MOSTRANDO

SÓ PARA LEMBRAR, QUE ALGUMAS VEZES ESTOU POSTANDO NOS OUTROS ESPAÇOS DO SÍTIO, DAQUI. OU ESTOU ISOLADA EM ALGUM SÍTIO DE CÁ, FORA DO MUNDO BLOGAL.


Tenho postado AQUI ou AQUI

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Minha LINHA DO TEMPO - parte I



Para compensar   a falta de afeto  e carinhos maternais na minha infância, e estudando em colégio católico, tornei-me fiel e fervorosa fanática de Maria, a Mãe de Jesus, que me era apresentada como Mãe de Todos . Pouco antes de tornar-me adulta -  naqueles tempos não havia a tal adolescência, numa espécie de rito de passagem, onde pelo direito ao uso de certos símbolos, como por exemplo sapatos de salto alto ou maquiagem, por volta dos 15  anos éramos incluídas no universo adulto -  ciente de que não importava o quanto eu rezasse ou bajulasse  essa Mãe, como a outra, ela não se importava.  Não atendia minhas necessidades de carinho, e , observando o estado de abandono, muito pior do que o meu e de meu irmão, da grande parte dos filhos da terra, assim como a enorme e abissal distância que havia entre as palavras , os discursos dos pregadores, e suas práticas absolutamente afastadas da caridade e do Amor ao próximo, converti-me ao materialismo dialético marxista,  com uma certa tolerância  e curiosidade quanto à Teologia da Libertação. Escondendo minhas convicções em plenos "anos de chumbo" , cresci, namorei um líder estudantil, casei, ele era namorador e pelego, descasei, casei de novo e tive filhos, e ele era malandro,  namorador e mentiroso. Descasei de novo. Só, como sempre, com 4 filhos para criar e uma profissão que amava, mesmo não exercendo a especialidade escolhida, por pressão de preconceitos e necessidade financeira.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Felicidade

Fui dormir em meu quarto que não tem casa, no meio da mata que amo.  Meses que não ia. Chegando quase meia noite, o que é totalmente contra-indicado, num quarto entre paredes, sem habitante há meses, chegar à noite. Fazer o que, as vezes a vida, as circunstancias, nos colocam dilemas assim. A fechadura estava emperrada, Tento, 10, 15 minutos, finalmente abre. Ufa !  Interruptor  ao lado da porta, click...nada. clickclickclick, nada, procuro o do banheiro - é meu quarto na mata tem banheiro e luz elétrica, total, dez metros quadrados...click, nada, sem luz. Contas em debito automático, desço, examino o relógio-marcador-medidor, movendo-me entre o negrume da noite, com uma lanterninha que usava para examinar gargantas e reflexos oculares quando trabalhava; examino o poste, com o flash da minha velha e humilde Sony,varias fotos, olho no visor,  tudo parece no lugar .Escuto forte um TUM - TUM  - TUM, como pegadas de alguém correndo nas trilhas por onde subi. Medo. Não, medinho. Percebo, então, que se tratava apenas do meu coração, audível em tamanho silencio. Percorro com o facho de luz da lanterna, o piso, as paredes, e vejo, como quase sempre quando chego lá, uma aranha, dessas pernudas, sem teia, que dizem que se deve temer, lá, ao lado da cama.  Habitualmente, de dia, ponho roupas, livros e objetos para fora  e com delicadeza varro o animal , companhia indesejada, para bem longe, na mata. Eventualmente, amasso mesmo. Ora, trata-se do meu espaço, para elas existem muitos e muitos espaços mais. Mas impossivel toda essa manobra no escuro, com uma das mãos ocupada segurando a mini-lanterna que nem sei quanto tempo permanecerá acesa. E a danadinha, esperta que só ela, protegia-se atras de um icone de Buda, que ali fica para lembrar-me, e às raras visitas,  do respeito que se deve a todas as formas de vida. Matar uma aranha sobre a cabeça de Buda ?


Tranquei a porta, empenada, para conseguir precisei dar algumas marteladas nas dobradiças, fui dormir mesmo no quartomóvel. Frio em Petrópolis ?  Estou há 400 mts acima do nivel da cidade, que está a 890mts do nível do mar, deveria ser muito frio.  Dormi  5 hs direto, um dos meus records de sono continuo. Um conforto delicioso. Acordo antes do amanhecer e tenho o privilegio, mais uma vez, de presenciar os contornos das montanhas que me cercam, marcando-se ante a luminosidade que surge. Sem sair do saco de dormir, no bem quentinho, e sem insetos  ( Que bicho-da-mata- sou eu ?  Uma fraude!). Os passarinhos  todos em sinfonia, a cascata em frente, com seu rumorejar apelativo. fica-fica-fica...Saio antes do sol, ele mesmo, se mostrar. Aqui, neste vale profundo apesar da altitude, ele só dá as caras um tanto mais tarde, e preciso resolver muitas coisas, de onde estou ao centro da cidade, pelo menos uma hora. Dessa cidade até onde moram meus cães velhinhos, mais tres hs.
 Mas tudo vale a pena.
Na descida, o sol começa  a reluzir nas montanhas, lá longe, Maria Comprida, quase sempre parcialmente encoberta por seu chapéu de nuvens, neste dia, mais do que um chapéu, mostrava um xale.


E  já no asfalto, na tal  civilização, olho para  onde eu estava, bem lá no alto, aos pés desse pico lá atras, ao pés do Alcobaça. Nem gosto mais de ir, porque detesto ter que não ficar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SAIA JUSTA

Um dia desses, nessas listas que deram para atravancar o facebook, ou num e-mail desses meio que spam, interessantezinho, dizia-se que não se deve usar a desculpa da idade para tudo e qualquer coisa. Então, não uso, é mesmo culpa de como sou  e não sei ainda dizer o que não penso, não sou educada, não tenho modos.
Ganhei um presente. Não, não é daqueles que ganhei no meu recente aniversario de mais uma década completa, mas este, vindo de quem vem , me envaidece. Só que... Ahá, viram, não usei o  "mas "  de sempre, já que quase sempre tenho restrições a tudo e ainda não aprendi a ficar calada. Como meu irmão de fantasia, o Urtigão, que dispara tiros contra tudo, todos que lhe incomodam, eu disparo palavras , depois mesmo arrependida (?)  não as posso recolher, não voltam mesmo. Retomando, só que fiquei sem palavras. Ganhar uma obra de arte é um privilégio. Eu, que bicho-mesmo-do-mato-e-da-mata tenho dificuldade em entender arte e vejo tudo, é óbvio,  a partir das minhas limitações, um pragmatismo narcísico.  Então vejo a  inter[in]venção do TONHO, que me chega por e-mail sobre uma antiga foto minha e penso - Caraca, eu tenho medo de cruz. Não consigo associá-la à espiritualidade, mas a maldade humana. Instrumento de tortura e dor. Brandida para atemorizar os pequeninos e frágeis, ferramenta para oprimir, fazer sofrer,  amedrontar, apontando com ameaças de inferno eterno para pessoas como eu . Ainda, aposta a uma sombra de minha imagem, de saias largas, como são as que uso. E acompanhada das palavras "são seus pensamentos....sãos"  eu, que não tenho sãos pensamentos, tenho-os vãos, tontos, perdidos,  e fiquei matutando, até finalmente quase conseguir separar arte do real. Mas sinto-me agora aprisionada por aqueles elos corrente de rosário finalizada pela cruz.


