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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Rei emérito da Espanha, Juan Carlos I abandona o país para proteger a Monarquia


Juan Carlos I
Rei emérito da Espanha, Juan Carlos I abandona o país para proteger a Monarquia

Monarca deixa o Palácio da Zarzuela para impedir que as informações sobre sua fortuna no exterior prejudiquem a família real espanhola


Madrid, 3 de agosto de 2020


O rei emérito, Juan Carlos I, comunicou ao filho, Felipe VI, sua “meditada decisão de se mudar para fora da Espanha” ante a “repercussão pública” das notícias sobre suas contas no exterior e “para contribuir” com seu filho para que possa desenvolver seu papel como chefe de Estado “com a tranquilidade e a calma” que o cargo exige, de acordo com a carta divulgada pela Casa do Rei.

O comunicado foi divulgado poucas horas depois de dom Juan Carlos abandonar o Palácio da Zarzuela, onde residiu nos últimos 58 anos. A Casa do Rei não especifica em que país ele viverá a partir de agora e apresenta sua saída da Espanha como uma decisão voluntária, embora tenha sido tomada em consenso com o filho, que expressou seu "profundo respeito e gratidão" pelo passo dado.

Para deixar claro que a partida para o exterior não é uma tentativa de fugir da ação da Justiça (a Procuradoria do Tribunal Supremo e o Ministério Público da Suíça estão investigando suas contas no exterior), o advogado de dom Juan Carlos, Javier Sánchez-Junco, divulgou um comunicado em que afirma que ele "permanece à disposição a todo o momento do Ministério Público por qualquer procedimento ou ação considerada oportuna".

Juan Carlos I não perderá o título honorífico de Rei, que lhe foi concedido por um decreto real de junho de 2014, alguns dias antes de sua abdicação. O pai do Rei teria se oposto a renunciar voluntariamente a esse título, que não implica nenhum privilégio, e seu filho não quis privá-lo dele contra sua vontade, como fez com sua irmã Cristina, após o caso Urdangarin.

Esta é a íntegra da carta enviada por Juan Carlos I ao filho:

“Majestade, querido Felipe, com o mesmo afã de serviço à Espanha que inspirou meu reinado e diante da repercussão pública que certos eventos passados em minha vida privada estão causando, desejo te manifestar a minha mais absoluta disponibilidade para ajudar a facilitar o exercício de suas funções com a tranquilidade e a calma que a sua alta responsabilidade requer. É o que exigem meu legado e minha própria dignidade como pessoa.

Há um ano te expressei minha vontade e desejo de deixar de desenvolver atividades institucionais. Agora, guiado pela convicção de prestar o melhor serviço aos espanhóis, a suas instituições e a você como Rei, te comunico a minha meditada decisão de me mudar neste momento para fora da Espanha.

Uma decisão que tomo com profundo sentimento, mas com grande serenidade. Fui Rei da Espanha durante 40 anos e durante todos eles sempre quis o melhor para a Espanha e para a Coroa.

Com minha lealdade de sempre.

Com o carinho e afeto de sempre, teu pai”.

Segundo o comunicado da Casa do Rei, Felipe VI transmitiu ao pai seu “profundo respeito e agradecimento por sua decisão”. “O Rei deseja enfatizar a importância histórica que representa o reinado de seu pai, como legado e obra política e institucional de serviço à Espanha e à democracia; e, ao mesmo tempo, quer reafirmar os princípios e valores sobre os quais esta se assenta, no marco de nossa Constituição e do restante do ordenamento jurídico”, conclui a nota.

A decisão do rei emérito ocorre após as investigações iniciadas por promotores suíços e espanhóis sobre os supostos recursos de Juan Carlos I em paraísos fiscais. O advogado do rei emérito também divulgou um comunicado no qual afirma que, apesar da saída de Juan Carlos I da Espanha, seu cliente está à disposição do Ministério Público para qualquer procedimento ou ação que se considere oportuna.

A medida anunciada nesta segunda-feira se dá quase cinco meses depois que Felipe VI adotou, em 15 de março, sua decisão mais dolorosa: privar o pai da dotação de quase 200.000 euros (1,25 bilhão de reais) por ano que ele recebia em recursos públicos e renunciar a qualquer herança que lhe possa corresponder das contas dele no exterior. Mesmo considerando as dúvidas levantadas por essa decisão ―não se pode renunciar a uma herança enquanto não morre quem a concede―, seu significado era claro: o rei rompia as amarras com o pai, que encarnou a instauração da Monarquia constitucional na Espanha.

