A simplória brisa na praia,
Às quatro da tarde de um domingo,
Venta um singelo deslocar dos sentidos....
Dos lábios e dos risos.
Mas a brisa está distante.
Dentro da longa parcela dos paralelos,
Dos dias sobre os dias, sobre os dias,
Sobre as noites, sobre as tardes,
Sobre as horas, sobre os minutos,
Sobre os segundos e sobre o nada.
Se não tem vento, não tem mudança.
Tem encerramento e (re) começo.
É a sala de espera da vida que se interpõe,
Entre a troca do número dos anos,
Entre os dias das significâncias elementares.
E o sentir, como fica? Paralisa-se.
Aguarda, recolhe-se. Silencia-se.
Em três minutos de pura racionalidade,
Desfaz-se como um circo em chamas.
Mas, se se resguardada, volta no olhar,
Que erotiza os corpos e as almas.
Mas a brisa está distante.
E o tempo está seguindo.
A causalidade é assustadora.
E encanta. É o roteiro do real,
Que até admite atrizes, atores,
E belas encenações,
E as vejo bastante...
Ainda que não as aplauda,
E o que jamais se repete.
São as repetições.
Estou espantado! O que posso concluir?
Viver é apenas a ótica misteriosa
Daquilo que vem do ver
E vai por cima do vi.
Se vi e vi, vivi.
Ou apenas vi?
(Antônio Alberto P. de Almeida)

















