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quarta-feira, 1 de julho de 2015

CAPITÓLIO: obras paradas no primeiro monumento modernista de Lisboa e do país...


















O que se passará com o nosso estimado vizinho Capitólio, classificado Imóvel de Interesse Público? As obras estão novamente paradas há vários meses. Esta é a vista que temos dele, tirada do Arboreto do Jardim Botânico. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Fundo Mundial de Monumentos elege Jardim Botânico de Lisboa como herança a preservar

Por Carlos Filipe in Jornal "Publico", 7 de Outubro de 2011

No dia em que escapou a um incêndio num edifício que lhe fica vizinho, o Jardim Botânico de Lisboa entrou para a lista de 2012 do observatório criado pelo Fundo Mundial de Monumentos, instituição privada norte-americana, sem fins lucrativos, que tem por objectivo a preservação de lugares da herança cultural em todo o mundo.

Foi na quarta-feira que o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, monumento nacional desde o final de 2010, após 40 anos à espera de classificação, passou a ser o sétimo conjunto patrimonial português identificado naquele observatório (http://www.wmf.org/), que através de escolhas bienais chama a atenção internacional para os perigos que ameaçam os lugares com grande significado histórico, artístico e arquitectónico.

Entre os 686 locais, em 132 países, distinguidos por aquela organização desde 1996, também constam as pinturas de arte rupestre do Vale do Côa (1996), a Vila Romana do Rabaçal, concelho de Penela, Coimbra (2004), e o Teatro Capitólio, no Parque Mayer, em Lisboa (2006). Igualmente referenciados, mas ainda em avaliação, encontram-se a Catedral do Funchal, os Jardins do Palácio de Queluz e a Torre de Belém.

O fundo, sediado em Nova Iorque, que também participa financeiramente para a recuperação e/ou preservação de alguns daqueles monumentos, aceitou os argumentos da candidatura da Liga dos Amigos do Jardim Botânico - que engloba a plataforma em defesa daquele jardim, um conjunto de 13 organizações não-governamentais -, segundo a qual o espaço verde lisboeta, com uma área de 4,2 hectares, "sofre ameaça à sua integridade com o Plano de Pormenor do Parque Mayer que propõe mais de 25 mil m2 de nova construção nos logradouros e parcelas de terreno em plena zona de protecção do monumento". A mesma associação refere igualmente que "um insuficiente financiamento, a crónica falta de funcionários e a falta de manutenção ameaçam há décadas a sobrevivência e integridade do Jardim Botânico de Lisboa, como ficou demonstrado pelo incêndio de quarta-feira".

Entre dezenas de outras admissões na lista de 2012 do observatório, o fundo elegeu sítios tão díspares como a cidade de Walpi, no condado Navajo do Arizona, ou a arquitectura histórica da Cidade do Belize, na América Central.

terça-feira, 17 de março de 2009

«Lisboa precisa de mais uma grande sala de espectáculos?»

«Possibilidade de construção de recinto para duas mil pessoas no Parque Mayer e restrições ao uso do carro no local estiveram ontem em debate

Lisboa precisa de mais uma sala de espectáculos, qualquer coisa cujas dimensões estejam a meio caminho entre os cinco mil lugares do Coliseu e os pouco mais de mil do Centro Cultural de Belém? O assunto esteve ontem em debate, durante a apresentação dos termos de referência do plano de pormenor do Parque Mayer.