Os problemas de Juan Carlos I começaram em meados de 2018, quando agentes da Polícia Judiciária suíça enviados pelo procurador Yves Bertossa começaram a revistar a gestora de fundos de Arturo Fasana. Nessa investigação, Bertossa encontrou duas fundações com contas em bancos suíços. A fundação de Liechtenstein Zagatka, de Álvaro de Orleans, primo distante do rei emérito, que pagou voos particulares de Juan Carlos I e de Corinna Larsen; e a fundação panamenha Lucum, cujo primeiro beneficiário era Juan Carlos I e o segundo, Felipe VI.

Quando essa notícia veio a público, em março de 2020, o atual chefe de Estado anunciou que estava renunciando à herança de seu pai e informou que um ano antes Corinna Larsen havia enviado uma carta ao Palácio Zarzuela informando-o que o nome do atual Rei aparecia, junto com o de suas irmãs, como beneficiário dessa fundação. Na Casa Real se tomou a decisão de informar o Governo e recorrer a um cartório para rejeitar qualquer dinheiro dessas contas.

A investigação suíça revelou que em 8 de agosto de 2008 Arturo Fasana depositou na conta da Lucum no banco privado Mirabaud 100 milhões de dólares (530 milhões de reais) procedentes do Ministério das Finanças da Arábia Saudita. Quatro anos depois, o dinheiro foi transferido por ordem do então chefe de Estado para uma conta em Nassau (Bahamas) do banco Gonet & Cie em nome da empresa de fachada Solare, de propriedade de Corinna Larsen. Bertossa embargou as contas dos suspeitos e abriu um processo secreto de lavagem de dinheiro contra os envolvidos na criação da estrutura e no recebimento do dinheiro.

O rei emérito não está sendo investigado no momento, embora fontes judiciais suíças não descartem a possibilidade de que seja no futuro. As informações enviadas pela Suíça às autoridades judiciais espanholas levantaram dúvidas sobre o comportamento do rei emérito após junho de 2014, quando perdeu a blindagem constitucional da inviolabilidade. Embora já seja imputável, o rei emérito tem prerrogativa de foro no Supremo. Por isso, a procuradora-geral do Estado, Dolores Delgado, decidiu no início de junho que a Procuradoria do Tribunal Supremo deveria assumir o caso. Esta fase da investigação deve determinar se há indicações suficientes de que o ex-chefe de Estado tenha cometido algum delito desde que deixou o trono. Os investigadores trabalham fundamentalmente com dois: lavagem de capital (tentar ocultar a origem ilícita do dinheiro) e crime fiscal (uma fraude contra o tesouro público superior a 120.000 euros).



domingo, 15 de março de 2020

Rei da Espanha renuncia à herança e retira verba do orçamento da casa real destinada ao pai Juan Carlos


Felipe VI e Juan Carlos no palácio da Zarzuela.
Felipe VI e Juan Carlos no palácio da Zarzuela.


Rei da Espanha renuncia à herança e retira verba do orçamento da casa real destinada ao pai Juan Carlos

Decisão acontece depois que o Ministério Público Anticorrupção iniciou uma investigação sobre os supostos 100 milhões de euros que Juan Carlos I recebeu em uma conta suíça


Miguel González
Madrid, 15 Mar 2020

O rei Felipe VI decidiu renunciar à herança de Dom Juan Carlos “que lhe possa corresponder pessoalmente”, conforme anunciado neste domingo pela casa real, em um comunicado no qual também adianta que Dom Juan Carlos deixa de receber a quantidade de dinheiro que lhe era destinada pelo orçamento da casa real.

O comunicado do Palácio de la Zarzuela (sede da monarquia) lembra as palavras sobre a exemplaridade que Felipe VI pronunciou em sua posse. “Em coerência com as palavras proferidas em seu discurso de proclamação e com a finalidade de preservar a exemplaridade da Coroa, Sua Majestade o rei quer que seja sabido publicamente que Sua Majestade o rei Dom Juan Carlos está ciente de sua decisão de renunciar à herança que lhe possa corresponder pessoalmente, bem como a qualquer ativo, investimento ou estrutura financeira cuja origem, características ou finalidade possam não estar em consonância com a legalidade ou com os critérios de retidão e integridade que regem sua atividade institucional e privada e que devem informar a atividade da Coroa”, afirma o texto.