Sim, sim, a composição ficou muutoligall , não tenho que me martirizar por isso, imagem adequada.

Só que tenho tanto medo da cruz quanto daqueles ícones que mostram Jesus e Maria de coração para fora, sempre penso em algum estripador, eviscerador. Violência e morte, Inquisição,  não consigo associa-las a Amor.  E detesto " beijo no coração".

TONHO, leva a mal, não, estamos nos conhecendo agora, embora eu tenha ido algumas vezes nestes anos ao   6vqcoisa   calada, em geral, como quase sempre são minhas visitas,  mesmo com esse  treinamento ( parece que ineficaz)  em me expor  e tornar-me um ser social - socialmente de longe, protegida pelo DELETE

quinta-feira, 3 de maio de 2012

informação nova

 Não, eu não desisti, não. Meu maior defeito, ou qualidade, talvez seja a teimosia. Mais do que perseverança.
Além das dificuldades usuais, que não canso de repetir, os mosquitos por todo lado, o mosquiteiro me incomoda também, o pcfrankestinho detonando-se a cada dia, estou com os meninos aqui, enquanto seus pais viajam a trabalho e isso me toma todo o tempo, aliás, deixa todo o tempo insuficiente. Dificuldade feliz.
 Informação nova é isso ?  Lógico que não, isto é para lá de requentado, é que conforme digo, as vezes ando por outros lados e hoje postei   AQUI.   Um dia desses foi  a Velhinha Veloz, e o viciante FB, enquanto não me incluírem compulsoriamente na tal linha do tempo. Nunca fui de andar na linha e não será naquela, mesmo gostando de bater papo  e "rever" antigos amigos. E aqui ando ainda com dificuldades para me situar no tal novo blogger, que os "donos" afirmam ser mais fácil, mas que faz uma velha, tal como um velho cão, ter dificuldades em reconhecer e aplicar truques novos. Com pressa e depressa, não acho os ícones que preciso clicar e como sempre tive uma certa dificuldade em reconhecer símbolos, estou  engatinhando novamente, logo agora que aprendera a andar..

Essa dificuldade em reconhecer ícones, já me deixou em situações esdruxulas, como ao assistir a um concerto, na chic  sala São Paulo, ao final entre os aplausos, corro ao toilete, sacumé, véia tem urgências miccionais, entro na "casinha"  e ao sair vejo um homem de pé apoiado à parede em frente... Eu estava no reservado errado... ( Acho que já contei essa  e seu desfecho)

Essas fotos que faço ao estilo Velhinha Veloz, sempre tem um poste, um tronco de árvore, uma gente, ou fios na cena. Eu poderia usar photoshop(?)  mas me sinto mentindo, como se a foto deixasse de ser autentica. Sempre digo que vou parar para fotografar, mas sempre será na próxima, pois dessa estou com pressa de chegar.  Lá, ou cá. Seja onde for.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Jogando a toalha



Há  já  alguns  dias  venho  iniciando  e  desistindo  dessa postagem.  Hoje  ao  sentar-me  frente á máquina  defeituosa, e entre os mosquitos, mais uma  vez fico  perdida  entre  tantas confusões  de meus  pensamentos.
Afinal, jogo  a toalha ?  Desisto  do  que acredito, ou não ?  Mas reli  páginas e páginas de mim,  do  que  tenho  deixado  aqui , escrito,  e percebo  que, afinal, nada muda mesmo, e os  problemas que quero  desistir  de resolver  me perseguem  e são  essencialmente  os  mesmos, com roupagens  novas ou  disfarces, circunstancias diferentes, mas o ser que permanece  atribulado  é o mesmo . Será ?  Ouso   contradizer outro  grande  e respeitado  filósofo,  que  afirmou  que  somos, nós  e nossas circunstãncias ?  Ou SOU,  além  de cada coisa - acontecimento- que  me rodeia ?
Será,  como  disse uma grande e confiável  amiga, o  tal  do  Marte retrógrado,  em  meu  trânsito  astral ? Ou,  como  dizem  as revistas de entretenimento,  apenas decorrencias do  meu  inferno  astral ?  Veremos !  Tanto  um  como outro  estão prestes a encerrar-se. Eu,  que  nada  sei  e em  nada  confio,   que  não  recebi  a graça  da fé,  apenas  a da dúvida insistente, persistente, infinita,  que corro atras do (auto) conhecimento,  que  não  me satisfaço  jamais, pois  em  nada  vi  a verdade que acredito  que exista, que  sei que de alguma forma, em algum  lugar  a felicidade se faz existente,  tanto  que  se deixa  perceber  em rápidos lampejos,  mas não  mostra  como  ser definitivamente alcançada, talvez porque  este mundinho   em  que  vivo  seja isso  mesmo,  que  a luz não  existe  sem  a escuridão, o  bem  sem  o  mal,  pois senão  como  seriam  conhecidos? Talvez  seja  essa mesma  a trajetória  humana  que  escolhi  para  minha existencia  nesse espaço-tempo e agora, brigando  comigo  mesma,  queira  e insista  em  alterar  esse estado  de coisas?
Momentos  longos  onde  questiono  o  por que  se vive  e para  que,  se não aprendo  nada,  se vivo  e revivo  as mesmas emoções as mesmas dores  e alegrias, sempre, eterno  retorno, e por que,  principalmente,  não consigo  ensinar  nada  do  pouco  que aprendi ?  Se  as pessoas  que  me foram  confiadas  pela Vida,  rejeitam  meus  valores,  insistem  em  perseguir o  que sei  que não vai  dar  em  nada, ou pior,  sei  onde vai  dar, no prejuizo  de anos  de existencia,  em  prejuizos ao  ambiente, ao planeta ? Como  ter  paciência para  ver jovens  tropeçando, caindo  e recusando  a mão  estendida ?  Eu  sei,  eu  sei,   cada um  tem  seu  tempo, sua capacidade, mas a minha incapacidade  de aceitar  isso  me  corrói, destrói  o  pouco  de vontade  que  ainda  tenho  de conviver, estar  com  pessoas,  pois não  suporto  a dor,  nem  a do  outro,  e sei  tambem, conforme  a sapiência  dos ditos populares,  que  o  que  os olhos não  veem, o  coração  não  sente,  mas  a razão  imagina,  a memória  cogita, a fantasia cria dores alheias que eu sinto  que  deveria evitar. Ou  poderia.  Se  me ouvissem.
Então, lavo as mãos, olho para outro  lado, faço  como  os  tres macacos?  Ou  sigo  nesta luta  que tantos ferimentos  e cicatrizes deixam ?  Continuo, por acreditar  que  o  Bem  é  possivel, mesmo  que  meu  coração,  a cada  derrota  ou  vitória  fique mais  e mais  convertido  em  pedra ?  Que  a raiva  comece  a ocupar mais  e mais  espaços  de mim ? Que  tenha  que  ser sublimada  pela  duvida  do  que  possa ser ?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Como eu já sabia,

