sexta-feira, 3 de maio de 2013

Fim do Domínio Holandês, Bandeiras, Mineração, Inconfidência Mineira e Baiana

Os seguintes textos são resumos e releituras dos acontecimentos que geraram a ocupação do Brasil e conflitos internos com o fim do domínio holandês e ligando as bandeiras a ocupação do sudeste em Minas Gerais.
É um resumo para estudos de forma direta ao assunto. Espero que ajude nos estudos e a compreender as sequencias desta história complexa e violenta.

Fim do domínio Holandês no Nordeste
A Companhia das Índias da Holanda começou a desconfiar dos verdadeiros interesses de Nassau, acabaram enviando dois secretários para fiscalizá-lo e em 1643 acabaram demitindo Mauricio de Nassau que acabou por voltar à Europa.
            Um conselho de burgueses assume o governo da colônia, uma nova política foi implementada, aumentando os impostos, fiscalizando com maior rigor, proibiram o culto católico, a língua portuguesa e aplicaram prisões como punição ao descumprimento destas leis.
            Neste momento Portugal acabara de restabelecer a autonomia com a Revolta da restauração (1640), aproveitando-se das revoltas na Espanha e a intervenção Francesa o Duque de Bragança D. João IV assume o reino de Portugal com a ajuda dos nobres portugueses.
            Com Portugal restaurado, os senhores de engenho se revoltando contra os holandeses, esse foi o momento para uma revolta, em 1642 houve a primeira revolta em Maranhão, em 1645 foi a vez de Pernambuco uma força formada por índios, escravos e senhores de engenho liderados por João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiro expulsaram os holandeses.
            Um das mais famosas batalhas foi a batalha dos Guararapes em 1648, onde os rebeldes derrotaram os inimigos mesmo estando em menor número, a batalha aconteceu próximo de Recife.
            Em 1652 a Inglaterra declara guerra contra a Holanda, em 1654 os portugueses enviam reforços para o Brasil e assim expulsão os Holandeses por definitivo.
 
AS BANDEIRAS – Os Bandeirantes
Expedições composta por milhares de indígenas, liderados pelos vicentinos, com o objetivo de aprisionar índios e descobrir ouro.
Minas gerais, Goiás, Mato Grosso e região sul.
Algumas expedições contaram com o apoio régio (padres).  Destacaram-se domingos Jorge Velho e Matias Cardoso de Almeida.
Em 1695, no Rio das Velhas em Minas Gerais, foi descoberto o ouro, descobrimento atribuindo a Borba Gato.
 
CONSEQUENCIAS DA MINERAÇÃO
 Um grande deslocamento de reinóis para a região.
 Alivio momentâneo das finanças lusitanas.
 Reflexo na economia açucareira do nordeste:
- Deslocamento da população
- Encarecimento da mão-de-obra escrava
- Deslocamento do eixo administrativo 1763, transferência da capital para Rio de Janeiro.
Articulação regional.
 
A intervenção metropolitana
Cobrança do quinto:  a quinta parte de todo os metais seriam do rei.
Capitação: Substituiu o quinto, imposto sobre cabeça de escravo maior de 12 anos. Os faiscadores, minerador sem escravo, também pagava sobre si mesmo. Sobre todo o ramo de atividade.
 
Emboabas 1708-09
Conflito entre paulistas, estrangeiros e baianos.
A câmara de São Paulo pleiteou junto ao rei a exclusividade dos paulistas na extração de metais, mas perderam.
            Houve combate armado entre os paulistas e os portugueses, onde os portugueses saíram vencedores, mas os paulistas obtiveram a criação da capitania de São Paulo e Minas separada do Rio de janeiro(1709), elevação de São Paulo a condição de cidade em 1720.
Minas Gerais tornaria se capitania separada em 1720.
Preocupados com a forte migração a coroa portuguesa restringiu a saída de reinóis (portugueses nascidos em Portugal) de Portugal.
Acreditando que frades faziam contrabando sua permanência no Brasil era controlada.
Preocupados com a falta de escravos no nordeste foi limitada a venda para a região mineradora.
           