A casa real também informa que o Rei emérito deixará de receber a dotação orçamentária que lhe outorga anualmente em virtude dessa condição e que nos últimos exercícios atingiu os 194.232 euros (cerca de 1,044 milhão de reais) por ano.


Juan Carlos I, king of Spain | Caricaturas de famosos, Caricaturas ...
Juan Carlos I
A decisão da casa real acontece depois que o Ministério Público Anticorrupção iniciou uma investigação sobre os supostos 100 milhões de euros que Juan Carlos I recebeu em uma conta suíça em nome de uma fundação panamenha procedentes da monarquia saudita, como este jornal adiantou. O diário The Telegraph afirmou neste sábado que o atual chefe de Estado era beneficiário das fundações supostamente criadas por Juan Carlos para administrar esse dinheiro. Agora Felipe VI se distancia dessas organizações no comunicado. “Em relação às notícias que apareceram no dia sobre as entidades denominadas ‘Fundação Zagatka’ e ‘Fundação Lucum’, Sua Majestade o rei desconhece por completo e até hoje sua suposta designação como beneficiário.”

No primeiro caso (Zagatka), la Zarzuela afirma que o Rei o desconhecia, mas que, em todo caso, renuncia a ela; no segundo (Lucum), que teve conhecimento por um escritório de advocacia em março de 2019 e que em abril compareceu perante um notário para manifestar que havia endereçado uma carta ao pai para que “se for verdadeira sua designação ou da princesa de Astúrias como beneficiários da mencionada fundação, deixasse sem efeito tal designação, manifestando igualmente que não aceitaria participação ou benefício algum nessa entidade”. O comunicado também afirma que Dom Juan Carlos pediu “que se tornasse público” que “as duas fundações anteriormente citadas em nenhum momento forneceram informações” a seu filho e que “nomeou para sua representação o advogado Javier Sánchez-Junco Mans que, no exercício do direito de defesa, será a partir de agora quem responderá publicamente pelas informações que possam afetá-lo”.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Desmontando o Pequeno Nicolás / Histórica de um cara-de-pau



DESMONTANDO O 'PEQUENO NICOLÁS'

História de um cara-de-pau

O espanhol Francisco Nicolás Gómez tenta implicar as instituições que utilizou em fraudes


Por Javier Ayuso 
El País, 27 de noviembre de 2014

A primeira vez que ouvi falar de Francisco Nicolás Gómez Iglesias foi no último mês de agosto. Eu tinha deixado a Casa do Rei no fim de julho, onde atuei com diretor de Comunicação desde março de 2012, e estava em plenas férias quando recebi um telefonema de Jorge Cosmen, CEO da companhia de ônibus Alsa, um empresário de ótima reputação e amigo meu. Ele me ligou para contar que conheceu, em um almoço em Ribadeo (na Espanha), um sujeito estranho que dizia que trabalhava para a Casa Real e para o gabinete da vice-primeira-ministra espanhola. Era o Pequeno Nicolás.
A história que Cosmen me contou era de outro planeta e me deixou inquieto. Ele me disse que um conhecido seu lhe havia pedido para se encontrar com este jovem porque ele tinha algo importante para lhe contar, ao que respondeu dizendo que estava de férias e só voltaria a Madri em setembro. Em um telefonema posterior, o intermediário disse que o rapaz poderia ir até Ribadeo. Cosmen, então, aceitou o encontro e reservou uma mesa no restaurante San Miguel. A primeira surpresa já veio um dia antes do encontro, quando Nicolás telefonou para ele para confirmar sua presença e acrescentar que uma terceira pessoa participaria do almoço: ninguém menos do que o rei Felipe VI, da Espanha.
Jorge Cosmen ficou muito surpreso, mas telefonou ao restaurante para avisar que seriam três pessoas e para pedir uma mesa mais discreta. E ali veio a segunda surpresa: o dono do restaurante disse que já sabia que o novo comensal era o Rei porque alguém tinha telefonado dizendo ser do Palácio da Zarzuela (residência da família real espanhola) para reservar as mesas em volta para seguranças.

