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Efémera


Uma efémera nasceu (*). Espreguiçou-se e pôs-se logo a voar. Percorreu todo o céu que tinha ao dispor. Era feliz.
Aproximava-se a 24ª hora, olhou para baixo e observou os humanos: “Tantas vidas têm e andam sempre presos à terra, não voam” – pensou.
Como tinha já poucos minutos, esqueceu os homens e voou o mais alto que pôde. Até que, lentamente, e embalada pela brisa, caiu na terra, que só estava lá para acolher a despedida da efémera que foi feliz.”




(*) A efémera é o animal com vida mais curta no reino animal, durando, no máximo 24h.

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Fique aqui comigo

Josué Brito

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Olha bem os meus olhos !



Busco-te na poesia
em todas as esquinas do mundo
na manhã dos teus olhos
no teu corpo
nas águas transparentes e cristalinas
sofro por ti
a paixão traz a dor...

Olha bem os meus olhos
porque é de ti que me vem o fogo
que me queima...


Manuel Marques (Arroz)

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Declaração do poeta apaixonado

Josué Brito

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A pausa


Gilberto de Almeida
26/09/2014



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"A cura e a inspiração" ou seria "A inspiração e a cura " ?




                                                                 Arte Nancy Noel



Ei! Quem de vocês se atreveria a dizer para minha razão que todo rebuliço que senti ao ouvir a música é ilusão?

Ei! Quem de vocês ainda não enluarou algo utópico? 

Confesso, apaixonei-me por uma letra e fugiu o ritmo... E sem melodia a vida passa devagar.


Relógio de pernas para o luar. Um instante é muito para contar.   


Ei! Quem de vocês precisa de um empurrãozinho para primaverar, quando a nevasca deixa um gostinho de nada?


Ei! Realmente se importa se o ritmo sumiu e a nevasca surgiu?  Então amigo(a), peça ao nosso bom Deus inspiração.


Impossível explicar. Sinto uma necessidade de dançar.

Já visualizo o chão cheio de flores e sinto o cheiro adocicado dos aromas.Utópico? Não acho, basta acreditar.

EI! Quem de vocês emprestaria seu anjo pessoal para que eu possa dançar ao som  de uma grande orquestra angelical?


Claudiane Ferreira



Falando em anjo 

" ♪ Resolvi pedir a Deus
pra que eu possa te guardar
ser teu anjo protetor
te velar e te cuidar...

Há um anjo aqui que intercede por ti
trago um pedaço do céu num olhar pra te dar...♪

Anjos de Resgate










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QUE SEJA MUITO FLORIDA


QUE SEJA MUITO FLORIDA

É de manhã toda enevoada,
com uma brisa ainda gelada,
já desponta Linda Aurora Dourada,
com trilha sonora da Passarada,
é enfim a Primavera
em mais uma nova temporada.

Eis ai a real passagem da vida,
onde espera que tudo se cicatriza,
é o momento da grande reflexão,
renascer em nova transformação,
sob o comando único e exclusivo
da Natureza, sem mais nenhuma
intromissão.
Nada mais existe a não ser a Natureza,
em sua mais pura expressão.

E tal qual a Natureza,
fazemos a nossa renovação,
nos livrando dos Teóricos Dissimulados,
dos Pseudos hipócritas Espiritualistas,
dos não Solidários temerários.
Melhor de tudo poder viver sem ser sectário,
mesmo que seja um tranquilo Solitário.