Inconfidência Mineira (1789)
- A câmara de são Paulo pleiteou junto ao rei a exclusividade dos paulistas na extração de metais e perderam, mas obtiveram a criação da capitania de São Paulo e Minas Gerais separada do Rio de Janeiro (1709), elevação de são Paulo a condição de cidade em 1720.
- Movimento contra a aplicação de impostos abusivos pela coroa portuguesa.
- Faziam parte do movimento: intelectuais, poetas, funcionários públicos, religioso, militares, comerciantes e pessoas de origem humilde como Tiradentes.
- muitos tiveram contatos com as influencias da revolução francesa com ideais iluministas e republicanos, mas não cogitavam a abolição.
- eram opositores da administração pombalina, não aceitavam a derrama (cobrança sobre 1.500 kg de ouro anuais que cobraria os impostos atrasados), as pressões sobre a produção de metais preciosos que estava em decadência e a medida cobrada por dona Maria I proibindo a instalação de indústrias manufatureiras nacionais.
- Muitos intelectuais pró-inconfidência viam inspiração na independência dos Estados Unidos (1775-1783)
-  1789 é decretada a derrama.
- Joaquim Silvério dos Reis fazia parte da Inconfidência mineira, mas delatou os membros e a revolta foi sufocada quando estava para explodir após a declaração da derrama.
- Iniciaram inquéritos para apurar as os envolvidos na revolta (inicio da devassa).
- Os membros da revolta foram punidos, mas Tiradentes acabou recebendo a culpa de ser o líder e acabou sendo condenado a morte e esquartejado em 1792 para servir de exemplo, os membros mais influentes e ricos foram exilados ou perdoados.
- Tiradentes (Joaquin Jose Silva Xavier) era alferes, um militar e não possuía grandes posses como muitos que apoiavam a revolta.
- A cobrança da derrama foi cancelada para acalmar os ânimos.
- No final do século XIX os republicanos se utilizaram da inconfidência mineira e os transformaram em heróis da república brasileira, além de vincular Tiradentes ao martírio e criando uma imagem de mártir próximo a Jesus cristo. 
 
Inconfidência Baiana – Conjuração Baiana
- O movimento gerado por vários membros da sociedade baiana como membros da igreja, profissionais liberais e das camadas populares.
- Revolta conhecida como Conjura dos Alfaiates ou Conjuração Baiana
- Os inconfidentes baianos também receberam influencias de fora como o iluminismo, revolução francesa e os movimentos de independência na América, mas possuíam uma posição mais radical como: proclamação de uma republica baiana, livre comercio e abolição da escravidão.
- 1798 a população tomou violentamente um carregamento de carne destinado ao governador da província.
-1798 panfletos foram distribuídos pela cidade proclamando uma revolta pela população e a proclamação da república baianense.
- O governo Baiano agiu rápido e prendeu os lideres da revolta, três alfaiates e um soldado foram condenados a forca e depois esquartejados como Tiradentes, todos eram mulatos.
- Os membros mais ilustres da revolta foram condenados a prisão e poupados.
- Apesar do apoio popular a tentativa de revolta foi rapidamente sufocada e não obteve força política para seguir com uma revolta.
 
Bibliografia
História Concisa do Brasil, Fausto, Boris. Edusp. São Paulo, 2006.
História, Ordonez, Marlene, Quevedo, Júlio, Coleção horizontes, IBEPSão Paulo, 1999.

