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Tarte de figos e amêndoas no «Crisp»

Lá na Serra, aquando de férias em Setembro, meu tio Manuel que estava de férias veio fazer-nos uma visita. Na mão, um cesto de figuinhos, redondos, dulcíssimos de aparência, porque já os conheço doutros Verões. São da figueira dele, nas Ladeiras. Tantos!?, observei. Porque só eu é que os como e como e como. Os meus lá de casa, tiram um e ficam logo aflitos por causa das «placas» ;).
Não consegui degustá-los todos e antes que começassem a melar, resolvi transformá-los em tarte. Faltavam-me duas coisitas e comprei-as - uma embalagem de massa folhada e amêndoas em fatiadas no Mini-Preço de Góis. O resto tinha em casa. Alguma coisa deveria sair desta invenção.
Fiz assim: Sobre o prato crisp do micro-ondas, fui desenrolando o rolo da massa folhada, devagar (sem retirar o papel manteiga que a mesma trás) e acertei as pontas com uma tesoura dando-lhe a forma redonda da fôrma. Piquei a massa com um garfo, bem picadinha. Reservei.
Peguei 1 a 1 os figos e passei-os com cuidado por um fio de água da torneira, girando-os entre os dedos para retirar o máximo de pó. Depois passei-os por papel de cozinha para os secar. Comecei a forrar o fundo da fôrma com os figuinhos, aos quais dei um corte em x, para abrirem, conforme mostra a foto.
Salpiquei alguma canela, um pouquinho de cardamomo em pó e as amêndoas fatiadas.
Levei a fôrma à função Crisp do micro-ondas cerca de 30 minutos. Não chegou a arrefecer, mesmo morna, parti uma fatia. Bem. Não é que ficou mesmo boa?
Experimentem mesmo em forno convencional, o tempo é o de cozer a masa folhada porque para os figos é um calor e já está. Bom apetite.

Cherne no Crisp

O meu aparelho Micro-ondas tem um prato dourador que é para ser usado na função Crisp (função de cozer -microondas - e tostar - crisp, ao mesmo tempo). Para duas pessoas (eu e marido) utilizo muito esta função deste aparelho. Os alimentos são cozinhados muito rápidos e fica um prato mais saudável por levar menos sal. Lembrei-me de fotografar a última. Foi de peixe e ficou tipo assado. Ficam as fotos e a receita. Com este peixe, nesta quantidade, dá para 3 pessoas.

Duas postas de cherne, da barriga, grandes, com 1 dedo de altura, descamadas e salpicadas com um pouco de sal marinho. Reservei durante meia hora. Depois passei-o por água e enxuguei-o.
Numa taça, para temperar, juntei batatas cortadas em cubinhos de 1cm, cebolinhas em meias-luas, cenouras em tirinhas e alhos em lamelas. Sobre eles salpiquei sal, (menos que o costume), salsa picadinha, duas folhas de louro cortadas ao meio, moí pimenta preta, reguei com um fio de azeite e um fio de vinho branco. Misturei bem e reservei.
O prato dourador foi untado de azeite. Coloquei as postas do cherne no meio do dito. Fui distribuindo os legumes à volta. Também coloquei um tomate de cacho grandinho, maduro, rijo, sem sementes, polvilhado de sal e bem regado com um fio de azeite que se alargou a todo o conjunto.
Levei ao forno por 15 minutos, na função Crisp. De seguida mais 10 minutos. Deixei dentro do forno o tempo de pôr a mesa. Depois foi só degustar.
Lembrei-me de mais uma coisinha: um Poema que esteve muito na moda, aqui há meia dúzia de anos.

SIGAMOS O CHERNE
Sigamos o cherne, minha Amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria…

Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traídoPeixe recalcado…

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa…

Poema de autoria de Alexandre O´Neill (1924-1986), de que falou muito nas eleições legislativas de 2002. Leiam-no agora, a esta distância respeitável e, da leitura, recordem as lições que vos apetecer.