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Mostrando postagens de 2012

O homem perfeito

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Para compensar o longo período de ausência, vou conceder aos meus três leitores uma dose de humor autodepreciativo e exposição excessiva. Vocês já estiveram naquela fase “vi tudo, fiz tudo, as pessoas me entediam”? Tenho vivido esse limbo nos últimos meses. Daí fiquei pensando no porquê de as pessoas em geral, e os possíveis pretendentes em especial, me entediarem tanto. Para ganhar minha admiração, alguém precisa colecionar uma série de qualidades, mas nenhuma delas deve ser extremada. Eu especifico melhor nas linhas a seguir Ser inteligente, mas não CDF. Consumir alta cultura, mas não ter nojinho de entrar em boteco. Ser asseado, mas não maníaco por limpeza. Ignorar a moda, mas não se vestir de forma vergonhosa. Ter uma personalidade interessante, mas não jogar joguinhos. Ter um lado espiritual desenvolvido, mas não ser carola. Ser zen, mas não bicho grilo. Ser paciente, mas não passivo. Ser bonito, mas não do tipo que para o trânsito. Ser cavalheiro, mas não a...

Exercício poético

Quanto medo sem motivo! Pois bem. A gente cria (n)esta nefasta fantasia, (n)este abrigo que diz: PERIGO! Você pode ser feliz. -- Vale a pena ler de novo o poema "Medo" , de Raymond Carver

Frase [VII]

Comer bem para comer bem.

Charming little places

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Desde ano passado Curitiba possui uma sede da Livraria Cultura (foto). Lembro-me bem do alvoroço entre os colegas de Letras na ocasião da inauguração. Felizmente, fica distante de casa e só passo ali esporadicamente. Felizmente, sim, porque a cada visita deixo lá uma pequena fortuna para os meus padrões de estudante (15% do meu orçamento mensal, tá bom pra vocês?). No último tour por aquelas bandas, passei uma hora e meia revirando prateleiras, lendo, decidindo o que deveria tirar da minha cestinha cheia. Eu não era a única. A livraria estava lotada, era até difícil encontrar um lugar para sentar, e olhe que são três andares! A loja deve ter um faturamento altíssimo, pensei. E então percebi que é uma grande besteira dizer que vender livros, CDs (!!) e vídeos não é um bom negócio e que nada vai para frente sem subsídio do governo. Basta olhar para este monumento capitalista que faz um enorme favor à cultura do país. Eles têm um dinossauro no centro da loja, quer algo mais represent...

Ah, a arte, essa subversiva...

Segue letra de uma música de que gosto muito e que acrescenta lenha às ideias que vim expondo nos últimos posts, em especial sobre busca de paz espiritual versus de amor . Recomendo a versão cantada por Mônica Salmaso. ** Tempo de amor (Samba do Veloso) Vinicius de Moraes Ah, bem melhor seria Poder viver em paz Sem ter que sofrer Sem ter que chorar Sem ter que querer Sem ter que se dar Mas tem que sofrer Mas tem que chorar Mas tem que querer Pra poder amar Ah, mundo enganador Paz não quer mais dizer amor Ah, não existe coisa mais triste que ter paz E se arrepender, e se conformar E se proteger de um amor a mais O tempo de amor É tempo de dor O tempo de paz Não faz nem desfaz Ah, que não seja meu O mundo onde o amor morreu

Sobre a solidão

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(Antes de tudo: eu já escrevi sobre esse tema aqui? Aposto que sim. Só espero não repetir argumentos. Se contrariar afirmações passadas, tanto melhor; significa que estou viva. Acho que quando a gente não se dá mais o direito de mudar de opinião, daí, meu caro, é velhice na certa, e do pior tipo: aquele que atinge todas as faixas etárias. Há quem seja acometido por esse mal aos vinte anos e atormenta as pessoas ao redor durante décadas infindas.) Fato um. Há algumas semanas, um menino me disse que a solidão era uma condição permanente e que não poderia ser remediada nem com a presença de outras pessoas. Tão pouca idade e já pessimista assim! Se bem que eu também pensava coisas desse tipo na adolescência, época tão radical. Se a vida adulta tem uma vantagem é a capacidade de olhar para as coisas com mais suavidade, sem fazer tempestade em copo d’água. Mas suprimi tal comentário para não aumentar o abismo entre nós. À toa: o abismo já estava estabelecido. Fato dois. Primavera nes...

