Mostrar mensagens com a etiqueta deficientes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta deficientes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um homem de muito valor

No blog Só imagens aparecem fotografias de grupos de amigos, sem legendas, sem nomes, respeitando a privacidade de quem não tem objectivos de publicidade nem de granjear votos. Apesar disso merece ser destacada uma pessoa excepcional que, por sua iniciativa, quis participar no encontro da recente Terça-feira acompanhado pelo seu incondicional amigo Vinagre, o que honrou todos os presentes. Quanto à sua identidade e ao seu valor moral e cultural, à sua tenacidade e força de vontade, remeto os interessados para os posts Mais um caso exemplar, A modéstia potencia o valor das pessoas e Um deficiente vencedor. Esta foto mostra os dois que também constam de outras fotos. E não digo mais, mas creio que os títulos dos três posts linkados não deixarão indiferentes os meus amigos.

Ler mais...

sábado, 29 de novembro de 2008

Ex-combatente deficiente em greve de fome

João Gonçalves era um jovem válido, escorreito, com perspectivas de organizar uma actividade produtiva para garantir uma vida digna á sua família, mas o Governo decidiu mobilizá-lo para a guerra e veio de lá deficiente. Seria de esperar que o Estado, como pessoa de bem que ele julgava que fosse, lhe garantisse, no mínimo, os tratamentos médicos e medicamentosos e uma pensão que lhe permitisse ir sobrevivendo. Mas, como ele, há muitos e alguns em piores circunstâncias dada a gravidade da deficiência.

Com a generosidade com que arriscou a vida pela Pátria em África, não hesitou em agora aceitar ser presidente da delegação de Viseu da Associação de Deficientes das Forças Armadas (ADFA), o que muito o tem traumatizado ao enfrentar o sofrimento dos seus camaradas e perante a insensibilidade dos políticos e a desonestidade governamental com que os deficientes estão a ser tratados desde há poucos anos.

Para os 800 militares deficientes do distrito de Viseu que combateram em África, Timor e Índia e que têm visto reduzidos os seus direitos ao apoio estatal, da sua entidade patronal quando foram acidentados, a situação agravou-se com o encerramento do Hospital Militar de Coimbra, o que obriga os deficientes a recorrerem às unidades de saúde militar de Lisboa e do Porto, com o respectivo agravamento de custos.

O João Gonçalves anda "há anos a lutar pelos direitos dos militares que serviram a Pátria e que hoje têm uma mão cheia de nada". O ex-combatente está "indignado com as últimas leis aprovadas pelo Governo que nos retirou os poucos direitos que tínhamos". Chegou a uma situação de desespero que o levou a iniciar ontem uma greve de fome que promete ir até "às últimas consequências. Se for preciso morrer, que seja, mas não aguento mais tanto sofrimento. Todos os dias vêm aqui ex-militares pedir ajuda que não podemos dar". Para quem arriscou a vida na guerra colonial, esta decisão é para levar a sério. E é de esperar que outros decidam juntar-se a ele. Quanto maior for o número de mártires assumidos, maior será a probabilidade de a Comunicação Social interna e externa fazer eco das injustiças de que estão a ser vítimas e de os governantes sentirem a gravidae desta situação.

Eles já não acreditam no lema «HONRAI A PÁTRIA QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA» com que lhes encheram, os ouvidos na sua preparação para a guerra. Eles sentem na pele que as recentes alterações introduzidas na lei que regulamenta a assistência na saúde aos militares das Forças Armadas fizeram com que os militares deixem de ser assistidos nos hospitais civis. "Antes, os ex-combatentes e antigos militares podiam ir ao hospital da sua área de residência porque eram abrangidos pela assistência de saúde a que os militares têm direito. Neste momento, só temos direito a essa assistência nos hospitais militares de Porto e Lisboa porque entretanto encerrou o de Coimbra". O monetarismo do actual Governo esqueceu compromissos perante aqueles que tudo arriscaram por Portugal. É uma questão de HONRA que está longe de ser compreendida pelos governantes.

