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Mostrando postagens de março, 2021

Elegia da gente viva (parte 1, capítulo 2)

Nota explicativa: estou publicando duas vezes por semana (às quartas e aos domingos) capítulos do meu romance “Elegia da gente viva”, ainda inédito. Para ter acesso ao sumário com os capítulos já publicados, clique  aqui . *** 2. O morto do noticiário José Reynaldo, 89 anos, é um escritor renomado. Ano após ano lança um livrinho magro, anunciado em todos os cadernos de cultura remanescentes, mas desacompanhado de avaliações críticas, como se a novidade fosse critério suficiente para impulsionar as vendas – e, às vezes, é. O impacto de suas obras recentes sobre mercado editorial, público, academia e essa parafernália toda é insignificante. Nos cursos de Letras, só os estudantes calouros, os pouco ambiciosos e os trabalhadores de tempo integral escolhem esses títulos para a analisar, dá pra ler numa sentada. Entregam um trabalhinho igualmente mirrado, em que o professor rabisca “7,0” para não ter que ver a cara do indivíduo no ano seguinte. O próprio autor sabe que só é lembrado e ce...

Elegia da gente viva (parte 1, capítulo 1)

Nota explicativa: estou publicando duas vezes por semana (às quartas e aos domingos) capítulos do meu romance “Elegia da gente viva”, ainda inédito. Para ter acesso ao sumário com os capítulos já publicados, clique aqui . *** PARTE 1: TRÊS TRAMAS TRISTES *** 1. Ela Bobagem o conselho de “alegre-se”. Quero dizer, estar vivo é estar alegre de algum modo, não importa como isso se apresenta. Contemplação, tédio do tédio, tensão, revolta, tremor emotivo, movimento, encontro, quentura, tudo aumentado, explosão, gozo, rir de soluçar, cansar e cair num sono sonhado, para começar tudo de novo, só que depois, algo diferente de antes. Isso vale também para o conselho avesso, seria absurdo dizer ao morto “entristeça-se”. A gente finada não faz nada, não dá uma risada bem dada, nem pede uma bofetada mirada na arcada dentária. Tem gente que morreu e não sabe. Avisa esses daí que a vida tem que ser alegre, senão... Já que nasceu, viva. Outra opção nem existe, só a ilusão de haver escolha. Chorar ...

Elegia da gente viva (paratextos)

Sumário (vou atualizando e inserindo os links conforme as postagens) PARTE 1: TRÊS TRAMAS TRISTES 1. Ela 2. O morto do noticiário 3. Ideia para um conto totalmente baseado em fatos reais PARTE 2: GRITO NO OUVIDO 4. A história do mijo 5. Coleção de frases (rascunho para uma poética dos anos dez) 6. Satisfações 7. Como tudo começou 8. A entrevista do século 9. Restart 10. As Meninas 11. Fãs 12. Fantasma PARTE 3: CONTAS 13. Desirée (1) 14. Desirée (2) 15. Desirée (3) 16. Natália (1) 17. Natália (2) 18. Natália (3) 19. Lila (1) 20. Lila (2) 21. Lila (3) 22. Lúcia (1) 23. Lúcia (2) 24. Lúcia (3) 25. A inominada (1) 26. A inominada (2) 27. A inominada (3) 28. Inara (1) 29. Inara (2) 30. Inara (3) 31. Planta (1) 32. Planta (2) 33. Planta (3) *** O título "Elegia da gente viva" é provisório. Nomeei sem muita reflexão e nunca parei para pensar num melhor. Acho que só me acostumei, e ele foi ficando. Outras possibilidades: "Elegia dos vivos" "Orgia dos mortos" ... o...

Quadro de avisos

Atenção, meus dois ou três leitores: o blog está de volta à ativa. Sim, também estou cansada de telas e de discursos sem rosto e sem toque, meus dedos doem de tanto digitar, mas é o que temos para hoje. Tentei o silêncio, na esperança de não reforçar a tensão geral. Foi bom por um tempo, até que senti falta de conversar. Como estou em plena escrita da tese, para contrabalancear essa loucura de ser tão profundamente séria e inteligente (uhhh) por horas a fio, resolvi desengavetar aquele plano de publicar o meu romance "Elegia da gente viva” aqui. Só metade do livro está pronta, a outra vai sendo escrita em paralelo às postagens, então vocês podem palpitar. Talvez eu incorpore alguns desses comentários, se achar que eles forem produtivos para a estrutura geral. Independente disso, feedbacks são sempre bem-vindos.  Decidi postar aqui no blog, porque não é um grande romance e, ao mesmo tempo, não me parece tão ruim para morrer como arquivo de Word. É uma forma de me forçar a terminá-l...