sábado, 7 de novembro de 2009

Extinção de licenciaturas

Caros amigos da história, a ULBRA Guaíba, acabara com o curso de História, Matemática e Letras, os alunos de História estão se mobilizando para que nenhum colega de classe fique sem a sua formatura custe o que custar, aparentemente o diretor de nossa unidade se mostrou disposto em manter o curso até terminamos, mas estamos atentos conto com vocês, segue mais uma critica, aqueles que acham a profissão de professor uma assinatura de declaração de pobreza que não se preocupe conosco, pois somos decididos e amamos a História e vamos defende-la.
Infeliz as noticias são péssimas para nosso pais que carece tanto de educação, pois a ulbra acabara com mais de 150 cursos por todo o país, nosso governo vê a boa vontade de professores desta universidade, mas até agora não aplicou nenhuma medida para ajudar os milhares de alunos, trabalhadores que investem seus recursos para um futuro melhor já que a dificuldade de ingressar em universidade federal é grandiosa e quase épica em todos os âmbitos para obter essa oportunidade.
Esperamos um futuro melhor, mais oportunidades, mas nessa realidade em que mesmo pagando para tentar obter essa oportunidade se torna difícil, imaginem para aqueles que não podem pagar.

Capital e sociedade - engano histórico

Em nossa sociedade do inicio do século XXI ainda nos perguntamos o que seria do Brasil se fosse colonizada por Ingleses ou protestantes que não consideravam pecado o acumulo de capital, pergunta feita até mesmo por católicos, mas como o brasileiro possui a trágica doença da memória curta e de criticar a nossa política como corrupta e de assunto “chato” ou acabam utilizando a visão populista e esquecemos de que o livre comercio das colônias Inglesas no norte da América perdurou por muitos anos sem grandes intervenções pelo governo inglês ao contrário do que ocorreu na América latina, mas quando chegou a hora os colonos ingleses resistiram utilizando a própria política Inglesa solicitando uma representação no parlamento e utilizando o tráfico de mercadorias, quando os atritos chegaram ao seu limite com a violência do governo Inglês estoura a "revolução" Norte Americana.
Nós brasileiros esquecemos que fomos a única monarquia da América e que a figura do Rei é como Deus na terra para seus súditos e esta presença exerce grande influência na sociedade, isto pode se observar na história da humanidade, nas revoltas das colônias americanas uma das primeiras atitudes eram encaminhar cartas ao rei informando a injustiça que estavam lhe impondo e o rei jamais respondia como o esperado, vale lembrar quando citamos americanos nos referimos a toda America incluindo a do norte que nossa elite da imprensa insiste em não nos reconhecer como americanos deixando esse reconhecimento apenas para os Estadunidenses como os próprios se intitulam e nos deixando como latinos, sul-americanos enquanto que outra parcela de Estadunidenses e Europeus nos intitulam de “macaquitos”, “cucaratios”, “vagabundos” e “povo sem cultura”.
Quando vemos a política Inglesa de colonização da África e Ásia esquecemos da pergunta inicial aplicando a teoria do brasileiro possuir memória curta, não precisamos ir muito longe para comprovar isto basta lermos os nomes dos nossos políticos eleitos no senado e encontrarmos o nome Collor em 2006. Esta posição é muito generalizante, mas infelizmente se aplica na grande maioria do nosso povo que acaba realizando as perguntas erradas e obtendo as respostas tão erradas quanto as perguntas, não só as perguntas realizadas por nós são formuladas de forma errada como nossas afirmações e em algumas das nossas afirmações erronias compartilhamos com o resto da população mundial, salva as exceções sempre, em que nossa política econômica é justa e equilibrada formando o melhor meio de vida ou o sonhado “American way of live”.

Por que não nos perguntamos o “por que?” de tamanhas políticas sociais aplicadas pelo governo nos últimos anos? Planos como bolsa escola (do governo anterior e foi modificado e sendo integrado a outros planos), auxílio a casa própria, criação de moradias populares, a situação do SUS com filas lotadas, Bolsa Família, PROUNI, fome zero, Brasil alfabetizado, Plano Nacional de Reforma Agrária, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Programa de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Programa Luz para Todos, Bolsa Alimentação, Programa de Combate ao Trabalho Escravo, Programa do Primeiro Emprego, Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) e entre outros que podem ser encontrar no site oficial do governo federal (http://www.mre.gov.br/index.php?Itemid=1314&id=1431&option=com_content&task=view).