e  nem  penso  em  reclamar, (?!?!?!?!?)  afinal  não  dá  para  ser diferente.  Algo  muito  bom  sempre é acompanhado  pelo  seu  complemento,  algo  não  bom. Mas  a idade  e   a experiencia  consequente  tem  que  servir para  alguma  coisa,  mesmo  que  eu  não  entenda os por ques,  sei  que,  querendo  ou  não,  a unica  solução  é  aceitar  o  que vem  mesmo  que não seja  exatamente  o  que  quero,  mesmo  que  seja  absolutamente  o  que   nem  quero.  Sei ?



Pois   é  minha  saida de casa  seguinte  foi uma...aventura.  Rio  de Janeiro  em  horário  comercial. Eu   com  a paciência  para  tráfego  pesado  e engarrafamentos... Paciência  que  desapareceu  a algumas décadas atrás  e nunca  mais  encontrei ou  consegui  cultivar  outra... Gente,  gosto  de estradas,  de seguir  em  frente,  esse negócio  de ficar  parada   ao  calor  do asfalto, esperando  que  as politicas publicas  sejam  eficazes,  só  dá  errado. 
Assim,  vejo  uma placa  de saida para onde  eu estava indo,  "  cidade  universitária",  saio  da pista, pego  a entrada, engarrafamento,  a tal  entrada para  a linha  amarela...Um  funil  de 5 pistas para  duas,  quase  duas, caminhão  só  passa um... Não  entendo  como  fazem   algo  assim.  Uma linha expressa,  que  para  ser acessada  é  bem  parada  mesmo  e ainda  pára  a outra  via  expressa,  de onde seguem  os  carros,  da vermelha para  a amarela,  o  funil  magico  obstrui  as duas vias.  Mas,  sem  solução,  sigo  e  dou  de cara  com  um portão  fechado  para acesso  a "cidade universitária.  FECHADO.  Tenho  que  seguir  pelo  monstruoso  engarrafamento,  barulhos, o  pobre bebê  dentro  do  carro  inquieto, ainda  bem  que  a Mamãe  está  junto, mas nem leite  acalma,  o  calor, o  barulho,  o  astral  de gente irritada,  e levo  exatos  55 minutos para  sair  da ilha  do Fundão,  de frente  ao  portão,  seguir para  o retorno, Av. Brasil,  e novamente Ilha  do Fundão.  Quem  é  a BESTA  que deixa uma placa  indicativa  sem  avisar  do  portão  fechado ?  Mas sigo,  pego  a caçula, levo  as duas para  a casa -  republica  desta, onde ficarão  uns  dias  a Mana  e o Bebê , e novamente  estou  engarrafada.  Peço  ao  gari  informação  se estou  no  caminho  certo,  ele diz  que  sim, logo  ali,  sigo  e nada, o viaduto  não  está  a vista, peço  informação  a dois senhores de aspecto  distinto  no  carro  ao lado,  eles dizem,  -"Não,  tem  que  entrar  a esquerda  e depois a direita", gentilmente  me  deixam atravessar, uma ruazinha de  200 mts  que  levei  quase 30  minutos para  percorrer,  para ao  final  descobrir  que  só  poderia dobrar  a esquerda  e voltar  para  a ruazona  onde eu  estava... Que RAIVA! Que maldade ! Eu  que  fui  desconfiar  do gari,  bem  feito...Finalmente  consegui,  sigo  em  velocidade  de muitos carros,  até  a subida  da serra,  como  é  possivel,  agora   nesta  estrada  só  se anda  a  20,  30km/h ,  excesso  de caminhões,   mas o  pedágio  é  de auto estrada.  Chego  na  serra.  realmente  não  sou  mais  daqui:  chovia  e eu  nem  tinha  calçado apropriado,  perdi  a prática !  Tenho  nojo  de pisar  de sandália  naquelas poças de chuva de cidade.  Se  fosse  na  roça, outra  coisa, mas lama  urbana ?  Éca !
Noite  boa,  papo  com  amigas,  dia  seguinte  brincadeiras  com  a netinha, unica  menina, unica  petropolitana, unica  motivação para  enfrentar  essa cidade,  e sigo  viagem  de volta,  crente  que   em  3 hs  chegaria em  casa,  tempo  habitual. . Ilusão.  Num  entroncamento  confuso,  onde  chego  apos  2 hs para percorrer  5 km,  um  caminhão  de  " Resgate"  obstruindo  a agulha, obriga  a  que  se siga  por  10 km  até  um  retorno  para  novamente  chegar  ao  entroncamento.  O  Obstrutor  continuava  lá.  A lentidão  do  tráfego  permitiu  ver  o  motivo :  NENHUM.  Absolutamente  nada  que  justificasse.  Seria  uma experiência  de  como  fazer tudo  piorar ?  Precisavam  aumentar  a poluição  do  ar,  o  consumo  de petróleo  sem  sentido  ?  Ou  são  meus  mestres querendo  ensinar-me  alguma lição ?  Se  era isso,  dançaram,  só  senti  muita revolta, muita  raiva,  tanta  que  já  no  caminho  comecei  a sentir  dor,  cheguei  em  casa  e fiquei  uma  semana  de cama,  sem  conseguir  mover-me,  pela  dor intensa,  daquilo  que  já  sei,  a doença  do  "eu  me  odeio"  aquele  disturbio  que  produz  anticorpos  contra  meu  proprio  sistema,  sempre  que  eu  não  consigo  cumprir algo  de forma  a  me  deixar  satisfeita.  Não  aprendo  nunca, mas hoje, assim,  de  repente  as dores todas tinham  sumido, sem  sequelas aparentes,  pude  andar,  sentar sem  chorar, vir  aqui  matar  as saudades.