Então é a chegada da Primavera,
nossa real passagem para mais um ano de vida,
então para Todos que sejam sinceros e verdadeiros,
“ Que esta nova Primavera que se inicia, que seja muito Florida “

Marco Aulreio Tisi
( 24/09/2014 )

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Do Terreno e Do Divino



           Na escola dos homens o máximo que conseguiram de mim foi a submissão, nunca a concordância. Nunca fui um bom aprendiz; nunca tive instintos de cordeiro. Fui eu mesmo que sempre juntou os pauzinhos; sempre fiz minha própria canoa.
      A escola é aquele lugar para onde me mandaram quando era criança, para ser inoculado contra o germe do pensamento próprio, através de aplicações terapêuticas diárias de conformismo aos padrões então vigentes que, como os de hoje, por trás da enganosa aparência de verdades, ocultam-se interesses que, no mínimo, não são os meus.
        Eu escrevo coisas por demais humanas, mas, apesar disso, eu percebo, uma vez ou outra, uma claridade que vem de regiões que podem ser chamadas de divinas. São apenas lampejos de outra realidade ainda não alcançada por minha alma, que está por demais presa a esse corpo material. Ao ler Filocteto, de Gide, Igtur, de Mallarmé, os Evangelhos, o Gênesis... sinto que venho ou estou indo para regiões divinas. Parece que os personagens falam de coisas já há muito conhecidas por minha alma. Será que nascerei para esta outra realidade que hoje, mais do que ontem, sinto perto de mim? Ou será que meu espírito está se preparando para abandonar este corpo terreno e voltar às regiões que lhe são próprias? Será necessário morrer para nascer divinizado, assim como talvez tenha sido necessário abandonar o divino para nascer terreno? Já antevejo os primeiros raios do amanhecer!
       O que mais me espanta – e extasia – não é o homem ser um ponto no universo infinito; o mais espantoso é ele trazer dentro de si a percepção deste mesmo universo.


Por EP.Gheramer

Imagem: Web

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Eu Mataria Jesus?





     Enquanto tomava o cafezinho no bar, distraidamente meu olhar pousou em um adesivo afixado na caixa registradora onde o proprietário estava. No adesivo estava escrito: “Jesus é a razão do meu sucesso”. Era uma manhã fria. Olhei para o homem que estava atrás da máquina: estatura média, barriga proeminente, cabelos pretos, barba por fazer, vestia uma roupa que me pareceu surrada. Supus que o adesivo fora afixado por ele. Sem fazer nenhum julgamento girei sobre os calcanhares e da porta fiquei saboreando o café e olhando o movimento dos carros e das pessoas na rua. Centro da cidade; muito barulho. As palavras do adesivo continuavam em meu pensamento. Por que ele havia colocado aquele adesivo? Acreditava mesmo no que estava escrito? O que seria o sucesso para o dono daquele bar? O que seria o sucesso para as pessoas que pela rua passavam apressadas? E para mim, o que é o sucesso? Fui levado pelo pensamento a me perguntar quantas pessoas teriam a coragem de usar aquele adesivo se Jesus aparecesse nos dias de hoje, em pleno século 21? Com a globalização e o interminável fluxo de informações a nos bombardear de todos os cantos do planeta e muitos mestres e gurus aparecendo e, ainda, com o avanço da Ciência levando o homem a questionar a existência de um Deus, será que ele seria morto como foi?

