chato de discutir com alguém culto é correr o risco de ser chamado de “hobbesiano” em tom de insulto e decepção. Minha namorada oportunamente desencavou Thomas Hobbes, perdido em lembranças das minhas distantes aulas de sociologia. A razão foi simples: assim como o moço pensador, eu não acredito na raça humana.

Nossa, que desesperançoso, hein? Mas é verdade.

Assim como o velho Hobbes, não tenho fé no bicho-homem. Na minha filosofia de botequim, penso que o tubarão, o leão ou qualquer outra fera do mundo animal ataca em busca de alimento ou por defesa. Mesmo dotado da feliz habilidade de pensar, o ser humano ataca por prazer e é capaz de barbaridades contra outro ser humano. Da mais tenra idade ao ocaso da vida, o indivíduo é pleno em seu egoísmo e maldade.

Nossa, que deprê, hein? Mas, peraí. Não vá cortar os pulsos ainda. As coisas vão melhorar – pelo menos, no enfoque desse texto.

Eis que o simpático novo Papa vem ao Brasil, mais especificamente ao Rio. Na sua bagagem sem luxo, ele traz seus utensílios pessoais, a guarda suíça, o Papamóvel e uma pequena multidão. Coisa miúda: umas 2 milhões de pessoas para a Jornada Mundial da Juventude.

Eu, católico batizado e crismado, nunca me liguei em um Papa antes. João Paulo II transmitia tranquilidade. Bento XVI me deixava com a pulga atrás da orelha. Francisco tem algo especial, algo conciliador que fica ainda mais evidente a seguir.

Confesso isso com distanciamento crítico. Eu admiro algumas pessoas, independente dos seus credos. Gosto da mensagem do Dalai Lama, do Chico Xavier do Pastor Martin Luther King e por aí vai. Gosto de figuras que me forcem a questionar a minha descrença com a raça humana.

Logo após a sua chegada, acompanhei o traslado do Francisco entre o aeroporto e o Centro da cidade. Em seu caminho, o Papa caiu em um engarrafamento súbito e seu Fiat Idea foi cercado pela multidão. O religioso continuou com as janelas abertas enquanto cumprimentava as pessoas. A guarda suíça deveria estar em alerta máximo. Eu, de olhos colados na transmissão via internet, estava em pânico.

Jesus, alguém vai dar uma facada no Papa!
 
Contrariando os pessimistas, Francisco não se feriu. Chegou sã e salvo e desfilou pelo Centro. Parou em uma esquina e escolheu uma criança para um rápido carinho. Foi um beijo uma benção express. Seguiu caminho.

Pouco depois, a imprensa localizou aquela criança beijada por Francisco no Rio. Era filha de uma evangélica que acompanhava a passagem do Papa. Caramba, isso é muito significativo. O chefe maior dos católicos beija uma criança evangélica, escolhida aleatoriamente entre milhares de outras. Papai do Céu, lá do seu escritório, sabe dar os seus recados.

Dias depois, vi o Francisco botar o pé na lama e visitar uma favela. Esse argentino é o Papa mais ágil que já vi. Subia escadas com destreza e caminhava com desenvoltura. Estava vendo a hora de Sua Santidade dar um duplo mortal carpado.

Mais uma vez, Francisco não se privou do contato com o povo. Abraçou, beijou e falou com quem bem ele quisesse, independente de classe, cor ou time do coração.

Juro por Deus, me emocionei. Sozinho em casa, eu chorei. Achei tão bacana. Tão humano. Nunca vi um padre fazer essas coisas, o que dirá um Papa.

Desde que me entendo por gente, ouço um ditado: “se quiser conhecer o caráter de uma pessoa, dê-lhe poder”. Hoje, estou feliz porque os velhinhos do Vaticano passaram a batina branca para o bom Chico, o argentino mais gente boa que se tem notícia.

Epílogo.
Fui até Copacabana ver o Papa e aquela multidão que estava lá para ouvir a sua mensagem. Aliás, “ver” é força de expressão. Vi Francisco passar pela Avenida Atlântica em uma fração de segundos. Um vulto branco sorridente. O que me chamou mais a atenção foi o povo. Pessoas de todos os lugares. Bandeiras hasteadas de países que nunca ouvi falar. Várias línguas entoando cânticos. Padres de batina preta esvoaçante cercados por jovens e velhos. Era um clima de réveillon, mas sem Cidra Cerezer e despachos para Yemanjá. Hoje, estou um tiquinho menos “hobbesiano”.  


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, epílogo? Enfim, a lição de hoje é sobre a coexistência. He-Man já ouviu pessoas esclarecidas dizerem que adorariam que houvesse uma única religião no mundo. Porém (tem sempre um porém), que fosse a religião delas. Hmmm, esquisito, não? He-Man, que é todo sabedoria e todo músculos trabalhados na maromba, acha que a palavra chave para tudo é a coexistência. Faça a sua parte e aceite a crença do coleguinha. Amiguinho, gavetas servem para organizar os seus pertences e não paras entulhar tralhas inúteis. Até a próxima!!!

Epílogo do He-man
Chorou, foi? Tadinho. Quer chupeta?



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

29 jeans

Faz um calor lazarento no Rio. Os dias são fumegantes e a sensação é a de que existe um forno de pizza ligado exclusivamente para você – sem pausa. O dia mal nasce e o termômetro da rua já decreta assustadores 30 graus. Isso enquanto está passando o Bom Dia Brasil. Por conta dessa quentura estúpida, tenho priorizado roupas claras. Nessa de usar trajes mais leves, resgatei uma calça marfim tamanho 42. Até aí nada de extraordinário, mas o que chamou a minha atenção neste dia foi de que esta peça foi um presente de aniversário de 18 anos. Acho que tenho uma patologia psicológica travestida ema uma dificuldade lascada de me desfazer de algumas coisas. Por isso, eu tinha 29 calças jeans no meu armário.

Caceta! Nem a minha namorada vaidosa já teve 29 calças jeans.

