Um poema perdido no meio do tempo.
I
Uma década combinando sílabas,
Com o intuito de fazer versos.
Muitas vezes com propósitos.
Na maioria sem qualquer um.
Uma cidade um pouco mais ao sul.
Uma, vinte, duzentas, mil pessoas.
Trezentos e sessenta e cinco dias
Sem nenhuma estrofe.
Já não tenho a esperança de outrora,
Que o que eu escreva
Possa significar alguma coisa
Para quaisquer um que
Esteja a minha volta.
O tempo passa em galopes.
Há dez anos as letras debutaram,
Faz um ano que já não as toco.
II
A minha lição poética
Poderia prescindir das palavras.
Basta estar em vida para tê-la.
A serenidade é arrebentada
Pelo inesperado.
(Antônio Alberto P. de Almeida)