E como uma coisa leva à outra, de volta para casa pus-me a imaginar e a escrever sobre o assunto. Penso melhor quando escrevo.
Fiquei a imaginar se, de repente, aparecesse alguém dizendo que era o filho de Deus e que havia “chegado o reino dos céus!". Ora, que reino é esse? Que céu é esse? E mais: o filho de Deus?!
Havia um povo - o povo judeu - que em sua religião, o Judaísmo, esperava um novo reino que seria instaurado pelo enviado por seu Deus que, esperavam eles, lhes devolveria a supremacia e a liberdade há tanto esperadas por um povo escravizado. Esse esperado - o Messias - viria restaurar o reinado do povo de Israel, derrubando - pela força - o opressor: o Império Romano.
Ora, ora, ora... Quão grande fora a decepção quando o tal esperado disse: "O meu Reino não é deste mundo". . Era um louco! Quanta bobagem ele falava! Não era desse mundo... De que mundo ele falava? Era o Messias... Definitivamente: era louco!
E se hoje, no ano de 2014, aparecesse alguém dizendo o mesmo, quem lhe daria ouvidos? Paro um pouco para imaginar a situação. Concluo que pensaria como eles: era um louco! E como a religião não tem a mesma força que tinha; talvez ele não fosse morto na cadeira elétrica, na forca ou à paulada e muito menos numa cruz, mas, sem dúvida, o mataríamos mentalmente, marginalizando-o, à semelhança do que acontece hoje com aqueles que se dizem ou são diferentes de nós.
Religião era algo muito sério.
Muitos de nós talvez nos sintamos horrorizados pelo que fizeram com Jesus. E mais: pensamos que se fosse hoje não faríamos o mesmo. E por quê? Como naquele tempo, também hoje só esperamos coisas materiais, coisas que podem ser compradas. Inclusive a tal da felicidade. Felicidade é uma ideia, não tem existência física para que possa ser encontrada. Coisas humanas, humanas demais!
Não me engano pensando que os homens daquele tempo eram diferentes ou que nós sejamos diferentes deles. Não. Talvez se possa dizer que tudo o que o ser humano sempre esperou, foram por melhorias palpáveis e que pudessem ser ostentadas para serem vistas pelos outros. O problema surge quando as melhorias que alcançamos ficam além do necessário – o tal do supérfluo - e aí se estabilizam, tornando-se parte de uma civilização vulgar e superficial. Penso que o desenvolvimento tecnológico e tudo o que ele nos trouxe foi mais conforto e praticabilidade, mas não fez do homem seres humanos melhores. Ou será que fez?
Muitos podem achar que é um erro pensar assim e se mostram indiferente. O pensar sobre certas coisas dói nas consciências daqueles que ainda têm o privilégio de as terem. Então, finalmente, podem concluir: o que é este artigo, esta folha de papel virtual escrita? Nada! Não passa de "papel” sujo de "tinta", de bobagens virtuais de quem não tem o que fazer. E então vão deixar pra lá. Eu também faria o mesmo. Porém, minha esposa certo dia me disse que "toda palavra é uma semente".  Será?
Então fiquei a pensar: o que aquele homem chamado Jesus, que se dizia o Filho de Deus, veio fazer aqui entre os homens? Ele disse que Deus é amor. Mas, o que é o amor? Um casal não diz que vai para a cama fazer sexo, diz que vai fazer amor! Há algo de podre no reino da Dinamarca!
Hoje como ontem o ser humano procura ser feliz e achando poder encontrar isso numa segurança que pode ser comprada. Mas que tipo de segurança é essa que sempre foi procurada e ainda não foi encontrada?  É ela que nos trará a felicidade?
Fico pensando que o homem tem duas alternativas para sentir-se seguro.
A primeira é procurar esta segurança através de vínculos materiais com o mundo e que – penso – só destroem a liberdade e a integridade do ser humano. E a outra é a de unir-se ao mundo na espontaneidade do Amor.
E como se faz isso?
Quanto à primeira já há muito estamos tentando e não parece que a conseguimos. Tem sido apenas um incessante buscar.
E a segunda alternativa? Como se faz para alcançá-la? Bem, aquele homem dizia que ele era O Caminho para isso.  
Ainda pensando nisso, levanto de onde estava escrevendo, vou até a janela e olho para rua onde as pessoas continuam passando apressadas, em sua lida diária, como sempre tem sido na história da humanidade.
E eu me pego a questionar: Se isto é verdade, será que eu mataria Jesus se sua primeira vinda acontecesse hoje e não há dois mil anos atrás?
Por fazer parte da espécie humana e para ser coerente com o que escrevi até aqui, eu me vejo na obrigação dialética de concluir:
- Sim, eu mataria Jesus.
Por EP.Gheramer
Imagem: Web (editada)

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Pelo menos


Gilberto de Almeida
22/09/2014



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Na escuridão da noite


Na escuridão da noite,
quando as pombas voam,
se não estamos atentos,
mal as percebemos.