Os termos de referência são as regras pelas quais se vai orientar o planeamento urbanístico daquele pedaço de cidade, que a Câmara de Lisboa quer transformar num pólo lúdico-cultural, com teatros, bares, restaurantes, galerias de arte e um hotel. Manuel Aires Mateus foi o arquitecto que ganhou o concurso para desenvolver a reabilitação da zona. Foi ele quem, perante várias objecções da assistência sobre a viabilidade de construir um teatro para duas mil pessoas, quando os que existem raramente enchem, explicou as potencialidades da ideia: "Criar novos públicos. Quando o Centro Cultural de Belém foi projectado, havia a sensação de que quer as áreas de exposição, quer os auditórios tinham dimensões megalómanas. Hoje é pequeno para as necessidades. A grande escala induz procura."Não que esteja totalmente assente que o futuro Parque Mayer venha, de facto, a ter um equipamento cultural destas dimensões. "Há determinados espectáculos que o justificam, mas há que verificar a viabilidade de uma sala destas", acautelou o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado. Na realidade, como acabou por explicar aos jornalistas no final do debate, houve já vários promotores de espectáculos que fizeram saber à câmara que alinhariam num projecto deste género, algo que, segundo o vereador, poderá custar entre 18 e 24 milhões de euros, equipamento já incluído.
Mas se Aires Mateus se referiu a este novo equipamento como um teatro adaptável a várias funcionalidades, como a ópera, já Salgado vê o futuro recinto mais virado para os espectáculos musicais. O teatro de revista manter-se-á, assegurou Aires Mateus. Há boas possibilidades de isso acontecer, mas seja como for, os concessionários dos vários equipamentos culturais que a autarquia erguer no recinto, com ajuda das verbas do jogo do Casino de Lisboa, terão de se candidatar ao concurso que o município há-de lançar para o efeito, respondeu Salgado. Os mais recentes planos da autarquia para o local incluem um hotel e três teatros - o Capitólio, que vai ser reabilitado, o Variedades, feito de novo ou recuperado, e a tal terceira grande sala.

O facto de o futuro Parque Mayer ser mais um pedaço de cidade com ruas e praças, mas destinado aos peões, devendo ser ali vedada a circulação de carros e restringido o estacionamento, preocupou vários dos intervenientes do debate de ontem - funcionários do Museu de História Natural, arquitectos e moradores da zona. Mas a câmara não parece disposta a desistir de modificar os hábitos enraizados de quem leva o carro para todo o lado, até porque a zona está bem servida de transportes públicos. "Eu nunca vi carros em redor da Tate Gallery nem do Museu de História Natural de Londres", observou o vereador Manuel Salgado. "Na maioria dos centros históricos do mundo não circulam carros."» in Público

FOTO: O Cinema S. Jorge inaugurou com 1827 lugares mas no presente está dividido em 3 salas. Não seria mais urgente, e viável, recuperar a lotação original dos quase 2 mil lugares? A LAJB vê com preocupação a proposta de um super-teatro no recinto do Parque Mayer pela volumetria, impermeabilização e ruído que esse projecto vai implicar. Foto de 1959 de Armando Serôdio (1907-1978). Fonte: Arquivo Fotográfico Municipal.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

CML: Reabilitação do Capitólio e Plano para o Parque Mayer e Jardim Botânico

«O devoluto cine-teatro Capitólio, no Parque Mayer, foi hoje, 4 de Dezembro, palco da cerimónia de assinatura do contrato para a sua reabilitação e de apresentação da proposta vencedora do concurso de ideias para o Parque Mayer, Jardim Botânico, edifícios da Politécnica e área envolvente.

O projecto do atelier Souza Oliveira, Arquitectura e Urbanismo Lda. promete devolver ao Capitólio a imagem que esteve na base do seu desenho original pelo Arqº Cristino da Silva em 1929 – uma caixa mágica – e o Plano de Pormenor do Parque Mayer, que será elaborado pelo atelier dos arquitectos Aires Mateus e Associados, promete fazer a interligação entre o Jardim Botânico, a Universidade e o Parque Mayer, tornando-as mais acessíveis aos cidadãos.

Depois de fazer uma síntese histórica da zona – desde a projecção do Passeio Público e da Avenida da Liberdade no século XIX aos inúmeros estudos de remodelação do Parque Mayer iniciados na década de 80 do século XX no mandato do Engº Krus Abecasis e continuados nos sucessivos mandatos autárquicos até à actualidade – o vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado, classificou o dia de hoje como “histórico” para aquela zona nobre da cidade de Lisboa, “não apenas pelo contrato que assinamos hoje e pela apresentação do vencedor do concurso de ideias para o Parque Mayer, mas também, porque ontem aprovamos em reunião de Câmara o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente, que estará em discussão pública até final de Janeiro próximo, e ainda este ano publicaremos as medidas preventivas para a Baixa, também decisivas para a reabilitação deste eixo central de Lisboa”.