A ESCRITA E O ESCRIBA DO EGITO ANTIGO


A ESCRITA E O ESCRIBA DO EGITO ANTIGO

              O estudante escriba passava por rígida formação, ele estudava inclusive nos dias festivos, segundo datas marcadas em alguns papiros literários onde o aluno anotou todos os dias o trabalho que fazia, a falta de atenção podia ser castigada com bastonadas nos dedos do distraído ou por erros de grafia.
Não há evidencias de escolas no Antigo Império, exceto na corte, provavelmente os professores eram os pais que ensinavam os filhos e outros aprendizes privilegiados. No decorrer do Médio Império, aparece a expressão “Casa de Instrução” o que provavelmente seria o que chamamos de escola. Somente depois do Novo Império, começam a aparecerem dados sobre a idade dos alunos, currículos e dados didáticos. A partir da 11° a 12° dinastias, cerca de 2130-1786 a.C o uso do livro de texto tornando-se cada vez mais freqüente.
O aprendiz ingressava com quatro anos onde saia com dezesseis e com apenas o titulo simples de escriba.
Exercícios em ostracas (pedaços de calcário ou cerâmica), contem enumerações de partes do corpo, de países estrangeiros, de festas religiosas, cópias de textos clássicos e sua transcrição para a língua vulgar. Depois os alunos passavam ao exercício de composição e tinham acesso a cartas privadas e administrativas, finalmente aos textos religiosos, em particular os de rezas a Thot, deus da sabedoria, o qual era invocado no inicio de cada lição e nas horas de angústia.
Após certo tempo, os estudantes alcançavam os textos literários, os de sabedoria e finalizavam copiando os romances e os contos de ficção.
Quando o escriba cometia um erro ele apagava com a língua, pois a tinta era com base em carvão, mas parece ter havido um pedaço de pano para isso.
Quando escreviam em um papiro sob a forma de rolos, os Egípcios sempre sentavam, essa é aposição que aparece nas estátuas dos escribas, na posição agachada o escriba esticava sua tanga para que ela oferecesse um suporte firme. Nessa posição, ele segurava na mão esquerda o rolo do qual ia puxando um pedaço de comprimento suficiente para escrever, com a mão direita, da direita para a esquerda, a paleta ficava no chão ao seu lado ou a sua frente e muitas vezes ele guardava seus pinceis atrás da orelha direita.
Durante a XII Dinastia uma mudança da linha vertical para a horizontal aconteceu, talvez pela facilidade de borrar ao escrever, ambas as direções passaram a ser usadas e até no mesmo manuscrito. Com exceção dos textos religiosos e do Livro dos Mortos eram escritos até o fim em linhas verticais da esquerda para a direita.
No decorrer da décima oitava XVIII dinastia, aparece na escrita Egípcia a expressão “Kap” referente a uma parte do palácio que poderia ser como uma escola maternal onde filhos de governantes estrangeiros eram atendidos.
O ensino no Egito não era feito apenas para a formação de escribas. Eram necessários professores nos palácios reais para príncipes e princesas, para os filhos de monarcas estrangeiros que lá iam estudar. Além da escrita, eles tinham que conhecer as leis, saber calcular impostos e ter noções de aritmética.
Os templos, de outras partes demandavam os escribas versados nas ciências sagradas, que pudessem interpretar os velhos livros canônicos, para compor novos, formular as legendas que deveriam ser grafadas nas muralhas dos santuários ou no pedestal das estatuas.
 
Por essas razões nos palácios e templos tinham nas suas dependências que antigos textos denominavam como Casa da Vida, quer dizer, um lugar onde se ensinava a ler, a escrever, além de literatura e ciências.
Os estudantes que faziam sua formação nas escolas do palácio saiam com o titulo de escriba do Rei, e os dos templos eram denominados os escribas de Deus. Os escribas possuíam um pictograma próprio, representado pela paleta. Lê-se sech (sš), (escrever), e faz parte das palavras relacionadas com arquivos, impostos e tributos.
 
 
sš – Pictograma de escriba.
 
Não havia lugar especifico na burocracia para as meninas, mas há indícios de que Meritaten e Mekataten, filhas de Akhenaton, possuíam essas habilidades.
Também na vasta coleção de ostracas, oriundas da Vila de Deir el Medina, algumas testemunham que mulheres e familiares dos trabalhadores eventualmente também aprendiam a ler e a escrever.
Os escribas eram os únicos profissionais que eram reconhecidos como maduros, no momento em que assumia seu primeiro trabalho independente, talvez pela capacitação e pela responsabilidade exigidas à atividade.
           A formação do escriba foi se tornando mais longa e complexo, na medida em que eles precisaram aprender além da hieroglífica, a escrita hierática, uma forma cursiva de grafar aqueles signos, empregada para a redação em papiros. Os gregos denominavam de escrita dos sacerdotes, porque era muito usada para textos religiosos. Em 700 a.C, foi criada ainda um terceiro tipo de escrita, a partir de 332 a.C, com a conquista do Egito por Alexandre da Macedônia, a língua grega foi sendo imposta na região. Os egípcios continuaram a falar sua própria língua mas cada vez menos, porque toda atividade administrativa e pública passou a ser conforme se passaram os séculos e as gerações, a antiga língua egípcia foi se modificando. Os falantes, para facilitar o registro lingüístico, adotaram o alfabeto grego e sete caracteres da escrita demótica, criando sua quarta escrita e uma nova linguagem a cóptica.