Mc Donald’s faz parceria com bruxa da Branca de Neve

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Do início. Depois de ouvir boatos de que o Pikachu havia se esgotado em alguns Mc Donald’s, corri para buscar o meu. Aliás, ele é lindo. Só seria melhor se fosse em tamanho real, de pelúcia, falasse “Pikachu!” e eletrecultasse pessoas a um comando meu. Mas o amo do mesmo modo. Batizei-o Pikassu. Os puritanos talvez se escandalizem por eu mexer no nome original, mas confesso que não sou das fãs mais exemplares. Só vi a primeira temporada e talvez a segunda, não lembro, na Record (no programa da Eliana, para ser mais específica) e já me sentia velha demais, aos 12 anos. Fazia-o escondida, não comentava com ninguém na escola, embora desconfie de que muitos de meus colegas tinham o mesmo segredo. A puberdade é uma fase difícil, você tem que provar que não é mais criança, principalmente porque ainda é. Como não? Continua fazendo as mesmas coisas dos últimos anos – bater em meninos, desenhar nos cadernos, correr e pular por qualquer pretexto –, com a única diferença de usar sutiã e, ocasi...

Diálogos nerds [1]

Eu : Por que é tão difícil ver nerds gays? Será que a cultura nerd reprime a homossexualidade? Amigo nerd: Não. Nerds reprimem a sexualidade em geral. Quem precisa de sexo quando se tem uma conta no WOW?

I hate myself for loving you

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O título deste post foi tirado de uma música da Joan Jett (obrigada, Ni, pela indicação! Adoro vocalistas com cabelos bacanas!). Se tiverem a curiosidade de ver a letra , vão se deparar com uma bela declaração de amor a um filho da puta. Para resumir a ópera, ela diz: você me despreza, mas ainda estou aqui te querendo. Quem nunca insistiu em amar alguém mesmo sabendo que as chances de ser correspondido eram zero ou até menos? Aliás, começo a desconfiar de que as pessoas preferem amar sozinhas, como se a correspondência do ato implicasse desvalorização do sentimento. Parece-me que está em jogo o típico desejo de provar a própria importância, propor-se a conquistar algo que ninguém conseguiu, além de uma dose de impulso autodestrutivo. Esse é um lado da situação, bastante conhecido de nós, mas gostaria de enfocar também o outro, o do canalha. Você aí que sabe daquele cara ou daquela garota correndo atrás de você, coitados, e que não tem nenhuma intenção de corresponder, mas mesmo...

Agostiniana: começar do zero o tempo todo

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O que passou não existe mais, nem mesmo o minuto antes deste. Tudo morto, delegado a um lugar que não sabemos qual é, talvez até um não-lugar. O passado não é nada. Já foi um dia presente, mas, tendo-se tornado antigo, concretizando-se, acabou, torna-se irrecuperável. O mais próximo que se pode chegar dele é lembrando-se, mas a memória se dá no presente, não consegue resgatar o mesmo tempo que se foi, e mesmo a experiência rememorada não é igual à original, pois selecionamos fatos, resignificamos. Tudo morto, repito. Por que diabos, então, nos apegamos tanto ao ido? A resposta que me parece mais óbvia é que tratamos o passado como algo concreto, mesmo não sendo, porque é isso que nos dá substância, coerência quando nos perguntamos quem somos. Em geral respondemos: me nomeram X, nasci há n anos, vivi em tal lugar, estudei uma gama de temas, gastei horas ouvindo essa e aquela banda. Tudo coisas do passado. Mesmo o uso de verbos no presente, como "eu gosto disso", não par...