Para penetrar em alguns eventos, durante um tempo ele se fez passar pelo marquês de Togores
No dia do almoço, recebeu a terceira surpresa. Enquanto esperava seus convidados, surgiu nas ruas de Ribadeo um cortejo de três carros e algumas motos de escolta – dois Audi de luxo e um “grande” BMW. Diante de todo o mundo, a porta do BMW se abriu e do carro saiu um jovem com rosto inocente, o que foi uma grande decepção para os curiosos reunidos nas ruas. O almoço transcorreu sem grandes novidades e o rapaz não parou de falar da importância da Alsa para a marca Espanha e, que nos Palácios da Zarzuela e da Moncloa (sede do Governo espanhol), para quem ele dizia trabalhar, a empresa era vista com muito bons olhos. Era, sem dúvida, a fase de encantamento. Mas Nicolás se via diante de alguém que, longe de se deixar impressionar, se pôs a perguntar sobre aquele personagem. Eu disse não saber quem era este garoto e que tudo parecia ser uma grande invenção. Foi também o que afirmou María Pico, chefe de gabinete da vice-primeira-ministra, Soraya Sáenz de Santamaría, a quem Cosmen também telefonou para obter mais informações.
O problema para Nicolás é que naquele mês de agosto María Pico recebeu outros telefonemas vindos de Sotogrande (grande condomínio particular na Andaluzia), reportando atitudes semelhantes da parte de Nicolás. Por isso, ao fim do recesso de verão, a chefe de gabinete comentou o assunto com a vice-premiê e esta recomendou reportar o caso à polícia, porque alguém havia roubado a identidade de um funcionário do Governo. Pouco depois, Fran, Nicolás ou como quer que se chame (os caras-de-pau costumam adotar vários codinomes) fez outra aparição estelar na sacada da Prefeitura de Pinto, durante uma homenagem prestada ao ciclista Alberto Contador, onde conseguiu subir dizendo que era o marquês de Togores e assistente no gabinete da vice-primeira-ministra. Ele já vinha utilizando o personagem do marquês de Togores durante meses para penetrar no exclusivo clube Puerta de Hierro, em Madri, e impressionar as pessoas que ele convidava para almoçar.
Depois de rastrear as redes sociais e encontrar as dezenas de fotos que o rapaz postou ao lado de figuras importantes de toda a Espanha, e de fazer algumas rápidas investigações, as autoridades começaram a se preocupar de verdade. A tecnologia também atinge os caras-de-pau. Antes, esses personagens se limitavam a praticar oname dropping (citar personalidades públicas pelo primeiro nome) para demonstrar que são próximas da nata do país. Mas Nicolás lançou o selfie dropping: exibia fotos suas acompanhando pessoas importantes para justificar suas mentiras e suas meias verdades.

María Pico, chefe de gabinete da vice-primeira-ministra da Espanha, foi alertada no mês de agosto
Em um determinado momento, María Pico decidiu telefonar para o impostor e perguntar abertamente se ele trabalhava para o gabinete da vice-primeira-ministra. Ele hesitou, titubeou, balbuciou um “sim” e depois perguntou quem estava do outro lado da linha. Quando María se identificou e o advertiu que estava cometendo um crime, Nicolás recuou e começou a dizer que tinha apenas 20 anos e que nunca havia roubado a identidade de ninguém.
Pouco depois, chegou uma denúncia de um homem chamado Javier Martínez, do vilarejo de La Hiruela, que acusou Nicolás de lhe roubar 25.000 euros na tentativa de venda de uma casa em Toledo, avaliada em 15 milhões de euros (uma denúncia que, ao que parece, foi retirada). Em seguida, veio sua prisão, há 40 dias, no bairro de Chamberí, em Madri, em uma operação policial digna do detento. Depois de passar 72 horas na cadeia, foi colocado em liberdade para responder a acusações de falsidade ideológica, fraude e roubo de identidade. No registro policial de seu domicílio foram encontrados vários relatórios falsificados do Centro Nacional de Inteligência espanhol (CNI), falsas autorizações para entrada de veículos no Palácio da Moncloa, uma sirene de carro de polícia e dois emblemas autênticos da Guarda Civil e da Polícia Nacional. No auto, a juíza afirma que observa em Nicolás “uma florida idealização delirante do tipo megalomaníaca”. Neste momento, a investigação está submetida a segredo de justiça, ampliado na semana passada.