ESCRITA

Em 1779 foi descoberta na pequena vila de Rashid, no delta ocidental por Pierre François Bouchard membro dos exércitos de Napoleão que trouxeram do Egito a pedra de Roseta onde estava gravado um texto em três línguas o grego, hieróglifos e demótico.
          Em 1807, Champollion a partir dos nomes próprios do texto grego, ele comparou os outros dois textos até descobrir certas semelhanças, quatorze anos depois, o professor dispunha de algumas chaves para entender o enigma: enfim, a pedra da Roseta e as inscrições de outros monumentos egípcios já não continuam mais em segredo.
          A escrita serve para representar sentimentos, como ódio ou amor, ou ações como amar e sofrer, os egípcios desenhavam objetos cujas palavras que os designavam tinham sons semelhantes aos das palavras que os hieróglifos se referiam a algo concreto, havia um sinal vertical ao lado de cada figura. Se referentes a algo abstrato, havia o desenho de um rolo de papiro. Se correspondessem à determinada pessoa, os hieróglifos traziam sempre a imagem de uma figura feminina ou masculina, mostravam um pequeno sol. Para completar a confusão, os hieróglifos podiam ser escritos da direita para a esquerda ou vice-versa a ordem certa, em cada caso, dependia da direção dos olhos das figuras humanas ou dos pássaros representados.

As estelas

Muitas das estelas encontradas no Egito são de caráter funerário, nelas aparecem uma representação iconográfica e textos, as principais estelas começaram a aparecer na I Dinastia. Elas fornecem a identificação do morto, isto é seu nome e os seus títulos ou cargos. A formula hotep di nesu. Pretende que o rei interceda junto ao deus para que o morto alcance o seu propósito. Começa: “Uma oferenda que o rei outorga...”, seguindo-se o nome do deus invocado, quem visitasse o túmulo devia recitá-la, para que a mensagem da estela se tornasse realidade. Também há estelas votivas que também trata de temas religiosos, costumava ser colocada em lugares sagrados como Abidos, comemorativas: anunciavam ao povo feitos vitoriosos do faraó ou atos que podiam angariar o carinho ou admiração popular por ele e as estelas limítrofes, as mais conhecidas são as que demarcavam o território da cidade de Akhetaton, fundada por Akhenaton.
Papiro Hierático
             Como os documentos administrativos eram ditados as pressas, foi necessário criar um sistema que simplificasse a caligrafia hieroglífica sofisticada, recorrendo a relações. A grafia hierática era habitualmente desenhada com um pincel e escrita da direita para esquerda, em uma composição de colunas ou linhas, segundo os períodos.

A escrita sagrada

            Os hieróglifos como signos sagrados foram utilizados para adornar alguns sarcófagos. Assim, além da função decorativa, formava inscrições com poder mágico, atribuição que os egípcios conferiam às palavras.
            Os hieróglifos enchiam as paredes dos templos, narrando as façanhas dos faraós e dos deuses. Embora os signos fosse uma representação da realidade, para muitos egípcios o seu significado real era incompreensível.  

As cartelas do faraó

           A cartela era um laço que protegia o nomen e o praenomen do faraó. O nomen é o quinto titulo do protocolo faraônico, designa o faraó como filho de Rá, e é o segundo que aparece nas cartelas. O praenomen é o quarto titulo o de rei do Alto e baixo Egito, e o primeiro nome na cartela. O selo de um faraó tinha uma ou varias cartelas. Assim o objeto selado era distintivo da administração do respectivo faraó.

 

O alfabeto

           A escrita egípcia, oriunda de uma família lingüística diferente da nossa, é muito complexa e tem muitos signos. Por isso, os egiptólogos, para facilitar a tradução, adaptaram 24 deles para formarem o equivalente ao nosso alfabeto.

          Tal como outras línguas, o primeiro passo da escrita egípcia foi a representação daquilo que era visto, se desenhava uma boca quando pretendia escrever a palavra “boca”, assim apareceram os ideogramas. Contudo, logo surgiu um problema: como escrever palavras que se referiam a idéias ou conceitos abstratos? Então tiveram a grande idéia de esvaziar de significado a maioria dos ideogramas e atribuir-lhes valor fonético. Se com o símbolo da “boca” se dizia r, esse signo não reapresentaria mais a boca e sim o som r. Assim permitia por exemplo escrever a palavra “nome” que em egípcio se dizia rn, com a união dos signos “boca” r + “água” n = rn.