E assim, mal percebemos,
na escuridão da noite,
quando os anjos velam,
se não estamos atentos.

Se não estivermos atentos,
procurando por algo no céu,
virão as pombas,
virão os anjos,
e, de sua passagem alva,
de sua passagem luminosa,
nossos corações desprevenidos
continuarão de noite.

Gilberto de Almeida
21/09/2014


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Idílio a amada

Imagem da Web
Tu és tão linda,
com a mente que é precisa
e o pensamento que convêm.

Tu és tão perfeita,
com muitas ou com
poucas palavras.

Tu és tão bela
que mesmo quando se calas
ainda falas amor.

Tu és tão eterna
que te conheço um único
instante e já te amo sem fim.

Josué Brito

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I love her green eyes



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Envolvo-me no teu olhar...



Há em nós um sossego abstracto
será o medo de nos termos perdido...
em teu olhar me encontro
porque me alcança o teu olhar
quando te revejo em teu retrato...

Amo-te de um amor que tudo deseja
teu olhar é um sorriso de saudade
toca-me de tão longe
onde estão as noites que nos ensinaram a amar?

Envolvo-me no teu olhar
o amor substitui
o luar  que tudo ilumina...

Manuel Marques (Arroz)

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CONVERSA.


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PRIMAVERA EM MIM.

PRIMAVERA EM MIM
Imagem da web
(Por Maristela Ormond)

O inverno vai embora,
Levando consigo histórias.
Uma nova fase aflora,
Para cantarmos vitórias.

Chega dentro de nós a primavera.
Com flores que prometem alegria,
E nosso coração acelera,
E a vida desafia…

É assim que são os homens,
Cheios de fases distintas,
Tal qual os monstros que somem,
Quando batalhas são extintas.

Penso que devo permitir,
Que toda fase se insira em mim.
Porque terei oportunidade de abolir,
Aquilo que me foi ruim.

Não fossem novos desafios,
Não fossem novos acontecimentos,
Não sairíamos do frio,
Para saborear novos momentos.

Tal qual a primavera que chega,
Quero abrir-me feito a flor.
Quero o Sol que me aconchega
E entregar-me ao amor.






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Escrever-te

Foto: Remember me by Alex Cruceru

Não consigo escrever-te
Até que venhas
Não consigo escrever-te.
Sei-te
Sei os teus olhos
E a tua voz
E a tua mão na minha
A tua pele
Oh, a tua pele colada
Em mim
Os teus lábios, o sabor deles
A levarem-me para lá
Para fora de mim
Os teus lábios.
Sei tudo.
Sei-te todo.
Mas não consigo escrever-te.
Até que venhas.

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Tatuagem do bem




                                                             
                                                                     Imagem Web




 Trouxe uma flor amarela
 Sem saber, atraí uma aquarela
 Que  pintou o  meu riso no sorriso dela
 Embaralhamo-nos.

 Veio o vento. Levou o cigano e  a flor.
 Kyra, não viu. Pressentiu! Banhava-se no mar.

  
Qual a cor, que verso fazia,
se a rima no início era de pura magia?
Uma incógnita ainda há ser desvendada
No verde, esperança dos dias!

Aquarela descoloriu-se. Pintura salgada.
Debruço-me nas linhas escritas em meu coração,
Alento é saber que a tatuagem ninguém roubará,nem o tempo.

Claudiane Ferreira



                        "Para aonde vai uma canção depois do acorde final?
                                                                                                                                    Vander Lee
                                                                      

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As sombras



Se não há mais nada,
apenas,
as sombras são
assombração;

se não amais nada,
há penas!

Gilberto de Almeida
16/09/2014

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O amor será o que dissermos um ao outro ...




Seja o amor como o tempo
uma ilha num mar de solidão
o teu olhar no meu será eterno...