Mas  no  meu  jardim-de-vasos,  assim  de repente,  essa  velha  orquidea  surpreendeu-me  com  flores,  a  primeira  abriu  no  dia  que  Miguel  nasceu,  e a cada dia  está  mais  bonita.

Resumo :  ida: 240  km  em  sete  horas;  volta  180  km  em  seis horas  e meia. Tempo  suficiente  para  ir até  Viçosa  e  voltar.  Que  saudades da turma  de lá !

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segunda-feira, 12 de março de 2012

Inacreditável ! Tudo isso em um só dia !

Dia  8  de março.  Saio  de casa  às  3:45.  Destino : Paracamby.  Nem  sei  onde é, não  fossem  as informações que  colhi  aqui, no Sabio Google. Rumo ao  desconhecido, testando  o  quartomóvel, ainda  em recuperação  depois  de tantos mau-tratos  de mecânicos incompetentes e/ou  desonestos.  E  olha  que  ainda faltam  alguns  re-consertos, mas é  imperioso  que  eu vá,  vou  assim  mesmo.  Motivo : dia  de nascer  meu  quinto neto, e o  primeiro  filho  de filho.  Os outros, tres meninos  e uma  menina, são  todos  filhos  de filhas.  A  familia  da mãe  é  daquela região.
Manobro saindo  do portão, tensa,  a caixa de direção  roncando  ainda, me garantiram  que posso  viajar, mas que medo ! Só  então  percebo a claridade. Tudo  claro, uma enorme lua  enchendo  o céu  e a terra com seu  brilho de  reflexo. Sigo  em direção  sul, serpenteando, sempre a lua à frente, ora um pouco à direita, ora a esquerda, conforme  a rodovia se acomoda no  relevo discreto. Vez e outra, muitas vezes  a neblina esgarçada, deitada  sobre os  mais profundos  vãos  da terra  reluz ao  brilho  da  noite, ainda não  madrugada. Poucas vezes atravesso  nesgas da névoa rala. Nas poucas montanhas rochosas,  reflete-se  com intensidade o  brilho  lunático. Sou  mesmo  muito  sortuda.  Muitas dezenas de quilômetros adiante, no retrovisor, começo  a perceber um cinzento arroxeado, o dia  vai chegando, e logo  chego às margens da Baia de Guanabara, um visual  encantado ou  encantador, e onde hoje  tenho  uma surpresa,  por  conta  da companheira  de viagem,  que  se despende por ora, com um lindo  espetáculo. :

Vou  seguindo, sem poder parar, o  tempo  urge, nem  pensei  ao  planejar   a viagem,  que na Dutra,  a famosa Rio-Sao Paulo,  no  parte  que iria percorrer, certamente o  transito  estaria dificil. Existe  uma  hora  marcada.  O  Tempo  está  cercado, delimitado, encurtado.  Sigo.  Atraveso  a Ponte, a  baía  e  chega  então  o  sol.  Dourado, tímido  ainda, refletindo sua  beleza nas águas que acaricia,


mas mostrando  a força  que costuma trazer no verão  dessas plagas.  E  sigo. Rodando com  o  dia.  Na Dutra,  um  enorme  susto,  um  carro  logo  a minha  frente  segue  em direção à  mureta  que  separa  as pistas. Freio,  desvio  para a  direita, sabendo  que,  se colidisse, de  nada adiantaria  minha  manobra, mas no  ultimo  átimo  de segundo, o  motorista acorda, creio,  e desvia.  Eu não  vi  espaço  entre  o  carro e o muro, mas ao  ultrapassá-lo,  nem  um arranhão visível.  Graças!  E  sigo.  Finalmente entro  na rodovia  estadual, está  perto,  tudo  certo.
O  que  aconteceu  naquela  casa de saude, é digno  de outra postagem, técnico-indignada.  Mas ao  mesmo  tempo  me apresentando  uma realidade  que eu  desconhecia. Aprendizado. Estou  pasma!  Sim, agora  finalmente entendo  certas críticas e tentativas de restrições.  Tenho  o hábito  de julgar  ou avaliar  o  mundo  pelos  meus padrões, que são bastante  altos. Mas vi  agora  que  muitas outras coisas acontecem  mesmo. Não é SUS, não. É  "saude suplementar".  Mas tudo  ao  final, deu  certo. Miguel  chegou  bem.
E  a familia   perdoa os meios, pelo  fim. Fico  um tempinho, o suficiente  para mudar  umas "rotinas  hospitalares"  em  beneficio  da familia:  levar  o  Miguel  para o  quarto,  ao  invés do  tal  berçário  E  então, já  no  meio  da tarde, inicio  o  caminho  de volta.  Não posso  ficar  fora.  Deixei  em casa  uma grande crise  em andamento,  tenho  que estar  presente. Apos  contornar  novamente  a baía,  o  sol, escondendo-se agora  manda-me  sinais de  "  inté"  pelo  retrovisor  empoeirado. No  mesmo  local  onde  pela  manhã  despedi-me  da Lua, despeço-me, por ora,  do  sol.
 Adiante, outro susto.  Um  caminhão, de serviços  da concessionaria  que administra  a rodovia,  muda sùbitamente  de pista, me fecha,  freio rápido, ainda  bem  que  o  carro aguenta,  derrapa pouco, mas sem  danos alem  de meu  coração  que  dispara.  Ainda  bem  que  sustos assim não são  frequentes,  Acho  que  a falta  de pratica  recente me  deixou  temerosa.  E  sigo,  para  logo  adiante...Ela, novamente,  despontando  por tras dos morrotes do  litoral.

Eleva-se aos poucos,  num  jogo  de renascer varias vezes, nas curvas,  nas elevações ,  e iluminando,  entre os  reflexos  de luzes humanas  na lagoa de Araruama,  meu  trajeto  para  casa. 
Um dia  muito, muito  especial  mesmo.
Mais  de 500 km percorridos bem, tudo  fica bem e o  nenem  tambem.



ps:  costumo  cantar  para  acalentar  meus  netos: "  bem, bem, bem, tudo  fica bem. Bem, bem, bem  e o  nenem tambem..."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tão lindas minhas lagartixas