         Os signos mais simples chamam-se unilíteros e equivalem a um som. Os bilíteros equivalem a dois sons e são em maior quantidade do que os unilíteros, embora muitos possam ser escritos com apenas unilíteros. Por ultimo, existem trilíteros que equivalem a três sons, estes não são em grande numero e na maior parte das vezes se encontra junto com fonogramas unilíteros chamados de complementos fonéticos que assegurava a pronuncia correta das palavras repetindo o ultimo son. Além dos complementos fonéticos existia os signos determinativos que não tinham valor fonético e garantia o significado correto pois algumas palavras eram homófonas, pronunciava-se da mesma maneira mas tinham significados diferentes
 

 

LITERATURA EGÍPCIA
Os textos das pirâmides, elaborados no Antigo Império, são considerados os mais antigos escritos do mundo. Seu entendimento não é fácil; destinavam-se a uso litúrgico e constituem-se de fórmulas mágicas, religiosas e também de orações:
"Se levante, oh, uns. Agarra sua cabeça e junta seus ossos. Une seus membros e sacode o pó das carnes. Leva seu pão, que nunca lançará para perder, e sua cerveja que nunca ficará azeda, e fica antes da entrada que exclui as pessoas comuns. O guardião da porta sai a seu encontro. O leva de mão e te conduz ao céu". (Textos das Pirâmides)
No Médio Império, extensas inscrições eram transcritas diretamente nos ataúdes onde as múmias eram encerradas. Os temas chamados textos dos sarcófagos são equivalentes aos das pirâmides, constituindo-se de fórmulas para o defunto alcançar a imortalidade.
Com as mesmas finalidades, surgiam - no período do Novo Império - os chamados livros dos mortos, que apresentam semelhanças com os textos dos sarcófagos.
Os livros dos mortos
Colocados junto às múmias, escritos em papiros, os livros dos mortos incluem fórmulas religiosas que deveriam ser lidas diante do tribunal de Osíris. Geralmente, esses antigos documentos incluem uma "confissão positiva":
"Não causei sofrimento aos homens. Não usei de violência para com minha parentela. Não substituí a injustiça na justiça. Não freqüentei os maus. Não cometi crimes. Não permiti que trabalhassem para mim em excesso. Não fomentei intrigas por ambição. Não maltratei meus servidores. Não blasfemei contra os deuses. Não privei o indigente de sua subsistência. Não cometi atos detestados pelos deuses"...
"Não levantei a mão sobre o homem de humilde condição. Não fiz chorar. Não fiz ninguém sofrer. Não tirei o leite da boca das criaturas"... (Jean-Marc Brissaud: François Daumas).
 Desde a época do Antigo Império, várias modalidades de obras literárias surgiram no Egito: poesias, ensinamentos morais e políticos, biografias, contos e outras.
 
BIBLIOGRAFIA
BAKOS, Margarete Marchiori. Origens do ensino. EDIPUCRS
www.rincondelvago.com - Libro de los Muertos, Colección Clásicos del Pensamiento, Editorial TECNOS - 1993, 2ª Ed
Revista Egito Mania, O fascinante mundo do Antigo Egito N°s: 04,15, 26, 34. Editora PLANETA

DO FUTEBOL AO COMBATE A GUERRILHA


DO FUTEBOL AO COMBATE A GUERRILHA

          Nunca em uma nação um esporte foi tão importante e fonte de discussão em meio à política e amor a pátria. Na conjuntura do Brasil no ano de 1970 onde a Seleção Brasileira disputaria o titulo mundial de futebol e o titulo de maior campeão de futebol de todas as copas contra a Itália, em jogo mais que um titulo, uma janela para o mundo de como o Brasil era, um pais de pessoas alegres, criativos e vitoriosos.

Enquanto o Brasil se encaminhava para a vitória no Futebol sua democracia estava em plana estagnação, certos setores da população se encontravam em um conflito em seus corações, o amor pela Seleção de Futebol e a atual situação de repressão sobre a democracia.

Entre as pessoas que tentavam não torcer para a Seleção estavam em uma grande parte da classe média, burguesia e estudantes universitários, contraditório pois estas classes sociais foram as mais privilegiadas neste período de regime militar. Aqueles que se opunham contra a Seleção Brasileira viam a vitória da Seleção Canarinho como a vitória do Governo Militar.

Na Copa do Mundo de Futebol se tornou o auge das frases ufanistas como “para Frente Brasil”, “Ninguém mais segura este Brasil” e marchinhas cantando um Brasil de todos e vencedor. A Seleção Brasileira se tornou um símbolo de vitória do governo Médici, que como a maioria dos homens brasileiros era amante do esporte e não realizou poucos esforços para se usar da imagem vitoriosa da Seleção Brasileira de Futebol, mas contra a partida se aplicava o “milagre Econômico” para poucos e a forte repressão aos opositores do governo militar.