Ela ficou tão chocada com a quantidade de jeans que estão penduradinhos no meu guarda-roupas que fez questão de contar: 29 jeans, fora algumas calças sociais e uma cargo com estampa militar.

Em minha defesa, eu alego que estou longe de ser um consumidor maníaco de calças jeans. Na verdade, eu pouco compro roupas, pois não tenho paciência para lojas lotadas e a etapa de experimentar essa ou aquela peça. Gosto de umas duas ou três marcas e sou fiel a elas. Aí vou acumulando a calça que ganhei no Natal, com aquela que comprei na liquidação do lápis vermelho, com aquela outra que ganhei de aniversário há cinco anos e por aí vai.

Quando eu era adolescente, eu colecionava gibis da Marvel. Chegou uma etapa da vida que eu tinha mais de 1.000 revistas empilhadas em um único armário. Eu guardava o dinheiro que recebia para ir à escola e gastava tudo em quadrinhos. Já crescido, sofri horrores quando tive que desfazer dos meus amados gibis. Ainda hoje guardo algumas revistas com valor afetivo maior. Não chegam a 50.

Na faculdade, a fixação era com CDs. Eu garimpava lojas e sebos procurando títulos raros ou discografias completas do R.E.M. ou do Pearl Jam. Em poucos anos, a prateleira foi lotando e, pimba!, não aguentou mais. Com o advento da música digital, eu poderia me sentir à vontade para me desfazer de tantos discos, certo? De jeito maneira! E o carinho pelos disquinhos, com seus encartes e histórias? Como é que fica? Não dá para ter afeto pelo mp3, pô!

Olhando friamente para meu apartamento, eu tenho um acúmulo de tralhas adoráveis. Tenho sei-lá-quantos DVDs (ainda não migrei para os blu-rays), trocentos livros e uma cacetada de breguetes do Flamengo, que não faliu até hoje por minha causa. Sou um dizimista confesso do Mengão.

Mas os livros são toleráveis, não? Na verdade, o acúmulo de livros nunca é demais. Até se você cismar em guardar caixas e caixas de romances da Danielle Steel ou suspenses jurídicos do John Grisham. Vou além: até se você quiser guardar a saga Crepúsculo e todos os seus afluentes, eu acho digno.

Entre tantas tranqueiras, eu tenho uma favorita. Sim, sou capaz de identificar um item no oceano de tralhas! No fundo de um baú, ainda guardo o meu primeiro kimono. É um Atama encardido, rasgado, esburacado e desgastado pelos anos. Ele marca o ano que fiz vestibular e que decidi ser um cara mais corajoso. Já pensei em me desfazer dele, mas e a dó que bate no coração? Como é que fica? O kimono continua lá.

Enquanto eu juntava todas essas tranqueiras, os jeans foram se acumulando até a admirável quantidade de 29 peças enfileiradas em cabides brancos iguais. Mas para toda patologia há uma cura – ou princípio de cura. Outro dia, minha namorada invadiu o meu closet e botou ordem.

- Tem jeans demais aqui. Vamos limar uma porção. Vamos! Você consegue. Escolhe aí.

E lá fui eu separa os mais velhos, os mais feios e os mais fora da moda – segundo critérios dela, que eu mesmo desconheço, mas confio. Mulher tem tino para essas coisas. Dispensei uma porção de calças e mandei para a igreja. Ainda tenho muitos jeans guardados, mas eu me sinto uma pessoa melhor agora.

QUAL A MORA DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, pode ser sincero com o seu camarada aqui. Você fez esse rodeio todo para deixar implícito que ainda tem o mesmo corpo que tinha aos 18 anos, certo? Você é um calhorda. A mensagem final do He-Man é uma só: DESAPEGA. Amiguinho, fique de olho no prazo de validade das gororobas que você guarda na geladeira. Até a próxima!!!




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cheiro no cangote

Entre planilhas, gráficos, cabos de computador, biscoitos, caderninhos e chicletes, um item na minha gaveta do trabalho ainda causa certo estranhamento nas pessoas. Pertinho da escova de dente e da pasta, repousa um vidrinho de perfume. Fazer o quê? Mamãe criou seus filhotes para serem educados, independentes e cheirosos.

Vivo no ambiente machista onde a máxima é “perfume que mulher gosta é o cheiro de homem”. Concordo. Mas duvido que elas se incomodem com um Diesel Fuel for Life no cangote do sujeito.

Proponho uma inversão na situação. Imagine a Angelina Jolie (ah, Angelina...) com cheiro de ônibus lotado no verão carioca. Aposto que você comparece ao chamado do dever assim mesmo, mas é certo que vai rolar um leve desapontamento na missão. Aqueles olhos grandes e desconcertantes não combinam com a fragrância de suor coletivo temperado no Leite de Rosas. Guardadas as devidas proporções, a lógica funciona para os homens.

Claro que o indivíduo deve ter prudência. Perfume ruim é que nem passeio de barco: pode até agradar nos primeiros cinco minutos, mas depois causa enjoo. Em algumas pessoas, já incomoda logo nos primeiros segundos. Particularmente, fujo dos aromas adocicados demais. Meu olfato é diabético.

Claro que cada um tem as suas preferências, mas acho difícil errar em um perfume com tons amadeirados ou cítricos. Lembremos do bom Ralph Lauren, praticamente em todas as suas versões (verde, preto e azul). Também acho que o Jean-Gaultier Le Male é uma grata surpresa. Se você abstrair a embalagem feiosa em forma de corpo masculino, vai encontrar uma fragrância excelente. Outra pedida com pouca margem de erro é o Dolce & Gabbana Light Blue, com frescor e suavidade perfeitos para o dia. Nesta mesma linha, o Calvin Klein Infinity é classe A. No limite do limite da doçura, está o Tommy. Mais um pouquinho, e ele estaria na categoria dos aromas melados.

Para a noite, os meus favoritos incontestáveis são o Ralph Lauren Black e o tradicional (vulgo verde). Rapaz, é garantia de sucesso. Borrife gotinhas no pescoço e na barriga (tem que ser otimista, pequeno jedi) e vá para qualquer evento sem medo de ser feliz.