Outra reivindicação prende-se com a actualização das pensões dos deficientes das Forças Armadas que "deixou de ser igual ao salário mínimo para passar a ser idêntico ao indexante de apoio social". Na prática "a pensão baixou-nos de 426 para 407 euros" revela o presidente. Como é possível compreender esta ingratidão e insensibilidade dos representantes do Estado?

João Gonçalves promete "ficar na delegação de Viseu da ADFA até morrer ou até que nos encontrem uma solução justa para o nosso problema", afirma. E será lógico que os seus camaradas não o deixem sozinho nesta prova de humanidade e de solidariedade e se juntem a ele numa manifestação de camaradagem, dignidade e sensibilidade, pondo à prova as qualidades que evidenciaram durante a guerra a que o Governo os obrigou.

Ver notícia aqui.

Ler mais...

domingo, 8 de junho de 2008

Militares vítimas da guerra decidida por políticos

Segundo o DN, um estudo publicado na revista Time desta semana revela que o recurso a antidepressivos e anti-ansiolíticos está a aumentar entre os militares americanos, no Iraque e no Afeganistão.

Na grande investigação levada a cabo sobre tema, é considerado que o uso em quantidades crescentes a ritmo galopantes de antidepressivos deve-se à necessidade de "acalmar os nervos e a tensão acumulada por várias e cada vez mais longas comissões de serviço", naqueles dois teatros.

É preocupante o facto destes níveis de consumo se verificarem "entre pessoas jovens e saudáveis" que, antes de se alistarem, foram sujeitas a todo um conjunto de testes "para determinarem a sua propensão para desequilíbrios e outros problemas mentais".

O aumento do uso deste tipo de medicamentos indica a existência de uma situação de tensão de longa duração, que é gerida em termos psicológicos de forma mais débil por militares com pouca formação e treino inadequado para as situações de combate. Com efeito, a maioria dos soldados nas duas frentes de combate - que colocam problemas tácticos complexos e grandes desafios psicológicos - é bastante jovem e sai directamente da formação para o terreno.

O estudo do Pentágono, citado na Time, indica que do total de efectivos sujeito ao stress do combate, 70% recupera sem dificuldades; 20% irá sofrer stress transitório e 10% será afectado por problemas crónicos. Realmente, A GUERRA NÃO É UMA PERA DOCE.

E nós, por cá?
Enquanto os soldados americanos são voluntários e sujeitos a rigorosos testes de selecção, a uma preparação de bom nível, utilizam em combate os melhores equipamentos e dispõem de óptimas instalações nos aquartelamentos, os nossos ex-combatentes eram do Serviço Militar OBRIGATÓRIO, sem selecção digna desse nome, com uma preparação rudimentar e eram mobilizados por compulsão, indo utilizar equipamentos rudimentares e instalações sem a mínima comodidade.

Assistimos assim a preocupações dos americanos com os seus soldados enquanto por cá, os ex-combatentes vêm a cada passo ser reduzido o apoio que mereceram e que lhes foi prometido. O slogan «Honrai a Pátria que a Pátria vos recompensa» acabou por ser uma mentira que lhes foi lançada como isco para lhes captar toda a generosidade e dedicação, de que agora os políticos fazem troça. Políticos que na maioria não foram submetidos a tais sacrifícios, uns porque desertaram, outros porque não foram mobilizados por cunhas (corrupção).

Sobre o tema, já aqui foram publicados os posts

- Ex-combatentes desprezados
- Sinais da área militar - 4
- Apelo ao General Chito Rodrigues
- Militares vistos por um civil
- Dia do Combatente - 2008
- Portugal precisa de Forças Armadas?
- Porquê tanto aversão aos militares?
- Comissão de Militares promete mais luta
- Insatisfação entre os militares
- Soldados insatisfeitos com o Governo
- Militares. cidadãos ou escravos?
- Os Políticos e os Militares

Ler mais...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ex-combatentes desprezados

Todos nós temos na família, mais ou menos próxima, ex-combatentes que foram obrigados a tomar parte numa guerra e da qual vieram com sequelas várias, algumas impeditivas de uma vida autónoma.