Dentro das resistência mais ousadas e radicais estavam grupos de militantes políticos de esquerda ligados a teoria marxista, estudantes universitários, membros da classe média, burguesia e membros das forças militares. Antes da entrada do Governo Médici havia iniciado uma nova tática de guerrilha onde a presença na mídia se fez inevitável, o seqüestro de embaixadores como o caso do embaixador estadunidense Elbrick para se utilizar de moeda de troca na soltura de companheiros guerrilheiros presos pelo governo.

Com o Governo Médici em ação, a caçada aos guerrilheiros se estabeleceu de forma muito eficaz. Dentro dos casos mais famosos se encontrava o Guerrilheiro de origem militar que liderava a REDE (Resistência Democrática) o “Bacuri”, Eduardo Leite era soldado do exercito. Bacuri foi preso no Rio de Janeiro e depois levado até são Paulo para o DEOPS, sua prisão envolveu agentes infiltrados e a equipe do famigerado Fleury, conhecido por seus métodos extremamente violentos. A pos dias de tortura sem ceder informações, Bacuri teve sua morte anunciada no Jornal a Folha da Tarde antes mesmo de seu assassinato, com sua morte já justificada pelo jornal onde declarou que havia sido morto em um tiroteio, sua tortura seguiu ao ponto de arrancarem suas orelhas, olhos e queimarem seu corpo.

As ferramentas do Governo de luta contra as resistências armadas foi extremamente eficaz, os principais lideres estavam sendo presos e executados, Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira foram capturados e mortos entre outubro de 1970. Para as Guerrilhas urbanas o assalto a banco para realizar desapropriações para manter a resistência não se apresentava para a população mais do que assaltantes de banco e isso alimentava a propaganda contra a resistência armada e a marginalização dos guerrilheiros.

A ultima grande resistência armada contra o golpe militar se localizou no interior da Baiha, a guerrilha em Buriti Cristalino contava com Carlos Lamarca, ex soldado e campeão de tiro que aplicava treinamento para civis se defenderem contra a “violência da Guerrilha”, mas que na verdade se tornara um dos mais conhecidos lideres da resistência que foi acompanhado pela sua esposa Lara Lavalberg que não era a única presença feminina em resistências armadas como esta. Com Lamarca prestando assistência técnica a resistência provocou a ira das forças militares, a população do pequeno lugarejo foi interrogada sem deixar de passar pelos abusos das torturas em alguns casos liderados pelo próprio Freury, nesta operação as forças policiais, do Exercito, aeronáutica e marinha forma utilizadas. Havia discussão até mesmo pelo nome da operação que se aplicariam contra Lamarca que culminaria com seu assassinato em 17 de setembro em uma emboscada, a priori se chamaria “Calabar” para fazer uma ligação ao Português que acabou ficando do lado dos Holandeses na retomada de Recife pelos Português, mas a missão acabou por ficar com o nome de uma praia de alagoas que era favorita de Cerqueira.

Dentro da luta do Araguaia a luta foi organizada por membros do PC do B com cerca de 69 militantes, liderados pelo segundo-tenente do exercito Osvaldo Orlando Costa, Paulo Mendes Rodrigues e pelo médico Gaúcho João Carlos Sobrinho.

Dentro das operações de combate a resistência no Araguaia os órgãos federais mais uma vez baixou todo seu aparato de combate contra os subversivos da região do Araguaia e mais uma vez aplicando torturas violentas sob comando do general Antonio Bandeira. Mesmo com todo o cerco com aproximadamente 12 mil homens a guerrilha resistiu por 4 anos, chegando somente ao publico em 1978, antes somente uma pequena citação no jornal Estado de São Paulo em Setembro de 1972. A guerrilha no Araguaia permaneceu de 1970 a 1974 com a morte de Osvaldão (Osvaldo Orlando Costa) e a guerrilha foi exterminada, entre os membros se encontra José Genuíno que mais tarde participaria de forma efetiva na política brasileira através do PT, sendo eleito deputado federal e mais tarde envolvido nos escândalos de desvio de verbas conhecido como “mensalão”.

           Com a eximia determinação do governo Médici a guerrilha foi quase completamente vencida, mas a resistência política continuava e a abertura democrática se faria tardar, mas seria finalmente vista por muitos dos guerrilheiros e opositores dos governos militares que sobreviveram as torturas e ao exílio podendo finalmente retornar ao Brasil com uma possibilidade de liberdade política e de expressão mais real.
Por Jeberson Rodrigues
 
                                   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FAUSTO, Boris, História do Brasil, FDE,São Paulo, 2001.