A cultura brasileira é ideal para bons perfumes. Cumprimentamos com dois beijinhos na face (menos em São Paulo) e é aí que você soma pontos importantes na primeira impressão. Se ela cumprimentar você, fechar os olhinhos e deixar escapar um “hmmm...”, a partida já está caminhando para o placar positivo.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você está fazendo bico de consultor da Avon? Ou da Jequiti? De onde surgiu essa sua veia de entendedor de perfumes? O poderoso He-Man, que vos fala com inestimável sabedoria, é curto e grosso: de nada adianta o malandro estar irrigado no mel, mas com outros detalhes pendentes. Tem que estar no equilíbrio dos elementos, sacou? Amiguinho, organize suas anotações para que você não se perca em pilhas de papel. Até a próxima!!!



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim dos tempos

Ei, tem alguém aí? Depois de um inverno criativo, vou me aventurar novamente. Vamos tirar a poeira da mesa e as teias de aranha da sala de estar. O Surfista Platinado está de volta ao jogo! E vamos logo ao que interessa.

Era uma vez...

Um amigo meu tem uma opinião muito interessante sobre música. Saca só:

- Torço para que as minhas bandas favoritas acabem logo. Quero que elas encerrem as suas carreiras lá pelo quinto ou sexto disco e olhe lá. Assim, não há máculas ou sinais de decadência. Ficam só as coisas boas.

Sempre gostei dessa ideia do fim no auge. Como o Pelé dizendo adeus à Seleção Brasileira em 1971, diante de um Macaranã lotado e aos gritos de “fica!”. Porém, o curioso é que vivo um sentimento contraditório em relação ao no de 2012, que já está nos últimos grãos da ampulheta. Vou sentir saudades desse ano em que tudo deu certo.

Mesmo com todos os desafios e pancadas da vida, o ano do fim do mundo (segundo o calendário Tim Maia) foi extraordinário. Mudei de trabalho, consertei o joelho, recuperei os 80kg, voltei a fazer jiu-jitsu, ganhei uma competição importante, conquistei a faixa marrom e, o mais significativo, noivei.

Pois é, quem diria? Botei o bambolê dourado no dedo anelar da mão direita. Segui todo o protocolo do “bom-mocismo” com anel de noivado, pedido de joelhos e todo esse mise-em-scène que cerca o grande pedido. Foi pensado, planejado e executado com a frieza de um gerente de projeto.

Camarada leitor, já planejei e acompanhei eventos corporativos de grande porte, mas organizar um casamento devia ser um dos 12 trabalhos de Hércules. Mas as aventuras de ser noivo ficam para um próximo post. Esse tem alvo certo: 2012 e eu.

Voltando à minha doce saudade do ano de 2012 foi dentro do tatame que tive a compreensão do que foram realmente estes 365 dias. Meu professor de jiu-jitsu, cara culto e inteligente, me disse:

- No jiu-jitsu, assim como na vida, cada faixa tem o seu prazo certo, mesmo que a gente só perceba depois. Cada fase tem o seu período de aprendizado, com começo e fim. Quando ela acaba, um novo momento começa e você abre um novo estágio do aprendizado, mais evoluído em relação ao anterior, mas totalmente primário em relação ao que está por vir.

O meu mestre e amigo, com vários graus na faixa preta e as orelhas detonadas, concebeu um pensamento complexo mas assustadoramente coerente. E foi com aquele timing, aquele senso de oportunidade cirúrgico. Foi na hora certa e no lugar certo.

2012 acabou como se fosse uma ótima banda que decidiu se separar no auge da carreira. 2012 é o meu R.E.M., os meus Beatles, o meu Led Zeppelin. Vai deixar saudade porque foi maravilhoso, antológico. 2012 acabou. Fim. The End. Mas me deixou pronto para o que der e vier. Eu estarei com um joelho (quase) novo em folha, uma medalha de ouro no peito, uma faixa marrom na cintura, uma aliança na mão direita e a mulher amada à minha esquerda, com os braços cheios de saudade.

QUAL É A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, você voltou! Ah, já era tempo , hein? Eu teria muito a divagar sobre o este tema, mas não estou à sua disposição e prefiro ir para praia, pois este calor está de fritar os miolos. Vou desfilar meu torso sarado e minha sunga peluda na Praia do Pepê. Feliz Natal e vamos em frente, pois 2013 tem muito para render. Até a próxima!!!



terça-feira, 13 de março de 2012

Do outro lado do oceano

Há poucas noites, eu sonhei com Dublin. As lembranças são curtas e fragmentadas como qualquer outro sonho, mas não me restaram quaisquer dúvidas. Era a minha querida capital da Irlanda.


No sonho, eu estava na calçada do parque St. Stephen's Green, região central, onde eu caminhava praticamente todo santo dia. Estava nevando, mas não senti o frio calhorda do inverno europeu. Também não reconheci pessoas. Era apenas Dublin e seu cheiro familiar.

Cidades têm cheiro sim, senhor. O Rio de Janeiro tem um cheiro bem característico de cimento quente com nuances de sal. Quando voltei para casa, eu sabia que tinha chegado quando pisei fora do aeroporto e aquele mormaço de verão invadiu o meu nariz com suas boas-vindas.


No meu sonho, eu estava mais uma vez cercado pelo um cheiro irlandês de vegetação, chuva e tecidos. O frio faz as pessoas usarem muitas peças de roupa, cujos odores variados se misturam às árvores sem folhas e à água da chuva ou dos canais. Dublin também tem sons. Quando você fecha os olhos, a cidade fala através do vento uivando nos seus ouvidos cobertos por gorros.


Eu não lembro de muitos detalhes no sonho. Pelo que me recordo, logo depois eu estava na Grafton St, pertinho do St. Stephen's Green. Como eu adoro a Grafton St. e seus artistas de rua, floristas, vitrines iluminadas e pequenas surpresas. Em um dia, eu podia encontrar uma banda completa tocando rock'n'roll e no outro, uma família local dançando danças típicas irlandesas em troca de alguns euros. A Grafton tinha desses encontros entre a tradição e a globalização.