Tão amigas também,  já que o aumento de sua população aqui em casa tem sido diretamente proporcional a diminuição dos mosquitos. Mas as vezes acabam sendo assustadoras. Quando ouço ruídos e logo penso em detestáveis camundongos. Um dia desses uma delas passando velozmente sobre a pia da cozinha assustou minha filha que me visitava, pois só percebeu vagamente o movimento, uma sombra de uma cauda  e como em sua casa na mata houveram recentemente visitas indesejáveis de pequenos roedores, na sua despensa, logo achou que aqui fosse o mesmo.  E hoje o susto foi meu, ao abrir um armário de cozinha onde guardo uma reserva de cereais e deparei-me com dois "cocozinhos", pretinhos, que logo atribuí aos mesmos mamíferos  roedores . Subo em uma cadeira, peço a filha aqui presente em casa para ficar ao meu lado, já que, caso fosse um camundongo eu certamente iria dar um salto e esborrachar-me ao chão e começo a retirar pacote por pacote enquanto  o medo começa a aparecer, o coração a acelerar; tenho a ideia brilhante de continuar a tarefa com uma escumadeira, afastando meus dedos do imenso perigo e vou, saco a saco, embalagem por embalagem investigando, explorando  e os ruídos de movimentos entre os plásticos ora mais forte, ora desaparecem, o medo só aumenta, e finalmente no ultimo esconderijo, lá estava a coitadinha, enroscada como um caracol, apavorada, pobre lagartixa. Saí de perto, deixei a limpeza para depois, para dar tempo para que nossos corações se acalmassem, voltassem a frequência normal . Pequei por não estar com a câmera fotográfica, mas ilustro aqui com fotos recentes da que vive ao lado do computador e que já me pregou alguns sustos também. E com a foto da que vive na sala, que tímida, esconde-se atras de cortinas, sempre.
Todas tem nome, mas não vou dizer aqui,  pode ser que, sem querer, aborreça  alguém  que não vai entender que gosto mesmo delas.  Mesmo quando soltam aqueles ruídos, "cricrizinhos"  que ou conversa, ou chamados, a principio assustam,. ( acho que minha coragem de viver é puramente faz de conta.)

PS:  O Eduardo, do Varal de Ideias, recentemente mostrou os lagartos que vivem em seu terreno  e eu disse lá  que, quem não tem lagarto, caça com lagartixa. Mas isso hoje aconteceu mesmo. As coisas ainda estão lá,  na bancada,  esperando arrumação.

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Pelo rastro cinza em negro asfalto,
dezoito quase dezenove
das horas do horário planetário
seguem rastejando dois olhos de luz
dois pontos faróis e logo mais dois
olhares do animal animado desalmado
que arrasta pelos caminhos seus
possuidores possuidos pela necessidade
premente criada pela mente
Os cirros acumulam cinzentos reflexos
como cumulus refletindo cinzas
e ninguem vê ou sabe nada.

Hoje postei aqui :

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Esclarecimento

Comunismo não é stalinismo. Aquilo é um desvio,  aos modos do capitalismo. Privilégios para alguns.  Penso em comunismo como penso em família, os recursos igualmente distribuídos. Não imagino uma família onde se escolha o mais capacitado para ter melhores oportunidades. Todos são igualmente amados, cuidados  respeitadas suas diferenças,  e a todos, os pais concedem alimentação, estudos e bens materiais dentro dos recursos disponíveis.  Imagine um  molde de familia neo-liberal, onde se destinem os recursos apenas aos que se destacam , ou que tem aparentemente (e visto superficialmente) , mais condições, sem que seja permitido a escolha, a tentativa  aos demais. Lembro-me do que estudei de tempos feudais e outros mais modernos, onde porem o modelo era o mesmo, onde ao mais velho varão era concedida toda a herança, terras, etc, restando aos demais o clero - com seu dote exigido, e a carreira militar.  Evoluímos saindo desse modelo que entendo como injusto. Espero que um dia a sociedade também consiga sair desse modelo cruel, excludente.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Refluxo



Calma, calma, vai passar, é só uma fase, é só uma fase, vai passar.
Tudo passa. O mal e o bem. É o TAO.
Reflita.
Controle a impulsividade. Agir sem arrepender-se depois.
Cuidado que raiva mata, quase matou.  Ao outro mas também e principalmente a si próprio.
Qual pai dá a um filho brinquedos atrativos e perigosos  e manda não usar ?  E pune o uso ?  Esse pai é Deus. O brinquedo ?  A vida.
Qual pai  mostra coisas bacanas , só para dizer que você não pode ter ?
Qual pai não se esforça para tirar seus filhos da miséria ?
Muitos, muitos eu sei. Mal sei o que é "pai". Então isso, criados à imagem e semelhança do criador. O erro de Descartes ?  Descartar o Deus enganador.
Calma , revolta vira raiva, raiva vira hipertensão, hipertensão vira AVC, AVC  vira o fim. Existe o que depois do Fim ?
 Se a lagarta não morre pois vira borboleta, que absurdo isso, a borboleta não é a lagarta. Morrem ambas afinal. Sobram seus componentes quimicos planetários. Dissolvem-se, e salve Lavoisier, tudo é Devir e eu não estou doida, apenas cansada, muito cansada, com um fio finíssimo, quase roto da esperança que restou e que sei ,  não suporta os pesos que arrasto, fio à frente, correntes atras. Calma, tudo muda  e ninguém sabe de nada, menos ainda sei eu. Raiva dos que acreditam que tudo tem jeito, mais raiva ainda daqueles que se incumbem de ser o braço de Deus, pondo dificuldades para o crescimento. Tropeçar em pedras faz crescer?  que piada isso, tropeçar faz machucar o dedão, o joelho, as mãos. Pai, você não me deu as mãos. Mãe, você não me ajudou a levantar. Cresci sòzinha, aprendi a gostar de ser só. No tapa, no tranco. Pouco aprendi da caridade. Serve para a nossa salvação ?  Mas então, não é.
O problema ?  Pequenininho perto dos dramas alheios. Mas estão aí, os dramas alheios para mostrar o que a vida é, que é melhor desistir da fantasia chamada Esperança. Ficar de cara com a realidade, dar a cara à tapa, dar a outra face, suportar estoicamente a vida, pela duvida, pela aposta de Pascal.
Bom Dia !  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sou mesmo meiomuito burra !