Por que precisamos destes planos de auxilio a sociedade se estamos vivendo a melhor fase do capitalismo mundial que vence uma crise global em menos de um ano, onde podemos comprar mercadorias de qualquer lugar do mundo e fabricadas em massa, onde possuímos muitas faculdades espalhadas por todo o país, onde podemos comprar diferentes alimentos o ano todo para termos uma alimentação equilibrada, onde temos auto-suficiência em petróleo, onde podemos votar em quem desejarmos e podemos ir e vir quando desejarmos na hora que desejarmos? Teoricamente esta tudo bem, mas a verdade nos salta aos olhos, o capitalismo não distribui oportunidades, ele restringe a oportunidade aqueles que podem pagar o preço, a fantasia da igualdade perante a lei (até hoje, 2009, nenhum membro do congresso foi julgado e punido) ou perante as oportunidades batem de frente ao capital que você possui para investir, portanto há a necessidade de distribuição de renda e oportunidades, a maioria das faculdades de nosso país são faculdades pagas estas são pagas na sua maioria pelo suor do trabalhador que busca uma melhora de vida futura, esta realidade não bate só a porta de nós Sul-Americanos, Africanos e Asiáticos, mas de todo o chamado primeiro mundo.
Não podemos deixar de lembrar que o aparente sucesso Estadunidense com o capitalismo foi forjado com a política imperialista sobre as nações da América principalmente, os defensores da democracia auxiliaram a implantação das ditaduras nas Américas, mas quando a Argentina precisou de seu apoio contra o Reino Unido não há obteve, o canal do Panamá se estabelece como um exemplo visível da sua intervenção e manutenção do imperialismo. Como podemos de deixar de lembrar a guerra do golfo e a atual intervenção no Afeganistão e Iraque, governos derrubados que outrora foram erguidos com o auxilio Norte Americano, isto é a democracia e oportunidades criadas pelo capitalismo defendido pela maioria da população brasileira por não realizar as perguntas corretas ou não buscar na história da humanidade que se apresenta como um livro aberto para quem quiser saber a verdade.
Para nosso futuro devemos realizar perguntas mais coerentes para podermos tentar localizar a resposta que abranja sempre o beneficio de toda a população e não somente uma parcela de uma elite política e econômica, uma das perguntas que poderíamos realizar seria: Como transformar nossa política Capitalista menos consumidora e restringente em uma política mais igualitária, com maior distribuição de oportunidades e recursos? Talvez uma das respostas estejam na consciência da verdade e do reconhecimento da humanidade do próximo independente de sexo, cor ou religião. Além de reconhecimento nós falta a vontade de querer enxergar a verdade, reconhecer os erros e tentar mudar.

sábado, 19 de setembro de 2009

"Revolução" Farroupilha

É dia 20 de setembro, estamos comemorando a revolução farroupilha, comemoramos a luta contra irmãos, tudo bem, um movimento democrático é sempre bom lembrar, mesmo se tratando deste movimento gerenciado pela elite estancieira do Rio Grande do Sul, mas como bom sul-rio-grandense também comemoro a lembrança de nossos ancestrais na luta pelo mantimento de nossas terras, as lutas fronteiriças que mantiveram nosso desenho geopolítico.

Infelizmente nestas comemorações sempre deixamos a menor parte para os verdadeiros heróis desta ímpia e injusta guerra, lembramos das mulheres que viam seus filhos e maridos morrendo. Lembramos dos negros, índios, mestiços e pobres que criavam a massa das tropas farrapos ou que sustentavam as estâncias. Pessoas que lutavam pela sua sobrevivência sua liberdade e que ao fim permaneceram presos ao exercito ou mantiveram sua condição de servidão.