Foram arrastados para «a defesa do território nacional», e mentalizados com o slogan «honrai a Pátria que a Pátria vos contempla». Mas a Pátria, pela mão dos seus maus representantes, não só não os contempla como os tem esquecido, desprezado. Esse desprezo para quem tudo arriscou, muitos lá perderam a vida, contrasta com a acumulação de subsídios de políticos parasitas e de muita gente que nada produziu nem para o País nem para a vida económica nacional.

O tema foi ontem focado pelo «Público» no artigo de Paula Torres de Carvalho e pelo jornal gratuito «Global-Notícias» no editorial de Silva Pires, em que se referia que «o provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, manifestou ao ministro da Defesa Nacional a sua preocupação quanto à existência de atrasos que considerou "excessivos" e "injustificados" na tramitação de processos de invalidez de ex-combatentes e de qualificação como deficientes das Forças Armadas».

Tasso de Figueiredo, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) disse que a situação é "inqualificável", e saudou a iniciativa do provedor.

O gabinete de Nascimento Rodrigues explicou que, na sequência da apreciação das queixas de ex-combatentes, se apurou que "os atrasos ficam a dever-se à excessiva demora na marcação e realização de juntas hospitalares de inspecção e na elaboração de pareceres pela Comissão Permanente de Informações e Pareceres da Direcção dos Serviços de Saúde, que atinge um atraso médio de cerca de três anos".

Apesar de a guerra ter terminado já há 34 anos, esta questão tem vindo ser arrastada e já tinha sido colocada ao anterior ministro da Defesa que suscitou um parecer da Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, determinando a necessidade de realizar uma "revisão do percurso dos processos de reconhecimento de invalidez ou da qualificação como deficiente das Forças Armadas (DFA), ponderando a efectiva necessidade de intervenção de determinadas entidades do Exército".

Agora, na sua nota, o provedor salienta que ainda não são conhecidas as conclusões da criação de um grupo de trabalho pelo actual Governo, incumbido de estudar e reformar o sistema de saúde militar até ao fim de 2006. Continua assim sem se saber que medidas serão tomadas quanto aos atrasos relativos aos processos de invalidez ou qualificação como deficientes das Forças Armadas.

Esses atrasos "são fortemente penalizadores dos interesses legítimos dos cidadãos afectados, constituindo uma violação grave dos seus direitos", considera o provedor: "Num determinado contexto histórico e político, o Estado exigiu a estes cidadãos o exercício do serviço militar num teatro de guerra, física e psicologicamente, violento. Hoje, o Estado de Direito democrático deve-lhes o respeito pelos seus mais elementares direitos, ou seja, deve avaliar e decidir, com rigor e celeridade, a respectiva situação jurídica e, nos casos que se mostrem devidos, a recompensa de uma adequada protecção social."

Os atrasos são "fortemente penalizadores dos interesses legítimos" dos ex-combatentes, diz Nascimento Rodrigues. E pode suspeitar-se que os adiamentos são intencionais, esperando, o Poder, que eles vão morrendo e aliviando o Estado de tal encargo! Imoralidade, falta de honradez e de sentido de Estado.

Agora, que terminaram com o serviço militar obrigatório (SMO), e que os militares, em contrato voluntário, estão ser enviados para missões de perigo, no estrangeiro, irá levantar-se o problema de os jovens de hoje se consciencializarem do desprezo que a Pátria votou aos seus pais e avós, projectem em si as mesmas «recompensas» e comecem a deixar de ser voluntários para tais missões que poderão lançá-los na miséria para o resto da vida. O que farão então os nossos iluminados políticos?