O caminho espiritual (não tão) fácil de Madonna

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Não estou falando de Nossa Senhora, Maria, mas da cantora pop mesmo. Por algum motivo as pessoas abafam uma risadinha quando digo que Madonna é a artista que mais admiro no conjunto. Talvez pela descrença geral quanto às capacidades dela de compor e cantar sozinha (sem computador ou produtor célebre), talvez pela contradição com minhas crenças religiosas. Neste post, vou mostrar que a temática religiosa é uma constante na carreira dela e, ainda de quebra, indicar umas músicas nas quais ela canta lindamente, elevando quem a ouve um tantinho mais perto de uma experiência espiritual. As pessoas tendem a se lembrar dela com sutiã pontudo, beijando homens, mulheres e travestis (Justify my Love, ótimo clipe), dizendo que é uma garota materialista. Sim, Madonna é tudo isso, mas também tem outras facetas, como qualquer um de nós. E isto é o mais interessante nela: o pecado assumido. Ora ela se diverte pecando (“I’m a sinner, I like it that way”), ora gostaria de encontrar o caminho cert...

Bilbo Bolseiro ensina

Quando você sai de casa, está saindo de um ambiente altamente controlado para se expor ao imprevisível. Qualquer coisa pode acontecer. Inclusive encontrar alguém que você nem lembrava que conhecia e sentir-se exultante, como se tivesse achado exatamente a pessoa que mais desejava ver. Claro, há também o risco de trombar nessa daí. Então são muitas ... e !!!

Frase [VI]

Nunca namore alguém por quem já tenha amizade: embora pareça que se ganha um amante, na verdade, apenas se perde um amigo.

Oração pré-balada

Senhor Jesus Cristo, pregaste que não fôssemos deste mundo e a esse fim eu almejo. No entanto, sei que ainda sou fraca e minha fé é pequena, por isso, abençoa-me esta noite para que não eu seja contagiada pelos ímpios que cruzarem meu caminho. Ajuda-me a seguir firme na minha jornada espiritual, a praticar os seus ensinamentos ainda que o ambiente seja desfavorável. Que eu não ceda às tentações, que não seja leviana ou viciosa. Que não eu cruze com pessoas que me desejam mal, como ex-namorados e colegas invejosos. Que seja uma noite abençoada, de celebração da vida e da amizade verdadeira, aquela que não nos tenta tirar da tua graça. Obrigada pela saúde e pela disposição! Sei que todas as virtudes que atribuo a mim própria vêm de ti. Amém. (Se alguém planeja comentar tirando sarro, saiba que eu escrevi esta oração a sério. Fui pegar meu livro de preces e vi que não havia nada para este momento. Em vez de suspender o meu lado cristão por algumas horas e cair na farra, como fazem muitos ...

O que vou dizer... [I]

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... quando meus filhos ou sobrinhos (o que é mais provável) perguntarem por que faz mal comer doce se é tão gostoso. Versões: a) teológica: os prazeres da carne são tentações para nos desviar do bem maior, Deus. Eles são efêmeros e, quando acabam, nos levam ao sofrimento. O alimento que o estômago pede nos satisfaz por pouco tempo, logo precisamos de mais; já o alimento do espírito, que é a palavra de Deus, nos sacia pela eternidade afora. Se você vive apenas para o corpo, o espírito passará fome e, enfraquecido, não o impedirá de pecar. É preciso atender às necessidades os dois, mas colocar o espírito, substância mais pura que a matéria corpórea, como mandante de nossa vida. Agora larga esse pacote de Negresco (como isso entrou em casa, para início de conversa?) e se troca para a gente ir à missa. b) nutricional/estética: a textura da gordura e do açúcar derretendo na boca provoca o prazer. Agora, se você acha que vale a pena ficar gordo, diabético e com veias entupidas par...

Sobre a castidade

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Esta semana estou lendo Confissões, de Santo Agostinho, e lá encontrei bons argumentos a favor da castidade. O principal aponta a efemeridade dos sentimentos promovidos pelo prazer sensual, que logo se segue de insegurança e ciúme, em detrimento do amor divino, que é pleno. Transcrevo abaixo um trecho. "Vim para Cartago logo fui cercado pelo ruidoso fervilhar dos amores ilícitos. Ainda não amava, e já gostava de ser amado, e, na minha profunda miséria, eu me odiava por não ser bastante miserável. Desejando amar, procurava um objeto para esse amor, e detestava a segurança, as situações isentas de risco. Tinha dentro de mim uma fome de alimento interior – fome de ti, ó meu Deus! Mas, não sentia essa fome, porque não me apeteciam os alimentos incorruptíveis, não por estar saciado, mas porque, quanto mais vazio, mais enfastiado eu me sentia. Minha alma estava doente, coberta de chagas, ávida de contato com as coisas sensíveis. Mas, se estas não tivesse alma, certamente não...