Como ainda lembremos pouco dos lanceiros negros e do Gavião que não abandonou seu contingente no momento critico, traídos pelos lideres farrapos e massacrados pelas tropas imperiais naquela noite triste dos pampas. Lembremos também que nosso mais famoso herói morreu com seus escravos e os tratava como bens de valor que constavam no seu inventário.

Para finalizar deixo meu grande abraço a todos e comemoremos nesta data a luta por um regime mais democrático e da luta para a liberdade, mas não a luta da liberdade dos estancieiros, mas sim do povo rio-grandense como um todo, principalmente aqueles que realmente não eram livres.

domingo, 13 de setembro de 2009

A HISTÓRIA TRÁGICO-MARÍTIMA DAS CRIANÇAS NAS EMBARCAÇÕES PORTUGUESAS DO SÉCULO XVI

Esta é uma resenha de um tema do livro: História das crianças no Brasil.

O texto de Fábio Pestana Ramos sobre as crianças do período das grandes navegações portuguesas nos remete a triste realidade que essas crianças sofreram além do desapego dos adultos causado pelo grande nível de mortalidade infantil desde o período medieval e talvez agravada após a devastação da peste negra as crianças que eram alçadas nessa aventura por muitas vezes desafortunada morriam pela árdua viagem através do atlântico rumo ao Brasil ou as Índias Orientais, sofriam com a pirataria que ao captura-las eram mantidas como escravos, prostituídas ou mortas, mas a violência sexual poderia vir de seus próprios parentes ou conterrâneos. A pedofilia era corriqueira nas embarcações, principalmente nessa época de grande falta de mulheres que às vezes eram proibidas de tripular uma embarcação, nessas situações as crianças saiam de Portugal acompanhadas de algum parente ou como Grumetes ou como Pagens, em todo o momento os acompanhantes deviam vigiá-las para não serem violadas.

Os grumetes eram marinheiros do mais baixo escalão que formava parte da tripulação enviadas paras as índias Orientais ou para o Brasil, essa classe era formada na sua grande parte por crianças entre 9 e 16 anos, geralmente meninos filhos de pedintes, de pessoas muito pobres das áreas urbanas ou órfãos. Aqueles que possuíam família geravam soldo a sua família, a mortalidade dos navios era grande, mas as crianças não tinham escolha e as suas chances de morrer por falta de alimentação ou por doença eram extremamente grandes tanto em terra como no mar, pois a expectativas de vida das crianças portuguesas entre os séculos XIV e XVIII era por volta dos 14 anos, as crianças que trabalhavam na agricultura eram poupados do serviço nas embarcações lusitanas.

Tudo que possamos pensar em termos de direitos das crianças atualmente com certeza eram violados neste período da nossa história, o trabalho infantil, a violência física, violência sexual e psicológica em todos os sentidos, pois além dos maus tratos muitas crianças judias eram raptadas para compor os grumetes e controlar a população de judeus em Portugal. Aos grumetes cabiam os mais perigosos trabalhos em uma embarcação e apesar de responderem ao Guardião (cargo ocupado geralmente por ex-marinheiros) sofriam com os abusos de todas as outras classes da tripulação. Essas crianças marinheiras apesar de serem muitas vezes tratadas como animais ou objeto de trabalho e uso, formavam uma grande parte da tripulação como em meados do século XVIII o numero dessas crianças chegou a ser equivalente ao dos adultos.

As embarcações possuíam pouco espaço, os donos dos navios se utilizavam do espaço para as mercadorias e os grumetes se acomodavam ao ar livre, expostos a chuva, sol e frio, sua alimentação era péssima como a da maioria dos tripulantes com biscoitos a mofar, água pútrida, carne salgada em estado de decomposição e não recebiam a porção de vinho como os marujos adultos. Os marinheiros podiam pescar para compor a alimentação, mas as crianças tinham seu tempo exaurido pelos trabalhos contínuos e exaustivos, sua saúde era debilitada e a presença de médicos era rara, na maioria das vezes que eram submetidos a tratamentos esse tratamento era a sangria, praticada desde o medievo, se não deixavam mais debilitados os matavam com essa prática. Apesar dos grumetes serem a mais baixa classe da tripulação, costumavam desempenhar tarefas de todos os ofícios dentro das embarcações em alguns casos aplicaram sangrias como um médico, pilotaram os navios entre outras grandes ações demonstrando sua importância e mesmo com colossais dificuldades e recebendo a metade do soldo de um marinheiro adulto em raros casos acendiam na Marinha Portuguesa.