Não consigo entender as pessoas, suas palavras e coisas.  As coisas que dizem e suas ações.
A região em que moro  é belíssima em sua natureza O que  faz com que muita gente queira passear, conhecer. E fora da temporada, ou seja, dos poucos dias que vão do Ano Novo gregoriano  ao fim de janeiro, e depois uns diazinhos no Carnaval, fica vazia, pois  o frio moderado prejudica  a praia  e o vento intenso, chicoteia com areia os banhistas. Então, dizem, que mais de um milhão de pessoas costuma passar por aqui na alta temporada.  E uma quantidade enorme de condomínios de microapartamentos permanecem vazios quase todo o ano. Uma cidade fantasma dentro de outras cidades. Cabo Frio, Buzios, Arraial, não tenho os dados, apenas minha observação do dia a dia  a viver por aqui.  A maior parte dos imóveis fica vazia  muitos com placas de " aluga-se para temporada". Ou "  Vende-se". Os altos valores pagos nesses dias parece que justificam os imóveis vazios todo o ano. Mas que permanecem  demandando cuidados, algumas  inúteis luzes acesas, consumindo para nada. Gasta-se água para preservá-los, para a alta temporada  E sobem novos condomínios, destruindo restingas, desfazendo as dunas de areias brancas, subindo escandalosamente pelos montes  verdejantes, a vegetação que tenta se restabelecer apos séculos de exploração,  arrasada, enquanto se constroem jardins decorativos, com plantas exóticas e alto custo de manutenção. Regas. Aqui a água é escassa, cara, vem de longe. E joga-se fora o verde e depois joga-se fora a água para o verde quase artificial;  e desperdiça-se materiais para construção de tantas casas fantasmas. Quanta madeira queimada para produzir telhados praticamente inúteis todo o ano, por não abrigarem ninguem. Porque nesse pais sobram recursos e a maioria da população mora em habitações dignas ( gente, essa ultima frase  é ironia, tá )
Agora mais um projeto desses, enorme, vai ocupar uma extensa e  linda praia deserta, com o entorno repleto de árvores, condomínio que apela nas vendas para o fato de estar em uma reserva, mas que para ser construído, segundo o  que vi nas imagens de divulgação , irão destruir. E já estão na fase de preparação do terreno, com corte das árvores enormes e erradicação da vegetação litorânea, a maior parte do verde ( vegetação secundaria alegam em seu EIA-RIMA, eu soube )   substituído por verdes(?)  gramados, piscinas (verdes?) a beira mar, quadras de esportes - tantas permanecem sem uso por aqui, para uma "elite"  estupida  que irá  passar quatro, cinco dias ao ano, enquanto vaidosamente afirmam " tenho uma casa em Buzios".

PS:  Interessante é que lá, o mar há tempos já invade as terras  e em toda a extensão da Praia da Gorda  vê-se  árvores com suas raizes descobertas pelos fluxos da maré, muitas já mortas, tombada ou tombando. Não tem, nem na baixa maré mais de metro e meio de largura, a praia. Mas é, ainda,  bastante piscosa, vizinha a uma colonia de pescadores, que ficará engastada no Condominio e certamente sem peixes, mais.  E por ser " Rasa"  não permite decks para embarcações a motor , assim como o banho de mar não é confortável e  precisa-se caminhar um tanto adentrando o mar. Espero então  a "Vingança de Gaia". Que certamente irá invadir, tomar para si, o que tomamos dela. Mas dói, ver árvores imensas  em terra firme, " secundarias"  desaparecerem  pela ganância de uns poucos. E a terra das encostas que irá descer aos poucos a cada chuva torrencial, comum, invadindo o mar. Aplainando o relevo.
Eu não entendo.  Sou mesmo burra.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Textos da insonia - nº x



Não existe o silêncio. Mesmo em lugares ermos, mesmo na mais profunda noite, quando se calam as vozes, outras vozes tratam de ocultá-lo, e, mesmo que se calem todos, que se calem as aves, o vento, as máquinas, ainda sem trinados ou zumbidos, ou murmúrios das águas, do mar, das asas dos insetos, os cães, resta ainda  o zumbido interminável das estrelas na noite, ou será a voz da Terra rodando no espaço ?


Não sei mais onde buscar a verdade.  Ora abaixo, ou acima, esconde-se invisível aos olhos, à mente, ao coração.  E sem sono, vago, sem angustia, do quarto à sala, inúmeras vezes, infinitas, pois  amanhã será o mesmo e depois, e depois. Houve tempo que pensava em entorpecer-me,  curtir em álcool, mas ai de mim, nunca gostei disso ( e nem de quem gosta). Pensava  em tomar pílulas, mas temia errar a dose, sou compulsiva, mas não suicida.

 Há algum tempo as coisas não dão certo. Porque exijo demais ?  Ou porque tento conformar-me com o que é possível ?   Traí meus cães, por necessidades dos humanos com quem convivo, dei a eles menos do que mereciam, aos cães. Agora que alguns, velhos, se foram  o remorso corrói.  Humanos ? Merecem o que ?

 Há muito tempo nada tem o gostinho bom de novidade, tudo traz o gosto amargo da derrota e não tenho nada a dizer, exceto da minha dor e incompetência  e temo as punições, ameaças  dos deuses amorosos, palavras colhidas e repetidas  em seus livros sagrados, caso sejam mesmo sagrados. A noite vai passando, amanhece,  retorno ao de sempre, kantianamente buscando a perfeição em mim.

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Novo ano



Passado o natal, passando o tal de ano, finalmente as coisas irão ficar quase normais.  Sem esse frenesi de felicidade, como se as coisas mudassem por se ficar dizendo, apenas em palavras, coisas legais. Paz, amor , prosperidade, tudo de boca p'ra fora, pois em ações, poucos são os que realizam algo pelo próximo  e  menos ainda pelo próximo distante, aquele que se ouve falar  em pesquisas, noticiários ou nem se ouve . Em meio as suas festas, quantos se preocupam realmente com a festa, por exemplo, daqueles que ajudam nos " serviços menores "?  Ah !  Mas pensam, são assim mesmo, é merecimento, se tenho é porque fiz por merecer  e o pobre é A) malandro  B )   etc... Não vou ficar aqui enumerando preconceitos que encontro em todo canto.
Mas de repente compreendi certas coisas. Que não tenho que perdoar quem continua a repetir agressões, mas sim perdoar a mim mesma por não perdoar.  E que não tenho que tolerar o intolerável, a estupidez humana, a burrice persistente, a maldade.  A essas devo  combater, sempre, ou estaria sendo conivente.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Dia de Festa



Hoje meus pais fariam 61 anos de casados. Se separaram cedo, já são falecidos, etc, mas isso não quer dizer que eu não comemore esse dia, afinal, sou produto disso. Tenho usado esse pretexto, dessa comemoração, para trabalhar o PERDÃO, coisa que tenho enorme dificuldade. Pedir perdão pela minha falta de compreensão para com eles, e com meus avós. Pedir perdão pela minha arrogância , pela intolerância, pela impaciência. Tanto tempo sem perceber certas coisas, certos valores. E tento, me esforço muito para perdoar, pois como eu, não eram perfeitos e muitas vezes me magoaram muito. Luto também para perdoar todos que, ao longo da vida, me injuriaram, caluniaram, ofenderam. Que pare de desejar " que deus lhes ensine", pois fingindo ser boazinha, que nunca quis o mal de quem mal me fez, no fundo desejo a retaliação, com o argumento que eu jamais seria tão dura nas "lições" como deus o é. Perdão, então. Para mim  tambem