O amor será o que dissermos um ao outro
seremos as estrelas lá longe
e na memória dos nossos sonhos
dos nossos desejos
iremos cunfundir os nossos corpos quando nos abraçar-mos...


Manuel Marques (Arroz)

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Nau frágil



E sempre acha, quem procura!
É o que o passado determina,
a par Dilma candidatura
a naufragar, já sub-Marina!

Gilberto de Almeida
14/09/2014



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DARKNESS


DARKNESS

Darkness é uma palavra estrangeira,
que me tem uma sonoridade,
com um que de fatalidade,
lembra uma imensa sinistralidade.

Assim como uma estatística,
de muros que estão a se erguer,
nesta insana luta pelo poder.

Esta havendo muito Racismo,
muito “ Homo fobismo “,
conjugado com muito Ecumenismo,
tudo travestido de Pseudo Patriotismo,
que só nos ira levar para o Abismo.

Tempos Negros estão no porvir,
e a Todos ira nos Pungir,
estamos numa encruzilhada,
ou iremos permanecer
em uma Republica Sindicalista,
e sem saber o que é mais pior,
iremos mergulhar
numa Republica Fundamentalista,
eis ai uma realidade pessimista.

Por isto que lembrei
da palavra Estrangeira
“ Darkness “,
que pra quem não sabe
quer dizer” Escuridão “,
é o que prevejo pro futuro,
que ira cada vez mais
ser muito escuro.

Mas nessa hora
é bom ser Poeta,
vou me refugiar
no “ Lado Escuro da Lua “
ou como diria Pink Floyd
“ The Dark Side Of Moon “

Marco Aurelio Tisi

( 13/09/2014 )


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Garçom

Aproxime da mesa, traga uma água,
uma gota de sangue, aquela pena dolorida,
traga um momento, um simples estante,
não se comova com  minhas lendas,
finja-se de imparcial, só conto mais uma tristeza
como todas as outros infelicidades que os
poetas deixam nessas mesas de bar...

Garçom, não olhe diretamente para meus olhos
não quero que veja lágrimas a rolar. Você sabe
garçom eu muito sofro de amor... amigo que doma
o copo como será que é o seu coração? Não me responda,
imploro, sei que sua história também não é feliz...

Amigo de todas as horas de vários capítulos
de intensa dor, conto para seus ouvidos
que muito ama meu coração... Garçom, me empreste
seu lenço preciso de algo que possa me apegar...

Garçom, estou aqui agora aguardando as memórias
voltarem aos meus pés... confrade, saiba que sofro
que por ela morro e canto canções... sou vate, amor
é minha insignia, mas não sei como lidar
com tanta emoção... Garçom não me console
apenas fale sem expressar opinião, só preciso
de uma bondade... de uma saudade e de um amor...