Ao contrario dos grumetes os pagens (crianças de mesma idade dos grumetes) possuíam melhor condição de vida, pois eles serviam e eram acompanhantes dos nobres e oficiais nas embarcações. Possuíam um soldo menor que do adulto e maior que do grumete, mas algumas vezes recebiam gratificações e mantinham um maior contato com os melhores alimentos das naus possibilitando uma melhor qualidade de vida, os nobres levavam consigo cerca de 5 pagens e em alguns casos os pagens eram escravos adultos, as crianças escolhidas para serem pagens em uma embarcação rumo as Índias Orientais ou ao Novo Mundo eram de famílias pobres, de setores médio urbano, protegidos pela nobreza ou da baixa nobreza. Ser um pagen significava ter melhores chances para aprender um oficio ou seguir carreira na Marinha Portuguesa com maiores chances de ascensão.

Alguns oficiais levavam seus filhos como pagens ou como acompanhantes para aprender algum oficio, os acompanhantes não possuíam deveres como os pagens ou grumetes além de possuírem a liberdade de transitar pela embarcação e outras vantagens adquiridas por meio de seus parentes, mas não recebiam soldo. Mesmo os pagens e as crianças que entravam nessas viagens não escapavam dos maus tratos ou do perigo da pedofilia que rondava as naus portuguesas, tais atos de pedofilia eram corriqueiro também dentro na categoria dos pagens que eram abusados pelos oficiais, marinheiros e até mesmo por seus parentes. O fato dos altos escalões também praticar as atrocidade do abuso sexual retirava as chances das crianças acompanhantes, grumetes ou pagens de recorrer a alguém, por vezes as crianças acabavam a se prostituir para ganhar alguma proteção de um adulto ou oficial.

Enquanto o número de meninos com idade entre 12 e 16 anos era grande as meninas embarcavam nas frotas portuguesas em menor quantidade, mas na sua maioria vindas também da mesma origem pobre dos orfanatos e com idades entre 14 e 17 anos eram as órfãs “Del Rei”. A grande preferência era por meninas com idade abaixo dos 17 anos, a preferência se justificava pelo fato da coroa colocar prostitutas nos orfanatos para livrar Portugal das pecadoras, então as mulheres de 18 a 30 anos provavelmente seriam prostitutas. As viagens ao Brasil levavam cerca de 2 a 3 meninas para casarem com membros da baixa nobreza e o maior fluxo de meninas e mulheres era para as Índias Orientais, pois no Brasil o contato com os nativos era grande e a coroa permitia o relacionamento de homens brancos com as nativas.

As meninas passavam pelas mesmas provações dos outros tripulantes como a comida e a água em péssimo estado, geral mente elas eram confiadas a um religioso para manter-las seguras e não serem estupradas e se eram raramente se conheciam o fato que as desvalorizavam, assim diminuindo suas chances para o matrimonio, por isso os religiosos não se agradavam com fato de mulheres nos navios. A sociedade patriarcal portuguesa chegava a considerar órfãs as meninas órfãs de pai e retirando as meninas de suas famílias para suprir a falta de mulheres brancas nas índias, outro caso de seqüestro a medida tomada pela coroa de colocar meninas ciganas em orfanatos que seriam enviadas par as índias e assim controlavam e tentavam diminuir a população de ciganos que em sua grande maioria se recusavam a converter se na fé cristã.

Aos acompanhantes crianças era remetido a mesma porção de ração dos grumetes, mas aqueles que eram pertencentes a nobreza possuíam contato com alimentação mais saudável fornecida pelo mercado negro de alimentos dentro da própria embarcação, os alimentos que eram guarnecidos para os doentes era desviado. Apesar de não possuírem obrigações como os tripulantes, esses passageiros, principalmente os pobres, passavam os mesmos riscos da violência sexual na maioria das vezes por parte dos marinheiros que na grande maioria era formada por bandido, ladrões e assassinos dignos da fogueira da inquisição, mas eram absolvidos para trabalhar nas aventuras oceânicas.