Sobre o estilo acadêmico

Hoje três pessoas vieram me falar do artigo que transcrevo abaixo. Não esperei por um quarto alerta, fui atrás de lê-lo e entendi por que despertou tanto interesse. Para continuar o trabalho de corrente, indico-o a vocês. Tomara que também lhes seja inspirador. Batalhas verbais JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 04/09 Primeira lição: não existem grandes escritores que não sejam grandes leitores também NO DIA em que terminei de escrever a minha tese de doutorado, enviei o manuscrito para um colega. E pedi uma opinião sincera. Três dias volvidos, ele respondeu: "Você vai ser fuzilado pela banca". O problema estava na qualidade do texto. A tese estava bem escrita. Pior: bem escrita e totalmente compreensível. Eu tinha cometido uma heresia nas ciências sociais: escrever uma tese de doutorado com o propósito honesto de ser lido e compreendido. Sugestão dele para evitar o desastre: reescrever o texto e transformar cada parágrafo em paralelepípedo. Lembro essa história agora por d...

Sugestões para uma civilização do futuro

Já que o controle sobre nossa vida privada é inevitável (sob o pretexto de ser seguro e até descolado viver com um GPS colado na bunda) e só tende a crescer, aí vão algumas sugestões para sofrer menos com relacionamentos numa civilização do futuro. 1) Facebook empático. Por uma análise da sua personalidade e das suas atividades, ele automaticamente barra as atualizações que farão você sofrer. A solução é nova, o princípio não: o que os olhos não veem o coração não sente. 2) Espécie de programa de proteção à testemunha, mas para pessoas que terminaram o relacionamento. Você ganha uma nova identidade numa outra cidade. Talvez inclua até um novo guarda roupa (isso ainda precisa ser melhor pensado para não ficar economicamente inviável). A ideia é nunca mais correr o risco de cruzar com alguém da vida passada. Ou, se você tem apego às suas coisas atuais, apele para a boa e velha violência e contrate um jagunço – e para isso nem precisa esperar o futuro chegar –, mas considere que, por ...

Frase (V)

Não há filmes ruins na TPM, todos nos levam a lágrimas fartas e sinceras.

Brincar de Barbie depois dos 20 anos (ou como ser tia)

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Para Bia e Liv Hoje é um dia muito especial. À noite o príncipe vai escolher a princesa mais bela e virtuosa e vai se casar com ela. Não, o casamento será só depois. Hoje é o baile, dia da escolha. Todas estarão usando seus melhores vestidos, sapatos riquíssimos, joias, sedas, perfumes, tudo muito especial. Clarissa é princesa. Sua amiga Daisy também, mas daquele tipo egoísta, com vocação para bruxa. Só foi convidada porque o pai dela é primeiro ministro, muito estimado pelo rei. Clarissa é de uma origem nobre mas poucos se lembram disso. A riqueza da família se perdera em batalhas no oriente; a honra, por sua vez, só crescia. Pobre e boa. Bonita também. O pai exerce um cargo menor na complicada burocracia real. Alcoólatra, triste, talvez digno quando a oportunidade se lhe apresentar. Daisy emprestou à outra seu pior vestido, há muito cotado para a lixeira, um modelito que já não se usava mais, meio infantil, cor-de-rosinha. Piedade? Não, tudo cálculo. Mantendo a mendiga por p...

Regras do banheiro

— Regras do banheiro: não jogar papel higiênico no vaso sanitário; dar descarga; antes de descartar o absorvente usado, enrolá-lo num papel; lavar as mãos; não desperdiçar papel toalha, uma folha é suficiente! É pra acabar! Não conseguimos nos resolver pela moral, temos que apelar ao legal. Esqueceram de escrever aqui na plaquinha de que modo devemos limpar a bunda, quantas vezes retocar o batom, quanto tempo esperar antes de dar pro cara. Mais alguma sugestão? — Você é terrível, não deixa escapar uma, né? Que tal esta: não se estressar com regras óbvias? — Se a gente não é mais rápida, seremos nós que estaremos em pauta na boca dos outros. Devia ter um décimo primeiro mandamento: criticais o próximo antes que ele o faça. Não tão santo, mas compensa em sabedoria. A conversa foi se extinguindo em meio aos tec-tecs dos saltos altos se afastando, até ser completamente abafada pela porta que se fecha. Aquelas duas pareciam ser mulheres educadas, independentes e extremamente insatisfeitas c...