Na manhã seguinte, acordei triste. Saudoso. Nostálgico. Tudo ao mesmo tempo. Estava sentindo a falta de uma ilhazinha distante como quem sente saudade de uma amiga que se mudou. Queria voltar lá para tomar chá com poucas gotas de leite em um Starbuck's com cheiro de madeira envernizada. Queria estar lá para ver a primavera deixar a cidade ainda mais verde e colorida. Queria beber mais uma pint de Guinness em algum pub com música irlandesa e gente dançando e batendo os calcanhares no chão. Queria que meu joelho tivesse aguentado só mais um pouquinho. Queria que a crise e o corrupto taoiseach (em gaélico, significa "primeiro ministro" e a pronúncia é "ti-shock") não tivessem maltratado a economia do país. Queria que meus cinco meses de Dublin tivessem mais dias.


Faz mais de um ano que voltei para casa. Desde então, meus conceitos de "casa" se ampliaram. Dublin fez isso.



QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, enquanto você curte o seu "banzo" ao contrário, lembre da poesia do Lynyrd Skynyrd: "home is where the heart is", traduzindo para o leitor que não passou do Livro 1 do Fisk, "lar é onde o coração está". Simples assim. Amiguinho, antes de sair de casa, verifique se todos os aparelhos elétricos estão desligados. Até a próxima!!!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Dois mojitos e a conta.

- Quero conhecer Cuba – eu declarei.

- Desde quando você é comunista? – fui questionado imediatamente.

- E desde quando eu preciso ser judeu para ir a Israel?

Simpatizo com Cuba e isso não tem nada a ver com comunismo ou socialismo. Nunca fui um estudante reacionário com o desejo de mudar o mundo e derrubar o capitalismo selvagem. Tive um professor de geografia que era militante socialista de uma devoção comovente. Mas, quer saber? Eu até curto o capitalismo. Na verdade, sou de um tempo em que comunista era comedor de criancinha e/ou inimigo do Rocky Balboa. Lembra do Ivan Drago, aquele soviético parrudo que matou o Apollo Doutrinador? Essa era a minha visão dos vermelhos nos tempos do 1° Grau.

Cuba entrou no meu mapa-mundi pelo esporte. Nunca fui fã de vôlei, mas passei a acompanhar os encontros entre Brasil e Cuba como se fossem jogos de futebol. Um FlaxFlu ou um Gre-Nal da América Latina. E olha que o mais divertido era quando as meninas se encontravam. As duas seleções entravam em quadra com sangue nos olhos e o fair-play ia para o escambau. Bons tempos de Márcia Fu e Mireya Luis.

Lembro também daquela edição dos Jogos Pan-Americanos em Havana. Na final do basquete feminino, Hortência, Magic Paula, Janeth e companhia ganharam a competição contra as donas da casa. E o mais emblemático: receberam as medalhas de ouro do próprio Fidel Castro.

Cresci e entrei na faculdade. Estudei na PUC, onde a camisa do Che Guevara era quase um uniforme dos subversivos da Av. Viera Souto. Cuba continuava dando o ar da graça. Aprendi mais sobre o cinema local, o bloqueio econômico, os lendários charutos cubanos, a medicina e a música. Fiquei impressionado com os velhinhos do Buena Vista Social Club e encantado com as suas canções. Decidi que gostaria de conhecer Cuba, mas antes de El Comandante bater as botas, o que não parece muito longe.

Hoje compreendo mais o meu desejo pela simpática ilhazinha. Em pleno século XXI, com tantas tecnologias, iPads, iPhones e Facebooks, o tempo parece passar em câmera lenta em Cuba. Parece contraditório, mas o país agoniza com um certo glamour. Sua frota de carros dos anos 1960 e seus prédios com pinturas descascando ainda mantêm um charme de rebeldia, de verdadeira subversão. E bem pertinho de Miami, como um fantasma vermelho e barbudo assombrando o sonho do american way of life.

Havana é a nossa Atlântida, o nosso El Dorado (sem ouro), a nossa Fenícia. Enfim, você entendeu. É a nossa civilização perdida que pode ser encontrada e apreciada. Cuba é uma ponte para um passado quase imaculado, que pode ser visitado sem um DeLorean. Quando eu estiver lá, fumando um Cohiba e bebendo mojitos, vou lembrar das aulas de Geografia e do meu professor socialista, que lutava para fazer a garotada ter uma visão política.

- Os países socialistas não são do mal. Isso é propaganda capitalista, moçada!

- O Ivan Drago é mau.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, então você entrou numa vibe de turismo mais aventureiro, mais alternativo, certo? Que tal provar a hospitalidade da Síria? Ouvi falar que o Egito está bombando nesta época do ano. Não, não. Você quer um turismo radical? Tente a Coreia do Norte. Ok, vamos a uma bela e enriquecedora lição. Cuba, a simpática ilha do tio Fidel, é um exemplo de envelhecer mantendo um ar de mistério e charme. É isso. Vai lá e depois me conta. Amiguinho, evite acumular pilhas de papel no seu quarto. Até a próxima!!!

domingo, 18 de setembro de 2011

É fácil se apaixonar no Rio de Janeiro

O que mais gosto nos filmes do Woody Allen é a cumplicidade que ele tem com as suas cidades. Tá certo que Paris e Barcelona falam por si, mas sua fase nova-iorquina foi sublime. A Big Apple era mais que o cenário. Era um dos personagens principais. Em “Sex and the City”, Carrie Bradshaw e suas amigas tiveram a mesma percepção e tornaram Nova York a quinta menina do grupo. Aqui no Brasil, ouso dizer que nenhuma cidade é tão inspiradora quanto o Rio de Janeiro.

