Dizem que os italianos falam com as mãos. Faço, porém, duas correções. Primeira, todas as nossas experiências, não só a fala, são pelo toque. Segunda, não tocamos apenas com as mãos, mas com cada pedaço do nosso corpo. Sensoriais até as pontas dos fios de cabelo, não é à toa que nós, italianos, somos amantes e místicos inveterados, os êxtases nos arrebatam sem trégua. Logo cedo, quando o gole de espresso fervendo amarra a língua e, logo depois, a cremosidade do canolli a desenrola, eu canto, as cordas vocais aplaudindo delirantes. É preciso cantar após uma boa refeição, senão nem o mais eloquente elogio convencerá o cozinheiro de que não foi schiffo (nojo) o que eu senti. Meu corpo também vibra quando visto seda, que o vento levanta para cair úmida sobre as costas e as coxas. O que para uns é luxo, para os italianos é sobrevivência. Que remédio melhor para o desespero senão receber um cafuné de caxemira ou ter as mãos aquecidas por couro bem curtido? O mármore está lá em ...