28 novembro 2009

Capital de muitos...

Vivacidade. Palavra sugestiva, de muitas conotações, caracteriza a célebre cidade de Brasília. Capital de todos, de muitos, e de ninguém. Cidade adorada, venerada, detestada e muito criticada. Brasília de muitos gostos, de muitos desgostos e de muita história. A Capital consolida a diversidade de sua madre, de seu Brasil, de fato, brasileiro.

No país de muitos povos, muitas raças, muitas cores, muitos amores, uma Capital foi erigida em seu seio. Mítica, ela nasceu de um sonho de um grande homem, recebeu formas de avião, para alguns, e de pássaro, para outros, numa metáfora à vontade de ter asas, de voar, de alçar novos rumos, novos horizontes à promissora nação.

Loucos sonharam, doidos planejaram, malucos realizaram. A loucura deu certo. No cimento que erguia a moderna arquitetura, mãos dos quatro cantos tocaram. Do sul, do Norte, do Nordeste, do Sudeste e, claro, do Centro-Oeste. O sonho, então, tomava forma, a loucura se concretizava. E a mistura estava feita! Mal sabiam que belo cartão postal aquilo que construíam iria virar. E quem imaginaria que vista magnífica o pôr-do-sol traria àquela cidade, que mal acabara de nascer?!

Brasília apresenta diversidade que não se resume a raça e etnia. Ela se apresenta também nos detalhes, no óbvio, no oculto, no âmago da nação. As formosas curvas, a ousada arquitetura, o design inovador, a urbanidade e a desenvolvida civilização compartilham o espaço com o ilustre verde das gramas, as tortuosas e secas árvores, o colorido dos bem cuidados jardins, imersos no vasto e inebriante céu de um azul puro e singelo. Um prato cheio aos amantes da fotografia. Brasília, de diversidade de clima. De sol e chuva, de calor e frio, num único dia. Brasília e seu cerrado, vasta fauna e flora.

Tanta beleza abriga a sede do Poder, o centro político do emergente país, que suja e fere continuamente a imagem da majestosa Capital, com os constantes escândalos políticos. Gera críticas e revoltas por grande parte da população. A Capital que tinha tudo para ser perfeita revela a frágil estrutura, trazendo consigo paradoxos, muitos. Instalada no centro do Distrito Federal, demonstra os contrastes socioeconômicos com cidades bem próximas, numa fiel metáfora do Brasil.

Retrato da Capital… quem poderá defini-lo?! Brasília é como o Brasil, complexo e diverso. De amor e ódio, de luxo e pobreza, de orgulho e vergonha, de vanguarda e de atrasos. Brasília, de multiplicidade, que está prestes a se tornar cinqüentenária. Resta-nos dizer: Viva a Cidade, Viva a Capital. Vivacidade!




Texto e Fotos: Davi de Castro
Crônica produzida para o blog www.caixapretajcd.wordpress.com

12 novembro 2009

Pra Manter ou Mudar (A do Piano) - Móveis Coloniais de Acaju

Móveis Coloniais de Acaju. O nome é estranho, mas quando você para pra ler sua "origem" acaba percendo que é genial, assim como a própria banda. Diferente de muita coisa que já ouvi e com letras interessantes e criativas, assim como as das minhas bandas favoritas. Não deu outra: entrou pra minha lista VIP. Quanto mais escuto, mais gosto. E ao vivo, no show, eles conseguem ser ainda melhores. Segue um vídeo de uma música que diz muitas coisas bacanas; dizem muito do que eu quero dizer. Enjoy!



#RevoltaDoAcaju #EuAcredito

14 outubro 2009

A Flor - Los Hermanos


Vídeo com uma animação da música "A Flor", dos Los Hermanos. A letra é muito bonita e fala por si só. Confira...




Ô, Anna Juliaa... ♪

06 maio 2009

O acaso da sorte

Crônica

Tudo mudar. De uma hora pra outra, um caso - o acaso - pode mudar uma vida. Um encontro com a sorte, um atalho do destino: a fronteira do paraíso. É difícil não encontrar quem não queira dar uma guinada em sua história. Sair de rumo, romper os muros, mudar de estrada -- dar uma virada. Arquétipos moralistas recheiam os exemplos -- e nossas mentes. São contos que ouvimos desde a infância e sonhamos que um dia eles aconteçam conosco. Estão tão pertos -- em nossos sonhos -- e tão distantes -- em nossas realidades (sim, realidades!). É um dos paradoxos da subjetividade humana. Lidar com os fatos -- a realidade -- e com a abstração -- a imaginação.

Esperamos o dia em que a o acaso, sim, a "sorte", nos dará um sorriso, nem que seja um singelo, mas um sorriso. De Monalisa, que seja. Parece simples; para os mais céticos, improvável. "Um prêmio da loteria", "Um concurso público", "Um casamento milionário", "Um convite para protagonizar um filme", "Um carro no sorteio do supermercado", "Uma promoção no serviço", "O emprego dos sonhos", "Uma vaga naquele programa de tevê", "Uma bolsa de estudos em outro país", "Uma família do tipo comercial de margarina", "Namorar aquela sua paixão da adolescência", "Tornar-se um empresário de sucesso", "A aprovação naquela faculdade"... São sonhos, e sonhos, e mais sonhos que anseiam por algo que os torne real -- é o que muitos denominam "sorte". Vai dizer que você nunca se pegou pensando em algo que poderia transformar o seu presente, e futuro, caso acontecesse?!