Verdade ou paranoia?

Alguns de vocês certamente jogaram ou ouviram falar de verdade ou consequência, uma brincadeira muito popular entre pré-adolescentes. Basicamente, consiste em se criar um pretexto para saber da vida alheia ou perder o BV. O que vocês não devem desconfiar é que, até sem saber, muitos adultos jogam algo similar: verdade ou paranoia. Funciona mais ou menos assim. Todos meus colegas de trabalho sabem que sou uma fraude. Verdade ou paranoia? Minha família diz pelas minhas costas que eu prometia muito, mas não dei em nada. Verdade ou paranoia? Meu amigo hetero me trata com condescendência, porque sabe que a idade começou a pesar para mim. Verdade ou paranoia? Minhas inimigas pararam de concorrer comigo, porque já me consideram inofensiva. Verdade ou paranoia? Sei que vou para o inferno, mesmo sem estar me divertindo na Terra. Verdade ou paranoia? Sinto que a qualquer momento um carro desgovernado vai me matar. Verdade ou paranoia? É um jogo sem pontuação, sem vencedores. Basicamente, consist...

Frase (IV)

Fechei o Windows e fui olhar outra janela. Nessa até havia sol!

Sobre o casamento

Estudando para a dissertação, mais especificamente lendo "O jardim e a praça", livro interessantíssimo de Nelson Saldanha, deparei com estas duas citações: "Se eu me casasse agora, isto seria apenas uma asneira, que  me faria perder uma independência que conquistei a preço de meu sangue. [...] Antes viver miserável, doente e temido em algum canto do que arregimentado e situado dentro da mediocridade moderna." F. Nietzsche. "Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?" F. Pessoa. Agora percebo que, quando a gente está feliz a dois, não só perde a liberdade como a capacidade de pensar criticamente. Escolha difícil essa.

Batman e o socialismo

Breve comentário sobre a parte final da trilogia de Batman por Christopher Nolan. Filme de herói americano contra vilão vindo de país obscuro (um lugar qualquer na África, no caso do Bane) que tenta implantar o socialismo nos EUA. Até aí nenhuma novidade, certo? Inclusive, é meio blasé usar esse tipo de tema hoje em dia, não concordam? (Assim como usar o termo “blasé”.) Até terroristas barbudos já estão meio fora de moda. Acredito que filmes mais atuais devam tratar da atomização das pessoas, do isolamento, da apatia diante de grandes causas. Mas daí também não haveria espaço para os super-heróis. Engraçado pensar que construímos uma sociedade em que colocar um colant colorido e lutar por seu país é bem ridículo. Não queremos ser salvos, estamos nos divertindo aqui nesta lama! Tenho a impressão de que algum filme de herói já usou esse argumento, não lembro qual. Mas uma coisa me fez pensar assistindo Batman. Algo além de todos os clichês contra o socialismo como “essa revolução não...

Frase (III)

Ideia para uma camiseta dessas que se acham engraçadas e têm pessoas desenhadas como placa de banheiro: "Danger: drunk girl holding a cell phone!". Se alguém usar, me mande uma de agradecimento pela sugestão de mão beijada.

Frase (II)

Just me in Microsoft World. (no kinect, no fun)

Frase (I)

Fazer mestrado é exercitar a capacidade de argumentar e conhecer novas perspectivas para acabar não tendo assunto para puxar nenhuma conversa interessante.

Meu primeiro artigo publicado em revista acadêmica

O título já diz tudo. Se tiverem interesse, o artigo se chama Casa, caixinha: o mundo numa cabeça de alfinete . Nele analiso o conto Curtamão, relacionando ao conjunto de Tutaméia, último livro que Guimarães Rosa publicou em vida - e um dos mais complicados. Para lê-lo, acessem: http://www.uniandrade.br/mestrado/pdf/Scripta%20Alumni_N.%207_2012.pdf

Turn up the radio!