Algumas mentiras do 'Pequeno Nicolás' são tão exageradas que caem com seu próprio peso
O problema é que agora Francisco Nicolás Gómez Iglesias, de 20 anos, decidiu “puxar o tapete” e ameaça levar ao conhecimento público informações sensíveis para o Estado, enquanto afirma, sem vergonha nenhuma, que colaborava com o CNI, a Moncloa e a Zarzuela. Ele afirma, inclusive, que tem provas que demonstram tudo o que alega e anuncia uma rodada de aparições na televisão, afirmando que vai dar entrevistas de graça. No sábado, durante uma entrevista no canal Tele5, repetiu isso 10 vezes, enquanto circulava a notícia de que a produtora de TV Mandarina tinha pagado 100.000 euros por sua participação no programa.
Em menos de 48 horas, as três instituições atingidas – a Casa Real, a Moncloa e o CNI – desmentiram veementemente seu envolvimento, mas ele continua atirando pedras em todos os telhados para ver se consegue quebrar alguma telha. Com mentiras e meias verdades, ele pretende implicar as entidades que utilizou em suas fraudes. Algumas delas são tão exageradas que caem com seu próprio peso. Se ele disse que se encontrou várias vezes com Soraya Sáenz de Santamaría e que até esteve com ela em seu carro oficial, e a vice-premiê afirma que nunca o viu na vida, a história acaba aí.
Mas a mais grave de todas as alegações é a de que ele trabalha como colaborador do CNI e que denunciou práticas “ilegais” de alguns de seus agentes. (Ele diz que era um “Charly”, termo que não existe no jargão dos Serviços Secretos e que deve ter sido inventado por algum personagem do TDT Party – grupo de emissoras de televisão ultraconservadoras da Espanha). O CNI nega qualquer colaboração com Nicolás e confirma apenas que, em setembro de 2013, ele esteve em sua sede em Aravaca, acompanhando um empresário da firma de eventos Executive Forum, para convidar o diretor Félix Sánz Roldán para um café da manhã – convite que não foi aceito. O Centro acredita que Nicolás utilizou essa visita para observar o escritório e colher detalhes que lhe serviriam para executar suas enganações.

Ele diz que era um 'Charly' do CNI, mas esse termo nem existe no jargão dos Serviços Secretos
Em seu comunicado transmitido ontem, o CNI diz que “o secretário de Estado Diretor do CNI se coloca à disposição dos órgãos de controle que a lei estabelece” e que “foram colocadas ao conhecimento da Advocacia Geral do Estado as declarações públicas do senhor Gómez Iglesias no caso de serem constitutivas de delito”.
Como agia Gómez Iglesias? A verdade é que trabalhava muito. Passou anos criando uma imagem de personagem bem relacionado, dos jovens da Fundação para a Análise e os Estudos Sociais (FAES) até o setor empresarial, passando pela administração municipal de Madri. Deixava-se ver no palco do estádio Santiago Bernabéu ou nos eventos políticos e empresariais dos principais hotéis madrilenhos, nos quais dava um jeito de se sentar em um lugar de destaque. E tirava fotos, sem parar, que postava em sua conta do Facebook.
O passo seguinte era fazer-se de mediador entre alguém que tinha um problema e outro que podia solucioná-lo. E aí sua lábia, sua cara-de-pau, desempenhava um papel importante. Foi capaz de pedir dinheiro aos advogados de Jordi Pujol, ou de Javier de la Rosa, para conseguir acabar com a investigação ou obter um indulto. De tentar mediar negócios no México para uma importante construtora espanhola ou de fazer crer que tinha contatos importantes na Guiné Equatorial e que podia conseguir contratos muito benéficos “para os espanhóis”. Chegou até a dizer que participou ativamente das negociações para a instalação da Eurovegas em Madri.

