Eu não entendo o porquê. Sei que existe uma ânsia dentro de mim em querer tudo e muito mais de uma só vez. Quero tudo pra hoje - na verdade, pra ontem, mas, tenho consciência da impossibilidade de caráter, hum, técnico. Quero o mundo, quero todas as possibilidades. Quero. Quero. Quero ter tempo pra tudo, quero ter tempo pra nada. Quero me ocupar de tanta coisa que não dê tempo de me ocupar.
Esse desespero desenfreado me acompanha desde cedo. Se possível, teria feito o jardim de infância de manhã, o ensino fundamental à tarde, o médio à noite e a graduação a distância. A pós, essa eu deixaria pra adolescência pra vida não ficar tediosa.
Aconselham-me a ter calma, que a vida se delicia aos poucos. Mas a única coisa que 'aprecio' devagar são os legumes. E não porque quero, mas porque são tão desinteressantes que as poucas vezes que me forço a degluti-los parecem durar anos. Coisa boa a gente come rápido, pra comer mais. De uma vez. Pra não fugir, pro mundo não acabar e restar metade do pote de Häagen Dazs. Insolência comparável apenas àquela do paraíso. A vida é emergente, o mundo é urgente.
Sei que essa ânsia não se explica, se anseia. Até pra redigir esse texto bate aquela apreensão. Quero chegar logo nos ditames finais, como será a última frase? Palavras se perdem, vão atropelando umas as outras, coitadas, tão machucadas. E eu não sei. Só sou. Talvez seja alguma espécie de inconsciente sinalizando a brevidade da vida, da minha.