Eu estava lá, no início da reta...
Opiniões nem sempre pertinentes de um viciado em Fórmula 1. Por Fernando Lalli.




Michael Schumacher começou no automobilismo em 1989. O que ele fazia antes disso? Pouca gente sabe, mas ele já fez sucesso mundial com um grupo muito conhecido dos anos 80, o Tears For Fears.
[Texto escrito em 2004, na ocasião da memória dos 10 anos de morte de Senna.]

Não estou escrevendo sobre os últimos GPs aqui por falta de tempo [e saco] mas a corrida de ontem só comprovou o que eu andei dizendo para quem me conhece: se tem/tinha alguém pra disputar com o Schumacher é/seria Kimi Raikkonen e não Juan Pablo Montoya.
hockenheim 2003 - opinião do BOI
É "impsionante" esse tal de Ralfete Schumacher, o pederasta voador. Quando eu falei em "número da besta" para David Coulthard, por seu tempo de classificação em 1'10''666, mal sabia eu o que estava por vir. Vocês se lembram do Queixadinha decolando pra cima de Rubens Barrichello na largada da corrida da Austrália ano passado? É, o raio caiu de novo no mesmo lugar.
Ralf diz que "não entendeu como o acidente aconteceu". É, não há explicação. Talvez seja marra, birra, burrice, encolhimento cerebral ou algo do tipo. Ralfete é rei em fazer cagadas na largada - Mika Hakkinen agradece a tomada da coroa. Lembro novamente que o rapaz em questão já aprontou até pro irmão em Nurburgring, 1997. Tudo bem que se não ocorresse a batida e avaliarmos a corrida de Montoya e de Michael, Rubens não iria além do terceiro lugar. Essa história de pneu que ele contou não cola. Senão o Sr. Nunca-Fui-Ajudado tinha voado pra cima das Renaults logo de cara.
Michael que se cuide com o chumbo. Só ele e Juan Pablo dependem dos próprios resultados para ganhar o título - Raikkonen, o único sobrevivente na briga na "trinca da lambança", teria que ganhar as proximas quatro corridas e torcer para pelo menos um tropeço de Schumacher. O que não é nada difícil dada a maré que o alemão atravessa. Eu acompanhei a carreira inteira do cara e posso dizer sem remorso que nunca vi suas performances tão baixas. Em Nurburgring foi um tapinha na orelha que levou de Montoya, antes de rodar ridicularmente. Na Inglaterra demorou um ano para ultrapassar alguém, enquanto Barrichello tocava o horror na criançada. E hoje, depois de resolver passar Jarno Trulli a umas cinco voltas do final, teve seu pneu estourado e uma decepcionante sétima colocação. Sem falar que antes dessa parada, ele já estava um minuto atrás de Juan Pablo.
Cristiano Da Matta andou o tempo inteiro atrás, porém perto, do companheiro Panis e angariou mais uns pontinhos para a Toyota. Os japas estão evoluindo e a tendência é consolidarem-se como quinta equipe do circo até o final do ano. Não tivesse Panis freado para desviar-se da "trinca da lambança", viraria a primeira curva à frente pelo menos de Schumacher. Coulthard e Webber se embrenharam por ali na largada para ganhar as posições das Toyotas.
silverstone 2003 - opinião do edgard mello filho
Texto compulsoriamente emprestado do site Grande Prêmio
Até Mônaco (sic). Não foi assim que me despedi de vocês na última coluna? Pois é, e agora, vou escrever o quê? Lembro-me que no GP da Espanha, quando nos foi dito que Mônaco (sic) era ou seria a nossa grande esperança, e que Rubens andava muito bem lá e etc. e tal.