O jornalista Ricardo Boechat, argentino por nascimento e carioca por vocação, explicou um pouco desta sedução. “O Rio é uma metrópole onde você pode ver o horizonte”, disse. Não é que ele está certo? Na Vila Isabel ou na Avenida Presidente Vargas, entre prédios ou entre morros, o céu pinta de azul a silhueta da cidade. Da janela, vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo. E em que outra cidade, o beijo do sol na linha do horizonte recebe aplausos dos hippies doidões sentados no camarote das Pedras do Arpoador? Aliás, o que são as Pedras do Arpoador? O que são as praias do Rio?

No Rio, há uma profusão de sal, areia e pele. Peles brancas, sardentas, morenas, negras, mulatas, tatuadas e camaleoas que desfilam soberanas do Leme ao Pontal. É o território delas, musas às dúzias que vêm e que passam a caminho do mar. Nós, testemunhas oculares do fato, admiramos. Da nossa área VIP, tomamos suco de acerola, açaí com morango, água de coco ou um sanduíche natural do Bibi. Para ver melhor os biquínis (e seus recheios), a gente bebe Skol servida em uma garrafa cercada por uma crosta de gelo – a chamada “canela de pedreiro”. Cerveja há em qualquer lugar, mas no Rio o sabor é amplificado. É como tomar um cálice de vinho nos cafés de Paris com uma revista sobre a mesa. Ou tomar um chá em frente à catedral de St. Paul, em Londres. A bebida ganha outro paladar. O ambiente tempera.

Voltemos a elas. Musas. São bocas em todo lugar, além de corpos malhados, sorrisos talhados. Só flerte, só a fé em movimentos circulares na Zona Sul, de bar em bar. Até tomar um porre de felicidade ou explodir o coração na maior felicidade. Onde quer que seja o endereço dos bailes, lá estão elas: garotas de cinema. Luz, câmera e ação!

É fácil se apaixonar no Rio, tanto quanto em Paris. A diferença é aqui, o amor assalta à luz do dia. À queima roupa. Rio de Janeiro, cidade hardcore. E é mais cruel porque ela faz você se apaixonar pela mesma mulher sempre. A fonte da juventude (ou do rejuvenescimento) está nas areias da Zona Sul.

Há poucas semanas, recebi alguns primos de São Paulo em uma primeira visita ao Rio. Eles chegaram em um dia cinzento, com a chuva fina tão comum à Sampa. Do Santos Dumont à Barra da Tijuca, os cenários estavam encobertos. Porém, algo chamou a atenção deles: a movimentação das pessoas nas calçadas.

- O pessoal aqui não tem medo de chuva.

Pois é, o Rio convida as pessoas a saírem das suas tocas, mesmo com a garoa.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, He-Man está confuso. Não há moral da história para uma resenha turístico-afetiva. Vamos combinar assim, o Rio é maneiro, mas não seja bairrista. Os bairristas não fazem amigos. Amiguinho, não deixe as suas cuecas penduradas na torneira do chuveiro. Até a próxima!!!

sábado, 10 de setembro de 2011

O chocolate e as divagações pós-Dia do Sexo

Já escrevi isso por aqui em algum momento, mas não canso de repetir: sexo é que nem pizza, até quando é ruim, é bom. Mas há uma corrente que atribua os mesmos benefícios terapêuticos do sexo ao chocolate. Alguns cientistas, sem ratinhos para dissecar e sem mais o que fazer, relataram que o chocolate e o sexo ativam as mesmas zonas de prazer do cérebro. Será? Na verdade, o chocolate tem algumas vantagens sobre o milenar esporte do vuco-vuco.

Chocolate não finge orgasmo. Não ligo para o chocolate no dia
seguinte. Como chocolate em público. Não preciso levar o chocolate para jantar. O chocolate não precisa ir para casa no dia seguinte. O chocolate não tem TPM. Posso comer dois (ou três) chocolates ao mesmo tempo e nenhum deles fica com ciúmes. O chocolate não tem crise de carência. Veja futebol com o chocolate e ele não reclama – na verdade, ele pode ser o petisco. Se eu comer um chocolate diferente por dia, eu não serei promíscuo. Posso comer chocolate mesmo sem estar com fome. Posso dividir o mesmo chocolate com os amigos sem que a minha honra vá para a sarjeta. O chocolate tem sempre a mesma aparência, então não corro o risco de traçar um mais ou menos feioso. Meus amigos não vão me sacanear seu eu comer um chocolate feio. Não preciso fazer contorcionismo para comer um chocolate dentro do carro. Posso comer dois ou três chocolates em curtíssimos intervalos de tempo - sem negar fogo. Se eu não conseguir comer um chocolate, ele não vai tentar me consolar. Mesmo nas lojas mais caras, o chocolate ainda é absurdamente mais barato que os sexos mais caros. Posso admitir publicamente que pago pelo chocolate, enquanto não posso dizer o mesmo sobre sexo.

Só que... prefiro sexo.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, hoje aprendemos uma importante lição. Seja sexo, chocolate, pizza ou qualquer delícia deste mundo cão, tudo deve ser apreciado com moderação. Lembre-se que tudo em excesso faz mal. Até o cara gente boa demais é chato! Amiguinho, enfrente os seus medos com autoestima, mas, se precisar, use um porrete! Até a próxima!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Retrato dela em pequenas frases

- Você nunca escreveu sobre mim.

Ela comentou com uma pitada de ressentimento e uma tonelada de razão. Eu nunca escrevi sobre ela. Até hoje. Até agora.