Ler mais...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sinais da área militar - 4

Transcrição de artigo do PÚBLICO que constitui mais um sinal de descontentamento dos militares

Deficientes das Forças Armadas protestam na AR
Público. 14.05.2008,
Daniela Gouveia

Membros da Associação de Deficientes das Forças Armadas (ADFA) manifestam-se hoje frente à Assembleia da República para alertar o Governo sobre os problemas da assistência médica aos militares.
No dia em que celebra 34 anos de existência, uma das principais reivindicações da ADFA prende-se com o corte dos medicamentos gratuitos nas farmácias, em vigor desde o início de 2006.
José Arruda reuniu-se na segunda-feira com o secretário de Estado da Defesa, João Mira Gomes, mas "as respostas à mudança do decreto-lei foram negativas".
O presidente da ADFA, José Arruda, disse que a associação está "em pé de guerra" com o sucessivo adiamento das respostas do Executivo a este problema e à resolução dos processos médicos, para que os deficientes militares possam ser assistidos nos hospitais civis.
A concentração está marcada para as 14h30, ao Largo da Estrela. E a chegada ao Parlamento deverá ocorrer às 16h00.

Ler mais...

terça-feira, 15 de maio de 2007

Atitude ética e patriótica de um político

Na sequência de notícia de ontem, em que se anunciava a reivindicação da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), aproveitando a visibilidade concedida pela Presidência portuguesa da EU, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, com a sua já conhecida clarividência, alertou o Governo para a necessidade de dar prioridade ao apoio aos deficientes militares.

Segundo este respeitável político e ex-ministro da Defesa, "é uma obrigação do Estado, acima de qualquer outra" desenvolver políticas de apoio aos que, no "cumprimento das suas obrigações militares", ficaram com deficiências físicas e psicológicas para toda a vida, como declarou no 33.º aniversário da ADFA em Lisboa.

Importa ter "a noção clara de que se está verdadeiramente perante a excepção das excepções", insistiu Jaime Gama. "Sabendo que há reestruturações em curso, que os recursos financeiros são escassos, temos que ter noções claras sobre os princípios, prioridades e hierarquias" das políticas a definir e aplicar pelo Estado em matéria de solidariedade social, salientando a prioridade que o apoio aos deficientes militares deve ter sobre as próprias pensões de sangue ou sobrevivência.

"Há um dever de reparação a quem, por dever, sofreu essas incapacidades" físicas e psicológicas, além de que os veteranos de guerra "não querem um tratamento de privilégio, mas de igualdade, de repor a igualdade" de quem ficou marcado para sempre ao serviço do país, referiu ainda Jaime Gama, colocando ao nível do Estado um tema que nos últimos anos tem servido de bandeira político-partidária (nomeadamente pelo CDS/PP de Paulo Portas). "Portugal não vos esquecerá, o vosso exemplo é um exemplo de grande dignidade", garantiu o presidente do Parlamento a algumas dezenas de sócios da ADFA e perante chefes militares, deputados e membros do Governo.

Ao elogiar o papel moderado da ADFA enquanto "interlocutor válido" do poder político, Jaime Gama procurou marginalizar também as posições mais radicais de estruturas - como a Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra - que há um mês anunciou protestos públicos durante a presidência portuguesa da UE, para "mostrar à opinião pública europeia o desprezo dos governantes pelos antigos combatentes".

Esta posição do Presidente do Parlamento mostra estar esclarecido de quanto este assunto é importante para a dedicação e o entusiasmo daqueles que o Governo tem enviado para missões arriscadas no estrangeiro, com uma missão que não é a defesa de Portugal como o foi a da guerra em África, mas é a imagem do País defendida de forma mais arriscada e diferente dos diplomatas cuja arma é um copo numa mão e um croquete na outra. Esses militares, em Kandahar e outros teatros de conflito, devem sentir com fundamento que terão adequado apoio se algo de grave lhes acontecer.

Ler mais...