Imagem da Web 

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Do Conhecimento¹





      Com o aparecimento da Psicologia Científica, mais precisamente o Behaviorismo², foi dado um salto do Subjetivismo e da Intuição para o Objetivismo.
     Pela primeira vez pareceu possível construir uma Psicologia que lidasse apenas com os fatos observáveis.
O criador desta psicologia – J. B. Watson (1878/1958) – combinou o princípio do Condicionamento de Pavlov com as ideias que ele mesmo havia desenvolvido e apresentou ao mundo a posição que ele chamou de Behaviorismo.
      Nela ele apresenta sugestões para “melhorar” o ser humano, nega os instintos inatos de inteligência e os dons inatos. O conceito de Consciência (alma, para o subjetivismo) é rejeitado e, mesmo que exista não pode ser provada a sua existência por nenhuma experiência científica.
      Para os behavioristas, a Consciência constitui-se num armazenamento de reações aprendidas (condicionadas), isto é, respostas aos estímulos oriundos do meio ambiente.
      Para o Behaviorismo, um bebê possui uma constituição inata, porém, composta de reflexos desordenados, embora tenham uma causa. O que uma criança herda é a estrutura de seu corpo e seu funcionamento. Não há nada de mental. A esta constituição inata, são acrescentadas as outras reações (condicionadas). Tudo o mais é aprendido. Enfim, o bebê reage aos estímulos do meio ambiente.
      Baseado nisso, o problema geral do behaviorismo é primeiramente o de “prever” e “controlar” o comportamento; em seguida, determinar quais estímulos provocam certas respostas e determinar as respostas provocadas por quaisquer estímulos.
      Detenhamo-nos um pouco em algumas considerações sobre o Subjetivismo e o Objetivismo.
    Numa relação cognitiva – Sujeito e Objeto – o Subjetivismo procura fundamentar o conhecimento no Sujeito. É ele o centro de gravidade do conhecimento. O mundo das ideias e o conjunto dos princípios do conhecimento estão localizados no indivíduo – é dele que depende a verdade do conhecimento humano.
Lembremos que com a palavra “sujeito” não se pretende significar o sujeito concreto, individual, mas sim, um sujeito superior e transcendente. Dele - e não do objeto – recebe a consciência os seus conteúdos. E, por meio destes supremos conteúdos, destes princípios e conteúdos gerais, levanta a Razão o edifício do conhecimento. Este se acha fundado, por conseguinte, no absoluto, em Deus.
      No outro extremo da relação cognitiva, encontramos o Objeto – o Objetivismo. As ciências creem, por excelência, que é o Objeto que determina o sujeito. O objeto representa uma estrutura totalmente definida. Estrutura que é reconstruída pela consciência no ato de conhecer. Em outras palavras, o sujeito reproduz as propriedades do objeto.
      Pois bem, voltemos ao ponto em que havíamos parado. As ciências nos têm dado tantos conhecimentos práticos, úteis e bons que, ao surgir uma Psicologia que também pretende ser prática, útil e boa – ser uma Ciência -, é aceita simplesmente, sem uma reflexão maior. Ao fazermos isso, estamos, também, aceitando o Objetivismo que é próprio da Ciência.
      Esta aceitação automática de uma Psicologia Científica nos afasta cada vez mais – quase imperceptivelmente – de um pensamento subjetivo, no qual o homem é mais do que uma máquina que dá respostas esperadas por um programa previamente elaborado e introduzido nela – no homem.
Volto a dizer que não podemos discutir as realizações das Ciências, mas daí a estudar o Comportamento Humano, com os mesmos métodos usados pelas outras ciências, pede uma reflexão maior e mais cuidadosa.
      Quanto mais pensamos o homem em termos Objetivos, mais tenderemos a encará-lo sob um aspecto materialista, mecanicista e determinista e, portanto, desprovido de uma individualidade e de um livre-arbítrio.
Passamos de uma época em que a consciência humana recebia os seus conteúdos de Deus, para outra em que ela recebe seu conteúdo do meio ambiente. Houve uma troca – trocamos o divino pelo humano.
      Tem-se dito que nos tempos atuais, o homem está à procura de algo que o satisfaça. Está numa busca desenfreada de um significado para a sua vida. Talvez fosse aconselhável pensarmos sobre esta mudança do centro de gravidade. Senão para voltarmos ao subjetivismo, pelo menos para nos localizarmos no tempo.
       Não ignoro que o exposto acima é apenas uma opinião mal alinhavada sobre o tema. Penso que todo trabalho que pretenda chegar ao conhecimento sobre um assunto, deve ser exaustivamente baseado numa bibliografia e/ou numa pesquisa experimental (em que a bibliografia é essencial). Do contrário não podemos saber o que significam os termos e fica à nossa imaginação, grau de conhecimento ou fantasia o significado que lhes atribuímos.
       Na opinião dos psicanalistas, este trabalho parte de uma premissa que eliminaria quase que toda a ciência do nosso século: fatos observáveis. Não concordo. Entretanto, não ignoro que se desejar defender minha posição, será necessário defendê-la de modo científico, lendo mais e anotando a bibliografia de meus trabalhos para que meus termos possam ser definidos.
      Por outro lado, penso que mesmo depois disso ser feito, estarei de posse da minha penúltima opinião sobre o tema e não do conhecimento dele – e muito menos da verdade.

