MUDANÇAS
Todo jovem pensa que a vida vai ser sempre igual. 90% Diversão, 10% obrigação. Burocracia, prazo, orçamento, juros, projeto piloto, relatório, horário comercial. Palavras que até ontem eram como os cadernos de economia do jornal diário, nulas. Até que um dia você arruma um emprego. Um emprego convencional numa empresa convencional. Mudanças.
A preocupação mais rápida que vem a cabeça de um jovem ao conseguir o primeiro emprego é: será que eu dou conta do recado? No começo tudo é mais difícil. Tarefas como mandar um fax (coisa que todos falam que já fizeram mas poucos realmente já colocaram a mão na maquina, ou no gancho) pode gerar insegurança. Passado o medo das primeiras tarefas, a pressão da sociedade começa. Sociedade, isso existe mesmo? Existe, é foda. Como avisar aos amigos que agora não podem mais ligar de manhã chamando para correr na praia, passear com o cão na praça ou ir surfar cedo quando as ondas são melhores? Expediente começas as 8 da manha. Vida nova.
Amigos avisados, seja bem-vindo a cadeia da vida. Todo dia, horário comercial, uma hora de almoço. Todo santo dia, “oi” a todos. Educação é bom e eu gosto mas que enche o saco enche. É mecânico, abriu a porta começa: Oi fulana, como vai ciclano, bom dia beltrano! Para quem não dava bom dia nem para a mãe quando acorda, o corredor da empresa numa segunda feira de mau humor pode ser perigoso para carreira. Chegando ao seu departamento, hora de ter o que fazer. Podem falar os amantes de suas profissões mas duvido que existe alguém que nunca reclamou de um dia de trabalho.
As diferenças de cotidiano são claras. Saudações de emails mudaram de “cole” para Prezado Sr(a). O corpo do email é divido em parágrafos por igual e justificado. A assinatura alem de ter o seu nome todo, o cargo vem abaixo. Na vida de desempregado um mero “Abs.” era o supra sumo da formalidade. Qualquer afazer pedido, se transforma numa ruga a mais daqui a vinte anos. Ligações básicas de âmbito primário como pedir orçamento, confirmar presenças em eventos, dar entrada em processos andam lado a lado com a Sra. Duvida Cruel.
Hora do almoço. Comida a quilo. Chefe chama para almoçar. Sempre muita variedade, enche o prato. Tenso na cadeira, tentando parecer cordial, deixa metade da comida no prato e no fim do mês você percebe que trabalhou para comer.
Final do dia relógios são inúteis ferramentas que não andam. Cada dia que passa da semana, a sexta feira parece demorar mais a chegar. A tarde os afazeres só aumentam com o lento passar do tempo. O sono é proporcionalmente igual a quantidade de relatórios que pedem para o final do dia. A noite vem caindo a o sentimento de dever cumprido vai subindo ao sentar na sua cadeira para dar uma descansada. Depois de um dia de trabalho, nada melhor do que chegar em casa e pensar que amanhã tem mais, ahã, valeu.