Coleção Caros Amigos, A ditadura Militar no Brasil,Fascículos quinzenais, 2007.

HISTORIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL - VOL. 4 - CONTRASTES DA INTIMIDADE CONTEMPORANEA, Organizador SCHWARCZ, LILIA MORITZ - Editora: COMPANHIA DAS LETRAS - Edição: 1ª EDICAO – 1998

Resenha do Artigo - Aguardente de cana e outras aguardentes: por uma história da produção e do consumo de licores na América portuguesa


OS LICORES E OS PROCESSOS DE FABRICAÇÃO NA AMÉRICA PORTUGUESA:

             O autor inicia por uma busca por onde se iniciou os processos de fabricação dos licores e da cachaça e quem eram os responsáveis. Aos licores a responsabilidade da produção e desenvolvimento das receitas eram atribuídas aos doceiros entre os séculos XVII e XVIII. Talvez os portugueses considerassem um doce em forma de bebida, o seu processo era respeitado com uma receita culinária.
            O autor do Manual do destilador (C.J) de 1883, aponta o licor como uma bebida tônica para melhorar o bem-estar das famílias que trabalhavam na horticultura, este “bem-estar” poderia ser usado para aumentar as horas de trabalho destes horticultores ou simplesmente para relaxar depois do trabalho, o autor não nos revela a verdadeira intenção por falta de fontes, por não se tratar de seu ponto de vista ou o próprio autor do manual não se faz esclarecer.  Anterior ao Manual do Destilador o Traité des Aliments de Louis Lemery (1705) os licores e aguardentes eram obtidos de diferentes materiais, como os indianos que fabricavam bebidas a partir do arroz, tâmaras e suco de ervas. Em lugares de produção de açúcar se retiravam a partir da destilação da cana-de-açúcar que se chamava Rum segundo Louis Lemery.

            Luís da Câmara Cascudo dedicou um livro com muitas referencias sobre a cachaça ou o que Louis Lemery chamou de Rum. Uma das referencias que Luís da Câmara nos revela é que o termo cachaça surgiu no Brasil para designar a bebida obtida da cana-de-açúcar, melaço ou do caldo. De acordo com Luís da Câmara Cascudo a cachaça portuguesa do século XVI era uma aguardente obtida a partir das borras das uvas, conhecida hoje como bagaceira. O Rum era o nome utilizado nas colônias inglesas para designar o “vinho obtido da cana-de-açúcar”, segundo Tousanit-Samat(1982) era uma derivação de mambullion ou mambustion, termos do dialeto crioulo de Barbados.

            A partir dos inventários da época o autor nos revela a existência de alambiques de barro ou cobre, dependendo das posses e sofisticação do fabricante em São Paulo e Santana do Paraíba do século XVII.  As aguardentes e licores eram fabricados a partir da destilação ou fermentação na América portuguesa, foram os portugueses que introduziram a técnica de destilação na região, os indígenas criavam suas aguardentes a partir da fermentação da mandioca, milho, caju e outros, já na África a palmeira de dendê, milhos ou infusões de sementes eram usadas para obter aguardente. Em obras como o “Manual do Destillador” recomendava-se o processo de destilação quente, pois o processo frio causava dores de cabeça.

            Alguns depoimentos de viajantes como o de Saint-Hilare sobre sua viagem ao Rio de Janeiro e Minas em 1817, ele comenta que a população era na sua maioria formada por pobres apesar da riqueza da terra e que apreciavam a aguardente de cana (cachaça), dos escravos a elite branca. O consumo era maior dentro da classe pobre formada principalmente por negros livres ou escravos sem distinção de sexo. Em outra observação do viajante, referindo-se aos fazendeiros dos arredores de Guanhões, sobre a preferência da produção da aguardente ao invés da produção do melaço por causa do grande consumo dos negros empregados no distrito visinho, Diamantina. Os viajantes Leithold e Rango na visita ao Rio de Janeiro em 1819, consideravam a cachaça de gosto ruim e mais forte que a aguardente de trigo.

            Há perguntas que o autor nos traz que os relatos de viajantes não podem nos responder sozinhos como: Quem estava envolvido na produção, distribuição, consumo e qual era o espaço em que a cachaça circulava na sociedade? O uso da fontes como: inventários, registros de escritura doméstica, correspondências oficiais e a legislação da época poderiam servir de fontes alternativas segundo o autor.

