A minha primavera tem cor da luz,
Um branco com uma pontinha de sol.
Um amarelo suave que os pássaros trazem na ponta do bico.
A minha primavera, tem a cor da luz e das primeiras flores.
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A minha primavera tem cor da luz,
Um branco com uma pontinha de sol.
Um amarelo suave que os pássaros trazem na ponta do bico.
A minha primavera, tem a cor da luz e das primeiras flores.
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Com os sorrisos escondidos em máscaras de pintinhas, plissam os
olhos de alegria e oferecem-me alfazema. Contam-me as tias. As minhas tias
confinadas. Contam-me que acariciam vezes sem conta os gatinhos que lhes sobem para o
colo. A calçada da entrada, já tem rasto de chinelo, uma estradinha arada de
passos cansados, como as batidas do coração. Dizem ter os sapatos de saltinho, guardados
em bolsas de pano cru, por causa dos bolores. Enfeitam os cabelos com os rolos
antigos, cor-de-rosa e, em cada onda que lhes fica, navegam as memórias e estas
conversas ao postigo.
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O Chapim-azul informação aqui é dos mais destemidos e, adora maçãs.
A partir de hoje, vou partilhar a variedade de espécies que passam pelo meu quintal com cenários feitos com flores da época e, outros acessórios.
Espero que gostem.
Beijinhos e bom confinamento.
Cuidem-se bem!
-Porque me mente se o que vejo, não me parecem flores?
- Então, e se te disser que elas nascem como pequenas joias,
acreditas? Perguntei com voz sussurrante, como se o fizesse para quem acaba
de acordar.
- Sim mm! - Disse o rapaz arrastando a afirmação, prolongando
a sonoridade como se fizesse eco e, se tornasse bumerangue. Agitado de
entusiasmo próprio de criança, prometeu que as guardaria no seu cofre de
memórias. Deixou para trás a carranca e o amuo, e foi fotografar as flores com
o olhar.
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Quando escrevo as primeiras
páginas da década, as flores estão cobertas deste janeiro branco. Lá, no jardim
sempre que é inverno, encontro-as como um arrumo de gavetas cheias daquelas
flores feitas de uma espécie de veludo. A macieza e a doçura como um pó de amor
que só temos nos jardins das nossas mães. O trato como se fossem filhos e, o
início de um livro com o frio conhecido no tempo certo.
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Regresso com este abraço de palavras que escrevo com o olhar
diário das fotografias. Com os passos a estalar o chão vidrino, andei nas
geadas brancas dos dias primeiros do ano. A sinopse da esperança, tem esta cor de
geada branca e, no entanto, sinto um fogo na alma que contraria o frio de
inverno. A beleza do branco. A beleza do branco, concentra a projeção da calma,
do novo, do sem mácula. A ilusão de um aconchego em lã de merino e, um querer
adormecer na alvura que apaga o ruído inquietante das coisas que temo.
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Neste regresso ao confinamento social, deixo ânimo e esperança para todos e, que o ano 21, ilumine o nosso livre arbítrio.
Na mesa, uma toalha de recortes com todas as fotografias que
nos cabem no coração. Desfiamos um rosário de máscaras, benzemo-nos em
antissético e, rogamos calor de abraços e de beijos inocentes. Suplicamos pela vida, imploramos os laços de
sangue. Ano de cruz. Lá fora, a última lua cheia da década, o último dia do ano
e, os amigos que não entram em casa. Prisioneiros e famintos, somos como lobos
em matilha num dia frio de profundo inverno. Acendemos as velas, olhamos fixos
a chama como se fosse verão e, acreditamos que não estamos sós.
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