Ao assumir que a resolução dos “inúmeros impasses urbanísticos da cidade” foi definida como uma prioridade no seu mandato autárquico, o presidente da CML, António Costa, também realçou a importância do “desbloqueio” destas duas medidas para a reabilitação de “dezenas de edifícios que estão há anos entaipados”.

“Mas o maior impasse de todos era este do Parque Mayer”, reconheceu o autarca ao recordar que a reabilitação da zona já havia sido uma “questão central na campanha de Jorge Sampaio e de Marcelo Rebelo de Sousa, há quase 20 anos”. E, depois de lembrar que “em menos de três meses de termos tomado posse estávamos a abrir estes concursos”, António Costa agradeceu o “trabalho imenso” do vereador Manuel Salgado, dos dirigentes e dos serviços municipais do urbanismo porque “fizemos isto como deve ser feito, com concursos, com debate público, com Plano de Pormenor e com júris muito qualificados e participados por todos os parceiros e pessoas que conhecem bem o Parque Mayer”.

Na sua intervenção, António Costa destacou ainda a importância destes projectos fazerem a interligação entre o Parque Mayer, o Jardim Botânico e os museus da Politécnica e de estarem inseridos numa “estratégia de renovação deste eixo central da cidade, da Baixa até ao Parque Eduardo VII”, para além de enaltecer a “simplicidade” do projecto do Capitólio porque, como considerou, “o que comprometeu antes o Parque Mayer foram ideias megalomanas que não se conseguiram executar”.

O Parque Mayer constitui uma referência ímpar da história artística cultural da cidade de Lisboa e do País. A reabilitação desta área afigura-se como um dos factores mais importantes para a regeneração de Lisboa. O Parque Mayer, deverá assumir-se não só como pólo de desenvolvimento de actividades lúdicas e culturais mas, também, como objecto arquitectónico de referência, introduzindo um conceito renovado de lazer no sistema e espaços públicos da cidade, designadamente no seu eixo mais relevante - a Av. da Liberdade. Acresce que a continuidade efectiva do Parque Mayer com o Jardim Botânico e os Edifícios da Antiga Escola Politécnica, aos quais é possível aceder a partir da Rua Castilho, da Rua da Escola Politécnica, da Praça da Alegria e da Calçada da Glória, conferem-lhe um enorme valor como grande espaço aberto numa parte alargada da cidade histórica.

Num quadro de revitalização e reestruturação de toda a zona do Parque Mayer e, pretendendo-se que este funcione como pólo de atracção e de regeneração urbana, difundindo-se para as zonas e equipamentos circundantes integrando-se com protagonismo, nas estruturas económica, social e natural envolventes, torna-se premente a requalificação do Cine-Teatro Capitólio, classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1983 (Decreto do Governo 8/83, de 24 de Janeiro, DR 19, de 21-01-1983). De facto o Capitólio surge como factor potencializador para “dinamizar a área, reforçando a sua componente lúdica e cultural” (in proposta do PUALZE), requalificação esta que se pretende adaptada às exigências regulamentares vigentes mas enquadrada no espírito do projecto original do Arq. Cristino da Silva.

CONCURSO PARQUE MAYER
Com este contexto foi aprovado em Reunião de Câmara (Proposta nº255/2007), a abertura do concurso público de ideias de arquitectura e paisagismo destinado a qualificar 5 equipas técnicas para participarem num concurso limitado com vista à selecção da equipa responsável para elaborar o Plano de Pormenor do Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Área Envolvente. O concurso de ideias foi lançado em Novembro de 2007, tendo a entrega das propostas ocorrido no dia 25 de Janeiro de 2008. Os 27 projectos admitidos a concurso foram exibidos numa exposição nos Museus da Politécnica (3 de Abril a 18 de Maio de 2008) tendo este evento sido acompanhado por um ciclo de debates abertos à população.