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Contagem regressiva para o show da Madge! Enquanto isso, vamos entrando no clima com o clipe de Turn up the radio. Quando ouvi essa música pela primeira vez, não havia dado muita bola, mas acho que o vídeo levantou a moral do som. Segue letra abaixo, que me surpreendeu pela ideia bacana: se a vida não tá aquelas coisas, não desanimem, bees, vamos nos divertir com as condições que temos. Beijos, sejam felizes! (Para Ana: homens de regata também podem ser sexies.) Turn Up The Radio Madonna When the world starts to get you down And nothing seems to go your way And the noise of a maddening crowd Makes you feel like you're going to go insane There's a glow of a distant light Calling you to come outside To feel the wind in your face and your skin And it's here I begin my story Turn up the radio Turn up the radio Don't ask me where I wanna go We gotta turn up the radio It was time that I opened my eyes I'm leaving the past behind Nothing's ...

Vou dormir...

... na expectativa de que os dias melhores cheguem logo. Entre as tantas músicas que têm me acompanhado nas últimas semanas, esta é a trilha do dia. Até! Olê, Olá Chico Buarque Não chore ainda não Que eu tenho um violão E nós vamos cantar Felicidade aqui Pode passar e ouvir E se ela for de samba Há de querer ficar Seu padre toca o sino Que é pra todo mundo saber Que a noite é criança Que o samba é menino Que a dor é tão velha Que pode morrer Olê olê olê olá Tem samba de sobra Quem sabe sambar Que entre na roda Que mostre o gingado Mas muito cuidado Não vale chorar Não chore ainda não Que eu tenho uma razão Pra você não chorar Amiga me perdoa Se eu insisto à toa Mas a vida é boa Para quem cantar Meu pinho, toca forte, Que é pra todo mundo acordar Não fale da vida Nem fale da morte Tem dó da menina Não deixa chorar Olê olê olê olá Tem samba de sobra Quem sabe sambar Que entre na roda Que mostre o gingado Mas muito cuidado Não vale chorar Não chore ainda não Que eu tenho a impressão Q...

O homem, a Mulher, o amante, a esposa do amante e um voyeur

Um casal que dorme em quartos separados. Aliás, importante mencionar, vivem numa base militar. Ele é major, bonitão embora um tanto retraído, corretíssimo em suas tarefas (a ponto de parecer maníaco). Treina expressões no espelho, por não saber como agir naturalmente. Observando melhor, os colegas militares não o respeitam. Quando cavalga, seu traseiro se move estranhamente, os outros riem. A Mulher tem em abundância tudo o que lhe falta. Extrovertida, falante, adora galopar com seu cavalo, o imponente Firebird, e não se incomoda com a nudez – a sua ou a alheia –, pelo contrário, excita-se. Ela tem um caso com o militar que mora na casa vizinha. Aparentemente todos sabem, mas não comentam. A esposa do amante, essa sim, é motivo de piada na base. A pobre é paranoica e pajeada por um filipino supergay (seus passatempos consistem em dançar balé e pintar aquarela). Num passado recente, a companheira cortou os mamilos com uma tesoura de jardinagem, conta o marido e completa: não consegue su...

Friday night

Pilhas de coisas para ler. Tantas páginas por escrever. Tenho tempo para fazer tudo isso enquanto a greve perdura, mas não quero. Vontade de. De jogar videogame até o dedo descamar. De ler um romanção daqueles que param em pé. De por salto alto e ir a um barzinho de classe. De chorar uns dois litros. Mas não vou fazer nada disso. Vou é escrever a dissertação. Infelicidade alimenta a vida acadêmica.

Duas divas da MPB

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Mansidão Gal Costa Vasto céu, diminuta luz estelar brilha entre as nuvens Esta voz que o cantar me deu é uma festa paz em mim Violão deita em minha mão, acordar algumas notas Colocar com exatidão na sombra o clarão sem fim Um amor que já me fez chorar agora não fará, não sofro mais assim Pois está tudo onde deve estar, nada será ruim Mansidão, luminosa paz, minha voz e aquela estrela Vasto chão, sensação feliz, seda, linho, lã, cetim Fonte: http://www.vagalume.com.br/gal-costa/mansidao.html#ixzz1zycnnmLP -- Após fazer um comentário mau (mas não injustificado) sobre Marisa Monte alguns posts atrás, gostaria de compensar aqui postando um vídeo no qual ela está linda. O problema não é a pessoa, é a produção. Fica aí minha reparação.

