tentava fugir. adiar. já não aguentava olhar aquela caixa. ali. incólume. impune. uma parafernália que não sabia manusear. não tinha as chaves, muito menos o manual. via-se obrigado a conviver. a aceitar. por mais que fugisse, seguia-o como um fantasma. daqueles que incomodam. se materializam. cutucam. assustam.
queria abri-la à força, arrancar-lhe tudo o que latejava. pensou em jogá-la fora. mas seria desumano ingressar nesse jogo que se pretende humano. não admitia adotar qualquer meio. não justifica. não aqui. não ali. só queria não tê-la. afinal, quem a colocara ali. d'onde veio, pr'onde vai. caixinha maldita que não se esvai. sequer a tivesse cativado. essa dor não teria se instalado. jogar fora não queria, destruí-la não podia. restava-lhe fazer compressas. acalmar os pulsos.
a-dor-mecer.
10 novembro 2014
06 novembro 2014
certa.fazer.a.coisa.
tanto ficar quanto ir embora pareciam, em diferentes momentos, a coisa certa a fazer. deu nó. tilte. reseta, por favor?
05 novembro 2014
do muito dito.
nasci não-dito
preocupado em ser entrelinharesolvi ser dito
perdi-me de mim mesmo
é assim que sinto
27 outubro 2014
no escuro.
queria que o mundo o lesse. faltava-lhe coragem. sonhava. cogitava.
apagava. aquele botão laranja o assustava. é como expor aos outros as
suas células. vê-los bebendo-as o deixava em pânico. era pedir demais. sentia-se inchado, precisava expeli-las. mas era too
much. queria gritar. queria que todos ouvissem, mas ninguém o visse. pode gritar no escuro?
sem norte
não tenho medo da morte. temo ficar assim, sem norte. arrastando conteúdo num corpo disforme. quem mandou brigar com a sorte. mas um dia, quem sabe, ela volte.
08 agosto 2014
do terror
É, o temor dessa maldita intuição se firmou. Assim como no filme, veio de solavanco. E eu que só brincava com a semelhança, hoje assisto, sinto e vivo cada cena. E se ainda tinha dúvida, o próprio medo se materializou em um misto de realidade sonhada nos labirintos do inconsciente. Arrepiou. Chegou perto. Puxou o pé. Sufocou a voz. Lembrou-me como os gêneros transitam entre si. Com que facilidade e rapidez. De (des)romance a terror. Num piscar de olhos. Num olhar penetrante.
31 julho 2014
ainda.
se foi. virou história. lembrança, memória. onde havia objetos, cenas. no lustre dos móveis, a nossa imagem. o perfume exala no ar. seu cheiro ainda está em mim.
25 julho 2014
da terra
| Esfinge de açúcar - Salvador Dali |
22 julho 2014
das utopias
utopias são boas companhias... para a imaginação
quando adentram a realidade, são intensas, pouco tenras, disformes
no começo se mostram sãos
mas quando chega a intersecção, logo se vê que não há coração
E não há nem o que reclamar
sua matéria não é daqui
seu composto se desfaz ali
é tudo simplesmente fantasia, vai dizer que não sabia?
devaneios da ilusão
oh, pobre poesia
são verão em meio ao inverno
e quando você se acostuma com o bronze
viram árvores com suas sombras frias e gélidas
vão logo se tornar estação em outro coração
utopias não foram feitas para serem vividas, mas sonhadas
a não ser que se prefira o desengano ao encantamento
se pudesse, permanecia com aquele suspiro profundo e silencioso
que ela acabou por matar
restou só a desilusão e umas pitadas de decepção
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