No período das grandes navegações lusitanas o mar do atlântico foi tomado por um pequeno exercito infantil que formavam cerca de 5% da tripulação total em uma nau, por isso os poucos registros, mas serviram para inúmeras ações que variavam de meros serventes dos nobres, dos marinheiros ou como objeto sexual. As meninas, órfãs do rei, tinham como missão casarem com portugueses que viviam nas índias onde a mulher branca era escassa, para o Brasil essa leva de meninas, mesmo em pequena quantidade, era destinada aos membros da baixa nobreza. Apesar de a situação ser catastrófica no período entre século XVI e XVIII não podemos dizer que não havia sentimentos entre as crianças e os adultos, mas a fragilidade das crianças era tanta que morriam em grande quantidade por falta de alimentação, por sarampo ou outra doença, assim criava uma esperança muito pequena nas chances dessas crianças sobreviverem até chegar a idade adulta ou morreriam nos primeiros meses de vida. Se pensarmos que os pais dessas crianças não sofriam com a perda delas estaremos sendo muito sensacionalistas e rebaixando nossa condição abaixo dos “animais”, sendo que muitos animais ditos irracionais arriscam suas vidas para tentar manter seus filhotes vivos, talvez para as pessoas do período da epopéia marítima o alistamento de seus filhos na marinha portuguesa seria a única chance a dar a essas crianças e de arrecadar algum recurso para garantir a sobrevivência do resto da família que ficava em Portugal.


BIBLIOGRAFIA

RAMOS, Fábio Pestana. A história trágico-marítima das crianças nas embarcações portuguesas do século XV. In: PRIORE, Mary Del. História das crianças no Brasil. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2004.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Poemas I

Possibilidades
O momento em que estamos vivendo é o presente
Passado o ato é História, não pode ser mudado
Pode ser reinterpretado fazendo com que surjam fatos não vistos.

O que pensamos em fazer pode ser o futuro,
Mas só se tornará presente se for realizado
Se não for realizado não se tornará passado

Se não se tornar passado não será História e não será real,
Será apenas um pensamento fugaz ou um sentimento de perda
A reflexão nos da coragem para agir ou nos leva a realidade

Para as coisas boas a reflexão nós faz mover
Para as coisas ruins ela nós faz evitar cometer erros
Para as dúvidas ela nós traz a certeza

Mas quando envolve o coração sempre a dúvida nos toma
E a reflexão é atrapalhada, fazendo com que a razão se desfie,
Mas com o tempo a razão tende em entrar em sintonia com o coração

Ao viver em meio de inúmeras possibilidades,
Inúmeras escolhas que vemos muitas vezes as possibilidades passarem
Possibilidades que podem nós trazer a felicidade.
A nossa felicidade e a de outras pessoas.

Diário de bordo
Estou aqui, olhando para o mar
Inclino-me em direção a popa
E vejo o que deixei para traz
Reflexões sobre o passado são inevitáveis

Lembro-me dos dogmas que me fizeram sofrer
Lembro-me das concessões em busca de um bem maior
Lembro-me do suor, sangue e lagrimas
Lembro-me que antes de tudo já havia vida

Meu rosto suado e queimado pelo sol do atlântico
Dias, semanas e meses sem ver terra
Sinto-me como um grumete nesta nau chamada vida
Em alguns momentos penso ver terra, mas é uma miragem

À noite deito na proa e vejo as estrelas
Volto meus olhos para as estrelas,
Mas são tantas quanto há almas no mundo
Ludibrio-me com seu brilho e a imponência da lua

Passeio pelas constelações até que meus olhos
se cansem e me levam para o mundo dos sonhos
onde não a dor e nem raiva enquanto a brisa de verão em alto mar
garante meu sono até o amanhecer.