Texto em andamento (IV)

Daí vêm me dizer que nosso controle sobre os fatos é muito limitado, principalmente quando envolve os outros. Ah, sim, naquele dia também estava o outro. O um. Ninguém. Sensata, concordo, conformo-me. Mas peraí: qual é a forma ao qual estou tentando me adaptar? Essa pequenininha? Sei não, acho que vou transbordar... E se essas arestas refugadas forem justamente o que me era mais caro? Prazer, meu nome é Acre. (Por que alguém quis dar um nome assim a um estado brasileiro?)

Texto em andamento (III)

Aquele dia. Disso posso falar com segurança, é algo concluído. Não é? Engraçado, cada vez relembro de um jeito, já não tenho certeza de qual versão é a mais fiel aos fatos. “Todas elas”, diz-me a Literatura. Joguei a blusa no chão. Alguém a pegou e pendurou na lixeira. É tudo o que sei, o resto são especulações e desejos frustrados.

Texto em andamento (II)

Como falar de um fim que ainda não chegou? Aliás, dá para narrar algo em pleno curso, este interminável presentificar? Mas eu tenho tanta necessidade de transformar em história o sofrimento, dar alguma beleza para meu morrer diário! Visto de dentro da lama, tudo é lama. De fora talvez pareça só uma poçazinha. Não sei, desconheço essa perspectiva.

Texto em andamento (I)

Por três dias a blusa vermelha ficou pendurada na lixeira do outro lado da rua. Molhava, secava, balançava com o vento, feito fantasma. Depois nunca mais a vi. Ficou só outra imagem – eu agachada chorando, chorando –, que se renova todos os dias. Começo a desconfiar de que essa não desaparecerá.

O que você quer saber de verdade

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Acima, clipe de "Ainda bem", música do último CD da Marisa Monte. Alguns comentários breves e descuidados. - Fotografia bonita. Esses clipes simples estão na moda pós-"Born this way" e similares, né? Gosto mais de flagrar uma troca de olhares linda como a encenada em "Ainda bem" do que um monte de esfeitos especiais. Lembrei daquele clipe do Paul McCartney, "My valentine", maravilhoso também. - Anderson Silva está bem sexy. Ela, em compensação, está com cara de bruaca de novela mexicana. Roupa horrorosa (que bojo mal feito é esse? Assuma a magreza, menina!) e escova caseira - NOT! - Essa é uma das músicas mais alegres do CD, junto a "Seja feliz". Mas elejo este o álbum o top 1 pra curtir uma fossa. Sugestões: "Depois", "Lencinho querido" e "Aquela velha canção". - Quando tiver gasto uns dois dígitos de reais em Kleenex ("guardo o lencinho branco que esqueceste ao me abandonar"), ouça a m...

Sobre a positividade

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Nos últimos dias fui perseguida pelo sim. Primeiro ao terminar de ler “Ulysses”, de James Joyce, depois ao reler “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. Ambas as narrativas encerram com “sim”. Um desfecho mais convencional talvez passasse despercebido; esse não. Para ratificar o padrão, ainda encontrei essa palavra num texto sobre as virtudes de Maria: ela disse sim ao projeto de Deus – “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1:38). Positividade, é disso que estamos falando. Já assistiram àquele filme “Sim, senhor”, com Jim Carrey? Recomendo fortemente. Sou suspeita, porque amo os trabalhos do comediante de todas as fases, desde trash até cult, mas esse em especial é interessante por trazer uma moral da história totalmente aplicável. Resume-se a este clichê autoajudístico: “quando você diz sim à vida, a vida diz sim a você”. O protagonista resolve topar tudo que surge pela sua frente, gerando situações hilárias (não direi quais, assistam!), enrascadas, mas também o levando a...

Noturno

Ouvir Frank Sinatra é um poço sem fundo. A gente fica amando o amor. Sorte do primeiro que passar pela frente.

