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domingo, 12 de abril de 2015

Billie Holiday / All Of Me



Billie Holiday
ALL OF ME
by Seymour Simons and Gerald Marks



All Of Me

All of me
Why not take all of me?
Can't you see?
I'm no good without you
Take my lips
I want to lose them
Take my arms
I'll never use them

Your goodbye left me with eyes that cry
How can I go on, dear, without you?
You took the part that once was my heart
So, why not take all of me?

All of me
Why not take all of me?
Can't you see?
I'm no good without you
Take my lips
I want to lose them
Take my arms
I'll never use them

Your goodbye left me with eyes that cry
How can I go on, dear, without you?
You took the best
So, why not take the rest?
Baby, take all of me.

Tudo de mim

Tudo de mim
Por que não toma tudo de mim?
Será que você não vê?
Eu não me sinto bem sem você.
Tome meus lábios
Eu quero perdê-los
Tome meus braços
Eu nunca mais usarei eles.

Seu adeus me deixou com esses olhos que choram
Como posso seguir em frente, querido, sem você?
Você tomou a parte que um dia já foi meu coração
Então, por que não toma tudo de mim?

Tudo de mim
Por que não toma tudo de mim?
Será que você não vê?
Eu não me sinto bem sem você.

Tome meus lábios
Eu quero perdê-los
Tome meus braços
Eu nunca mais usarei eles.

Seu adeus me deixou com esses olhos que choram
Como posso seguir em frente, querido, sem você?
Você tomou o melhor
Então, por que não toma o resto?
Baby, tome tudo de mim.

sábado, 11 de abril de 2015

Billie Holiday / Strange Fruit



Billie Holiday
‘Strange fruit’
by Abel Meeropol (Lewis Allan)


Strange Fruit

Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black bodies swinging in the southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant south,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolias, sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh.

Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.

Fruta Estranha

Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.

Cena pastoril do valente sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresca,
Então o repentino cheiro de carne queimando.

Aqui está a fruta para os corvos arrancarem,
Para a chuva recolher, para o vento sugar,
Par o sol apodrecer, para as árvores derrubarem,
Aqui está a estranha e amarga colheita.



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Fatos da biografia de Billie Holiday

Billie Holiday

10 FATOS DA BIOGRAFIA DE BILLIE HOLIDAY QUE PODEM ENSINAR ALGUMA COISA SOBRE CONSCIÊNCIA NEGRA

Por Maria Joana de Avellar | em 07/04/2015 |

Musa, diva, ícone, primeira grande dama do jazz, Lady Day canta o blues em palcos glamurosos com jóias na orelha e o cabelo coberto de flores. Se a mítica imagética que envolve Billie Holiday, uma das maiores cantoras de todos os tempos, faz jus à sua importância para a música, sua vida real foi marcada por sofrimento, marginalidade e preconceito. O livro que deu origem a este post, Lady Sings the Blues, por exemplo, é autobiográfico e foi escrito em uma tentativa apelativa da cantora de conseguir uns trocados – sua adaptação dramática ao cinema, com Diana Ross no papel principal, é quase uma ofensa para quem conhece a história. Entre as verdades e mentiras que a própria obra contém, elencamos alguns dos fatos verídicos do livro que mostram como era ser uma cantora negra norte-americana em tempos de segregação – quando o preconceito racial era institucionalizado, e incentivado, pelos Estados Unidos.
Billie_Holiday_1917
1. Por ser negra e pobre, Billie enfrentou dificuldades desde muito pequena, passando por todos os infortúnios possíveis. Ainda criança, aos 10 anos, foi violentada por um vizinho, afastada da mãe e internada em uma casa de correção.
2. Quando saiu, aos doze anos, começou a trabalhar como faxineira e lavava assoalhos em prostíbulo (para sua alegria, a patroa da casa deixava que ela ouvisse os discos de Louis Armstrong e Bessie Smith na vitrola). Aos catorze anos, morando novamente com sua mãe, em Nova York, caiu na prostituição.
3. A entrada na música veio em um momento de desespero: sob ameaça de despejo e sem dinheiro para pagar as dívidas de sua mãe, saiu às ruas à noite e ofereceu-se para trabalhar como dançarina em um bar. A tentativa de se mostrar apta ao trabalho deixou o pianista do local com pena, tamanha sua falta de jeito, e ele a perguntou se ela sabia cantar. Saiu de lá com emprego fixo.
4. Billie fez parte das big bands de Artie Shaw e Count Basie, sendo uma das primeiras negras a cantar com uma banda de brancos, e no auge da segregação racial. Na maioria de suas turnês nos anos 1930, Billie não enfrentava preconceito apenas na plateia, mas por seus próprios contratantes e nos hotéis que a recebiam para os shows. Era obrigada a entrar pela porta dos fundos e, na estrada, nas paradas comuns aos viajantes, ela ficava do lado de fora dos restaurantes. Nos estados mais racistas, no sul do país, muitas vezes era obrigada a fazer suas necessidades na rua.
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5. O pai de Billie morreu quando, enfermo, vagava pelo Texas a procura de um hospital que não se recusasse a atendê-lo pelo fato de que se tratava de um negro. Não encontrou e quando enfim conseguiu provar em um hospital militar que tinha servido ao exército norte-americano e podia ser atendido, já não havia mais tempo para ajudá-lo.
6. “Strange Fruit”, imortal na voz de Billie, é a primeira canção de protesto explícito contra o racismo e os linchamentos de negros comum no sul dos Estados Unidos em tempos de segregação. De forma extremamente poética, a canção ilustra o modo como eles eram exibidos ao público, pendurados em árvores como frutos estranhos. Billie levou essa realidade aos bares e bordéis, o que a rendeu uma porção de inimigos.

7. Billie afirmava se sentir totalmente exausta e deprimida sempre que acabava de cantar “Strange Fruit”- o que ficou ainda pior depois da morte do pai (a partir daí, a música era sempre a última dos shows). Mesmo com todo o sofrimento, ela garantia que permaneceria cantando porque, décadas depois, negros continuavam morrendo pela mesma razão: apenas por serem negros.
8. Uma vez Billie foi agredida em um bar após seu show por estar conversando com um homem branco, seu amigo. “Não somos obrigados a ver isso, isso é um absurdo”, exclamou o agressor, frisando que se o branco gostaria de estar com uma mulher negra, que o fizesse em privado.
Billie_Holiday_and_Mister,_New_York,_N.Y.,_ca._June_1946_(William_P._Gottlieb_04271)
9. Billie sempre foi passada para trás em suas finanças – o que era ainda pior em uma época em que as artistas negras costumavam ser lesadas em contratos e direitos autorais. No caso de Billie, isso se tornou ainda pior por seus relacionamentos com homens abusivos. Entre seus principais amores estão Joe Guy, traficante e músico, e Louis McKay, um membro da máfia violento e agressivo.
Billie Holiday
Billie Holiday quando foi presa, em 1947
10. Extremamente deprimida, Billie se entregou completamente ao álcool e à heroína nos anos 1940. E se já era difícil ser mulher, se já era difícil ser negra, era praticamente impossível ser drogada quando se era mulher e negra. Nenhuma perseguição a artistas com problemas com narcóticos se comparou ao que Billie sofreu na mão dos policiais quando já estava muito enferma. Foi presa três vezes e morreu em um quarto de hospital algemada à cama, com dois policiais na porta.