segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

O processo

Talvez tenha sido agora, neste ponto, veja. Creio que agora sim, aconteceu. Portanto, daqui em diante: outro. Será que sim? Creio que sim, o processo chegou ao fim. Não! O processo é tudo isso aí, ai meu Deus... Me perdi nele, o processo se perdeu em mim. A culpa foi minha, mas o processo me livrou da culpa, logo, culpa não há mais neste processo de perder-me dele próprio. Venha então! Te dou-me as mãos, os pés, todo o resto, que faz parte desse meio-durante o que eu sou. Vale a loucura: de fato não começa nem termina. Exceto, talvez, a não ser... neste ponto, este agora, em que eu vejo (é claro!): algo terminou. Sim. Terminou, sim. 

Ou...
Ou será que...

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Razões para desistir

Aquele lugar onde NADA NADA nasce. Despossua-o. Foda-se, você grita pela janela, porque é mesmo essa faca repartindo o vento em vários. Apenas perder, perder como se perde tudo, inevitavelmente. Quem diria o contrário? Se é absolutamente o que há: coisinhas a se perder ao longo do caminho. Tem que ser.

Aquele drama infindável, sem o qual você não teria como justificar o fracasso de viver e não ter feito tudo o que tanto quis. Perca-o. É inevitável mesmo. Todos sabem, nenhum mistério. Do budismo ao bêbado, todos sabem. Pra que fingir surpresa?

Então, o que resta? Então resta todo o resto, que é sempre uma próxima cena, com novos personagens, em um dia que não foi desenhado pelo assombro do indomável demente que declama o mais podre poema numa paupérrima cabeça insone.

Chega disso! Já te disse. Lá vem! Abandone o abandonado que grita miúdo, mirrado, seus mimimis infinitos dentro do peito, com medo de morrer. Sinta-se. 

Nós, no Olimpo, duvidamos que pode dar errado. O amor, o verdadeiro, o vital, NUNCA VAI DAR ERRADO.

terça-feira, 29 de julho de 2025

sonhar além de nós

Julho no cerrado sempre tem uma ventania matinal tão saudosa. Tá rolando uma obra ao lado da minha casa e os pedreiros intercalam fofocas e rádio enquanto pego esse sol. Intervalos de barulho e agonia física preenchem este mês de férias sem férias que me deixa sedenta por mudança, fugi pras colinas, mas a saudade do frenesi me lambe a espinha vira e mexe. 




terça-feira, 4 de março de 2025

Varrendo o quintal no carnaval

Feliz ano novo, minha linda raiz, que a Terra nos permita ainda muitos mais sem dó. Ainda quero ver muitos paus à torar. "death or love toniiiiiiiiiight"



domingo, 29 de dezembro de 2024

A aventura de viver

Mais doce que o doce da batata doce, aquele momento turvo e eterno, no meio da bebedeira, em que Deus está aqui, Ele está.

A aventura.

Um menino saltita
Subindo a ladeira
No amanhecer

É um homem
E aí está a graça.

Não faz sentido não ter esse tempero do capeta, se é ele que abre o caminho oculto, bloqueado pelo medo do foi-se. Ah! Os traumas! Ah! O futuro periclitante! O futuuuuuuuuuuro uuuuuuu uuuuuuu uivando por baixo da porta na noite fria. 

Nada disso tem vez naquele momento lindo com Deus em que Milton Nascimento canta "e lá se vai mais um dia" e você bebe a vigésima quarta latinha, com a certeza de que é um bom menino, já sendo um homem. Que delícia essa ingenuidade tosca e mansa, essa humildade tão profunda, na superfície da experiência. Humildade de ser o que se é... a selva de pedra diante dos olhos: milhares de janelas. Dentro de cada uma, várias bundas dormem. 

Sendo assim: quem somos nós? Admiro-me com a inédita pergunta! Nós somos essas sensações dentro de nós. E essas sensações só NOS ACONTECEM quando somos aventureiros

nem que seja, por alguns minutos.


FELIZ ANO NOVO, minha querida raiz.
Estamos aqui, a Terra nos deixou ficar mais um pouco. Viva!