Sobre a criação da arte

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Façamos uma analogia bem simples para compreender um processo complicado. A cachaça vem da cana. Sem cana não há cachaça, já que esta depende daquela para existir. Mas não se pode dizer que uma coisa seja igual à outra. Há um processo que transforma uma noutra. Os elementos básicos da cachaça já estavam na cana, mas a forma bruta é irrecuperável a partir do produto, isto é, a cachaça não pode voltar a ser cana. O que é esse processo que faz uma coisa ser outra sem se acrescentarem novos elementos? No caso da cachaça, chama-se fermentação e destilação. No caso da arte, criação. A realidade fornece experiências que chegam a nós pelos sentidos ou por relatos alheios. O artista trabalha esse caldo e o transforma em arte. Podem-se recuperar alguns traços da realidade na obra de arte, mas não totalmente, porque o caminho inverso é impossível de ser trilhado. Agora uma falha nesta analogia. A cachaça nos embriaga por algumas horas, depois vem a ressaca e tudo volta ao normal. A arte também...

Sobre a bondade

Quando criança, eu achava que havia pessoas boas e pessoas más, ou melhor, totalmente boas e totalmente más. Eu era boa, claro. Os pais, os familiares e os professores, também. Os meninos bagunceiros eram maus, assim como as patricinhas e os bandidos que apareciam na TV. Era essa a lógica do meu sistema. A partir da adolescência e até bem pouco tempo atrás, mudei minha classificação de bondade. Acreditava então que todos eram essencialmente bons. Se às vezes agiam com maldade, era porque não haviam aprendido a fazer o correto. Faltava o know-how. Tão logo convivessem com exemplos adequados, perceberiam o erro e se consertariam. Digo isso por mim mesma. Tantas vezes fui grossa e egoísta, até que conheci amigas extremamente gentis como a G. e a A. e tentava imitá-las. Progredi um pouco. Acho, talvez, quem sabe. A essa regra, criei ainda uma exceção – os dias em que a preguiça tenta e a gente vai pelo caminho mais fácil: xinga, explora, esnoba. Depois sofremos sozinhos, porque somos bons ...

Sobre o romantismo

Eu me recuso a ter facebook, porque é fácil demais. Você não precisa ter empatia nem ser bom de papo para saber tudo sobre todos. Você usa o inbox, manda mensagens para várias pessoas, e aquela que responder será a sua amada. Cadê a meritocracia? Qualquer bostinha com tempo livre para fuçar no perfil da galera pode passar por um cara sensível. Ter a coragem de perguntar olhando no olho, escrever cartas à mão, amar mesmo sem esperanças de ser amado de volta, esse que é o grande segredo. Eu me recuso a namorar cara rico, porque é fácil demais. Se ele quer te ver, só pega o carro na garagem e vai. Se é uma data importante, ele passa no shopping e compra um bibelô caro que qualquer mulher amaria. Ele paga tudo, dá tudo, faz tudo, e isso nem coça no bolso, porque ele não se esforçou para conseguir aquelas coisas. O que é demais para as pessoas em geral, para ele é corriqueiro. Pegar o último ônibus da noite, dar uma música de presente, economizar para o cinema do fim de semana, esse que é...

Um segredo

Não se ama uma pessoa porque ela fez por merecer. Mas porque se você não o fizer morre.

12 passos para superar o fim de um relacionamento

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Serviço de utilidade pública fornecido pela revista Elle. Texto: Michaela Von Schmaedel O que não falta na seção de auto-ajuda das livrarias são títulos sobre como superar o fim de um relacionamento. Afinal, o mundo é um casa-e-separa non-stop, e uma mãozinha nessas horas sempre é bem-vinda. Mas alguns livros, com dicas práticas e espertas, bem que poderiam estar na seção de humor. Como assim? Você aí, se debulhando em lágrimas, e a gente falando em fazer graça da sua desgraça? Calma, garota. O fato é que uma separação, dependendo do ângulo que você olha a coisa, pode tornar a vida bem mais divertida. Ainda mais se o caso já estava mais do que terminado e ruim pra chuchu, como costumam ser os derradeiros meses. Para ajudar nesse período de reabilitação, ELLE fez uma pesquisa, conversou com consultores escolados no assunto e preparou um roteiro com 12 passos rumo à cura da dor-decotovelo - qualquer semelhança com os 12 passos dos Alcoólicos Anônimos é mera coincidência. Então,...