eu bem sei que sintomas são esses. e que sinais são aqueles. me sinto um oportunista. que só escreve quando está assim. implodindo. quando a desculpa da alma arrefecida e do bloqueio criativo não convencem mais. é preciso imprimir. dedilhar. orquestrar tudo aquilo que lateja. sufocar para não ser sufocado. daí empurro os atos na vã tentativa de adiar o inevitável. mas isso lá se adia? o ciclo, já anunciado, estende as mãos à outra ponta. é hora de encarar. enfrentar. guardar os brinquedos de quem não quis brincar. e vamos lá - de novo. recolher as roupas do varal, esperar a névoa passar. a parte mais árdua da missão - sem anjo sussurrando no ouvido - é essa da ficha que cai. pro resto, vamos de haikai.
UpDavid
16 janeiro 2015
10 novembro 2014
da caixa.
tentava fugir. adiar. já não aguentava olhar aquela caixa. ali. incólume. impune. uma parafernália que não sabia manusear. não tinha as chaves, muito menos o manual. via-se obrigado a conviver. a aceitar. por mais que fugisse, seguia-o como um fantasma. daqueles que incomodam. se materializam. cutucam. assustam.
queria abri-la à força, arrancar-lhe tudo o que latejava. pensou em jogá-la fora. mas seria desumano ingressar nesse jogo que se pretende humano. não admitia adotar qualquer meio. não justifica. não aqui. não ali. só queria não tê-la. afinal, quem a colocara ali. d'onde veio, pr'onde vai. caixinha maldita que não se esvai. sequer a tivesse cativado. essa dor não teria se instalado. jogar fora não queria, destruí-la não podia. restava-lhe fazer compressas. acalmar os pulsos.
a-dor-mecer.
queria abri-la à força, arrancar-lhe tudo o que latejava. pensou em jogá-la fora. mas seria desumano ingressar nesse jogo que se pretende humano. não admitia adotar qualquer meio. não justifica. não aqui. não ali. só queria não tê-la. afinal, quem a colocara ali. d'onde veio, pr'onde vai. caixinha maldita que não se esvai. sequer a tivesse cativado. essa dor não teria se instalado. jogar fora não queria, destruí-la não podia. restava-lhe fazer compressas. acalmar os pulsos.
a-dor-mecer.
06 novembro 2014
certa.fazer.a.coisa.
tanto ficar quanto ir embora pareciam, em diferentes momentos, a coisa certa a fazer. deu nó. tilte. reseta, por favor?
05 novembro 2014
do muito dito.
nasci não-dito
preocupado em ser entrelinharesolvi ser dito
perdi-me de mim mesmo
é assim que sinto
27 outubro 2014
no escuro.
queria que o mundo o lesse. faltava-lhe coragem. sonhava. cogitava.
apagava. aquele botão laranja o assustava. é como expor aos outros as
suas células. vê-los bebendo-as o deixava em pânico. era pedir demais. sentia-se inchado, precisava expeli-las. mas era too
much. queria gritar. queria que todos ouvissem, mas ninguém o visse. pode gritar no escuro?
Assinar:
Comentários (Atom)