Ela perde a compostura quando eu falo mal do Fluminense. Ela faz as próprias unhas - não que ela goste muito disso. Ela me estimula a ir à missa aos domingos. Ela fala um pouco de chinês. Ela tem a ambição de salvar o mundo. Ela já me fez assistir quase quatro horas de uma apresentação de balé. Ela nunca viu "Goonies" nem "Tubarão". Ela chorou quando tirou C em um trabalho do mestrado. Ela ganhou R$ 1.000 no bolão da Copa de 2010, disputando com uma porção de marmanjos metidos a "gatos-mestres" do futebol. Ela evita filmes de terror a todo custo. Ela não come nada que venha do mar. Ela gosta de vinhos adocicados. Ela adora "The Big Bang Theory", "Sex and the City", "Glee", "Grey's Anatomy" e "How I Met Your Mother". Ela rouba o meu travesseiro enquanto dorme. Ela não gosta de usar tênis. Ela fica "altinha" com pouca bebida. Ela adora churrascos ou qualquer tipo de culinária que envolva carne - contanto que seja bem passada. Ela tem um imã para cantadas horrorosas, incluindo as minhas. Ela dirige com o pé enterrado no acelerador e colada nos outros carros. Ela cisma que eu preciso ver "Dirty Dancing" de qualquer maneira. Ela é CDF. Ela não sabe contar piadas. Ela esquece dos filmes que viu. Ela cozinha pratos que ficam bonitos e saborosos. Ela está longe. Ela faz falta.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, hoje aprendemos uma bela lição. As pessoas amadas têm peculiaridades que elas próprias não percebem, mas são muito nítidas para terceiros. São coisinhas pequenas, mas deliciosas de serem observadas. Cultivar uma visão desses detalhes é uma forma de admiração silenciosa e de descobrir novas razões para amar. He-Man está inspirado hoje! Amiguinho, cuide bem dos seus livros, pois eles são seus amigos. Até a próxima!!!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Coisas que aprendi com Clint Eastwood

Um pequeno tributo a um exemplo de artista persistente e indivíduo "brabo", sem perder a ternura, Aperta o Play e vem comigo!


:: Com Clint, aprendi que posso envelhecer com tesão pelo trabalho.
:: Com Clint, aprendi que barba por fazer deixa o sujeito com cara de mau.
:: Com Clint, aprendi que falar entre os dentes deixa a frase ainda mais temível. Experimente falar "vá em frente, punk. Faça o meu dia" sem descolar os dentes e veja como fica ainda mais amedrontador.
:: Com Clint, aprendi que é possível ser sensível sem perder a macheza!
:: Com Clint, aprendi que é possível chegar aos 80 anos lúcido, elegante, criativo e rabugento.
:: Com Clint, aprendi a adorar filmes de faroeste.
:: Com Clint, aprendi a temer o poder de fogo de uma Magnum 44.
:: Com Clint, aprendi que minhas bobagens profissionais são remediáveis. Clint fez "Rookie" e "Honkytonky Man" antes de conceber pérolas como "Os Imperdoáveis", "Gran Torino" e "Sobre Meninos e Lobos".
:: Com Clint, aprendi que "Um Mundo Perfeito" é um filme subestimado.
:: Com Clint, aprendi que, mesma na melhor idade, eu ainda posso ter sex-appeal para engabelar
a Rene Russo.
:: Com Clint, aprendi que eu posso reverter desastres em coisas positivas. Aos 21 anos, o soldado Clint sobreviveu a um acidente aéreo, nadou 5 km e foi promovido de recruta a treinador de natação.
:: Com Clint, aprendi que é possível fazer um trabalho respeitado por contemporâneos e várias gerações posteriores.
:: Com Clint, aprendi que é possível ser bem-sucedido, mesmo sendo um músico frustrado. Clint queria tocar jazz, mas nunca conseguiu.


QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, hoje aprendemos uma valorosa lição. O tempo é inexorável (não sabe o que é "inexorável"? Google it!). A melhor foram que você pode lidar com ele é fazer como o oldmuddafocker Clint Eastwood: amadureça com qualidade. O que eu quero dizer? Quanto mais perto da morte chegar, mas tenha tesão pela vida! Amiguinho, não deixe acumular tralhas no seu quarto! Até a próxima!!!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Que time é teu?

Daqui a pouco tem jogo da seleção brasileira, a pátria de chuteiras. É o ópio do povo em seu grau máximo. É o momento em que todas as torcidas esquecem as rivalidades e vestem a mesma camisa amarela. Houve um tempo em que eu largava tudo para assistir um jogo do Brasil. Hoje em dia, eu não dou a mínima.

Nem sempre foi assim. Minha história com a seleção começou com a desclassificação para a França em 1986 e se consolidou em 1993, naquele antológico Brasil x Uruguai. Lembra desse jogo? Foi aquele em que o Romário foi convocado sob o clamor popular e fez dois gols diante de mais de 100 mil pessoas no Maracanã. Eu estava naquela partida e foi a minha primeira vez no Maior do Mundo. Foi amor à primeira vista.

No ano seguinte, eu comecei a colecionar figurinhas da Copa e assisti a todos os jogos do Mundial. Lembro até hoje da sequência de partidas que culminou naquele pênalti isolado pelo Roberto Baggio. Eu estava em Salvador naquele dia e me senti o torcedor mais pé-quente do mundo.

Em 1998, comprei a minha primeira camisa do Brasil e a Copa da França foi pano de fundo para uma das minhas maiores aventuras amorosas. Cada jogo da seleção era um encontro com uma vascaína linda e maluca. Quando Zidane e Petit enterraram o sonho do pentacampeonato, eu tomei um pé-na-bunda mítico e chorei em dobro: pela derrota em Paris e pela minha cacetada no Recreio dos Bandeirantes. Superei.

Assim como todo o país, eu acompanhei desconfiado o Brasil se classificar aos trancos e barrancos para a Copa do Japão e Coreia. Enquanto Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho surpreendiam a nação e atropelavam os adversários, minha mãe foi hospitalizada e passou por uma cirurgia muito delicada. Lembro que o dia da operação foi no mesmo daquele clássico Brasil x Inglaterra, no qual o Ronaldinho Gaúcho fez um gol de falta extraordinário e mandou o British Team de volta para casa. Eram jogos na madrugada, mas muito divertidos. Assisti à final contra a Alemanha na casa de um amigo e foi um porre antes das 9h.

Curiosamente, depois daquele jogo, a seleção perdeu o encantamento. Os craques não jogavam mais no Brasil, não havia mais o comprometimento dos jogadores com a torcida. Era um clima estranho. Por mais que o Brasil fosse ganhando as competições internacionais, eu não me sentia mais tão íntimo dos caras. Em 2006, com a eliminação diante da França (de novo), percebi que aquele time de amarelo não me representava mais. Depois, com o início da Era Dunga, aí que é peguei nojo mesmo.