Em resultado das principais questões levantadas nos debates, bem como da informação técnica transmitida, os serviços camarários procederam então à elaboração do programa do concurso limitado destinada às cinco equipa vencedoras do concurso de ideias: ARX Portugal, Vão Arquitectos Associados, Souto Moura Arquitectos e Gonçalo Byrne Arquitectos. Este concurso foi lançado no dia 30 de Junho de 2008 tendo as propostas sido entregues no passado dia 22 de Setembro. O Júri deste concurso presidido pelo Arq. Nuno Portas integrou elementos da Universidade de Lisboa, do IGESPAR, da Ordem dos Arquitectos, da Associação Portuguesa dos Paisagistas e da CML bem como personalidades relevantes do meio artístico e do urbanismo em Portugal. No seu relatório final, o Júri classificou em 1º lugar a proposta encabeçada por Aires Mateus Associados.

CONCURSO CAPITÓLIO
Paralelamente, foi aprovado em 12 de Dezembro de 2008 (Deliberação nº530/CM/07) o lançamento do concurso público para a reabilitação do Capitólio, reconvertido à traça do projecto original da autoria do Arq. Cristino da Silva. O referido concurso foi aberto no dia 14 de Janeiro. Pretendia-se uma reabilitação global do edifício, capaz de resolver os problemas estruturais e funcionais existentes, prevendo todos os trabalhos necessários ao seu funcionamento e dotando-o de flexibilidade suficiente para satisfazer as necessidades de grande parte dos produtores e dos encenadores do nosso meio teatral actual. No dia 11 de Abril de 2008 foram entregues 9 propostas, sendo que 4 foram admitidas a concurso: Souza Oliveira - Arquitectura e Urbanismo Lda; Agrupamento liderado por Arq. José Romano Pires; Atelier Daciano Costa e João Rosário Mateus Arqt.» in www.cm-lisboa.pt

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Capitólio: aprovada proposta de reabilitação

A Câmara de Lisboa aprovou hoje, em reunião de Câmara, a proposta vencedora do concurso público lançado para reabilitar o edifício do Capitólio.

O projecto do atelier do arquitecto Souza Oliveira foi o vencedor do concurso público para a reabilitação do edifício do Capitólio, no Parque Mayer. A proposta escolhida prevê a reposição de uma "grande sala" e uma grande praça ao lado do edifício.

A recuperação do Capitólio será a âncora do reabilitado Parque Mayer e custará 10 milhões de euros, provenientes das contrapartidas do Casino Lisboa. Reabilitar o espaço como "um lugar de teatro" e repor a "grande sala" do Capitólio, abrindo-a lateralmente "para uma grande praça", são algumas das linhas orientadoras do projecto vencedor, segundo a memória descritiva a que a agência Lusa teve acesso.

"A reabilitação do edifício deve repor e melhorar o seu desempenho, atingindo a versatilidade compatível com os níveis de exigência das produções contemporâneas de espectáculos", lê-se no documento. O projecto pretende ainda ampliar a capacidade de uso do Capitólio, mas para tal sugere que o "esqueleto técnico" seja minimizado para evitar a descaracterização do edifício. Concebido pelo arquitecto Luís Cristino da Silva, o Capitólio é considerado o primeiro edifício do Movimento Moderno em Portugal e abriu em 1931.

O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, assumiu o compromisso de as obras começarem nos próximos dois anos. Resolver os problemas estruturais e funcionais existentes no edifício, devolvendo-o ao projecto original, são objectivos da requalificação cujo caderno de encargos determina a manutenção das fachadas, da sala principal de espectáculos, do piso superior e da esplanada ao ar livre. O projecto prevê a remoção - segundo o caderno de encargos - do balcão existente a meia altura da sala de espectáculos, da cobertura do piso superior e dos foyers laterais criados nas fachadas laterais em 1935. A zona afecta ao palco e aos camarins, as caves técnicas, o subpalco e as arrecadações são, segundo o mesmo documento, estruturas passíveis de alteração ou ampliação de volumetria. Para repor são os paramentos em vidro das fachadas laterais, os tapetes rolantes - os primeiros do género em Portugal -, como memória do projecto original, e o palco superior para variedades e projecção de cinema.

O teatro deverá tornar-se num espaço para várias artes de palco, funcionando como o centro da reabilitação do Parque Mayer, cujo plano de pormenor foi sujeito a um concurso de ideias e que se encontra em debate público. in Lusa

FOTO: o belo interior do Capitólio no ano da sua inauguração.