Eu só posso acreditar que a coisa devia estar muito ruim ali atrás do David. Se sábado a culpa foi do peso do combustível (com a palavra o alto comando estratégico, ou alguém achou que Kimi, Juan & cia. fossem classificar com combustível até a boca?), no domingo a culpa foi de quem, dos pneus? Na fila indiana a que assisti, o alemão vira e mexe apertava os dois da frente, chegava ou diminuía a diferença para os caras, então o pneu não era tão ruim assim, tanto que o japa da Bridgestone chiou, e com razão, se o nosso bicudo e pequeno Napoleão Todt disse para não se subestimar Kimi, eu completo com a seguinte lembrança, não subestime o pessoal da Bridgestone, se tem uma coisa que eles sabem fazer é pneu. Tanto pegou mal, que o alemão rapidinho mudou o discurso, para “Veja bem, o alinhamento de Plutão com Marte na segunda casa de Netuno, em função da segmentação dos anéis de Saturno, obrigou uma dispersão ergonômica do fluxograma perimetral estacionário, criando um desbalanceamento na estrutura de apoio axial do carro” (sic). As más línguas dizem que Montezemolo estaria viajando urgente para o Japão, a fim de aparar as arestas das desculpas meia boca que foram dadas. Muito bem, e Rubens, a culpa foi de quem?
Que Kimi no final tivesse se conformado e aceitado o segundo lugar é sinal de maturidade dele, sem dúvida, isso lhe deu mais um pouquinho de gás na liderança do campeonato, além de evitar um enrosco desnecessário com Juan, que poderia perfeitamente jogar a vitória no colo do alemão. Agora lá trás, oitavo e tudo bem? Sei não, acho que íamos ficar mais satisfeitos se tivesse tentado passar David, Jarno & cia. Mesmo batendo. Por oito, por oitenta. Como sempre, falar do sofá é bem mais fácil.
O alemão fez o que pôde, para ele o feijão com arroz, as declarações de que teve algumas dificuldades de equilibrar o carro principalmente no segundo e terceiro trecho de Mônaco (sic) dão força a alguns comentários que ouvi de que a F2003-GA não é tudo isso que a Ferrari falou. O segundo a mais em média que eles levaram para abastecer em Monte Carlo em relação aos inimigos já indica que o motor bebeu bem mais que os outros, justificando o peso a mais na classificação de sábado, isso para atender a tática definida pela equipe.
zeltweg 2003 - opinião do BOI
A número sessenta e sete. E a sequência não vai parar tão cedo. Michael Schumacher ensina aos céticos a difença entre bons pilotos e os pilotos que são realmente foda. Os realmente foda têm sangue frio. Imagine que você esteja reabastecendo seu carro e que de repente comece a pegar fogo no bocal do tanque. Qual é a sua primeira reação? Correr para onde o nariz estiver apontado, certo? O alemão não fez isso. Esperou que apagassem o fogo, engatou a primeira e foi pra luta como se nada tivesse acontecido. Senhoras e senhores, é ESSE o maldito diferencial do Pia Barroca pro resto, o sangue frio, o cérebro. O staff extra-pista é um detalhe.
Então Rubens Barrichello ficou atrás de Raikkonen durante 22 voltas, antes do primeiro pit, com um carro bem mais rápido. E no fim da corrida veio tirando 1 segundo por volta, encostou, ficou seis voltas furunfando mas não conseguiu passar. "Mas BOI, você não disse que o cara era um dos melhores 'ultrapassadores' da F-1?" Sim, eu disse. Mas lá no carro do Raikkonen tem um negocinho chamado de motor Mercedes, que tem uma curva de potência fudida. Nosso amigo finlandês tem um carro com uma retomada que não é brincadeira, isso é fato. "Ah, mas o Schumacher passou". Sim, ele passou. Passou de pneu novo [e MOLE] e carro mais leve - ele parou bem antes do resto na segunda parada devido aos acontecimentos de seu primeiro pit.
Primeiro aporta Barrichello com a vermelhinha nº2 no pit. Engata a bagaça e não sai uma gota de combustível. Vai lá, corre pra bomba reserva e põe a gasolina. Perde-se 19 segundos. Depois entra Schumacher. Atraca. Pneus. Engata a mangueira. Então uma pequena labareda diz "Oi!" para o nosso frentista de luxo. Correria e pânico geral. Mecânicos correndo para todos os lados. Extintores de incêndio surgem de todas as partes e Schumacher lá dentro do carro pensando "Apaga logo essa porra que o colombiano vem vindo". O alemão engata a primeira e sai em terceiro, à caça de Montoya e Raikkonen.