Num "plim" tudo se resolve. Problemas sanados, novas perspectivas. É uma pena que histórias onde a "sorte" mudou destinos e hábitos estejam tão distantes. Já viu alguém próximo ter sua vida mudada de repente? É, nem eu! Parece-me que a "sorte" tem outros horários, bem diferentes dos nossos. Ela demora um bocado, aliás, quando chega a tempo -- em nosso tempo. Brasileiros, em média, 72,7 anos -- sim, esse é o nosso tempo (expectativa!). É, "sorte", não demore. As coisas vão de mal a pior por aqui. E nem pense em vir de ônibus, metrô, e muito menos de avião. É que aqui os meios de transportes têm alguns pequenos probleminhas -- bem irrelevantes, por sinal. Estarei te esperando, mas, para mim, tens outro nome: fé e esperança. É o que me impulsionam diariamente.

13 abril 2009

Ser


A cada hora que passa envelhecemos dez semanas. A cada dez semanas deparamo-nos com novas realidades em nossas vidas. Quilinhos a mais aqui, uma espinha acolá. É o solado do tênis que vai se acabando, aquela blusa que você tanto gosta se desbotando, o celular a ponto de falar: "tá na hora de me aposentar!". Sua jornada de trabalho é reduzida, você descobre que passou naquele concurso super concorrido, sua namorada termina com você, um amigo muda de curso na faculdade, a garota por quem você é apaixonado faz um blog, sua mãe pinta o cabelo, seu irmão quebra o pé, seu trabalho ganha destaque na turma, o amor da sua vida vira sua seguidora no twitter, você deixa de lado o orkut, o pneu do seu carro fura, seu pai compra um carro novo, novos amigos começam a fazer parte da sua vida e, assim, a cada dez semanas você olha para trás e vê quanta coisa aconteceu. Coisas simples que quando somadas se tornam consideráveis. Sua bagagem já está crescendo e agora você, adulto, já tem boas histórias para contar na roda de amigos, metáforas de suas experiências para os seus filhos, e daí você percebe que já não é mais o mesmo. Ou não, você se dá conta de que todas as horas em que, quando criança, se imaginou como seria "ser grande" enfim se realizou e não foi nada mágico. Você é o mesmo, sua mente não mudou, apenas pensa outras coisas, se ocupa com coisas que antes não faziam parte do seu mundo. Agora você está mais alto. O mundo não é visto mais de baixo para cima como era antes.

Vamos sair, mas não temos mais dinheiro. Ser adulto não é como se imaginava. É bem melhor e bem pior. Depende de qual assunto se fala. Mas a vida adulta sempre foi, e é, tão cobiçada no imaginário infantil. É a gana inata de todo ser humano, que se inicia no momento mais fértil da mente humana: a infância. Ser o que não é, ter o que não se tem ou não ser o que se é, não se ter o que se tem. Queremos o impossível. Conter a idade, as rugas, as dores da velhice, as doenças, mas ao mesmo tempo queremos a experiência da idade, a sabedoria de anos muito bem vividos, o sucesso e dinheiro de anos de trabalho. Ser adulto é ter perspectivas menos irreais, mais realistas dentro de uma realidade. É ver o mundo de igual para igual. Alguns até acreditam que podem vê-lo de cima para baixo. Quando, na verdade, não são nada em outras verdades.

O que é demais nunca é o bastante. Ser adulto é muitas vezes voltar no tempo, reviver momentos embalado por uma música. É a nostalgia da maturidade. O ser humano sempre quer o abstrato. O passado ou futuro. O céu ou o inferno. Afinal, o presente e a terra não são suficientemente interessantes. O que é e o que está aqui não têm seu valor dado no momento certo.

24 janeiro 2009

Procura-se...







... a felicidade.








"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

Fernando Pessoa

21 janeiro 2009

Adorodeio

Odeio rotina. Odeio aniversário. Odeio datas comemorativas.  Odeio convenções sociais. Odeio ver as mesmas pessoas todos os dias por vários meses, por longos anos. Odeio trabalhar no mesmo lugar, na mesma mesa, no mesmo computador, no mesmo andar, realizando as mesmas atividades. Odeio almoçar no mesmo ambiente, comendo a mesma comida, pagando o mesmo preço, enfrentando a mesma fila. Odeio dirigir por obrigação. Odeio pegar ônibus. Odeio tentar. Odeio estar na mesma faculdade, aturando os mesmos rostos. Odeio chegar à casa no mesmo horário. Odeio ouvir não. Odeio odiar. Odeio repetições por vezes repetidas. Odeio este post.

Adoro desafios, sentir aquele frio na barriga. E os músculos se enrijecerem pelo receio da não realização. Adoro sentir adrenalina. Adoro a brisa quente de satisfação quando se obtém êxito. Adoro dizer não e ouvir sim. Adoro ser aprovado. Adoro conquistar. Adorar mudar, adoro o novo. Adoro adorar. Adoro você, odeio não saber...

16 janeiro 2009

"É pedra, é o fim do caminho..."

Uma das piores coisas não é a sensação de nadar, nadar e morrer na praia, mas a de nadar, nadar, chegar na praia, pisar na areia, aproximar-se da sombra de um coqueiro e morrer. Aí sim, é triste, porque você chegou a desfrutar, ainda que por pouquíssimos minutos, da beleza e aconchego da praia. Ahhhhh, é muito ruim ter que perder, ou abrir mão, de coisas que você gosta. Mas para tudo há um propósito e outros caminhos sempre surgem. Afinal, o futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos.
É o som, é a cor, é o suor 
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas agüenta
Mas é preciso ter força

É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre

(Trecho de música da Elis Regina)

07 janeiro 2009

Solidão

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.


(Francisco Buarque de Holanda - Chico Buarque)

02 janeiro 2009

Ano novo

12 meses, 53 semanas, 365 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos e 31.536.000 segundos. É o que nos espera num ano que promete, e muito. 2000inove.