Deuses ou Homens
Quando termina um ciclo
Mudanças profundas acontecem
Tempos estranhos trazem seres estranhos

O mundo não será como antes
E o sangue oferecido não é suficiente
E o os deuses não respondem mais

Os deuses possuem quatro pernas
Os deuses possuem pele de aço
Os deuses não se alimentam de sangue,
Mas de “plata” e “oro”

A benevolente serpente emplumada caiu
E os deuses da fúria se levantam
E nossos inimigos se unem

Os deuses sangram, são homens
Nossos irmãos sangram mais do que eles
Nossos inimigos também pagaram o preço

O jaguar desceu a terra
Com grandes mordidas ele nos leva
E mais da metade de nós e nossos inimigos se foi
É o fim do nosso mundo, inicio de outro.


América para todos
Povo desta terra, peças de um jogo chamado América
Alguns encontram seu fim na ponta do florete,
outros no estampido do mosquete
Ou nem sentem o cheiro da pólvora do canhão

Pobres, negros, índios e mestiços,
Peças disputadas em um joguete entre a elite branca européia e crioula
Esperança da liberdade é sinônimo de oportunidades
Esperança em um rei que nunca verei
Até o ponto em que a realidade bate a porta sem avisar

Donos desta terra conquistada
Disputada com moradores mais antigos
Onde o poder esta na mão de poucos e o destino nas mãos de estrangeiros
Que tentam nos acorrentar até que a revolta estoure
pela consciência ou pela frequência do chicote que ultrapassa o limite

Viajantes em meio ao império das festas.

Esta é uma resenha produzida sobre o texto de Lilia Schwarcz - Viajantes em meio ao império das festas.

As interpretações dos viajantes do século XIX que se destinavam ao Brasil possuíam em sua bagagem uma cultura carregada pelos conceitos da época, conceitos de uma Europa Ocidental e branca ou Norte Americana também branca de onde vinham a maioria dos viajantes que deixaram seus relatos. Por tanto a estranheza e o preconceito não é algo inesperado. A estranheza dos estrangeiros parece fazer reflexo até hoje, onde muitos estrangeiros vêem o Brasil como uma terra de macacos, floresta e gente “incapaz”, tudo isso regado de preconceito racial e cultural.

As festas no Brasil eram comandadas pela realeza que ordenavam as festas do século XIX, tais festas ganhavam proporções populares e após iniciada a comemoração oficial, a parte popular iniciava o batuque, então o viajante poderia observar os festejos de forma diferente em cada camada social, observando uma cultura enriquecida pela mestiçagem Ibérica, Africana e Indígena, mas essa mistura não era agradável aos olhos do estrangeiro branco Ocidental, o processo de mestiçagem também não era visto com bons olhos pela elite Portuguesa ou Brasileira.

Para os viajantes, mesmo aqueles que eram destinados para o Brasil para analisar a fauna e a flora brasileira, as observações sobre a população eram marcantes como Spix & Martius que estiveram no Brasil entre 1817 e 1820, dois alemães que viam os divertimentos dos negros como extravagantes e promíscuos. O inglês Henry Koster que esteve em Recife em 1809 apreciou as mulheres dizendo que “é entre as mulheres de cor que pode fixar as mais belas, com mais vida e espírito, maior atividade de espírito e de corpo, mais adaptadas ao clima. As feições são boas, e a cor, mesmo quando é desagradável nos climas europeus, não parece mal nesse ambiente.” Talvez pela falta de mulheres brancas Henry Koster tenha despertado o fascínio pelas “mulheres de cor”, como ele mesmo disse. Já em outro período, Carl Seidler que esteve no Brasil em 1825, não compartilhava a idéia de Henry Koster, Carl considerava as mulheres sem virtude, todas “fáceis” e as cerimônias religiosas eram impregnadas de “vícios” e o mulato um “remendo da natureza”.

Outro caso que a autora nos apresenta é sobre a festa religiosa que Daniel Parish Kidder, um reverendo norte-americano metodista que esteve no Brasil entre 1836 e 1842, onde a autora salienta que o reverendo se constrangia com a escravidão e a falta de decoro na cerimônia, mas parece mais preocupado com os “africanos ignorantes” no meio dos festejos religiosos e a falta de decoro na cerimônia com senas imorais na visão do religioso.