sábado, 10 de dezembro de 2011

Adoro chuva



Para me enroscar na cama, e sentir o prazer que a natureza sente com uma chuvinha.Um livro ou  dois, algum bom filme, muitas vezes até um desses seriados monótonos e repetitivos. Prazer da natureza ?  Nem toda a "natureza"  gosta , mutos animais sofrem com as chuvas, apenas esperam passar, encolhidos onde podem, precariamente abrigados e alimentados, outros  nem isso. Alguns muitos humanos também.. Muitos  seres penam pela desmedida que é própria de Gaia,   desmedida em beleza como em selvageria..Ou será tanta chuva  por artes de um deus  , como li recentemente  (***),  " o maníaco por água... Aquele que dividiu o Mar Vermelho e fez  Noé construir uma arca ".  Mas aí também o seria por ventos e fogueiras... Mas o bom mesmo de chuva é que são questões de dias, ou dia, depois temos outro tipo de clima, Sábia natureza, quando se equilibra. E como não podia deixar de ser, enquanto me regojizo, me entristeço pelas lembranças de tanta desgraça que vi em minha vida por conta da chuva que estou apreciando...
E de repente, depois de varios dias cinzentos, de uma noite inteirinha chovendo, de um dia com chuva intermitente, o vento fica forte, e mais ainda do que o comum, e enquanto cochilo  sob um livro,  a casa é invadida por um brilho dourado, do ocaso;  acordo, vou ver, mais dourado ainda e se transforma em vermelhos e púrpuras  entre nesgas de um céu azul..

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fé na incerteza



Tinha uma programação intensa para a semana, coisas chatas de fazer, passar por lugares que ativam memórias desagradáveis, dolorosas mesmo, esforço, cansaço, mas tudo bem, a esperança do fim de semana, de quinta em diante, o chamado/convite  que recebi, para os prazeres simples de sempre, o que mais amo, brincar com minhas crianças. Tudo bem, vai compensar, faço o ruim e depois faço o bom..  Daí consegui fazer tudo, apesar de engarrafamentos desesperadores, lugares mais ainda, calma , amanhã eu vou...pensava, consolando-me, quando transportava coisas, trocando-as de lugar, de cidades, enquanto trocam de estilo de vida, ao mesmo tempo, três dos meus filhos. Mudanças. Chegando o "amanhã", ainda  haviam uns poucos retoques, coisitas para levar, pegar, entregar. Tudo pronto, preparo-me para os 450 km de rodovias e fotografias, com  uma chegada ao destino. Tudo pronto, e o quartomóvel, pau-pra-toda-obra, apresentou fadiga !  Sei lá, um ronco estranhíssimo quando viro o volante na manobra simples de sair da garagem  e a toda curva mais fechada. Voltei. Na hora do bom, pifou !  Tá, é bom a sensação de dever cumprido, mais uma vez, mas não sou Iluminada, a ação pela ação nem sempre me satisfaz. Preciso de uma recompensa, o dia da compensação. Ou que pelo menos os organizadores daqueles trabalhos muito legais que andei fazendo e aquele outro que me deixou em crise, vocês lembram, né, pelos quais não recebi até hoje  meus $$$$,  e alguns já completam seis meses , me paguem o valor combinado, e virá sem juros, para que eu possa ir à oficina mecânica tentar solucionar o que ocorre. Prejuízo emocional feito, as limitações do corpo parece que se intensificam, dói muito quando me vejo frustrada assim, vai entender as tais ações autoimunes .  Vai entender os mistérios desse mundo. Não adiante ficar certinha, porque o que acontece ao redor tem outras leis e regras que desconheço e discordo, mas me são impostas.
Estou muito, muito triste. Eu sei que tudo passa... Mas eu perdi mais essa.

domingo, 4 de dezembro de 2011

:-))



Estou fazendo tudo certinho. Óbvio que algumas coisas podem não dar o resultado pretendido, ou esperado. Existem outros fatores que não controlo. Fatores no Outro e no Mundo  e fatores Internos, em mim mesma, Existe um tempo necessário também, para que atinja meus próprios ideais e sei que  estou longe mesmo do que espero de mim. Mas estou cuidando para que sob todos os aspectos que conheço seja o melhor possível, o que seria bom para toda a humanidade, o que leve à felicidade - eudaimonia. Aqui na Terra Gaia e num Além, caso haja, caso essa seja uma realidade possível. Aposto em todas as possibilidades que já ouvi falar, que conheça ou venha a saber. Possíveis e convenientes.
 Aos erros meus de cada dia  busco fazer de mestres, para que me ensinem não mais cometê-los . Maus mestres, ou eu má aluna, custo muto a  aprender. Apreender, compreender. Mas teimosa, como dizem que sou, uma alinhada a meus signos astrológicos mágicos, sigo tentando, perseverando, mudando em minha teimosia de perfeição. Trilhando entre dúvidas, com fé nas incógnitas.

Bom dia !


OUTRA  AQUI


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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Listas

Gosto muito dos cantos dos pássaros que ouço por onde ando nesta minha vidinha.. Gosto dos sons do vento nas árvores e quando sopra tocando musicas nos bambuzais, ai, é lindo demais. A água da chuva no telhado, o som da chuva batendo forte no meu carro enquanto viajo. As águas cantantes dos rios encachoeirados. Sinos. Os zunidos das cigarras cantando a chuva que virá, os cricrilares dos grilos. O som penetrante de um motor a diesel, um Scania, ou mesmo dos pequenos, acalma. Uma moto grande em disparada passando pela estrada dispara o coração, aquele zunido, como gosto de ouvir. Um avião quando vai decolar. As ondas do mar. Sapos conversando na lagoa, cães na madrugada, um  galo anunciando a alvorada, outro acolá. Um matraquear de crianças, alguém a gargalhar, e ainda   historias com final feliz.. Tudo isso é bom de escutar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Novo aprendizado.

Quando volto para  a casa vazia, fico um pouco, as vezes mais do que pouco, apreensiva, como se ficar sozinha fosse solidão ou algo a se temer. Como se ( finalmente)  estar comigo mesma exclusivamente fosse algo assustador. Confesso :  estou gostando.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011



Estou em casa hoje apos 2000 km em cinco dias. Cumpridos compromissos, volto e sei  que estou  sem comidinhas nos armários ou geladeira, os ultimos dias aqui foram com os netos, antes da viagem. Odeio fazer compras. de qualquer tipo.Vou então ao jardim. Um terreno, lote,  quase completamente calçado, cimento, ardósia, pedras de Sao Tome. Proprietária eu fosse, um tanto daquilo seria removido, mas inquilina, tenho que preservar a estupidez. Espalho vasos, jardineiras , onde ponho flores e  cores  e  tempêros e odores, perfumes. Então hoje colho bananas e  mamão que plantei quando aqui vim morar ,nos  seis metros quadrados de areia enriquecidos paulatinamente com humus de minha compostagem. Uma  goiaba e mangas, de árvores que encontrei e que a imobiliária me propôs cortar caso incomodassem. Ainda posso colher coco, vários estão "prontos" em meu (?) único coqueiro. Talvez um maracujá maduro, não olhei, há pouco estava em flores novamente. Respeitadas as porções dos passarinhos e ... tá, porque não, dos meus indesejados morcegos ( indesejados quando insistem em pendura-se dentro de casa), deixo frutas maduras nos pés, ganho sinfonias todos os dias.  Salvo o meu dia, tenho  refeições sem precisar sair. Como a Vida pode ser boa, também.