Apesar dos desmentidos, continua atirando pedras em todos os telhados para ver se quebra alguma telha
É verdade que foi visto em muitos atos e reuniões das quais, além disso, há provas confiáveis em forma de foto. Mas não é verdade, é mentira, que visitou Moncloa, Zarzuela e o CNI em várias ocasiões. As três instituições negaram.
Nos filmes de costumes espanhóis, era frequente contar como se aplicava o chamado golpe do bilhete de loteria. Um golpe no qual o enganado acreditava ter logrado o golpista, e por isso nunca podia denunciá-lo. Aconteceu aqui algo parecido e por isso não há mais denúncias contra o pequeno Nicolás? Ou Gómez Iglesias não tinha conseguido consumar suas operações? Será preciso esperar para obter respostas a essas perguntas.
Também será preciso saber qual o papel da construtora Edhinor, que aparentemente alugou a casa no bairro de El Viso de Madri (ainda que oficialmente o locatário fosse uma pequena construtora de Alcorcón, ACO, com a qual a Edhinor tinha trabalhado certa vez em união temporária de empresas), onde Nicolás realizava todo tipo de reuniões e festas até junho passado, e da qual o garoto tinha um cartão de visitas de “Relações Institucionais”. Essa casa rendeu muito assunto à imprensa nas últimas semanas e chegou-se a especular que haja gravações feitas ali por pessoas importantes da política e da empresa. Mais uma vez, o jogo das ameaças veladas.

Há uma última pergunta: tinha padrinhos ou eram todos figurantes?
Há uma última incógnita sem solução. Que papel desempenha em toda essa história o advogado Juan Antonio Untoria Agustín, proprietário da empresa Pristina S.L., coronel da reserva do Exército da Terra, advogado de defesa de Nicolás, que então retirou a denúncia e foi acusado, processado, julgado e condenado pela Operação Troika por lavagem de dinheiro da máfia russa?
Eu trabalhei 13 anos em um banco. E ali havia uma norma não escrita que dizia que se algum cliente fosse ao escritório para pedir um crédito ou falasse com algum executivo do banco para fazer alguma gestão e se gabasse de ser amigo do presidente ou de algum membro do conselho de administração, era preciso desconfiar. Sem dúvida que se muitos personagens aos quais Gómez Iglesias recorreu para suas gestões tivessem usado essa regra, teriam evitado muitos problemas. Pois há uma última pergunta ainda ficou por responder: Nicolás tinha padrinhos, ou eram todos figurantes sem papel?

Moncloa, Zarzuela e CNI desmentem versões

Francisco Nicolás Gómez Iglesias, conhecido como o pequeno Nicolás, garantiu nas entrevistas concedidas a El Mundo e Telecinco que trabalhou para a Vice-presidência do Governo, a Casa del Rey e o CNI em diversos assuntos para os quais foi contratado. As três instituições desmentem. Além disso, o Ministério da Economia negou que tivesse lhe emprestado um carro.
Vice-presidência. “Francisco Nicolás Gómez Iglesias nunca colaborou com a Vice-presidência do Governo e, consequentemente, nunca recebeu nenhum encargo”, garantiu ontem a Secretaria de Estado da Comunicação do Governo. Além disso, negou que a vice-primeira-ministra, Soraya Sáenz de Santamaría, tivesse viajado com ele no carro, como o suposto impostor afirmou.
Centro Nacional de Inteligência. “O CNI jamais encarregou o sr. Gómez Iglesias de qualquer atividade, relacionada ou não com as funções e missões deste centro. O secretário de Estado Diretor do CNI se coloca à disposição dos órgãos de controle que a lei estabelece para dar fé do exposto no ponto anterior”, afirmou ontem o órgão. Além disso, anunciou que o assunto está nas mãos da Advocacia Geral do Estado caso suas declarações “possam ser constitutivas de delito”.
Casa del Rey. A instituição real também desmentiu que tivesse encomendado alguma coisa ao Pequeno Nicolás “nem em relação ao procedimento judicial referido à infanta Cristina nem sobre qualquer outro assunto”. Admite, por sua vez, que “diante da intenção de ser recebido” por dom Juan Carlos, “foi informado de que solicitasse por escrito seguindo o procedimento oficial habitual”. Coisa que, segundo afirmam, jamais se concretizou.
EL PAÍS







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sábado, 14 de junho de 2014

Vargas Llosa / Troca de guarda



Troca de guarda
Juan Carlos
Fernando Vicente

Mario Vargas Llosa

Troca de guarda

O povo espanhol não era monárquico quando Franco morreu. Voltou a sê-lo graças ao protagonismo do Rei na democratização e a tarefa de Felipe VI é manter viva essa adesão


