O meu primeiro carnaval
Se fizéssemos uma brincadeira e pedíssemos a alguém para mostrar para uma outra pessoa a cara do Brasil, com certeza esta mostraria duas fotos. Uma de pessoas jogando bola, ilustrando o futebol. E a outra, da maior festa do planeta, o carnaval na Sapucaí. Estes dois símbolos do maior país da América do Sul estão em voga agora. O carnaval com o desfile das Escolas de Samba, e agora o futebol, com a Copa do Mundo se aproximando. Mas não é da bola que vou falar e sim de uma das melhores experiências de folia da minha vida. O meu primeiro desfile na Sapucaí.
Com a desistência dos foliões proprietários, eu, Marcos e Gesta pegamos duas fantasias e dividimos seus adereços. Tarefa feita e na companhia de Mel e Cia, chegamos na concentração em pleno centro nervoso do samba. Perdidos, procuramos por nossa escola, a tricampeã do carnaval, Imperatriz Leopoldinense, que este ano ficou com o terceiro lugar. Mesmo sem saber o refrão do enredo, ao vestirmos a fantasia, a dramaturgia, o lado lúdico, o espírito do carnaval tomou conta da gente. Totalmente ambientados, na concentração começamos a fazer a festa. Não houve folião que escapasse de nossas gozações. A cada momento que parávamos para pensar que entraríamos pela porta da frente para fazer parte da maior festa do planeta nos abraçávamos e começávamos a pular. O tempo passava voando e numa questão de minutos a ala inteira já estava brincando com a gente. O humor e alegria das pessoas neste momento me chamou atenção. Mulheres de mais de 40 anos brincavam conosco como se fossem debutantes em sua primeira valsa. Já as mulheres da nossa idade, puxavam os mais variados papos com acentos sexuais a todo instante. Todos devidamente prontos, rumávamos para o êxtase total.
Com o maravilhoso e ensurdecedor som da bateria, o cenário começava a se formar. Ao fazer a curva e mirar a obra de Niemayer, a Apoteose, descobri o porque deste nome. Meus olhos se encheram d`água. Logo no primeiro setor, o público começou a cantar e aplaudir a Imperatriz. Uma energia altamente carioca brotou dentro de mim bem na hora que uma forte chuva desabou. Os corpos quentes e suados se refrescaram e assim o símbolo, como aquela foto que falei a vocês lá em cima se formou bem minha frente. Eu, na Sapucaí, com o samba e o som da bateria ao meu lado, o publico aplaudindo , a chuva caindo e todos festejando juntos! Carnaval no Rio....Mágico!
Tudo que falo é pouco para tentar-lhes passar a emoção que senti naquela hora. Quando chegava perto das frisas na lateral da avenida, era ovacionado, fotografado, beijado, aplaudido, astro por um dia. Pessoas de bem, que estavam ali para se divertir, pelo amor a cultura brasileira, o samba. Todos admirando a alegria dos foliões nas mais coloridas alas da escola. Encontrei as figuras mais hilárias e ainda por cima fantasiadas. Ah, e as mulheres! Lindas e seminuas sambavam como se flutuassem na avenida. Ao me aproximar, o contato físico era obrigatório, como um cumprimento. Beijos molhados eram desferidos por todas, ao mesmo tempo em que o afago nos cabelos molhados dava um clima sexual no enlace. As fantasias se quebravam com o abraço forte neste momento de emoção, sexo, alegria e prazer. Os ingredientes do carnaval se misturavam em cada beijo. Os adereços iam ficando pelo caminho, como uma verdadeira trilha de alegria, assim como todas as paixões instantâneas que se criaram em cada olhar. Até o ano que vem de fato!
P.S- Não podia deixar de agradecer, em primeiro lugar ao meus dois amigos foliões, Marcos e Felipe, por compartilharem comigo a maior emoção da minha vida, a simpática Mel e sua amigas que nos cederam as fantasias e a Deus, por me colocar ali .Agradeço também a todos os outros que de uma maneira ou de outra ajudaram a construir a noite que eu desfilei pela primeira vez na passarela do samba e vivi meu primeiro carnaval símbolo do meu país. Na avenida o Rio é maravilhoso e esquecemos todos os problemas, os humildes da comunidade se misturam ao ricos da zona sul, são todos do mesmo time, assim como na arquibancada do futebol.. A cara do Rio.Sou carioca porra! Ih...se continuar não paro de escrever hoje!Valeu