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Mostrando postagens de 2018

Quizz: qual é o padrão?

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E a lista poderia continuar, mas acho que vocês já entenderam a ideia, e todos nós temos mais o que fazer, né.

O discurso da universidade e a democracia

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Entrei na moda da autocrítica: "O intelectual deseja geralmente ser um porta-voz, mas ele confisca a palavra que pretende representar. [...] Rancière denuncia, no seio da elite, um certo ódio pela democracia, uma recusa ao que ela teria de escandaloso: o reconhecimento de um igual valor potencial de cada voz. [...] Mas será que o povo tem necessidade das explicações dos universitários para pensar sua condição e sua ação? A universidade deve pensar 'para' ou deve pensar 'com'? E pensar significa somente saber? [...] Será que ainda podemos escutar, aprender e falar em comum?" Esses trechos foram tirados do prefácio de Jean-Luc Moriceau ao livro " Diálogos e dissidências: Michel Foucault e Jacques Rancière ", de Ângela Cristina Salgueiro Marques e Marco Aurélio Máximo Prado, publicado pela editora Appris neste ano.

Veludo vermelho

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Dizem que os italianos falam com as mãos. Faço, porém, duas correções. Primeira, todas as nossas experiências, não só a fala, são pelo toque. Segunda, não tocamos apenas com as mãos, mas com cada pedaço do nosso corpo. Sensoriais até as pontas dos fios de cabelo, não é à toa que nós, italianos, somos amantes e místicos inveterados, os êxtases nos arrebatam sem trégua. Logo cedo, quando o gole de espresso fervendo amarra a língua e, logo depois, a cremosidade do canolli a desenrola, eu canto, as cordas vocais aplaudindo delirantes. É preciso cantar após uma boa refeição, senão nem o mais eloquente elogio convencerá o cozinheiro de que não foi schiffo  (nojo) o que eu senti. Meu corpo também vibra quando visto seda, que o vento levanta para cair úmida sobre as costas e as coxas. O que para uns é luxo, para os italianos é sobrevivência. Que remédio melhor para o desespero senão receber um cafuné de caxemira ou ter as mãos aquecidas por couro bem curtido? O mármore está lá em ...

Mantra

Repita até soar natural e razoável: "No Brasil, o novo teto salarial dos juízes é 18 vezes a média salarial da população." E, na sequência: "Isso vai aumentar em mais de 5 bilhões as despesas da União, enquanto usam a justificativa da dívida pública para cortar direitos do trabalhador." Por fim, pra atingir o Nirvana: "Ó, Pátria amada, idolatrada, salve, salve!"

Censurado

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Eu ia fazer uma piada sobre o Coiso, mas daí pensei no exército de trolls que trabalha 24 horas por dia para destruir qualquer voz dissidente -- como eles arrumam tanto ódio e tanto tempo? Receberão salário ou fazem só por amor à coisa (ao Coiso)? Moral da história: a autocensura é o primeiro passo para a censura. Eu aprendi isso com José J. Veiga, em especial com "A hora dos ruminantes", leitura que pode nos ajudar a sobreviver nos próximos anos. Sejamos corajosos. Repito para mim mesma. Se o pior acontecer e eu tiver me calado, a culpa também terá sido minha. Ensaio para ter coragem. Uma hora ousarei contar a tal piada, mas ainda não. Infelizmente meu dia não é tão longo quanto o dos trolls, e eu preciso resolver todas as minhas obrigações, que são muitas, sozinha. Então espero por dias mais calmos pós-fim-de-semestre. Mas contarei, eu preciso contar para acreditar que tenho coragem e que a sustentarei quando ela for mais necessária.

