Extinção dos dinossauros
O surf mundial está no auge, seja pelo conteúdo humano ou da indústria. Nunca assistimos tantas super-produções no cinema, surfe em Cuba, itália, Egito. Aviões, helicópteros, super barcos, ondas alucinantes. Verdadeiros astros são construídos pela mídia. Atletas de até 18 anos ganhando mais que lendas vivas do esporte ganharam durante toda carreira. A indústria lança roupas de neoprene de qualidades lunáticas, o surf wear é pano de frente para diversas campanhas de moda e seriados de tvs pelo mundo afora. Celebridades de Hollywood tentam surfar e participam de campeonatos em ilhas paradisíacas ciceroneados por Kelly Slater. Na internet sites dos mais diversos gostos tem transmissão ao vivo de lugares inóspitos como Fiji ou Escócia. O Brasil segue a tendência e tenta empatar em linhas tortas o tão aclamado “the best year of surfing history”. Todos da geração 90 em diante vibram e movimentam gigabytes de informações sobre o esporte dos reis e suas incríveis aventuras. Isso tudo é novidade?É. Mas tem gente que prefere reviver o passado.
Em todos os esportes existe a tão famosa “old school”. Veteranos “malas” que já estão velhos demais para dropar Teahupoo ou remar incessantemente em Snapper Rocks. No país do futebol existe um grupo de sessentões que não conseguem apreciar o gosto de redbull na cerveja. Brotoejas midiaticas, eles ocupam cargos que consideram de prestigio na mídia (nem todos...) para produzir um conteúdo ultrapassado como professores chatos de história do primário. Mickey Dora para cá, Simon Anderson para lá, meus anos 80 no Hawaii, minha primeira onda em Uluwatu. Quem quer saber de pranchas tocos, biquilhas a 30km por hora ouvindo Jimmy Hendrix e Jonh Coltrane quando você pode ouvir Ben Harper , 2pac, Sepultura e até Rob Machado tocando enquanto assiste surfistas do calibre de Jamie Obrien, Bruce Irons e Adriano Mineirinho destroçando ondas de algum lugar nunca antes visto com qualidade de 24 quadros por segundo?
È difícil para nova geração ler, assistir e agüentar tanta história de um período que não vivemos e que não parece nem um pouco com as novas pranchas de epoxy que aterrisam no novo avião da Billabong em algum lugar de Papua Nova Guiné. Estava outro dia surfando com um amigo em um dia de ondas grandes no litoral do RJ quando um série grande entrou. Exclamamos simultaneamente:
- Sem jet-ski nessas ondas não tem graça!
A revolução industrial, o domínio das maquinas é agora. Jet Skis, câmeras de foto de 270º graus, repelente de tubarões. O século 21 é o presente, o tempo que devemos comentar, julgar, criticar e idolatrar. O que passou está muito bem empoeirado, digo catalogado e damos os parabéns para tanto esforço que resultou em milhões de dólares para nossa geração:
- Podia ser bem melhor, o crowd está pior, está faltando investimento em categoria de base!Tudo isso deve ser argumentado por algum “old school” quando colocarem os olhos nessa coluna.
O surfe só pode crescer se todos nós trabalharmos juntos e acreditarmos que o nosso tempo é o melhor para ser surfista, trabalhar com o esporte ou ser apenas surfistas de final de semana. Criticas ao tempo de hoje são infudadas. Os ‘masters’ sabem muito, tem alguns que até dublam bons surfistas quando o mar sobe, porém infelizmente vocês nasceram na época errada!Exaltem a nova geração, pois com certeza seu filho ainda vai pedir para comprar o cd do Jack Johnson e a fish especial para aéreos em marolas assinados por Ozzie Wright. Não sabe quem é Ozzie Wright? Você é
‘old school’, sorry!