Para você ter uma noção, assisti a Copa da África como se fosse um espectador de ópera: caladinho e sem reação. Em 2010, eu saquei que eu não era mais torcedor. Na verdade, eu torcia para o Brasil prosseguir na competição apenas para garantir os "feriados" e recessos. Sabe como é, né? Dia de jogo da seleção na Copa é ponto facultativo. Quando a Holanda eliminou o timeco do Dunga, minha reação foi de desprezo. Sabe aquela sensação de "dane-se"? Pois é, era eu.

Pois bem, hoje tem jogo do Brasil pela Copa América e vou ver a pelada sem qualquer comoção. Pouco importa. Na real, nada importa. Salvando dois ou três gatos pingados, não sinto qualquer identificação com aqueles caras em campo. Que se explodam o Neymar, o Ganso, o Pato, o Marreco e o Garnizé. Que se arrebente a CBF corrupta e maquiavélica. Para o inferno com os empresários e pseudo-craques-popstars. Que se lasque o ufanismo mentecapto do Galvão Bueno. Triste isso, né? Acho que o garoto que sentiu o coração acelerar vendo o Romário vestir a 11 do Brasil não imaginaria que um dia ficaria apático diante de um jogo da seleção.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, se tem uma coisa que o Homem mais Poderoso do Universo detesta é espírito de porco. No entanto, eu até te entendo. Seja no Brasil ou em qualquer outra seleção de primeiro escalão, os caras que entram em campo representam mais os seus próprios interesses do que a paixão de milhões de torcedores. Mas, quer uma dica? Veja os jogos das seleções feminina, sub-20 ou fraldinha. Os atletas que vestem a amarelinha são muito mais comprometidos. Eles e elas ainda têm algo a provar e ainda não pagaram todas as prestações do Minha Casa Minha Vida. Eles jogam pelo orgulho e honra. Como diria James Hetfield, "its sad but true". Amiguinho, não misture as roupas coloridas e as brancas antes de botar tudo na máquina. Até a próxima!!!

domingo, 12 de junho de 2011

Paula Burlamaqui e eu


Infelizmente, mulheres não compreendem alguns comportamentos primários dos homens. Um deles é o apego a certos objetos. Por exemplo, eu tenho um tênis xexelento que me acompanha há anos. Ele está quase furando, mas veste que é uma beleza. Também já ouvi namoradas de amigos meus reclamando de certas camisas que os seus respectivos nunca abandonam. Chegam a fazer terrorismo: "qualquer dia desses, vou botar essa porcaria no lixo sem que ele perceba". Maldade. E neste contexto, há um item cuja relação as meninas jamais compreenderão: as revistas masculinas.

Eu usei a palavra "relação" propositalmente. O homem cria um envolvimento quase afetivo com certas revistas. Vamos combinar, que para certos adolescentes é quase como uma namorada.

Realidade virtual é um conceito muito amplo, especialmente neste caso, não é mesmo? O moleque pode namorar a Jessica Alba, a Feiticeira, a Viviane Araújo etc, sem que elas saibam. A milenar arte do cinco-contra-um é uma densa manifestação do amor platônico em seu aspecto mais lascivo. E ainda tem a vantagem delas não cobrarem presente no dia 12 de junho.

Veja o meu caso. Eu tinha uma edição da Paula Burlamaqui que era tratada com extremo carinho. Tive até um casinho com a primeira edição da Carla Perez (com cabelo ruim e tudo) e uma aventura com a Scheila Carvalho, mas jamais repeti a sinceridade que dediquei à Paula. A única que me balançou foi a Tiazinha. Aquela máscara e aqueles peitinhos honestos estremeceram a minha relação com a "Burlamáquina". Superamos!

Tenho um amigo que lembra com muita saudade da Mara Maravilha e sua Playboy com temática indígena. Confesso que só fui ver o "ensaio" após o advento da Internet. Quando eu era guri, a edição Mara era quase um Santo Graal. Poucos tinham. Aliás, fui criança nos anos 80 e essa década foi cavernosa no quesito capas de revista. Só mesmo um estudo antropológico pode explicar como Yoná Magalhães, Hortência, Lucélia Santos, Elba Ramalho e Rosenery (!!!) Fogueteira (em edição especial (!!!!!!!)) alcançaram o status de símbolos sexuais. Só Luciana Vendramini (que tinha o fetiche de ser Paquita e menor de idade) faria bonito até hoje. Creio que ela está no mesmo nível da Mara Maravilha.

Os tempos mudaram. Assim como música digital, a
garotada não precisamais pedir para alguém maior de idade comprar a revista. A internet está aí para isso. Perdeu a aura de conquista, de vitória. "Caceta, consegui a Playboy da Monique Evans. Saca só!". Além do mais, hoje as capas da Playboy estão muito agressivas, masculinizadas. Tem mulheres com pernas mais musculosas que as minhas. E olha que tenho pernas maneiras. Cadê a inocência dos peitos naturais da Luiza Brunet? E as pernas bailarinas da Claudia Raia (ainda com cabelo armadão)? As coxas da Valeska Popozuda parecem as do Roberto Carlos, ex-lateral do Corinthians e do Real Madrid. Por mais gostosa que seja, Gracyanne Barbosa tem um físico de lutador de MMA. Hmmm... isso desperta certas criatividades. Imagina esta mulher te finalizando no triângulo?

E você, qual foi a sua Playboy inesquecível? Abra o jogo, vote ao lado e comente aqui.

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho de mão cabeluda, o padrão estético e o conceito de gostosura é um assunto muito denso. Veja o caso das musas pintadas na Renascença. Todas "cheinhas", com barriguinhas salientes e braços rechonchudos. Era o tipo de mulher que você só pegaria no fim da noite ou para fazer score no micareta. Vida que segue. A única unanimidade imortal é este que vos escreve. He-Man era, foi e sempre será top e referência de beleza naturalmente esculpida pela natureza. Amiguinho, lave as mãos após usar o banheiro. Até a próxima!!!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

No meu tempo...