14 JUN 2014 - 17:25 COT

Vi o discurso de abdicação do rei Juan Carlos em um pequeno televisor de um hotelzinho em Florença, e me emocionou escutá-lo. Pelo esforço visível que fazia para manter a serenidade e apresentar a sala do trono como algo natural, sabendo muito bem que dava um passo transcendental, o que costuma ser chamado de “fato histórico”. E porque essa renúncia em favor de seu filho, o príncipe Felipe, encerrava um período dificílimo para ele, com problemas de saúde, escândalos familiares e pessoais, algumas desculpas públicas e alguns esforços corajosos mais recentemente no sentido de recuperar, para ele e para a instituição monárquica, a popularidade e a solidez que sentia estarem abaladas. O discurso foi impecável: breve, preciso, persuasivo e bem escrito.
Desde então, o rei tem recebido muitas manifestações de carinho em todas as suas apresentações públicas e muito poucos ataques e críticas. Tenho certeza de que, conforme o tempo transcorrer, o balanço dos historiadores fará crescer sua figura de estadista e que os 39 anos de seu reinado terminarão sendo reconhecidos, em grande parte graças a ele, como os mais livres, democráticos e prósperos da longa história da Espanha. E nada me parece tão justo quanto dizer –como afirmou Javier Cercas em um artigo– que sem o rei Juan Carlos não teria havido democracia neste país. Certamente não, pelo menos da maneira pacífica, consensual e inteligente que foi a transição.




Espero que, no futuro, algum romancista espanhol de fôlego tolstoiano se atreva a contar essa história fantástica

Espero que, no futuro, algum romancista espanhol de fôlego tolstoiano se atreva a contar essa história fantástica. O regime de Franco urdiu, com as melhores cabeças de que dispunha, sua sobrevivência, mediante a restauração de uma monarquia de viés autoritário, para a qual o Caudilho e seu entorno haviam educado o jovem príncipe, desde criança, afastando-o de sua família e submetendo-o a uma formação especial cheia de zelo, a quem as Cortes franquistas, logo após a morte de Franco, entronizaram como Rei da Espanha. Mas, em seu foro íntimo, ninguém sabe exatamente de que maneira e desde quando o jovem Juan Carlos tinha chegado à conclusão de que, assumido o trono, sua obrigação deveria ser exatamente oposta à que lhe tinha sido destinada. Ou seja, não prolongar –guardados certos aspectos– a ditadura, mas acabar com ela e conduzir a Espanha a uma democracia moderna e constitucional, que abrisse sua pátria ao mundo do qual tinha sido praticamente sequestrada nos quarenta anos anteriores e reconciliasse todos os espanhóis em um sistema aberto, tolerante, de legalidade e liberdade, no qual coexistissem pacificamente todas as ideias e doutrinas e fossem respeitados os direitos humanos.
Parecia uma tarefa impossível de alcançar sem que os herdeiros de Franco, que controlavam o poder e ainda contavam – para que mentir? – com um forte apoio da opinião pública, se rebelassem contra essa democratização da Espanha que os condenaria à extinção e se opusessem a ela com todos os meios ao seu alcance, incluída, sem dúvida, a violência militar. Por que não fizeram isso? Porque, com uma habilidade extraordinária, guardando sempre as formalidades mais apreciáveis, mas sem jamais dar um passo em falso, o jovem monarca foi embarcando-os de tal forma no processo de transformação que, quando se deram conta de que tinham cedido demais, confusos e desconcertados, em vez de reagir já estavam fazendo uma nova concessão. A opinião pública, transformada no curso dessa marcha rumo à liberdade, se alistava nela e apoiava de maneira cada vez mais dinâmica as mudanças que, semana a semana, dia a dia, foram mudando radicalmente a realidade política da Espanha.




