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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fetiche, sapatos, design e sexo


FETICHE, SAPATOS, 

DESIGN E SEXO


Publicado em design por Angelo Rafael

Dos recônditos vieses da mente o "fetiche" emerge como elemento indissociável e amigável do ser humano.

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No princípio era a África. Ela sempre está presente quando queremos discorrer sobre assuntos que envolvam a história da humanidade. Independentemente do foco da alusão, a história deste continente e do seu povo determinou o modo de ver e viver de todas as outras civilizações. De várias formas, explicadas por meio de muitas teorias e estudos cientificamente comprovados tiveram contato com seu povo e cultura direta ou indiretamente. Até os dias atuais ela é sinônimo de reflexões socioantropológicas. Mas no momento buscamos um veio diferente para vislumbrar fragmentos de uma palavra que está indissociavelmente ligada a ela, aos seus primórdios e ao mundo contemporâneo: o feitiço.
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Os objetos utilizados nos rituais das sociedades tribais primitivas, praticamente nos cultos, sagrações, ritos de passagens, as mais variadas possibilidades de festas religiosas e profanas, encerram dentro deles uma simbologia muito particular e específica, sejam concretas, casuais ou abstratas. O feitiço ou magia, partindo de seu significado primário e estacionando na língua francesa, que neste sentido remetemos à palavra fetiche, como terminologias, já eram conhecidos e denominados pelos mercadores e comerciantes portugueses no século XV, e largamente difundidos pela Europa nos séculos subseqüentes. Este aspecto material do “feitiço” foi disseminado em praticamente toda a cultura ocidental. Seu entendimento poderia ser pelo aspecto negativo, pressuposto a sua misteriosa origem envolta nas sombras do exótico e do mágico que vinha de longe, positivo ou mais tarde até pelas teorias de seu aspecto econômico e político, como no caso do marxismo, em que é tido como a base da manutenção do modo produtivo do capitalismo. O fetiche como objeto tem relação com a utilidade do produto, segundo Marx (1818-1883). Entendemos aqui, o fetiche, que como numa espécie de utopia, paralisa determinado ambiente social, mostrando, pois, a sua faceta do igualitário, e ao mesmo tempo em que consegue esta proeza, sonega sua essência do desigual. Singular paradoxo.
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Também está relacionado por meio da semiótica à fantasia do objeto como produto desejado, amado ou ambicionado em si. A sociedade, entretanto, dita as regras de uso do fetiche como conceito, mas as transgridem como realidade. Tabu! Entretanto o fetiche como objeto que representa o ser amado, ou desejado, ou ainda sublimado, pode encarnar as mais diferentes formas. No mundo ocidental, tomamos por exemplo um dos “feitiços” mais explorado que conhecemos: o pé, como parte de um todo desejado e que nestas circunstâncias é considerado um fetiche, por despertar as sensações mais primitivas, diversas e prazerosas em certas pessoas. Em muitos casos, no entanto, e pela ótica da psicologia ele é tratado como um tipo de parafilia ou fixação. Outro viés que poderíamos discorrer seria sobre a possível tendência de uma patologia destrutiva...
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Mas não podemos nos deter somente nos pés e nos sapatos. Enquanto sensação, o prazer pode ser encontrado também em muitas outras partes do corpo da pessoa amada, desejada, ou naquelas alheias a ele, em roupas íntimas, objetos, situações sociais causadas ou espontâneas, e até certos materiais ou símbolos, que tenham uma relação direta ou indireta com o ser querido, admirado ou adorado independente do sexo agente ou paciente, macho ou fêmea. Nesse sentido ocupam o espaço de veneração enquanto parte deste todo. Obsessão? Pode até ser. O couro em especial, e seus derivados afins, está entre os materiais mais solicitados e cultuados como fetiche. Os objetos de couro têm despertado todos esses tipos de sensações por ser um material que está indissociavelmente ligado à história do homem, ao desenvolvimento da humanidade. Não precisamos ser sociólogos ou antropólogos para chegarmos às nossas conclusões sobre este material que a tantos encanta. O couro está no inconsciente coletivo ou na memória ancestral de cada ser humano. Assim, sensação prazerosa com o contato, visualização ou posse (status simbol) deste material em especial, pode através de um encanto ou “feitiço”, revelar-se em fantasias que nos remetem aos nossos anseios sexuais, ou não. Adormecidos ou totalmente visíveis, aparentes e conscientes.
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O design que segue este veio de inspiração leva em consideração o exotismo, a cor, o cheiro e o toque do material, que são mais importantes que a ergonomia, o conforto, o custo e a durabilidade. Se trata de uma ferramenta que serve para a criação e cujo objetivo é aguçar e completar os anseios daqueles “enfeitiçados” pelo tema.
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Em se tratando de fetiche poderíamos listar uma infinidade de exemplos, mas o couro, o pé e o sapato, tem as suas singularidades. Até inconscientemente está conosco no cotidiano, no uso constante e automatizado dos objetos confeccionados com ele. Só alguns indivíduos é que tem predisposição para sentir o cheiro, o toque, o poder e a sua nobreza e decodificar estas sensações a seu bel “prazer”. Seriam lembranças latentes de nossos ancestrais cujos corpos, pés, cabeças, mãos, orelhas e pescoços eram protegidos das intempéries da natureza, e que permaneciam quentes e confortáveis, revestidos com peles de animais?
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O couro e a pele animal, curtidos ao sol, com sal e taninos talvez tenham sido aliados tão poderosos para a sobrevivência do homem como foi o fogo e a destreza para as manufaturas de objetos cortantes que facilitaram a caça.