Caos em poesia

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“Poesia, eles dizem, é uma questão de palavras. E isso é tão verdade quanto dizer que as pinturas são uma questão de tinta, e os afrescos uma questão de água e diluição das cores. Está tão longe da verdade completa que assim se torna ligeiramente tolo se declarado assim sentenciosamente. Poesia é uma questão de palavras. Poesia é também o afinar de palavras dentro de um murmúrio, de uma melodia, ou de um rastro de cores. Poesia é um entrejogo de imagens. Poesia é a sugestão prismática de uma ideia. Poesia é tudo isso e ainda alguma outra coisa a mais. Dados todos estes ingredientes, você obtém alguma coisa bem parecida com poesia, algo de que poderão dizer “Oh! Isso é muito poético”. E “o que é muito poético”, como um brinque, estará sempre na moda. Mas a poesia ainda é outra coisa. A qualidade essencial da poesia é que ela faz um novo esforço de atenção e “descobre” um novo mundo dentro do mundo conhecido. O homem, e os animais, e as flores, todos vivem dentro de um estra...

Pergunta

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Os brasileiros não se cansam de militares no governo?

Paixões à parte, terrorismo se combate com inteligência

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Depois que eu relembrei o caminho das pedras, fiquei com vontade de voltar. Como comentei no post anterior, troquei as redes sociais pela mídia tradicional e assim venho me sentindo melhor informada. Em vez de replicar memes e incomodar meus amigos e parentes com mensagens alarmistas no Zap, acho que é hora de fazer uma autocrítica para tentar entender como chegamos a este ponto. Afinal, se tivemos 13 anos de governos supostamente de esquerda, por que de repente a extrema direita parece tão mais atrativa no Brasil -- e também no mundo? Esse processo não é súbito, vem ocorrendo há pelo menos uma década, é complexo e exige um pouco mais de dedicação da nossa parte para compreendê-lo. Quem explica bem isso é o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Gostaria de sugerir uma entrevista que achei particularmente interessante do Canal do Le Monde Diplomatique. Em geral, não gosto dos textos deles, acho a linguagem excessivamente acadêmica e panfletária, mas hoje, quando descobri o c...

Sobrevivência

Há muito tempo perdi a vontade de escrever para o público sem rosto da Internet. O blog ficou assim abandonado, desativei Facebook, Twitter e, por fim, Whatsapp. Nem preciso dizer que minha vida ficou muito melhor, a ansiedade baixou, o tempo se multiplicou. Claro que eu sentia falta de alguns amigos de quem eu não tinha mais notícias, mas passei a apreciar mais as companhias das pessoas que estavam por perto. Sem a armadura digital, finalmente entendi que era nesta cidade, neste bairro, nesta universidade minha nova vida. Poderia ser num espaço e num tempo expandidos, mantendo o cordão umbilical com os amigos que fiz pela vida toda, mas descobri que prefiro o espaço-tempo assim mais limitado, menos assustador, traz menos problemas para eu lidar. Isso não significa alienação, passei a ler mais a mídia tradicional e consigo novamente opinar sobre os fatos em vez de só mencionar manchetes ou memes. Para ficar perfeito, só preciso aprender a desativar o feed de notícias do Google (help!),...

Mudança

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Gente feliz não escreve, vive. Parafraseio uma fala do Cristóvão Tezza que ouvi nalguma Semana de Letras anos atrás para anunciar: resolvi ressuscitar o blog. Sim, estou meio infeliz, mas não é disso que falarei, já bastam os posts depressivos de meses atrás, ou talvez fale só um pouquinho... mas prometo um final otimista! Nada de depressão, graças à minha ótima psicóloga (passo o contato para quem precisar), apenas a tristeza normal da vida. Quero descrever a sensação de mudar de casa. Meus pais sempre foram muito constantes, avessos inclusive a reformas, de modo que nos mudamos pouquíssimas vezes, e acho que herdei essa característica. Chego a um lugar e tento logo transformá-lo na minha casa, instalar-me em definitivo. Claro que, fazendo assim, vou contra a ordem natural do mundo (pura inconstância), mas esse é um aprendizado que ainda não me entrou na cabeça, infelizmente. Não sei ser nômade, embora com frequência me proponha andanças e passe pela maioria das experiências de m...