Ver  mais  .AQUI

domingo, 2 de outubro de 2011

Depressão



As vezes me toco em como sou estupida mesmo. Fui aceitar um trabalho, outro " cuidados médicos em eventos", porque preciso muito do $$$$$$  para saldar uma dívida com minha irmã, dívida que se arrasta a ponto de me envergonhar imensamente.  Agropecuária. Evento para estimular a matança de bovinos. Já me incomoda. Só que ao chegar lá, descubro que era eufemismo para acompanhar uma companhia de Rodeios. EU  ODEIO RODEIO !!!!!!!!!!!!!!!!!!! Odeio maus tratos a animais. E não podia sair, abandonar o posto. É crime. E permaneci, no fundo satisfeita em saber que na véspera um " Peão " havia sido pisoteado por um touro, e culpada por me regojizar com o sofrimento humano de um ser apenas ignorante. Mas lutando para não desejar que todos os peões se dessem mal. No segundo dia, (a burra gananciosa ou necessitada assumira 36 horas), pelo menos eu não estaria presente no horário dos rodeios,  vou ver um carneiro que desde a véspera estava amarrado perto do meu carro, pastando; penso eu, idiota que sou, para aparar o mato que por ali crescia, bicho sujo, certamente não para ser exposto,  e que neste dia começara a balir sem parar. Vou conversar com o animal, faço-lhe cafuné, ele se acalma. Grita novamente quando me afasto, volto e fico ali um tempinho conversando até que a recepcionista vem me chamar:-  " Doutora, atendimento !" Vou então, um início de resfriado. Busco ser simpática com meus pacientes, puxo um tiquinho de prosa, dou conselhos sobre alimentação ,  e o senhor, que cuida da limpeza das baias (? é assim que chama ?) dos Nelores expostos, diz  - " Ah!  mas hoje a gente vai comer bem, o patrão mandou um carneiro para queimar. O churrasco vai ser bom !"  Engasguei. Chorei. Desabafei com os colegas da equipe, ninguém entendeu meu desespero. Certamente virei alvo de chacota o que não me importa nem um pouco. Não tinha como roubar ou comprar o pobre bicho que chorava, ele seria também logo substituído por outro. Arrisquei - " gente, Cordeiro de Deus, é como se referem a Jesus "  risos e afirmações do quanto a carne de carneiro é gostosa.
Ainda lá,  e reforçado depois  em casa, decidi (durante minha noite agitada) :  que se danem minha irmã e minha dívida. Pagarei quando puder, se ela se apertar, não tenho solução, vendo meu carro. Mas isso,esse trabalho, não. Não mereço. Não posso.

( foto de 01/10.  Sob a sombra das arquibancadas e submetidos a um calor infernal, sem vento, ficam em minusculas barracas as equipes de apoio, alguns com esposa e filhos, alem de alguns peões que sonham com o sucesso )

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

DIFICULDADES...

Enquanto não resolver meu problema de mosquitos - ainda eles, não dão uma trégua , aqui onde moro, mal consigo usar o pc. Ao computador e apesar do calor tenho que ficar com mangas e calças compridas, botas em pés e pernas, uma cobertura - saia sobre calças pois eles picam através da roupa, e mesmo com tudo, as mãos ficam avariadas. Algumas vezes uso luvas cirúrgicas. Mas o calor se torna desconfortável, insuportável mesmo e obriga o uso de outros aparelhos elétricos, simultaneamente, o que é contra meus princípios, abusar dos recursos do planeta a serem compartilhados. Então tenho escrito pouco, postado menos ainda., e só essa semana ( dããã...) me occorreu instalar mosquiteiro de tela de tecido sobre o computador, alem dos que tenho sobre as camas, apos meses e meses de uso de produtos químicos que já me produziram reações alérgicas- eu que nunca sofri alergia a nada, exceto à maldade. ( Meu kit-permanente inclui velas e incensos de citronela, ventilador ligado, repelentes naturais e outros não tão assim, alternados, lampadas a aparatos elétricos anti-insetos e por aí vai.)  Buda que me perdõe, mas ele, Iluminado, há de entender. Eu, não sei se me sinto confortável matando tanto assim.
Isto foi apenas uma introdução para explicar o porque de, embora a viagem tenha se encerrado no domingo, apenas hoje que venho comentar.

IRRESPONSABILIDADE


Percorri cerca de 2000 km em rodovias e estradas de terra semana passada e horrorizada com a seca e queimadas que vi, fiquei com a impressão que este ano estão piores que em anos anteriores. ( Ver mais AQUI)  A região percorrida é o que pode-se chamar de minha zona de conforto, ou o espaço entre casas de filhos e netos que percorro frequentemente com a desculpa de ajudar, mas essencialmente trata-se de prevenir meus males do coração ( ver mais AQUI). Mas o que chamou a atenção desta vez é que a grande maioria das queimadas estão nas beiras de rodovias, vi alguns focos iniciando-se, outros já estendendo-se até longe e não vi queimadas em torno de estradas de terra de pouco transito, e as percorri aos montes, quero dizer, aos kilômetros.( montes também, de terra, barro, pó ) Nestas, a poeira está alta, cobre e tinge até o topo das árvores. Idem com os pastos ressequidos, mas não vi extensões queimadas, o que me fez concluir que a menor parcela de culpa é dos produtores rurais, como afirma-se comumente, culpabilizando-os por queimadas produzidas e que sei que ocorrem, sim, mas nos casos em questão, não . Ninguém iria atear fogo ao pasto onde estão seus próprios animais, famintos e emagrecidos, mas vivos, e fugindo da ação do fogo.( E ao chegarem aos limites das cercas ?.) E o fogo começa, eu insisto, às margens das rodovias. Então concluo: mais um dano dos cigarros, atirados irresponsavelmente pelas janelas dos veículos que passam em fúria, e seus ocupantes seguem sem a menor noção da consequência de seu gesto automático.

Campanha :  SEJAM RESPONSÁVEIS COM SUAS PONTAS DE CIGARROS !  A NATUREZA NECESSITA DE TODO CUIDADO AGORA.

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