Como já tinha dito fomos de ferias ao Kenya. A prioridade era voar desde Luanda, para para os bilhetes em kwanzas e por exclusão de partes (mau tempo e condições políticas) a escolha acabou por ser o Kenya. Quando digo "acabou por ser" não por não querer conhecer o país, longe disso, mas havia sem dúvida outros prioritários. Sempre achei e acabei por confirmar, que o Kenya seria uma outra Tanzânia e por isso, tínhamos em mente outras paragens (Madagascar) mas ficaram para outros verões, em que espero, o país esteja mais calmo.
E assim, seguimos para umas férias os três, à semelhança dumas outras que fizemos em 2010 a dois ainda. Também na altura era época de grandes jogos de futebol. Nesse ano, vimos Portugal em a ser ganhar estrondosamente (7/0) em Cape Town e vimos Espanha a ser campeã do Mundo em Roma. Aliás vimos a luas das espanholas a mergulhar na Fontana de Trevi nessa noite! Este ano, fomos de férias como campeões e reconhecidos, até no Kenya, como tal.
O programa estava estabelecido: três dias na costa, em Diani Beach, Mombassa, dois dias de Safari no East Tsavo Park e quatro dias numa mini ilha ao largo da costa, a Chalé Island.
Começamos mal com aviões super atrasados e uma escala em Nairobi quase complicada. Fica o aviso: quando voarem para o Kenya e tiverem um voo interno, saibam que a passagem de malas dum aeroporto para o outro, é feita pelos passageiros! À moda de Luanda :(
Ou seja, aterramos em Nairobi muito atrasados, num aeroporto grande (há imensos voos de ligação à Europa e à Ásia) com um trafego considerável, com muita segurança (militar) e poucas indicações e informações. Ao fim de algum tempo "perdidos" lá fomos tirar o "Visa" a correr (as filas eram medonhas, o que prova que não funciona muito bem)passando à frente de dezenas de pessoas e fomos informados que tínhamos de retirar a bagagem e mudar de aeroporto. Aiiiiiiiii! Mudar de aeroporto, que por acaso é do outro lado da imensa praça/rotunda, com três malas e uma criança de três anos num carrinho! Valha-nos nesta altura o belo Maclaren! Literalmente a correr feitos tolinhos e já com a língua de fora, chegamos ao outro aeroporto, para descobrir que "a onda é ter calma, porque tudo se resolve", e o avião para Mombassa estava também atrasado. O verdadeiro Wakuna Matata!
Descansamos um bocado e aproveitamos para ver as noticias. A televisão alternava entre Nice e a Turquia a braços com um possível golpe de estado. É estranho o sentimento de estar longe de tudo, num pais desconhecido, numa sala de embarque estranha a ver estas noticias. Parece que o mundo não para de nos aterrorizar. Reconheci o hotel onde fizemos as primeiras férias a três em Nice nas imagens e custou-me. Custou-me saber que o medo se instala em sítios tão lindos e onde fui tão feliz.
E apesar da minha convicção ser de que temos de continuar a ir, a viajar e a não ter medo, estar no Kenya a ver estas imagens, fez-me logicamente pensar na nossa segurança.
Quando aterramos em Mombassa, o meu medo aumentou. Os acessos ao aeroporto (também por estarem em obras) são indescritíveis, mesmo para quem está muito habituada a África e ao menos bom deste continente. Penso mesmo que ao comum turista, aqueles 40km às duas da madrugada seriam motivo para um retorno a casa. A passagem para a costa sul de Mombassa(Diani Beach) é feita numa breve passagem de ferry. Ou seja, aqueles dez minutos foram a cereja no topo do bolo. Àquela hora e depois de ter saído de casa há mais 28 horas (fizemos Porto-Lisboa-Luanda, e após uma ida a casa para trocar de malas, Luanda-Nairobi-Mombassa) ter de entrar num ferry para atravessar algo em que a iluminação e todo o envolvente deixa muito a desejar, fizeram-me seriamente pensar que estava louca, em ter escolhido o Kenya para viajar com o Guilherme. Enfim, tudo correu lindamente e às três da manha estávamos deitados no quarto do primeiro hotel escolhido. O Guilherme dormia desde que entramos no carro, o que mais uma vez, veio comprovar a minha ideia, que é fácil viajar com crianças! Como a minha, claro!