OBVIOUS




quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Saltos assassinos

Noritaka Tatehana. 'Atom', 2012-13.

Saltos assassinos

A mostra ‘Killer Heels’ no Museu do Brooklyn é uma homenagem à ambição e à feminilidade


Walter Steiger. 'Unicorn Tayss', primavera de 2013. Cortesia de Walter Steiger. / JAY ZUKERKORN
Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, pode sair de moletom porque tem coisas mais importantes para pensar, mas se uma mulher comparece de salto agulha a um encontro com investidores, depois surge no Twitter o hashtag #brainsnotrequired (não precisa de cérebro). Aconteceu em Nova York e causou um enorme rebuliço. O autor, Jorge Cortell, executivo-chefe da Katnerson Systems, disse que só queria denunciar como o acessório era insano, mas o que todos entenderam foi que o tamanho daqueles estiletes era inversamente proporcional ao do cérebro de sua dona. Contra esses preconceitos, o Museu do Brooklyn abre a mostra Killer Heels (Saltos Assassinos), uma homenagem à luxúria, ambição, dominação, feminilidade. Tudo cabe nos mais de 160 pares exibidos, menos uma mulher, porque os modelos de Louboutin, Iris van Herpen X United Nude, Manolo Blahnik e Noritaka Tatehana não estão feitos para caminhar.
Desde que a mulher arrancou os saltos do homem há três séculos, não houve acessório que aterrorizasse e hipnotizasse mais o sexo masculino. Lisa Allen, curadora da exposição, acredita que é o objeto mais cobiçado, insultado e temido porque remete ao poder. Elevam o corpo, mostram uma mulher dominadora. Não é pouco em um país que pode ter Hillary Clinton como sua primeira presidenta. “Se fosse mulher, usaria saltos”, disse o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Mas por que apenas as mulheres os usam e cada vez mais altos? Talvez para pisar naqueles que veem neles irracionalidade, frivolidade, ou provocação sexual. Killer Heels é uma tremenda desculpa para degustar esse “martírio consentido” entre mulheres e salto alto. “Não sei quem inventou o salto alto, mas nós mulheres lhe devemos muito”, disse Marilyn Monroe.


Winde Rienstra. 'Bamboo Heel', 2012

Aperlaï. 'Geisha Lines', otoño 2013.


Christian Louboutin. 'Printz'. Primavera/verano 2013.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ana Maria Santeiro / Os sapatos de Alejandra


Ana Maria Santeiro
Os sapatos de Alejandra
Fotos de Triunfo Arciniegas

Alejandra Arciniegas é designer de sapatos. Umas lindezas. Talentosa com el papá, Triunfo Arciniegas.








quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Londres / Os sapatos que são a cara do verão londrino


LAURA ZÚÑIGA29.7.2013 8h00m
O povo descolado de East London descobriu os sapatos do Bucketfeet. Com o senso estético apurado que eles têm, isso é um ótimo sinal.
Criação de um americano e um indiano, a marca de sapatos surgiu de um encontro casual entre Aaron e Raaja, os dois diretores, na Argentina. O senso criativo de Aaron - que ele já tinha implementado no Rio durante durante um curso de artes, em que trabalhou com artistas cariocas - ganhou consistência comercial com os estudos em economia de Raaja.
Além de serem coloridos e originais, os sapatos são muito confortáveis - feitos de algodão e lona - e têm suas estampas criadas por artistas plásticos, gráficos e designers que são selecionados pelo grupo responsável pelo Bucketfeet. Dentre eles estão vários brasileiros, como os cariocas Felipe Motta (o Mottilaa) e Marcelo Ment. A lista completa está aqui.
Inaugurada em 2011, só recentemente os sapatos chegaram a Londres, e são vendidos na Office.
Não dá vontade de colecionar?