EP.Gheramer

(1) Conhecimento: saiba mais
(2) Behaviorismo: saiba mais
Imagem da Wikipédia: A definição clássica de conhecimento, originada em Platão
diz que ele consiste de crença verdadeira e justificada.



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Além da distância









 Senti o ar que soprava/ ao mesmo tempo avistei sob o meu telhado uma nuvem

 estava descolorida e tentava se esconder.

 No intuito animal fechei os olhos / fiz um leve esforço para  esquecer.

 Tum - tum - tum

 ao ouvir  meu coração/ lembrei-me de uma passagem de um livro

 "E se eu estiver sozinho na cama,chegarei até a janela, olharei o céu e terei certeza de que  a solidão é uma mentira - O universo me acompanha."

 Resolvi abrir meus órgãos da visão/  determinada a reaprender  olhar aquela nuvem

 fiquei surpresa pois não era uma nuvem / somente saudade mudando de cor.

 Ao jogar um beijo / estremeci /

 levantei  já estava tarde...  urgia  transmitir minha luz


Claudiane Ferreira


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Minha voz é minha liberdade

Minha voz é a minha espada
É o meu grito, meu brado forte,
É o meu escudo, minha estrada
E o mundo teme a própria sorte!


É minha lança, minha arma de guerra
É a pena, a caneta a qual escrevo,
Ela é o laser, que rasga essa terra
E muitas vezes nem eu mesmo percebo!

Ela tem o poder da cura e nos alivia
As vezes censura e outras limita,
Ela pode trazer tristeza e alegria
Ela ofende, se desculpa e intimida!

Ela prende, ela solta, é capaz de matar
Mas ela liberta qualquer prisioneiro,
Ela pode fazer qualquer pássaro voar
Ela canta e faz dançar o dia inteiro.

Quem a tristeza tem o prazer de expulsar!
A minha voz tem um poder encantador
E desde a criação a voz tem o poder de criar,
Como a doce voz do próprio Criador!

Criou o mundo com tamanha inspiração!
A voz rompe as barreiras do silêncio,
E ela tem o poder da intimidação,
Traz um brilho puro lindo e fulgêncio...

É capaz de motivar a própria motivação
Grita silenciosamente no caos,
Emudece antes da retaliação
Não esquece, vingativa a melhor arma dos maus...

Soa e ecoa num engasgado grito de gol
Grita em desespero o que teve o gol sofrido
Mas soa em gargalhadas quando surge o sol
Após dias sobre a terra ter chovido!

Ela desponta no nascer de uma criança
E no suspiro de quem pela vida correu
Ela é a luta que ressuscita a esperança
E deveria ser o brado de quem ainda não morreu!

A minha voz é uma voz de liberdade
Que soa e ecoam todos os meus sonhos
Por isso eu não canso e luto com vontade
Pois tem delas que são um encanto para os olhos!
  
Ela sussurra bem sublime aos ouvidos
O que tira e põe doces e tenros arrepios
Ela pode ser também tristes gemidos
Que povoam e transbordam nossos rios!

Ela é quem declama essa poesia
E proclama uma rima de cada vez
Ela imita muitos sons em fantasia
E é mais linda quando arrepia nossa tez!

Ela é o sim do esposo na igreja
Ela é o fim de um esboço numa obra
Ela é o choro do desgosto de quem deseja
E o seu brado nessa hora até dobra!

Ela é o lamento da mãe que perdeu um filho
De um soldado no fim de uma batalha
Na melodia quando surge vem com brilho
No silêncio quando brota atrapalha...

Minha voz é a minha liberdade
Que aprisiona todos os meus desejos
Um a um os libero com saudade
E saudoso daqui eu mando um beijo!
Osny Alves 

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