Sem o rei Juan Carlos não seria possível uma transição pacífica, consensual e inteligente

Devido ao seu falecimento, recordou-se há pouco tempo e com muita justiça o trabalho notável executado por Adolfo Suárez na transição. Claro que sim. Mas é preciso lembrar que foi o rei Juan Carlos que, com um olfato infalível, escolheu como seu colaborador nessa operação extraordinária uma pessoa que na época era nada menos do que ministro secretário-geral do Movimento, ou seja, do conjunto de organizações e instituições políticas do regime franquista. Ninguém deve menosprezar, obviamente, a importância alcançada na transição pacífica da Espanha da ditadura para a democracia, de um regime vertical para um sistema plural e aberto, por praticamente todas as forças políticas do país, da direita à esquerda, e que todas estavam dispostas, em nome da paz, a fazerem concessões que tornaram possíveis os consensos dos quais resultou o grande acordo constitucional. Mas ninguém também deveria se esquecer de que quem, desde o princípio, concebeu, impulsionou e levou a bom porto esse processo foi o monarca que, prestando um novo grande serviço ao país, acaba de abdicar a fim de que o príncipe Felipe herde o trono e com ele seja aberta para a Espanha “uma nova etapa de esperança na qual se combinem a experiência adquirida e o impulso de uma nova geração”.
Se assim o rei Juan Carlos contribuiu de forma decisiva para que a democratização da Espanha fosse levada a cabo de forma pacífica, com sua conduta clara e firme que fez debelar a tentativa de golpe de 23 de fevereiro de 1981 conseguiu para a monarquia uma legitimidade que tinha perdido vigor e calor popular. Porque a verdade é que o povo espanhol não era monarquista quando Franco morreu. Começou a sê-lo, ou a voltar a sê-lo, graças ao protagonismo do Rei ao apoiar e liderar a democratização da Espanha. Mas foi após o esmagamento da tentativa golpista do 23 de Fevereiro que o rei Juan Carlos devolveu à Monarquia o respaldo resoluto e entusiasmado da grande maioria da população, o que foi um fator decisivo para a estabilidade política e institucional da Espanha nestas últimas décadas.
Essa história, que resumi em poucas linhas, ainda está para ser contada. É uma história fora do comum, de uma complexidade e sutileza só comparáveis às dos maiores romances, na qual, na solidão mais absoluta, um jovem prisioneiro de uma máquina quase invencível se liberta dela e decide, exercendo os poderes que o Rei realmente tinha na época, rebelar-se contra o sistema que tinha sido encarregado de salvar, desfazendo-o e refazendo-o dos pés à cabeça, mudando sutilmente todo o libreto que deveria aprender e executar e substituindo-o por seu contrário. Muita gente o ajudou, é claro, mas foi ele, só ele, do início ao fim, o diretor do espetáculo.




Dom Felipe VI vai reinar sobre uma democracia moderna e respeitada, um país livre, solvente e culto

Por isso a Espanha sobre a qual dom Felipe VI vai reinar é, hoje, essencialmente diferente daquela de quando Franco morreu: uma democracia moderna e respeitada, um país livre, capaz e culto, que figura entre os mais avançados do mundo. Convém não esquecer quanto de tudo isso se deve ao monarca que agora se afasta para que seu herdeiro o substitua.
É verdade que o príncipe Felipe foi muito bem preparado para a difícil responsabilidade que vai assumir. Também é verdade que a Espanha hoje enfrenta problemas enormes – o primeiro, e mais grave deles, as ameaças de secessão que poderiam mergulhá-la em uma crise de consequências imprevisíveis – e que, por mais que o monarca de uma monarquia constitucional reine, mas não governe, os desafios que vai enfrentar vão colocar à prova todos os conhecimentos e experiências que adquiriu no curso de sua exigente formação. O mais importante é que o novo rei, com seus gestos, iniciativas, tato e comportamento, mantenha viva a adesão que ainda hoje é muito profunda na sociedade espanhola no sentido da monarquia constitucional. Não é verdade que, enquanto houver democracia, pouco importa se um regime é republicano ou monarquista. Não quando o problema da unidade de um país é tão grave quanto atualmente na Espanha. A monarquia é uma das poucas instituições que garantem essa unidade na diversidade, sem a qual poderia sobrevir a desintegração de uma das mais antigas e influentes civilizações do mundo. Em todas as outras a divisão, o ressentimento, o fanatismo e a miopia política já semearam as sementes da fragmentação.
Ajudemos sua majestade, dom Felipe VI, a ter sucesso colocando nosso grãozinho de areia na tarefa de manter a Espanha unida, diversa e livre como tem sido nestes últimos 39 anos.
EL PAÍS






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