Sabe aqueles emails nostálgicos com breguetes dos anos 80? Tipo "você se lembra da Supermáquina?", "você brincou com o Falcon?", "você viu a Playboy da Luciana Vendramini" e similares. Pois este spam não tem o impacto de um churrasco com os amigos nos dias de hoje. Não captou? Vou fazer um breve comparativo.

Vem comigo, pequeno jedi.

Há 10 anos atrás, churrasco era uma metáfora para encher a cara. O evento era marcado para o meio da tarde, mas só começava para valer quando o sol começava a se por. Os convidados chegavam tarde, mas traziam bem-vindas caixas de cerveja. Às vezes, das marcas mais mulambas. Alguns aventureiros mais ousados apareciam com vodka e suquinhos Tang para experimentos químico-etílicos para botar o fígado para trabalhar. O churrasco em si era revezado por um ou outro presente menos bêbado, o que tornava a qualidade da carne deveras duvidosa. Bem, quando havia carne, pois a linguiça e o franguinho imperavam pela praticidade e pelo preço. O acompanhamento era um pacote de farofa industrializada (geralmente, com gosto de areia e sal) e tá bom demais. Na vitrola, um pagodão, axé ou funk do terror para libertar a cachorra que existia dentro de cada convidada. Engovs eram obrigatórios.

Hoje em dia, os churrascos são marcados para a hora do almoço e são de uma pontualidade londrina. Os convidados idem. A birita é farta e de boa procedência. Em alguns casos, já rolam Heinekens, Stellas e até outras marcas importadas. A vodka é comum e serve de base para caipirinhas bem feitas e até com adoçante. Para evitar o pileque, a carne é farta e tem um churrasqueiro profissional para garantir a suculência do filé. E o que mais me espanta é que tem guarnições e... salada. Caramba! Os churrascos têm saladinhas caprichadas e coloridas. Me explica onde uma saladinha teria vez há dez anos? E o público mudou. As vagabundas habituais cedem lugar às namoradas e esposas. Os pais e sogros não são mais estranhos no ninho e uma nova categoria de convidado surge: crianças. Bebês ou pimpolhos com até 3 anos estão na parada. Ninguém dança na boquinha da garrafa ou vai até o chão, chão, chão. O iPod toca rock e até Maria Gadú.

Quando vou aos churrascos da galera, eu me sinto como... meus pais. Cruzes!!!

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?
Amiguinho, confesso que eu não conhecia esta faceta do seu complexo de Peter Pan. Pois é, o churrasco é um exemplo muito claro da maturidade. Os amigos crescem. Você cresce. As vadias somem. As mulheres bacanas ficam. Porém, as piadas de duplo sentido e cacófatos quando os amigos se reúnem continuam os mesmos: "se eu compro 1 quilo de picanha, dá para 20 comer?". Amiguinho, respeite a faixa de pedestre. Até a próxima!!!

domingo, 1 de maio de 2011

O casamento real na real

Às 7h da manhã de sexta-feira, dia 29 de abril, eu estava tomando café da manhã em uma padaria, em Duque de Caxias. A diferença é que neste dia havia uma TV ligada, coisa que nunca vi antes por lá, e uma aglomeração de gente. Em uma das mesas, uma moça sozinha bebia uma xícara de café e observava as imagens da telinha. Esta cena isolada, independente das outras pessoas no recinto, representou para mim o fascínio que o casamento real de Will e Kate tem no imaginário do povo.

A guria assistia em silêncio, com um olhar fixo e um semblante de 7 horas da manhã, isto é, um pouco de sono, um pouco de fome, um pouco de ansiedade pelo novo dia. A diferença era uma pitada de devoção à cerimônia que era transmitida ao vivo para bilhões de telespectadores. Há poucos dias, "twitei" que achava engraçado todo o circo ao redor do casório. Uma amiga querida me censurou: "o mundo precisa de fantasia, Surfista. Deixa de ser ranzinza". Quer saber? Ela está certa!

Passei a considerar esta aura de conto de fadas totalmente saudável e bem-vinda. Acho que muita gente parou de trocar tiros para viajar nas bodas (eu dissse "bodas") do casal real. Era quase uma final de Copa do Mundo, uma noite do Oscar, mas com a magia das palavras "príncipe" e "princesa". Justo! Acreditei que o nosso mundo precisava mesmo de um dia de folga de todas as suas crises. Um anestésico natural contra os problemas diários.

Um dia lotado com casamento pela manhã, recepção real ao meio-dia, banquete do Príncipe Charles à tarde e festança organizada pelo Príncipe Harry à noite. Aliás, no evento todo, Harry é uma figura ímpar. O cara é o que mais se diverte na família. Ele é o irmão caçula que não precisa manter a imagem de comportamento exemplar e dificilmente será rei. Ele é o cara que se aproveita da posição sem ambições maquiavélicas. Não precisa. Harry é rico, prepara festas, passa o carro nas súditas, frequenta os pubs, faz a alegria dos paparazzi sensacionalistas e se tornou um dos solteiros mais cobiçados do mundo. Harry ainda tem uma vantagem significativa: não está careca!

PS. Será que alguém roubou cajuzinho na festa de Will e Kate?

QUAL A MORAL DA HISTÓRIA,
HE-MAN?

Amiguinho, até você cedeu ao encanto do casamento real? Você é um fraco! He-man foi convidado e esteve lá. Como? Quando não estou de sunga de couro e sem camisa, eu sou o PRÍNCIPE Adam. William e eu temos tudo a ver. O lance é que eu estou no cargo há mais tempo e não estou careca. Foi mal, Will. Enfim, concordo contigo. O seu mundinho conturbado precisa de um pouco de escapismo de vez em quando. Amiguinho, torcer pelo seu time não é arrumar confusão com outros torcedores. Pega leve! Até a próxima!!!