“Soubemos que naquela ocasião é que se realizavam as maiores festividades religiosas do ano [...]. Se se tratasse de divertimentos para africanos ignorantes, seriam mais compreensíveis essas funções, mas, como parte de festejos religiosos celebrados em dia santificado e com a presença entusiástica de padres, monges e do povo, temos que confessar francamente que nos chocou bastante e teria sido melhor que não os tivéssemos presenciado. Uma das mais penosas impressões que colhemos foi ver famílias inteiras [...] admirando cenas que não só tocavam às raias do ridículo, mas, ainda , eram acentuadamente imorais – e dizer-se que tudo isso se fazia em nome da religião!” (Daniel Parish Kidder).

Em 1860 o príncipe Maximiliano de Habsburgo, primo de D. Pedro II, se demonstrou curioso com os trajes e atuações frenéticas dos negros na festa do Senhor do Bonfim na Bahia, mas também desagradado pela aproximação dos negros e mulatos com os brancos católicos, cujo príncipe achava desapropriado. Além das festas religiosas, as festas do Império como o aniversário de D. Pedro II ganhava as ruas e os gritos de milhares de mulatos e negros se juntava aos gritos de “Viva D. Pedro II”. O Imperador do Brasil passava em procissão com seu tutor ao lado esquerdo e o regente e opositor a direito como nos informa Seidler em 1835.

Na Bahia Kidder assistiu as comemorações do aniversario de D. Pedro II onde os presidentes das províncias seguiam o exemplo do Imperador com idênticas solenidades, mas sem as honrarias imperiais, no lugar de honra ficava um retrato do Imperador, além dos cortejos as festas duravam 3 dias, iniciando com sermões, no dia seguinte um baile oficial e no terceiro a exibição de fogos de artifício. Kidder esteve no Rio de Janeiro durante a cerimônia da coroação de D. Pedro II com comemorações que durariam 9 dias com grande pomposidade como foi considerada por Daniel Parish Kidder, no dia 7 de setembro em Recife, Kidder faz novas criticas as comemorações onde o viajante dizia que as comemorações não visavam a melhoria do espírito público, mas de serem vistos, ou seja não tinha nacionalismo e sim ostentação segundo Kidder.

As comemorações possuíam um calendário extenso com aniversários dos membros da nobreza, os festejos da elite branca ficavam na sua maioria dentro dos palácios e as ruas ficavam os negros e mulatos, a aproximação dessas realidades se davam nas procissões que tomavam as ruas como a procissão do Senhor do Bonfim, Spix & Martius tiveram a oportunidade de assistir as cavalhadas onde se encenavam combates entre mouros e cristãos, uma representação de São Jorge o padroeiro de Ilhéus ganhava destaque, após a encenação reuniam-se para um banquete e um baile com o “sensual lundu e o quase imoral batuque” segundo Spix & Martius, é claro que pelo andar dos festejos quem encenavam as cavalhadas eram os mulatos e negros.

Apesar das criticas os viajantes procuravam observar as festividades dos negros e mulatos e registrar suas observações e até mesmo participar como fez Koster, que participou do entrudo. Festividade praticada na segunda e terça-feira antes de cinzas, mas poderia começar uma semana antes, utilizavam água e pós para os cabelos para lançar uns nos outros e na falta utilizavam o que tinham a mão, pelos relatos de Koster parecia uma prática divertida. Com todas as visões de depreciação dos estrangeiros que passavam pelo Brasil com suas reprovações diante do modo das comemorações tanto da Elite branco com sua “pomposidade” ou dos escravos ou negros e mulatos libertos com sua “imoralidade” os viajantes jamais encontrariam um cenário igual ao do Brasil com tamanha diversidade cultural e mesmo que a sociedade do velho mundo do século XIX não aprovasse tal situação, muitos desses estrangeiros caiam as encantos dessa variedade e não deixavam de procurar vivenciar ou assistir essas manifestações.


BIBLIOGRAFIA
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Viajantes em meio ao império das festas. In IANCSO, István; KANTOR, Íris (orgs.). Festa: cultura e sociabilidade na América portuguesa. São aulo: Hucitc, São Paulo: Fapesp, 2001.