            Em meados do século XVII, Johann Nieuhof relatou o gosto dos índios pela cachaça, mas não era permitido a eles levar para a aldeia para evitar embriagues. Isso mostra uma tentativa de controlar o consumo dos indígenas, mas também uma forma de criar uma dependência da distribuição impedindo a formação de um estoque e usar isso para influenciar os indígenas para contribuírem de acordo com a vontade dos portugueses. Saint-Hilaire diz que os índios são apaixonados pela aguardente e que insistiam em mais doses depois da primeira, Ave-Lallemam que esteve no Brasil cinqüenta anos depois de Saint-Hilaire utilizava a cachaça para manter o interesse dos índios no trabalho, já João Mauricio Regendas que esteve no Brasil entre 1825 e 1830, também associava a cachaça com as classes pobres e como um remédio para as pessoas que consumiam milho, feijão e carne-seca consideradas por Regendas como alimentos pesados e nocivos.

            Estes relatos nos indica o consumo da cachaça como alimento básico e diário das classes menos favorecidas enquanto os mais abonados a utilizavam como aperitivo, o grande numero de vendas com pouco recurso mostrava ser sua principal função na venda de cachaça e um local de socialização como observados por Saint-Hilaire. Costumes mantidos até os dias de hoje no século XXI. Já outros viajantes como George Gardner também observou o consumo da cachaça por grande parte das mulheres das classes menos favorecidas, já Tschudi nos relata o consumo dos escravos, que compravam a aguardente de forma ilegal utilizando dinheiro ganho com trabalhos avulsos. A cachaça oferecia um complemento alimentar (pelo seu teor calórico) para os pobres e uma bebida “espirituosa”, ou seja, alcoólica.

            Aos fazendeiros ou abastados o consumo da aguardente era na forma de aperitivo ou após o jantar, utilizando e fabricando licores finos e de outros sabores como laranja, caju e abacaxi. Uma prática persistente até os nossos dias é oferecer este tipo de bebida as visitas e amigos como um fazendeiro dos arredores do Rio de Janeiro ofereceu a John Mawe.

No período colonial eram constantes as referencias sobre o consumo excessivo de cachaça nas classes desfavorecidas, negros livres ou escravos, onde membros da igreja e da elite branca impunham trabalho aos escravos nos domingos e feriados para evitar o ócio e as bebedeiras das festas. A embriagues aparece também nos registros da policia do Rio de Janeiro do século XIX, onde eram registrados o fato do africano ou afro-descendente ter sido prezo por desordem e bebendo. O mesmo se seguia nos hospitais da Misericórdia com registros sobre os males causados pela bebida.

A produção de cachaça era usada como moeda de troca no tráfico de escravos e seu consumo era expansivo atingindo até as terras portuguesas na Europa  que acabou por ser proibida duas vezes. Em 1649 até 1661 limitou-se a produção em todo o estado do Brasil e proibiu-se a produção do “vinho de mel”, já em 1690 D. Pedro II de Portugal proíbe o envio para Angola, mas é revogada com a descoberta do ouro.

Entre os relatos dos viajantes que passaram pelo Brasil e as fontes analisadas pelo autor, mostra claramente a discriminação de classes sociais e o preconceito com o negro e o índio. Existe também a diferença da cachaça e do modo como é tratado aquele que exagera no consumo, quando o branco fica bêbado ele simplesmente exagerou um pouco e quando o negro fica bêbado ele é vagabundo. Sobre a bebida (cachaça) podemos tirar algumas conclusões como: a fabricação era em grande escala em relação a população de maioria escravos e escravos libertos que eram os maiores consumidores, o preço devia ser baixo, pois fazia parte da alimentação básica do pobre e escravo, a cachaça mais refinada era de consumo das elites brancas, as vendas faziam ponto de encontro para a socialização da população regada com aguardente, o vicio do álcool  nas classes menos favorecidas poderia ser causada pela vida de sofrimentos e fome, causando um desgosto pela vida e se utilizando da cachaça para aliviar o profundo descontentamento e assim  levando ao alcoolismo.    

 
BIBLIOGRAFIA

ALGRANTI, Leila Mezan. Aguardente de cana e outras aguardentes: por uma história da produção e do consumo de licores na América portuguesa. VENÂNCIO, Renato Pinho; CARNEIRO, Henrique. (orgs.). Álcool e drogas na história do Brasil. São Paulo: Alameda, Belo Horizonte: PUCMinas, 2005.